Blog do Dr. Alexandre Faisal

Uso da camisinha é frequente entre os brasileiros?

Alexandre Faisal

 

 

A importância do uso da camisinha é bem conhecida entre os brasileiros. Mas será que o uso também é comum?. Uma revisão nacional sobre o uso do preservativo discute a questão

Você acha que com parceira(o) fixa(o) dá para abandonar o uso da camisinha? Clique aqui para votar

        Um artigo nacional investigou o uso do preservativo masculino no Brasil e elaborou reflexões críticas sobre o papel do mesmo no novo contexto da prevenção do HIV/AIDS. Os autores fizeram uma revisão narrativa sobre o uso do preservativo masculino no Brasil em diferentes grupos populacionais e fatores associados ao uso, de estudos realizados entre março e abril de 2013  Foram incluídos 40 artigos e 3 relatórios, além de 11 estudos de intervenção para promoção do uso de preservativos. Vejamos alguns dados. Algumas pesquisas apontam tendência de queda no uso do preservativo na última relação sexual dos últimos 12 meses (36,8%), apesar do conhecimento sobre o uso do preservativo ter se mantido alto em 2004 e 2008; maiores proporções de uso entre os mais jovens, e aumento no uso do preservativo entre eles na primeira relação sexual (60,9%).

         Com relação à população geral, os dados indicam associações entre uso regular de preservativo (em todas as relações sexuais dos últimos 12 meses) e: ser homem; idade de 15 a 24 anos, ter recebido preservativos de graça; e não coabitar com um parceiro. Importante notar que diversos estudos mostram que há maior dificuldade em manter o uso de preservativos no contexto de relações consideradas estáveis pelos parceiros envolvidos. Finalmente, considerando os estudos com adolescentes, identifica-se incremento no uso de preservativos comparando-se 1998 a 2005, e relatos mais frequentes de uso do preservativo no âmbito de relações sexuais com parceiros casuais (80%) quando comparados aos parceiros fixos (40%).

        Para concluir eles sugerem a necessidade de mais (e melhores estudos), se possível focando os fatores associados ao uso de preservativo entre os grupos nos quais a epidemia se concentra, como por exemplo homens que fazem sexo com homens (HSH), trabalhadoras sexuais (TS), usuários de drogas (UD) e travestis e transexuais (TT) Mais importante, eles afirmam que  a reflexão e discussão do uso do preservativo no âmbito das novas tecnologias de prevenção devem não só enfatizar a importância do mesmo, mas também considerar o papel do prazer e do sexo nas intervenções combinadas, além do potencial de redução do risco de infecção por HIV.

(Dourado et al.  Revisitando o uso do preservativo no Brasil. Rev Bras Epidemiologia 2015;18 Supl 1 63:68)