Blog do Dr. Alexandre Faisal http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam as mulheres e seus parceiros. Fri, 15 Sep 2017 14:54:22 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Será que idade materna tem impacto negativo na gestação de gêmeos? http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/09/15/sera-que-idade-materna-tem-impacto-negativo-na-gestacao-de-gemeos/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/09/15/sera-que-idade-materna-tem-impacto-negativo-na-gestacao-de-gemeos/#respond Fri, 15 Sep 2017 14:54:22 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=654 Resultado de imagem para pregnancy of twins

 

Você acha que a idade materna influencia negativamente a gestação gemelar? Clique aqui para votar

As gestações nos extremos da vida, na adolescência ou após os 35 anos estão igualmente associadas à diversas complicações materno-fetais, com destaque para parto prematuro e morte perinatal do feto.  O mesmo ocorre com a gestação gemelar.  E o número de gestações gemelares aumenta após os 35 anos de idade tanto pela maior número de filhos da mulher nesta fase da vida, quanto pelos tratamentos de fertilidade. No entanto, há carência de estudos relacionando o grau de impacto da idade materna nos limites da vida reprodutiva e diversos resultados obstétricos. Pois bem, um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Columbia, em Nova York, procurou avaliar a relação entre idade materna e risco de parto prematuro, morte fetal e morte neonatal em gestações gemelares. Eles usaram dados populacionais dos EUA, sobre nascimentos e desfechos obstétricos no período de 2007 a 2013, das gestações de gêmeos. A idade materna foi categorizada em diversas faixas dos 15 aos 17 até 40 anos ou mais.

Os principais resultados incluíram parto prematuro, morte fetal e morte da criança até 28 dias de vida. No total foram analisados dados de mais de 955 mil nascimentos vivos de gêmeos. Um dos resultados que mais chama a atenção é a queda progressiva no risco de morte fetal à medida que aumentava a idade materna. Por exemplo, o risco de morte fetal variou de 39,9 por 1000 nascidos vivos para mulheres de 15 a17 anos a 15,8 para mulheres maiores de 40 anos. O mesmo fenômeno ocorreu em relação ao óbito do bebê até 28 dias de vida. Isso foi mais comum nas mulheres mais jovens na comparação com as mais velhas. (10 x 4.6/por mil nascidos vivos). Quanto ao parto prematuro ele ocorreu mais frequentemente nos extremos da vida, abaixo dos 17 anos e acima dos 40 anos. Os autores discutem limitações do estudo que incluem a ausência de controle de outras que poderiam confundir os resultados, características da gemelaridade (se mono ou dizigóticos) e tratamentos disponibilizados para os bebês após nascimento. No entanto, a principal conclusão, que tem tudo para agradar as mamães de gêmeos, é que o prognóstico da gestação gemelar é bastante favorável. Mesmo que a gestante seja mais velha, ou seja, com mais de 35 ou 40 anos. Ou melhor, principalmente se ela gestante for  mais velha.

A explicação pode estar na pior qualidade dos cuidados obstétricos dispensados as gestantes adolescentes. Mas estes resultados tão animadores exigem cautela na sua interpretação já que, no geral, os riscos da gestação gemelar são, claramente, maiores na comparação com a gestação de feto único.  Mas muitas gestantes mais velhas, futuras mamães de gêmeos, podem com razão argumentar que esta é outra história.

(McLennan AS, Gyamfi-Bannerman C, Ananth CV, et al. The role of maternal age in twin pregnancy outcomes. Am J Obstet Gynecol 2017;217:80.e1-8)

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Yoga melhora sintomas psicológicos associados às queixas mentruais http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/09/03/yoga-melhora-sintomas-psicologicos-associados-as-queixas-mentruais/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/09/03/yoga-melhora-sintomas-psicologicos-associados-as-queixas-mentruais/#respond Sun, 03 Sep 2017 21:17:17 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=648

Você praticaria Yoga como forma de tratamento para as  cólicas menstruais?  Clique aqui para votar

Quase todas as mulheres experimentam ao longo da vida um episódio de disfunção menstrual. Algumas sofrem com o problema frequentemente. São mulheres que reclamam do aumento ou diminuição excessiva do fluxo, sangramentos irregulares fora do prazo e cólicas menstruais. O impacto negativo dos distúrbios menstruais é inequívoco, tanto do ponto de vista psicológico quanto físico. E a lista de efeitos é longa: náuseas, dor de cabeça, fadiga, diarréia, letargia, sensibilidade mamária, ansiedade e depressão. Ainda que a eficácia dos tratamentos hormonais seja bem documentada, atualmente, muitas mulheres com distúrbios menstruais preferem terapias complementares e alternativas.

Entre estas terapias complementares e alternativas, o Yoga Nidra, um tipo particular de prática de yoga, tem recebido atenção, principalmente no que concerne aos problemas psicológicos associados aos transtornos menstruais. Yoga nidra significa “um sono psíquico” e é uma prática de relaxamento específica dentro da terapia de ioga. Mas será que isso funciona?. Pois bem, pesquisadores coreanos fizeram uma revisão de estudos afins para sanar esta dúvida. Eles selecionaram 2 ensaios clínicos que foram realizados na Índia, que incluíram conjuntamente 250 participantes, com idade média de 26 anos. Todas apresentavam algum tipo de queixa menstrual. Questionários avaliaram aspectos sociodemográficos e emocionais. As práticas de yoga variavam sessões de 30 a 35 minutos/por dia, 5 dias na semana, durante 6 meses. Os dois grupos receberam medicação, mas apenas as mulheres do grupo experimental realizaram yoga. Resultado mais importante os escores de ansiedade e depressão foram significativamente menores no grupo da yoga.

A explicação pode estar no mecanismo de ação no cérebro da prática. A yoga pode aumentar a atividade do sistema nervoso parassimpático, diminuindo assim a intensidade dos sintomas psicológicos. Outro mecanismo seria a liberação de dopamina. Os estudos não observaram efeitos colaterais da intervenção, o que a credencia, ainda que com muita cautela, como estratégia segura e simples para o gerenciamento de problemas psicológicos relacionados a distúrbios menstruais. Os autores recomendam mais estudos e pesquisa. Vamos meditar para que isso se confirme

(Kim S-D, Psychological effects of yoga nidra in women with menstrual disorders: A systematic review of randomized controlled trials, Complementary Therapies in Clinical Practice (2017), doi: 10.1016/j.ctcp.2017.04.001.)

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Será que a idade paterna aumenta risco de malformação fetal? http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/08/27/sera-que-a-idade-paterna-aumenta-risco-de-malformacao-fetal/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/08/27/sera-que-a-idade-paterna-aumenta-risco-de-malformacao-fetal/#respond Sun, 27 Aug 2017 21:10:47 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=644 Resultado de imagem para old dad

 

Você acha que a idade do pai aumenta risco de complicações da gravidez e fetais ? Clique aqui para votar

Ter filhos é uma decisão comumente postergada pelos pais. Os motivos são diversos: as pessoas se casam mais tarde, tem outros interesses profissionais ou simplesmente deixam para depois de terem curtido a vida. A existência de tecnologias de reprodução assistida é outra explicação. No caso da idade materna avançada, após 40 anos, os risco fetais e obstétricos são bem conhecidos. Já quanto a idade paterna os dados são limitados. Ou pelo menos eram. Um estudo americano objetivou determinar a influência da idade paterna em resultados perinatais e avaliar se essa influência difere entre gestações espontâneas e aquelas obtidas por meio de tecnologia de reprodução assistida. Foram usados retrospectivamente dados de todos os nascidos vivos em Ohio de 2006 a 2012, num total de mais de  830.000 nascimentos. A idade paterna foi determinada 82% das gestações  e a sua associação com complicações perinatais foi ajustada para idade materna, raça, gestação multifetal e tipo de plano de saúde.

Vamos aos principais resultados. A idade paterna variou de 12 a 87 anos, enquanto a idade materna variou de 11 a 62 anos. O uso de técnicas de reprodução assistida aumentou com a idade paterna, variando de 0.1% entre os pais com menos de 30 anos a 2.5% para os pais com mais de 60 anos. Mas a grande e boa notícia é que o aumento da idade paterna não se associou a um aumento significativo na taxa de pré-eclâmpsia, parto prematuro, restrição de crescimento fetal, mal formação congênita ou desordem genética do bebê, e  admissão à unidade de terapia intensiva neonatal. A influência da idade paterna nos resultados obstétricos foi semelhante nas gestações espontâneas ou por meio de reprodução assistida. A conclusão é que o aumento da idade paterna não representa um risco independente de desfechos perinatais adversos, nas gestações obtidas com ou sem tecnologia de reprodução assistida. Os resultados são tudo de bom para homens mais velhos que desejam ter filhos mas se preocupam com os eventuais riscos para a mãe e para o bebê.

Os autores, no entanto, sugerem cautela com os dados já que admitem que em mesmo com quase 1 milhão de nascimentos, alguns efeitos negativos associados à idade paterna podem não ser detectados. Do ponto de vista metodológico pode até ser verdade, mas aposto que os pais meio coroas já devem estar comemorando. E provavelmente suas parceiras e esposas também.

(Hurley EG, DeFranco EA. Influence of paternal age on perinatal outcomes. Am J Obstet Gynecol 2017)

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Maior consumo de carne processada aumenta risco de diabetes em 17% http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/08/18/maior-consumo-de-carne-processada-aumenta-risco-de-diabetes-em-17/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/08/18/maior-consumo-de-carne-processada-aumenta-risco-de-diabetes-em-17/#comments Fri, 18 Aug 2017 14:28:25 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=638 Imagem relacionada

Sua dieta inclui porções diárias de frutas, verduras e legumes? Clique aqui para votar

O Diabetes Mellitus tipo 2 é também chamado de diabetes não insulinodependente ou diabetes do adulto e corresponde a 90% dos casos de diabetes.  Ocorre geralmente em pessoas acima do peso, com mais de 40 anos de idade, embora na atualidade seja cada vez mais comum em jovens, com maus hábitos alimentares e sedentários.  No mundo todo, o incremento do DM tipo  2 ocorre em paralelo ao aumento da obesidade, sedentarismo e dietas pouco saudáveis. Se em 2015 existiam 415 milhões de diabéticos tipo 2,  em 2040 este número pode chegar a 642 milhões. Pois bem uma meta-análise com 88 estudos realizada por pesquisadores da Alemanha e Áustria procurou avaliar quais grupos alimentares tem maior evidência científica de proteção ou prejuízo em relação a risco de desenvolvimento de DM2.  Os estudos incluídos classificaram a dieta em 12 grupos: cereais integrais, cereais refinados, vegetais, frutas, oleaginosas (castanhas, nozes), legumes, ovos, laticínios, peixe, carne vermelha, carne processada (embutidos), bebidas adoçadas com açúcar.

O surgimento de DM segundo os diferentes consumos destes grupos alimentares foi calculado. As conclusões não chegam a ser novidade, mas elas elucidam o tamanho do risco de uma dieta inadequada. Entre os grupos alimentares investigados. No caso da carne processada, a comparação de grupos com alto e baixo consumo mostrou aumento de 17 % no risco de DM. Já para consumo excessivo de bebidas adoçadas o risco de DM era ainda maior: 30%. Do outro lado da balança ficaram os alimentos protetores para a ocorrência de DM: os cereais integrais e as frutas e vegetais. De modo geral, as fibras melhoram a sensibilidade e a secreção de insulina, além de contribuírem para manutenção do peso. Estudos sobre o impacto da alimentação sobre desfechos de saúde são, em geral, bastante complexos.

Devem levar em conta a heterogeneidade dos padrões de dieta em cada população e a influência de outros fatores de risco igualmente importantes. Mas ainda assim, as implicações desta meta-análise sobre a prevenção do DM é clara: as pessoas devem priorizar a ingestão de grãos integrais, legumes, frutas e laticínios, e reduzir o consumo de carnes vermelhas e processadas, além das bebidas adocicadas. Muitos podem torcer o bico para estas restrições. Mas vale ressaltar que são estes mesmo que podem vir a reclamar de diabetes.

(Schwingshackl L et al., Food groups and risk of type 2 diabetes mellitus: a systematic review and meta-analysis of prospective studies. Eur J. Epidemiol, Abril 2017)

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Vale a pena repôr testosterona para queda de libido no climatério? http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/08/10/vale-a-pena-repor-testosterona-para-queda-de-libido-no-climaterio/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/08/10/vale-a-pena-repor-testosterona-para-queda-de-libido-no-climaterio/#respond Thu, 10 Aug 2017 23:10:09 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=633 Imagem relacionada

 

Você acha que reposição de testosterona melhora a baixa libido no climatério ? Clique aqui para votar

Especialistas da “International Society for Study of Women’s Sexual Health” publicaram um artigo de revisão sobre a epidemiologia, fisiologia, patogênese, diagnóstico e tratamento do transtorno de desejo sexual hipoativo (TDSH), disfunção sexual que afeta aproximadamente 10% das mulheres adultas. Os fatores etiológicos incluem condições ou drogas que diminuem os níveis de dopamina, oxitocina e norepinefrina no cérebro e aumentam os níveis de serotonina cerebral, endocanabinoide, prolactina e opióide. Os sintomas incluem falta ou perda de motivação para participar da atividade sexual devido à diminuição ou ausência de desejo espontâneo, do desejo sexual em resposta ao estímulo erótico, ou da capacidade de manter desejo ou interesse por meio da atividade sexual por pelo menos 6 meses. Tudo isso é claro resulta em grande nível de estresse.

O tratamento segue um modelo biopsicossocial e é orientado pela história e avaliação dos sintomas. A terapia sexual por meio de terapias mente-corpo, terapias cognitivas ou outras formas de terapias psicológicas, tem sido o tratamento padrão, embora haja uma escassez de estudos que avaliem a eficácia de tratamentos medicamentosos. Alguns antidepressivos tem sido usado sem indicação formal, mas há dúvidas quanto à segurança e eficácia. A mesma consideração se aplica ao uso da testosterona, sendo que admite-se que mulheres na menopausa com TDSH  são candidatas ao tratamento, já que apresentam declínio dos níveis sanguíneos circulantes de testosterona. Ensaios clínicos confirmam que mulheres menopausadas que usaram adesivos com testosterona apresentaram melhores índices de eventos sexuais e satisfação sexual na comparação com mulheres que receberam placebo. Vale lembrar que mesmo no curto prazo acne, hirsutismo (aumento de pelos) podem ocorrer em até 8% das usuárias. E no uso de longo prazo existem preocupações com a saúde cardiovascular e câncer de mama.

Para complicar admite-se que os benefícios podem não ser imediatos, demorando até algumas semanas. No entanto, na ausência de resultados positivos após 6 meses, recomenda-se interromper a medicação. Aceita-se também que as diferentes modalidades de terapia, psicológica ou medicamentosa, alteram as vias de inibição e excitação em determinadas áreas cerebrais. O artigo enfatiza a necessidade de investigar o problema e oferecer tratamentos individualizados para as mulheres. Como se vê não há solução fácil para um problema tão delicado

(Goldstein et al. Hypoactive Sexual Desire Disorder: International Society for the Study of Women’s Sexual Health (ISSWSH) Expert Consensus Panel Review. Mayo Clin Proc. 2017;92(1):114-128)

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Veja as novas recomendações americanas sobre terapia de reposição hormonal http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/07/18/veja-as-novas-recomendacoes-americanas-sobre-terapia-de-reposicao-hormonal/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/07/18/veja-as-novas-recomendacoes-americanas-sobre-terapia-de-reposicao-hormonal/#respond Wed, 19 Jul 2017 00:18:19 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=627 Resultado de imagem para menopause

 

Você indicaria para você ou familiares terapia de reposição hormonal ou tratamentos naturais para os sintomas do climatério ? Clique aqui para votar

Os sintomas vasomotores moderados a graves (SVM) afetam alta porcentagem de mulheres peri e pós-menopáusicas. O SVM pode persistir por muitos anos, afetando negativamente a qualidade de vida. A síndrome genito-urinária da menopausa (SGU) também é altamente prevalente e pode tornar-se mais incômoda à medida que as mulheres envelhecem. Usando abordagem baseada em evidências, um painel consultivo de mais de 20 especialistas atualizou as diretrizes de terapia hormonal (TH) da Sociedade Norte Americana de Menopausa. Vamos às principais conclusões e recomendações. Quanto aos sintomas vasomotores reconhece-se que a TH sistêmica é o tratamento mais eficaz para o SVM. E que a relação benefício-risco mais favorável é observada para mulheres com idade inferior a 60 anos ou dentro de 10 anos do início da menopausa. Se estas mulheres não têm mais o útero, melhor ainda. E neste caso elas são elegíveis para monoterapia com estrogênio. Já para as mulheres com 60 anos ou mais ou mais de 10 anos desde o início da menopausa, a relação benefício-risco da TH é menos favorável devido ao maior risco absoluto de doença cardíaca coronária, acidente vascular cerebral, tromboembolismo venoso e demência.

As diretrizes sugerem a discussão com cada mulher do tipo, dose e duração da reposição hormonal. Uma particularidade, no caso das mulheres com menopausa precoce (em geral abaixo dos 40 anos), recomenda-se repor os hormônios até os 52 anos de idade, que é a idade média para a ocorrência da menopausa. Se a queixa for apenas de sintomas urogenitais, ressecamento e dor no ato sexual, a prescrição é por reposição hormonal por via vaginal e não por via sistêmica. Isso ainda se lubrificantes ou hidratantes não derem conta do recado. Finalmente, uma orientação adicional para mulheres com osteoporose com menos de 60 anos de idade e/ou menopausa recente: terapia de reposição hormonal deve ser encarada como prioridade, sem obviamente desconsiderar outras opções de tratamento.

Ficou fácil não é?. Ainda bem já que em meio ao turbilhão de mudanças físicas e psicológicas do climatério e menopausa, a mulher tem ainda que lidar, muitas vezes, com a desinformação na hora de escolher seu tratamento. Agora, pelo menos, mulheres menopausadas não precisam mais esquentar a cabeça com isso.

(The 2017 hormone therapy position statement of The North American Menopause Society. Menopause 24(7):728-7, 2017)

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Exercícios de alta intensidade na menopausa são benéficos ? http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/07/07/exercicios-de-alta-intensidade-na-menopausa-sao-beneficos/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/07/07/exercicios-de-alta-intensidade-na-menopausa-sao-beneficos/#respond Fri, 07 Jul 2017 20:19:31 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=619 Resultado de imagem para menopausal women exercising

Você considera benéfico a realização de exercícios de alta intensidade na menopausa ? Clique aqui para votar

          A expectativa das mulheres vem progressivamente aumentando ao longo dos anos. Ótima notícia para mulheres, o que não significa que isso não tenha um grande impacto no sistema de saúde. Estudos mostram que 80% das mulheres com mais de 70 anos tem pelo menos 2 doenças. 27% dentre elas tem 5 ou mais. Diminuir este custo é objetivo de várias políticas públicas de saúde. E para isso é preciso encontrar estratégias eficazes para prevenir as doenças e que sejam iniciadas precocemente na vida. Será que os exercícios se encaixam nesta recomendação?. Pois bem, este foi o objetivo de estudo alemão que procurou avaliar o efeito de longo prazo do exercício sobre diferentes parâmetros de saúde.  Elas foram seguidas por um período de 16 anos.

          Vamos aos detalhes da pesquisa. Em 1998, 137 mulheres pós-menopáusicas, (média de idade 55 anos) que apresentavam declínio da massa óssea sem osteoporose foram incluídas no estudo e sorteadas para dois grupos: grupo de exercícios (GE) ou grupo de atividades habituais (GC). Neste grupo a mulher era apenas acompanhada na sua rotina diária de atividade física. No primeiro grupo, os exercícios de alta intensidade eram feitos em grupo, por 60 minutos e, individualmente, em casa, por 20 a 25 minutos, ambos 2 vezes por semana, 49 a 50 semanas por ano. Ao longo dos anos foram registradas as fraturas, o risco de doença coronariana/ infarto do miocárdio e dor lombar.  Em 2014, 59 mulheres do GE e 46 mulheres do GC foram incluídas na análise de seguimento de 16 anos. O risco de doença cardiovascular com base no escore de Framingham, instrumento amplamente utilizado neste tipo de pesquisa, aumentou significativamente em ambos os grupos. Isso era de se esperar em função do envelhecimento das mulheres. No entanto, as alterações foram menos evidentes GE. A lombalgia piorou no grupo controle, enquanto no GE observou-se redução de 53% nas incidências de fraturas clínicas.

         A novidade da pesquisa é o uso de exercício de alta intensidade, quando já se conhece a eficácia dos exercícios moderados. Mas independente deste aspecto, o resumo da história é que os programas de exercícios demonstraram efeitos benéficos sobre vários fatores de risco e doenças da menopausa/envelhecimento. Por isso que devem ser considerados como estratégias de prevenção primária (para quem não tem doenças) ou secundária (para quem já apresenta algum problema de saúde), em mulheres pós-menopáusicas. A mensagem para você mulher que não curte ficar tomando remédios é exercite-se. Vai dar um certo trabalho e cansaço, mas é um ótimo jeito de economizar seu dinheiro e ao mesmo tempo manter sua saúde. 

(Kemmler et al  Long-term effects of exercise in postmenopausal women: 16-year results of the Erlangen Fitness and Osteoporosis Prevention Study (EFOPS). Menopause. 2017;24(1):45-51).

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Qual é a redução do peso com derivados das anfetaminas? http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/07/01/qual-e-a-reducao-do-peso-com-derivados-das-anfetaminas/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/07/01/qual-e-a-reducao-do-peso-com-derivados-das-anfetaminas/#respond Sat, 01 Jul 2017 20:29:13 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=613 Resultado de imagem para obesity

 

Você  é favor da liberação dos derivados da anfetamina para tratamento da obesidade? Clique aqui para votar

A lei aprovada esta semana pelo congresso que libera determinados anorexígenos (remédios para inibir o apetite) coloca em cheque a determinação da ANVISA (agência nacional de vigilância sanitária). Medicamentos femproporex, anfepramona e mazindol que estavam proibidos desde 2011 são agora liberados para uso no controle da obesidade. A questão é complexa já que por um lado é crescente o número de obesos no mundo e no Brasil, muitos dos quais tem co-morbidades (a presença de outras doenças) e muitas dificuldades em perder peso com tratamentos habituais que incluem dieta e exercícios. O outro lado da história é que se questiona a segurança e eficácia destes derivados das anfetaminas, que agem em áreas cerebrais que controlam a sensação de fome e saciedade. Críticos das drogas afirmam que elas resultam em perdas modestas e pouco sustentáveis da perda de peso e implicam em riscos cardio-vasculares e psiquiátricos.

Pois bem, uma meta-análise com 25 estudos publicada na revista brasileira Clinics objetivou avaliar a eficácia e segurança da anfepramona, femproporex e mazindol como monoterapia (apenas uma droga) para o tratamento de pacientes obesos ou com excesso de peso.  Os resultados não são animadores. Os autores questionam os eventuais efeitos benéficos da anfepramona e do mazindol que mostraram algum benefício na perda de peso de curto ou longo prazo. Por exemplo, no caso da anfrepramona uma perda média de 1.2 quilos em até 180 dias de uso. No entanto, a publicação critica a extensão dos benefícios e a qualidade dos estudos analisados. A agência Food  and Drug Administration (FDA) americana determina, por exemplo, que para um dos critério para o registro de uma medicação anti-obesidade é que ela resulte perda de peso estatisticamente significativa em relação ao placebo em 45% dos indivíduos dentro de um ano de tratamento. Muitos dos artigos incluídos não confirmaram este resultado. Quanto aos efeitos adversos, mais questionamentos: eles nem sempre foram adequadamente avaliados.

Resumo da história, neste jogo de muitos interesses, a meta-analise brasileira é gol contra a liberação das anfetaminas para tratamento da obesidade. E olhe que durante muitos anos, o Brasil foi mencionado como um dos maiores consumidores de supressores de apetite no mundo, com evidência de uso irracional dessa classe de drogas. Mas vale destacar que o uso legal destes medicamentos varia entre os países. A anfepramona é comercializada no México, no Chile, outros países da América Latina e USA, mas é proibida na Europa. Já o femproporex nunca foi aprovado nos Estados Unidos, foi proibido na Europa, em 199, chegando a ser conhecido como “Brazilian diet pill”. Convenhamos que isso não chega a ser um reconhecimento do qual devamos nos gabar. Principalmente quando é o Congresso Nacional que determina que tipo de Brazilian diet pill que pode ou não ser comercializado

(Lucchetta RC, Riveros BS, Pontarolo R, Radominski RB, Otuki MF, Fernandez-Llimos F, et al. Systematic review and meta-analysis of the efficacy and safety of amfepramone and mazindol as a monotherapy for the treatment of obese or overweight patients. Clinics. 2017;72(5):317-324)

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Atividade física reduz risco de parto prematuro em 13% http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/06/25/atividade-fisica-reduz-risco-de-parto-prematuro-em-13/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/06/25/atividade-fisica-reduz-risco-de-parto-prematuro-em-13/#respond Sun, 25 Jun 2017 19:16:32 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=610 Resultado de imagem para pregnant women training

Você considera que as mulheres sedentárias podem começar a malhar quando engravidam ? Clique aqui para votar

Muitas gestantes, preocupadas com o bebê, temem iniciar ou manter atividades físicas durante a gravidez. Uma preocupação, em particular, é o parto prematuro. E elas têm motivos já que estudos divergem sobre o tema, sendo que alguns mostram aumento do risco de prematuridade, principalmente associado às atividades extenuantes. Pois bem, vem aí uma boa notícia para estas futuras mamães. Pesquisadores de Londres e da Noruega realizaram uma meta-análise, com 43 estudos de vários países, sobre o impacto dos vários tipos de atividade física na gravidez.

Vamos aos resultados. A atividade física se mostrou protetora do parto prematuro em mulheres que exercitavam antes ou durante a gestação. A redução do risco do bebê nascer antes da hora foi de 13% para as mulheres, ou gestantes no início da gravidez, que se exercitavam mais, na comparação com aquelas mulheres que se exercitavam menos. No caso das chamadas atividades de lazer o mesmo benefício. Por exemplo, um acréscimo de 3 horas por semana nestas atividades incorria em decréscimo de 10% dos partos prematuros. De fato, 2 a 4 horas de atividades como caminhada ou jardinagem tinham impacto bastante positivo para a duração da gestação E no geral, fazer um pouco de atividade se mostrou melhor do que não fazer nada. A explicação pode residir da diminuição da pré-eclâmpsia ou do diabetes na gravidez. Outra hipótese provável é que ela é importante auxiliar no controle de peso, na diminuição da obesidade e do ganho excessivo de peso gestacional que são fatores de risco bem estabelecidos para prematuridade. Finalmente, a atividade física melhora a sensibilidade à insulina e pode diminuir a resposta inflamatória, sugerida caminho fisiopatológico para a prematuridade.

Novos estudos poderão ser úteis para definir quando e quanto de exercício e atividade é preciso para obter o melhor benefício para formas mais ou menos extremas de prematuridade, um problema que atinge 10% dos partos e é ainda causa relevante de morte neonatal. Pelo jeito os bebês podem continuar tranquilinhos no ventre materno, mesmo quando suas mamães estão malhando.

(Aune et al. Physical activity and the risk of preterm birth: a systematic review and meta-analysis of epidemiological studies. BJOG. 2017 Apr 4. doi: 10.1111/1471-0528.14672)

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Força da musculatura pélvica feminina se associa com prazer sexual http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/06/06/forca-da-musculatura-pelvica-feminina-se-associa-com-prazer-sexual/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/06/06/forca-da-musculatura-pelvica-feminina-se-associa-com-prazer-sexual/#respond Tue, 06 Jun 2017 22:07:51 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=569 Resultado de imagem para pelvis training

 

A força da musculatura pélvica na mulher é importante para prevenção de queixas urinárias. Um estudo nacional avalia se isso também se aplica ao prazer sexual 

Na sua opinião, você acha que exercício para a musculatura pélvica pode ajudar na obtenção de prazer sexual ? Clique aqui para votar

Na pós-menopausa, a prevalência de disfunção sexual é bastante alta, variando de 30 a 80%, dependendo da queixa sexual e da população avaliada. O envelhecimento claramente contribui para este tipo de problema, originado ou agravando queixas como secura vaginal e dor na relação. Outro aspecto é que alguns autores sugerem diferentes mecanismos pelos quais a força da musculatura pélvica (FMP) pode alterar o desempenho sexual. Entre eles, o aumento na força do músculo ligado ao corpo cavernoso do clitóris poderia levar a aumento da excitação e orgasmo. Será então que há uma relação entre a piora da sexualidade e a força da musculatura pélvica da mulher menopausada. Pois bem pesquisadores da FMUSP de Ribeirão Preto realizaram estudo transversal para investigar esta associação, bem como a relação entre incontinência urinária relatada (IU) e disfunção sexual. Foram incluídas 113 pacientes na menopausa. A FMP foi avaliada utilizando a técnica de manometria, por meio de um aparelho introduzido na vagina, com supervisão de fisioterapeuta. A função sexual foi avaliada utilizando o instrumento denominado Índice de Função Sexual Feminina . Escores mais altos indicavam presença de disfunção sexual. IU foi avaliado por meio de questionário validado. A idade das mulheres variou de 42 a 65 anos.

O dado mais importante do estudo mostra que mulheres sem disfunção sexual apresentaram força significativamente maior da musculatura pélvica na comparação com as mulheres que sofriam algum tipo de disfunção sexual. Uma fraca correlação também foi observada entre a pontuação mais alta na escala de disfunção sexual e gravidade da IU. A piora sexual associada ao enfraquecimento da musculatura pélvica tem respaldo na literatura. Aceita-se que a força da musculatura pélvica pode desempenhar um papel na função sexual. Os músculos pubo-coccígeos e ileo-coccígeos são responsáveis por contrações involuntárias. Outros autores postulam que aumentar a força do assoalho pélvico pode melhorar a excitação e resposta orgásmica. Mas nem tudo são flores. Estudos que avaliaram o impacto do treinamento da musculatura pélvica não mostraram resultados significativos sobre a função sexual.

Mais estudos na área são necessários, mas parece claro que eles terão que contornar um problema muito sério: a complexidade da sexualidade feminina. Aspectos psicológicos, sociais e da relação com o par amoroso estão sempre muito envolvidos nas queixas sexuais. E tanto na vida com na pesquisa científica, separar os aspectos psico-sociais e de relacionamento das questões biológicas não é nada fácil.

(De Menezes Franco et al. Relationship between pelvic floor muscle strength and sexual dysfunction in postmenopausal women: a cross-sectional study. Int Urogynecol J. 2016 )

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