Blog do Dr. Alexandre Faisal http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam as mulheres e seus parceiros. Tue, 14 Nov 2017 22:47:35 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Dia mundial do diabetes: 7% das brasileiras sofrem com a doença http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/11/14/dia-mundial-do-diabetes-7-das-brasileiras-sofrem-com-a-doenca/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/11/14/dia-mundial-do-diabetes-7-das-brasileiras-sofrem-com-a-doenca/#respond Tue, 14 Nov 2017 22:47:35 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=681 Resultado de imagem para diabetes

 

Você sabe quais são do sintomas do diabetes ?  Clique aqui para votar

O diabetes é uma doença crônica metabólica caracterizada pelo aumento da glicose no sangue. O distúrbio acontece porque o pâncreas não é capaz de produzir a insulina em quantidade suficiente para suprir as necessidades do organismo. A insulina promove a redução da glicemia ao permitir que o açúcar que está presente no sangue possa penetrar as células, para ser utilizado como fonte de energia. Se não tratado, o diabetes sobre causar insuficiência renal, amputação de membros, cegueira, doenças cardiovasculares, como AVC (derrame), e infarto. Quando se investiga a importância do DM como carga de doença, ou seja, o impacto da mortalidade e dos problemas de saúde que afetam a qualidade de vida de seus portadores, por meio do Disability Adjusted Life of Years (DALY), observa-se que, em 1999, o DM apresentava taxa de 12 por mil habitantes, ocupando a oitava posição, sendo superado pelo grupo das doenças infecciosas e parasitárias, neuropsiquiátricas, cardiovasculares, respiratórias crônicas, do aparelho digestivo, neoplasias malignas e doenças musculoesqueléticas. Uma epidemia de diabetes mellitus (DM) está em curso.

Atualmente, estima-se que a população mundial com diabetes seja da ordem de 387 milhões e que alcance 471 milhões em 2035. Cerca de 80% desses indivíduos vivem em países em desenvolvimento. O número de diabéticos está aumentando em virtude do crescimento e do envelhecimento populacional, da maior urbanização, da progressiva prevalência de obesidade e sedentarismo, bem como da maior sobrevida de pacientes com DM. A Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com o IBGE, mostra que o diabetes atinge 9 milhões de brasileiros  (6,2% da população adulta). As mulheres (7%) apresentaram maior proporção da doença do que os homens (5,4%). A doença é mais comum em pessoas mais velhas: 0,6% entre 18 a 29 anos; 19,9% entre 65 e 74 anos. No Brasil, um estudo realizado na comunidade nipo-brasileira mostrou aumento vertiginoso na prevalência de DM, cuja taxa passou de 18,3%, em 1993, para 34,9%, em 2000, o que comprova o impacto de alterações no estilo de vida, em particular do padrão alimentar, interagindo com provável suscetibilidade genética. Diabetes é doença cercada de crenças. Entre elas a de que “comer doce é causa de diabetes” (embora diabéticos tem que moderar consumo), “é fácil perceber a doença” (nem sempre há sinais claros como muita sede, fome, muita micção), “só gordo tem DM” (Diabetes 2 é mais comum em obesos mas existem magros diabéticos).

A boa notícia é que há evidências de que alterações no estilo de vida, com ênfase na alimentação e na redução da atividade física, associam-se a acentuado incremento na prevalência de DM2. Os programas de prevenção primária do DM2 baseiam-se em intervenções na dieta e na prática de atividades físicas, visando combater o excesso de peso em indivíduos com maior risco de desenvolver diabetes, particularmente nos com tolerância à glicose diminuída. Um estudo finlandês (Finnish Diabetes Prevention Study) mostrou que mudanças de estilo de vida, em 7 anos, diminuíram a incidência de DM em 43%. Os resultados do Diabetes Prevention Program (DPP) mostraram redução de 34% em 10 anos de acompanhamento na incidência de casos de DM mediante o estímulo a uma dieta saudável e à prática de atividades físicas. Outras medidas importantes na prevenção secundária (ou seja para quem já sofre de DM) são o tratamento da hipertensão arterial e dislipidemia, reduzindo os de complicações, a prevenção e o cuidados das úlceras nos pés e o rastreamento para diagnóstico e tratamento precoce da retinopatia.

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Periodontite se associa com 14% de aumento no risco de câncer feminino http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/11/03/periodontite-se-associa-com-14-de-aumento-no-risco-de-cancer-feminino/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/11/03/periodontite-se-associa-com-14-de-aumento-no-risco-de-cancer-feminino/#respond Fri, 03 Nov 2017 14:42:47 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=677 Resultado de imagem para tooth brushing

Você acha o cuidado com a saúde bucal tão importante quanto os demais cuidados de saúde?  Clique aqui para votar

Cuidados com a cavidade bucal e dentes são pouco freqüentes na população, até por razões culturais que não identificam a higiene oral como uma prática tão importante de saúde como medir a pressão,  controlar a glicemia ou fazer exame de prevenção de câncer. Mas isso não é bem assim. E, pior ainda, a doença periodontal pode estar associada ao maior risco de câncer em mulheres mais velhas. Esta é a conclusão de um grande estudo americano (WHI) que avaliou prospectivamente mais de 65 mil mulheres, com idades entre 54 e 86 anos. No início da pesquisa elas forneceram informação sobre doenças periodontais no período de 1999 e 2003, por meio de pergunta direta. Posteriormente foram avaliadas por até 15 anos para a verificação da ocorrência de diferentes tipos de câncer. Foram avaliadas outras variáveis que poderiam confundir uma eventual associação entre periodontite e câncer, tais como idade, etnia, consumo de álcool e principalmente tabagismo.

O resultado mais impressionante confirma que  história de doença periodontal  se associou com aumento de 14% no risco total de câncer. E que estes resultados foram semelhantes quando as análises foram limitadas as mulheres que nunca haviam fumado na vida. A associação foi observada para vários tipos de câncer: mama, pulmão, esôfago, vesícula biliar e melanoma, sendo que a magnitude do efeito variou conforme a localização do tumor. Os mecanismos por meio dos quais a doença periodontal promove câncer não é bem definido e precisa ainda ser determinado. Uma teoria  plausível admite que patógenos orais, certas bactérias, por exemplo, podem-se  deslocar para outros locais do organismo por meio da saliva no intestino, aspiração na placa dental ou liberação na circulação a partir dos tecidos periodontais doentes. A identificação destes agentes em locais distante da boca já foi documentada. Falta ainda esclarecer o mecanismo da carcinogênese.

As implicações do estudo são evidentes. O tratamento da doença periodontal passa a ser também importante como forma de reduzir o risco destes tipos de câncer feminino. Principalmente se consideramos que problemas de saúde bucal, incluindo gengiva e dentes é mais freqüente com o aumento da idade e envelhecimento e que a maioria dos cânceres tende a ter um longo período de latência. Mas antes que os homens acreditem que este assunto é coisa de mulher, vale destacar que  um outro estudo com mais de 48 mil  profissionais de saúde masculinos dos EUA relatou um aumento de 14% do risco total de câncer, entre os homens com história de doença periodontal auto-relatada, na comparação com os que aqueles sem não possuem essa história. Como se observa, os homens também não vão escapar deste cuidados orais.

(Nwizu et al.Periodontal Disease and Incident Cancer Risk among Postmenopausal Women: Results from the Women’s Health Initiative Observational Cohort. Cancer Epidemiol Biomarkers Prev; 26(8); 1255–65,2017)

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Prescrição de drogas opioides após cesariana é excessiva e perigosa http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/10/27/prescricao-de-drogas-opioides-apos-cesariana-e-excessiva-e-perigosa/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/10/27/prescricao-de-drogas-opioides-apos-cesariana-e-excessiva-e-perigosa/#respond Fri, 27 Oct 2017 18:22:56 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=673 Resultado de imagem para drug prescription women

 

Você evita o uso de medicações controladas (uso obrigatório da prescrição médica) para alívio da dor? Clique aqui para votar

Recentemente o Presidente Trump declarou guerra ao uso indiscriminado de opioides. Opioides são um grupo de fármacos derivados do ópio que tem ação analgésica central e são usados tanto para casos de dores agudas intensas, como nos estados pós-operatórios, como nas dores crônicas, muitas vezes associadas ao câncer. Em doses elevadas produzem sintomas como euforia, bem estar e estados hipnóticos, além de risco de dependência. Heroína e morfina fazem parte desta lista. O número de mortes por overdose dos opióides, nos Estados Unidos, quadruplicou em 15 anos, confirmando um quadro de epidemia de abuso no uso destas drogas. Mais de 100 norte-americanos morrem diariamente por overdose, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Esse aumento ocorre concomitantemente ao aumento acentuado na quantidade de opióides prescritos legalmente.  Será que isso é a realidade para as mulheres que se submeteram à cesariana?.

Dois estudos americanos chegam as mesmas conclusões: o uso de opioides é comum após a cesariana, em particular na primeira semana após o nascimento, sendo que mais de 80% delas receberam este tipo de medicação. No entanto, uma parte significativa destas mulheres não as usou, ou seja, elas receberam mais prescrições do que o necessário. Num dos estudos houve sobre da medicação em 75% dos casos e estas drogas ficaram guardadas em casa. No outro estudo com 720 mulheres que haviam dado à luz nas últimas 2 semanas, oriundas de 6 centros médicos acadêmicos, a quantidade de opióides dispensados não se correlacionou com a satisfação da paciente, com o controle da dor ou com a necessidade de renovação da receita de opióides. Mais ainda, a prescrição mais restrita de opiáceos se associou com o menor consumo sem um aumento concomitante no escore de dor ou insatisfação. Dito de outro modo, mais prescrição mais consumo e vice-versa.

Os dois artigos destacam ainda o risco da sobra deste tipo de medicação em casa. Estudos confirmam que a maioria das pessoas que utilizam opiáceos sem indicação médica, ou seja, sem uma prescrição médica, obtém este tipo de medicamento de familiares ou amigos que receberam a prescrição dos opioides e não usaram. Para muitos, o consumo de opioides é uma porta aberta para o consumo de heroína. E no caso da mulher que acabou de dar à luz e está amamentando há um risco adicional: a passagem dos fármacos para o bebê. Diante desta realidade o que fazer?. Um dos artigos propõe explicitamente reduzir a prescrição de opioides para as puérperas. Ambos enfatizam a necessidade de lidar com os comprimidos que acabam não sendo usados. Devolução aos centros de saúde e profissionais e adequada destruição são duas possibilidades.

O presidente Trump, conhecido por batalhas infantis e inúteis, está longe de ser uma unanimidade entre americanos e cidadãos do mundo inteiro. Mas neste caso ele escolheu a guerra certa para lutar.

(Bateman et al. Patterns of Opioid Prescription and Use After Cesarean Delivery. Obstet Gynecol 2017;130:29–35; Osmundson, et al. Postdischarge Opioid Use After Cesarean Delivery. Obstet Gynecol 2017;0:1–6).

 

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Sífilis cresceu principalmente entre jovens brasileiros nos últimos anos http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/10/21/sifilis-cresceu-principalmente-entre-jovens-brasileiros-nos-ultimos-anos/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/10/21/sifilis-cresceu-principalmente-entre-jovens-brasileiros-nos-ultimos-anos/#respond Sat, 21 Oct 2017 13:26:23 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=669 Resultado de imagem para dia mundial sifilis

 

Você sabe o que é a sífilis ? Clique aqui para

Embora a decepção da população com nossos congressistas seja evidente, nem sempre as novas leis são decepcionantes. Um exemplo, é a lei no 13.430, de março de 2017, que instituiu o Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita, a ser comemorado no terceiro sábado do mês de outubro de cada ano. Neste ano de 2017 é hoje, dia 21/10. A proposta que conta com apoio da Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis (SBDST), e enfatiza o alarmante aumento da doença por toda a população brasileira. A sífilis adquirida vem crescendo em todas as faixas etárias no Brasil. De 2010 a 2015, os casos notificados subiram de 1.249 para 65.878, ou seja, 52 vezes. Os maiores aumentos ocorreram majoritariamente entre os jovens de 13 a 29 anos.

A sífilis é uma doença infecciosa transmitida pela bactéria Treponema pallidum, principalmente  por meio do sexo desprotegido. Ela se inicia com feridas nos genitais (externo e interno) e outras áreas do corpo como boca e ânus, que podem desaparecer espontaneamente, dando a falsa impressão de que a doença foi curada. A lesão inicial, conhecido como cancro duro, é, geralmente, única, indolor, limpa, de bordas duras e acompanhada de íngua na virilha. Na fase secundária podem surgir lesões na pele em diversas regiões tais como o tronco, nas palmas das mãos e plantas dos pés. Na ausência de tratamento a doença entre num período de latência e pode reaparecer no futuro, num intervalo de tempo que pode durar décadas, causando graves complicações cardiovasculares e neurológicas, entre outras.

A sífilis, em alguns contextos sociais, pode afetar principalmente as mulheres, que tem dificuldade de negociar o uso de preservativos com seus parceiros. Isso a coloca em situações de risco. Um risco que não poupa o período gestacional. No mundo, cerca de 2 milhões de gestantes são infectadas pela sífilis a cada ano . No Brasil em 2015, 33.365 gestantes apresentaram a doença. Os casos de sífilis congênita, transmitidas de mãe para filho, chegaram a mais de 19 mil, sendo que muitas gestações resultaram em abortos, natimorto e óbitos após  o nascimento. Aproximadamente 50% das gestantes não tratadas ou inadequadamente tratadas podem transmitir a doença ao concepto, levando a resultados adversos como morte fetal, morte neonatal, prematuridade, baixo peso ao nascer ou infecção congênita. A doença está no foco da OMS (Organização Mundial de Saúde) que planeja baixar ao máximo o número de novos casos, incluindo as gestantes, principalmente em países de baixa renda. Para isso existe teste de triagem sorológica, por meio de exame de sangue, que é simples, de baixo custo e permite resultados rápidos.

A partir do diagnóstico a terapia com uso de antibióticos tem grande chance de eliminar o problema. E aí temos mais uma boa notícia: o rastreamento da sífilis na gestação, que é um importante indicador de qualidade do atendimento de saúde e no pré-natal, é alto no país. No Brasil, a cobertura de testagem para sífilis durante a assistência pré-natal é de quase 90%. Mas, é claro, que existe espaço, para melhorias nos indicadores de rastreamento e tratamento. Para isso é preciso conscientizar a população da gravidade da doença e da eficácia do tratamento.  Quem quiser saber mais sobre sífilis no Brasil pode acessar  http://indicadoressifilis.aids.gov.br.

Como se vê informação é fundamental

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Médicos aprovam as “cirurgias femininas íntimas”? http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/10/11/medicos-aprovam-as-cirurgias-femininas-intimas/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/10/11/medicos-aprovam-as-cirurgias-femininas-intimas/#comments Wed, 11 Oct 2017 15:02:30 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=665 Resultado de imagem para cirurgia íntima

 

Você é a favor ou contra a realização de cirurgia estética íntima ? Clique aqui para votar

Os procedimentos estéticos vulvovaginais, também denominados de “cirurgias íntimas” ou “cirurgias cosméticas feminina”, são um tópico novo na mídia. Uma publicação recente do Jornal Folha de São Paulo aborda a questão dando números e cara ao assunto. O Brasil é considerado campeão mundial de ninfloplastia (a redução dos pequenos lábios vaginais). Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica apontam a realização de mais de 25 mil intervenções no ano passado. Isso corresponde a 1.7% de todas as cirurgias estéticas feitas no país. Nos Estados Unidos foram realizadas mais de 13 mil cirurgias deste tipo. Difícil dizer se este número vem crescendo no Brasil já que as informações de procedimentos realizados em consultórios e clínicas são escassas. A cirurgia consiste na retirada do excesso de pele dos pequenos lábios e pode ser feita por meio de cirurgia convencional ou lazer. Os motivos alegados para a demanda de submissão aos procedimentos variam de estéticos aos funcionais. Nos funcionais, a mulher alega que os lábios menores hipertrofiados incomodam durante uso de roupas justas (ou íntimas) e se queixam, também de dor durante a relação sexual. Apesar da falta de estudos de boa qualidade e com seguimento longo, a publicidade sobre as cirurgias íntimas vem crescendo. De fato, esses procedimentos carecem de uma classificação coerente e de estudos randomizados, comparando mulheres que não foram operadas com aquelas submetidas às diferentes técnicas cirúrgicas. Mas, como se nota, essa falta de evidência não restringiu a divulgação desses procedimentos. De qualquer modo, o controle da publicidade sobre as cirurgias íntimas seria bastante difícil de ser implementado pelas sociedades médicas, que pouco a pouco, começam a assumir posições públicas e a publicar diretrizes. Mas e o que pensam os médicos sobre isso?.

Um estudo português publicado recente aborda esta questão muito interessante: conhecer a percepção, conhecimento e opinião pessoal dos médicos sobre esse tema. Isso poderia ajudar no desenvolvimento de diretrizes éticas para os profissionais de saúde e ao mesmo tempo disponibilizar  informações para o público, em geral. Os autores realizaram entrevista online com 664 médicos e estudantes de medicina portugueses. A maioria dos participantes considerou que nunca ou raramente há uma razão médica para a realização dos procedimentos incluindo branqueamento vulvar (85,9%);  plástica do hímen (72,0%); lipoaspiração da região da púbis (71,6%); aumento dos grandes lábios (66,3%) ou aumento dos pequenos lábios (58,3%). Mas esta percepção (de não haver razões médicas para a realização das cirurgias) foi mais comum entre os ginecologistas na comparação com os cirurgiões plásticos. Mas ai o estudo aponta uma (incrível) contradição: a maioria dos participantes considerou que as cirurgias íntimas podem contribuir para uma melhoria na auto-estima (92,3%), função sexual (78,5%), atrofia vaginal (69,9%), qualidade de vida (66,3%) e da dor na relação sexual (61,4%). Ou seja, ainda que os médicos e estudantes de medicina reconheçam a falta de evidência e bases científicas para a realização de procedimentos estéticos vulvovaginais, a maioria não levanta objeções em termos éticos. Principalmente se eles forem estudantes, cirurgiões plásticos, ou se eles próprios tiverem sido submetidos à cirurgia plástica ou considerem vir a sê-lo.

Como se vê, enquanto os médicos não definirem o que elas pensam sobre a cirurgia íntima será muito difícil orientar as pacientes. Vamos torcer para que sejam apenas o caso dos médicos portugueses.

(Vieira-Baptista, Pedro et al. Survey on Aesthetic Vulvovaginal Procedures: What do Portuguese Doctors and Medical Students Think?. Rev. Bras. Ginecol. Obstet., Aug 2017, vol.39, no.8,

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Depressão retarda início do tratamento de infertilidade http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/10/03/depressao-retarda-inicio-do-tratamento-de-infertilidade/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/10/03/depressao-retarda-inicio-do-tratamento-de-infertilidade/#respond Tue, 03 Oct 2017 13:39:39 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=661 Resultado de imagem para depressed women

 

Você acha que sofrer de depressão interfere com busca de tratamento de infertilidade?  Clique aqui para votar

A infertilidade é enorme fardo emocional para muitos casais. Depressão e ansiedade têm sido demonstradas em 40% das mulheres inférteis, o dobro do observado em mulheres férteis. Mas será que as mulheres inférteis com depressão são menos propensas a iniciar tratamentos de infertilidade?. Para responder esta questão pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte, USA, realizaram estudo prospectivo com 416 mulheres inférteis entre janeiro de 2013 a dezembro de 2014. Elas foram classificadas como deprimidas ou não. Todas as mulheres incluídas tinham recebido indicação de tratamento de infertilidade pelo seu médico. Elas foram avaliadas prospectivamente para determinar o início do tratamento para infertilidade.

Vejamos os resultados. Dentre as participantes 41% apresentaram depressão e 72% iniciaram tratamento de infertilidade. A maior parte já nos primeiros 4 meses. Mas o dado mais interessante foi que a constatação de que as mulheres deprimidas tinham uma redução de 45% na probabilidade de iniciar o tratamento para infertilidade.  Os números foram muito parecidos para início do tratamento de infertilidade dentro de 4 meses. E isto independia se o tratamento era com medicamentos orais ou fertilização assistida. A explicação para esta infeliz associação pode estar justamente na própria depressão, que inibe e desestimula a mulher na busca de seus objetivos. Incluindo a gravidez. A mescla de desânimo intenso e pensamentos negativos sobre os resultados dos tratamentos de fertilidade são muito ruins para a mulher deprimida.

Uma implicação imediata da pesquisa é a identificação destas mulheres para que por meio de novas avaliações e intervenções psicológicas elas possam aderir aos tratamentos de fertilidade. É o tipo de recomendação que tem um foco, mas pode atingir dois objetivos.  Já que no final da contas, com ou sem gravidez, o tratamento psicológico pode melhorar o astral destas mulheres.

(Crawford et al. Infertile women who screen positive for depression are less likely to initiate fertility treatments. Human Reproduction, 2017)

 

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Endometriose afeta negativamente a qualidade de vida dos parceiros http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/09/24/endometriose-afeta-negativamente-a-qualidade-de-vida-dos-parceiros/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/09/24/endometriose-afeta-negativamente-a-qualidade-de-vida-dos-parceiros/#respond Sun, 24 Sep 2017 19:52:48 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=657 Resultado de imagem para endometriosis

 

Você sabe o que é endometriose ? Clique aqui para votar

 

A endometriose é uma condição ginecológica comum que afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva. Os sintomas comuns incluem dispareunia, dismenorréia (dor nas menstruações) e infertilidade. A intensidade dos sintomas varia muito entre as mulheres, mas é certo que a doença tem enorme custo físico, emocional e econômico. Pesquisas mostram que o custo médio da endometriose por mulher por ano devido a custos diretos e indiretos de cuidados de saúde é de US 12.000. Mas será que ela também interfere com a vida dos parceiros e maridos destas mulheres?. Um estudo realizado na Austrália avaliou o impacto da endometriose na qualidade de vida de parceiros de mulheres que tinham recebido um diagnóstico cirúrgico de endometriose.  151 homens, parceiros de mulheres com endometriose, recrutados em hospital terciário, responderam a questionário on line. Foram formuladas questões sobre os aspectos da vida diária, sexualidade, finanças, entre outros.

Os resultados deixam claro que a endometriose não afeta apenas a mulher, mas também o homem. Noventa e dois por cento dos parceiros relataram sentimentos negativos sobre o diagnóstico de endometriose que incluíram piora da vida sexual, das finanças e relação conjugal como um todo. E o impacto foi grande: setenta por cento deles relataram que a endometriose afetou sua vida cotidiana de forma moderada ou severa e mais de metade (52%) também sentiu que suas finanças foram afetadas. Pior ainda, eles reclamaram que apenas 1 de cada 3 profissionais de saúde foi útil e sensível com o casal no enfrentamento do. (N = 40) dos parceiros relataram que não receberam informações sobre o impacto da endometriose em casais. Falta de informação sobre como a endometriose poderia afetar a vida do casal foi mais comum do que esperado.  Os autores chegam a comparar os sentimentos vividos pelo homem como semelhantes ao do luto, onde também se mesclam emoções negativas como medo e frustração. Tudo isso agravado pela cronicidade da doença que requer ora tratamentos hormonais ora intervenções cirúrgicas.

A publicação implica em algumas recomendações. Uma delas é a possibilidade de serem feitas melhorias para envolver os parceiros no processo de tratamento. A ideia é incluí-los, integralmente, no atendimento das suas parceiras e esposas. Outro ponto é proporcionar ao casal, homem e melhor, melhor educação, suporte e cuidados holísticos. A melhor comunicação com os profissionais de saúde não está na mensagem final, mas nem precisaria já que ela está na essência da relação médico-paciente. Qualquer que seja o paciente ou acompanhante.

(Ameratunga et al. Exploring the impact of endometriosis on partners. J. Obstet. Gynaecol. Res. 43(6):1048–1053, 2017)

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Será que idade materna tem impacto negativo na gestação de gêmeos? http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/09/15/sera-que-idade-materna-tem-impacto-negativo-na-gestacao-de-gemeos/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/09/15/sera-que-idade-materna-tem-impacto-negativo-na-gestacao-de-gemeos/#respond Fri, 15 Sep 2017 14:54:22 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=654 Resultado de imagem para pregnancy of twins

 

Você acha que a idade materna influencia negativamente a gestação gemelar? Clique aqui para votar

As gestações nos extremos da vida, na adolescência ou após os 35 anos estão igualmente associadas à diversas complicações materno-fetais, com destaque para parto prematuro e morte perinatal do feto.  O mesmo ocorre com a gestação gemelar.  E o número de gestações gemelares aumenta após os 35 anos de idade tanto pela maior número de filhos da mulher nesta fase da vida, quanto pelos tratamentos de fertilidade. No entanto, há carência de estudos relacionando o grau de impacto da idade materna nos limites da vida reprodutiva e diversos resultados obstétricos. Pois bem, um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Columbia, em Nova York, procurou avaliar a relação entre idade materna e risco de parto prematuro, morte fetal e morte neonatal em gestações gemelares. Eles usaram dados populacionais dos EUA, sobre nascimentos e desfechos obstétricos no período de 2007 a 2013, das gestações de gêmeos. A idade materna foi categorizada em diversas faixas dos 15 aos 17 até 40 anos ou mais.

Os principais resultados incluíram parto prematuro, morte fetal e morte da criança até 28 dias de vida. No total foram analisados dados de mais de 955 mil nascimentos vivos de gêmeos. Um dos resultados que mais chama a atenção é a queda progressiva no risco de morte fetal à medida que aumentava a idade materna. Por exemplo, o risco de morte fetal variou de 39,9 por 1000 nascidos vivos para mulheres de 15 a17 anos a 15,8 para mulheres maiores de 40 anos. O mesmo fenômeno ocorreu em relação ao óbito do bebê até 28 dias de vida. Isso foi mais comum nas mulheres mais jovens na comparação com as mais velhas. (10 x 4.6/por mil nascidos vivos). Quanto ao parto prematuro ele ocorreu mais frequentemente nos extremos da vida, abaixo dos 17 anos e acima dos 40 anos. Os autores discutem limitações do estudo que incluem a ausência de controle de outras que poderiam confundir os resultados, características da gemelaridade (se mono ou dizigóticos) e tratamentos disponibilizados para os bebês após nascimento. No entanto, a principal conclusão, que tem tudo para agradar as mamães de gêmeos, é que o prognóstico da gestação gemelar é bastante favorável. Mesmo que a gestante seja mais velha, ou seja, com mais de 35 ou 40 anos. Ou melhor, principalmente se ela gestante for  mais velha.

A explicação pode estar na pior qualidade dos cuidados obstétricos dispensados as gestantes adolescentes. Mas estes resultados tão animadores exigem cautela na sua interpretação já que, no geral, os riscos da gestação gemelar são, claramente, maiores na comparação com a gestação de feto único.  Mas muitas gestantes mais velhas, futuras mamães de gêmeos, podem com razão argumentar que esta é outra história.

(McLennan AS, Gyamfi-Bannerman C, Ananth CV, et al. The role of maternal age in twin pregnancy outcomes. Am J Obstet Gynecol 2017;217:80.e1-8)

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Yoga melhora sintomas psicológicos associados às queixas mentruais http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/09/03/yoga-melhora-sintomas-psicologicos-associados-as-queixas-mentruais/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/09/03/yoga-melhora-sintomas-psicologicos-associados-as-queixas-mentruais/#respond Sun, 03 Sep 2017 21:17:17 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=648

Você praticaria Yoga como forma de tratamento para as  cólicas menstruais?  Clique aqui para votar

Quase todas as mulheres experimentam ao longo da vida um episódio de disfunção menstrual. Algumas sofrem com o problema frequentemente. São mulheres que reclamam do aumento ou diminuição excessiva do fluxo, sangramentos irregulares fora do prazo e cólicas menstruais. O impacto negativo dos distúrbios menstruais é inequívoco, tanto do ponto de vista psicológico quanto físico. E a lista de efeitos é longa: náuseas, dor de cabeça, fadiga, diarréia, letargia, sensibilidade mamária, ansiedade e depressão. Ainda que a eficácia dos tratamentos hormonais seja bem documentada, atualmente, muitas mulheres com distúrbios menstruais preferem terapias complementares e alternativas.

Entre estas terapias complementares e alternativas, o Yoga Nidra, um tipo particular de prática de yoga, tem recebido atenção, principalmente no que concerne aos problemas psicológicos associados aos transtornos menstruais. Yoga nidra significa “um sono psíquico” e é uma prática de relaxamento específica dentro da terapia de ioga. Mas será que isso funciona?. Pois bem, pesquisadores coreanos fizeram uma revisão de estudos afins para sanar esta dúvida. Eles selecionaram 2 ensaios clínicos que foram realizados na Índia, que incluíram conjuntamente 250 participantes, com idade média de 26 anos. Todas apresentavam algum tipo de queixa menstrual. Questionários avaliaram aspectos sociodemográficos e emocionais. As práticas de yoga variavam sessões de 30 a 35 minutos/por dia, 5 dias na semana, durante 6 meses. Os dois grupos receberam medicação, mas apenas as mulheres do grupo experimental realizaram yoga. Resultado mais importante os escores de ansiedade e depressão foram significativamente menores no grupo da yoga.

A explicação pode estar no mecanismo de ação no cérebro da prática. A yoga pode aumentar a atividade do sistema nervoso parassimpático, diminuindo assim a intensidade dos sintomas psicológicos. Outro mecanismo seria a liberação de dopamina. Os estudos não observaram efeitos colaterais da intervenção, o que a credencia, ainda que com muita cautela, como estratégia segura e simples para o gerenciamento de problemas psicológicos relacionados a distúrbios menstruais. Os autores recomendam mais estudos e pesquisa. Vamos meditar para que isso se confirme

(Kim S-D, Psychological effects of yoga nidra in women with menstrual disorders: A systematic review of randomized controlled trials, Complementary Therapies in Clinical Practice (2017), doi: 10.1016/j.ctcp.2017.04.001.)

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Será que a idade paterna aumenta risco de malformação fetal? http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/08/27/sera-que-a-idade-paterna-aumenta-risco-de-malformacao-fetal/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/08/27/sera-que-a-idade-paterna-aumenta-risco-de-malformacao-fetal/#respond Sun, 27 Aug 2017 21:10:47 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=644 Resultado de imagem para old dad

 

Você acha que a idade do pai aumenta risco de complicações da gravidez e fetais ? Clique aqui para votar

Ter filhos é uma decisão comumente postergada pelos pais. Os motivos são diversos: as pessoas se casam mais tarde, tem outros interesses profissionais ou simplesmente deixam para depois de terem curtido a vida. A existência de tecnologias de reprodução assistida é outra explicação. No caso da idade materna avançada, após 40 anos, os risco fetais e obstétricos são bem conhecidos. Já quanto a idade paterna os dados são limitados. Ou pelo menos eram. Um estudo americano objetivou determinar a influência da idade paterna em resultados perinatais e avaliar se essa influência difere entre gestações espontâneas e aquelas obtidas por meio de tecnologia de reprodução assistida. Foram usados retrospectivamente dados de todos os nascidos vivos em Ohio de 2006 a 2012, num total de mais de  830.000 nascimentos. A idade paterna foi determinada 82% das gestações  e a sua associação com complicações perinatais foi ajustada para idade materna, raça, gestação multifetal e tipo de plano de saúde.

Vamos aos principais resultados. A idade paterna variou de 12 a 87 anos, enquanto a idade materna variou de 11 a 62 anos. O uso de técnicas de reprodução assistida aumentou com a idade paterna, variando de 0.1% entre os pais com menos de 30 anos a 2.5% para os pais com mais de 60 anos. Mas a grande e boa notícia é que o aumento da idade paterna não se associou a um aumento significativo na taxa de pré-eclâmpsia, parto prematuro, restrição de crescimento fetal, mal formação congênita ou desordem genética do bebê, e  admissão à unidade de terapia intensiva neonatal. A influência da idade paterna nos resultados obstétricos foi semelhante nas gestações espontâneas ou por meio de reprodução assistida. A conclusão é que o aumento da idade paterna não representa um risco independente de desfechos perinatais adversos, nas gestações obtidas com ou sem tecnologia de reprodução assistida. Os resultados são tudo de bom para homens mais velhos que desejam ter filhos mas se preocupam com os eventuais riscos para a mãe e para o bebê.

Os autores, no entanto, sugerem cautela com os dados já que admitem que em mesmo com quase 1 milhão de nascimentos, alguns efeitos negativos associados à idade paterna podem não ser detectados. Do ponto de vista metodológico pode até ser verdade, mas aposto que os pais meio coroas já devem estar comemorando. E provavelmente suas parceiras e esposas também.

(Hurley EG, DeFranco EA. Influence of paternal age on perinatal outcomes. Am J Obstet Gynecol 2017)

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