Blog do Dr. Alexandre Faisal http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam as mulheres e seus parceiros. Thu, 13 Dec 2018 21:57:44 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Um em cada 5 brasileiros sofre com dores na coluna http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/12/13/um-em-cada-5-brasileiros-sofre-com-dores-na-coluna/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/12/13/um-em-cada-5-brasileiros-sofre-com-dores-na-coluna/#respond Thu, 13 Dec 2018 21:52:45 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=857  

Você sofre de dor na coluna ? Clique aqui para votar

 

Um dos problemas mais citados por homens e mulheres de todas as classes e até mesmo idade é dor na coluna. A depender do modo como ela é avaliada afeta vida de até 1 em cada 3 ou 4 pessoas no mundo inteiro . O problema crônico de coluna não é via de regra fatal mas acarreta enorme prejuízo na qualidade de vida e custo social e econômico.  Um estudo realizado em 47 em 2010 mostra que o problema crônico de coluna é a principal causa de anos perdidos por incapacidade. Um estudo publicado por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz e Universidade Estadual do Rio de Janeiro objetivaram avaliar a prevalência do problema de coluna e sua  associação com aspectos socioeconômicos, estilo de vida e condições de saúde no Brasil. Eles usaram dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2013.  Além calcularem a presença do problema eles avaliaram a gravidade da limitação imposta pela enfermidade. O resultado mais importante documenta que 18.5% dos nossa população com mais de 18 anos de idade sofre com este tipo de dor, que pode afetar qualquer região da coluna (cervical, torácica, lombar) e que as mulheres sofrem ainda mais que os homens (21%).  Estamos falando de 25 milhões de pessoas.

Pessoas com menor nível educacional, com má autoavaliação da saúde e que sofrem de outras doenças crônicas são particularmente atingidas pelo problema. A má notícia para quem pensa que queixa de coluna é coisa de velho é que a idade média de início do problema crônico de coluna é 35 anos. E, se por uma lado, a ocorrência do problema se estabiliza aos 50 anos,  a gravidade da limitação aumenta com o passar dos anos. E aí sim, os mais velhos sofrem mais.  Principalmente, as mulheres idosas, com mais de 65 anos. É possível que a constituição musculoesquelética e as atividades diárias desempenhadas pelas mulheres contribuem para esta desigualdade de gênero na gravidade do quadro.  Outro aspecto é que a idade média do início do dor crônica de coluna ocorre entre 14 e 16 anos, principalmente nas meninas.

Como consolo, se é que isso serve de consolo, a alta prevalência brasileira é similar a de outros países. Uma meta-analise com  165 estudos de 54 países encontrou prevalência de problema crônico de coluna de 18 a 19%. A mensagem final do artigo é a promoção e prevenção do problema crônico de coluna, especialmente antes dos 50 anos de idade, por meio de medidas específicas e educativas. Como não é possível e nem desejável  deter o envelhecimento populacional dos brasileiros, uma boa alternativa e ajudá-los a viver melhor com suas dores, incluindo as dores de coluna.

(Romero et al. Prevalência, fatores associados e limitações relacionados ao problema crônico de coluna entre adultos e idosos no Brasil. Cad. Saúde Pública 2018; 34(2):e00012817)

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Pessoas com deficiência tem pouco acesso aos serviços de reabilitação http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/12/02/pessoas-com-deficiencia-tem-pouco-acesso-aos-servicos-de-reabilitacao/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/12/02/pessoas-com-deficiencia-tem-pouco-acesso-aos-servicos-de-reabilitacao/#respond Sun, 02 Dec 2018 19:43:37 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=853  

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Dia Internacional do Deficiente Físico é celebrado em 3 de dezembro. Instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1992, este dia tem como objetivo a sensibilização da comunidade para os desafios enfrentados por pessoas com deficiência física. Estima-se que mais de um bilhão de pessoas em todo mundo tenha algum tipo de deficiência ou incapacidade, correspondendo a cerca de 15% da população mundial . Ainda segundo a OMS, pelo menos 10% das crianças no mundo nascem ou adquirem algum tipo de deficiência física, mental ou sensorial com repercussão negativa no desenvolvimento. O tema ganha relevância já que o conceito de deficiência vem evoluindo com o passar dos anos. A visão atual privilegia as potencialidades da pessoa e as condições adequadas socioambientais para que a pessoas possa desenvolver suas aptidões. Além disso, espera-se que as pessoas com limitações de qualquer ordem possam receber tratamentos e reabilitação.

Pesquisadores de diferentes universidades brasileiras procuraram estimar a prevalência auto-referida das deficiências intelectual, física, auditiva e visual, levando em conta variáveis sociodemográficas, grau de limitação e frequência de uso de serviço de reabilitação. Eles usaram dados provenientes da Pesquisa Nacional de Saúde, inquérito populacional de 2013. Quanto aos resultados, a prevalência de deficiência auto-referida no país foi de 6,2% o que significa cerca de 12,4 milhões de pessoas. A prevalência de deficiência física foi de 1,3%, maior em homens, em indivíduos com 60 anos ou mais, na região Nordeste. A deficiência visual foi mais prevalente (3,6%) e aumentou com a idade, assim como deficiência auditiva. A má notícia é que o uso de serviços de reabilitação foi pouco frequente, oscilando de 4.8% para visual, 8.4% para auditiva e 30.4% intelectual 30.4%.

A conclusão é que há necessidade de ampliar o acesso às ações de promoção, diagnóstico e tratamento precoce das deficiências. Políticas públicas são fundamentais para corrigir antigas preconceitos e desigualdades no atendimento dos indivíduos que apresentam deficiências

(Malta et al. Prevalência auto-referida de deficiência no Brasil,  segundo a Pesquisa Nacional de Saúde, 2013. Ciência & Saúde Coletiva, 21(10):3253-3264, 2016)

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Arrependimento com preservação de óvulos não é incomum http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/11/20/arrependimento-com-preservacao-de-ovulos-nao-e-incomum/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/11/20/arrependimento-com-preservacao-de-ovulos-nao-e-incomum/#respond Tue, 20 Nov 2018 17:35:16 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=848  

 

Resultado de imagem para oocyte preservation

Em 2012, a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva deixou de considerar o congelamento de ovos como um procedimento “experimental” para mulheres inférteis ou mulheres diagnosticadas com câncer. No entanto, ela deixou claro que a comercialização dessa tecnologia com o propósito de adiar a gravidez poderia dar falsas esperanças às mulheres, encorajando-as a adiar a gravidez. O que se observou recentemente foi um aumento do uso da técnica por mulheres sem problemas de infertilidade que buscam a preservação da fertilidade por indicações sociais: falta de parceiro, objetivos acadêmicos ou profissionais, etc. Um interessante estudo realizado na University of California  de São Francisco com 201 mulheres que tiveram seus oócitos removidos cirurgicamente e congelados no período de 2012 até 2016 procurou avaliar se havia algum indício de arrependimento.  Todas participantes haviam sido submetidas ao procedimento porque optaram por atrasar a gravidez e não por infertilidade ou diagnóstico de câncer. O questionário aplicado avaliou também questões como suporte recebido da equipe, percepção do uso do oócitos e perspectivas sobre maternidade. Elas tinham idades entre 27 e 44 anos, sendo 80% graduadas e com salários superiores a US 100 mil dólares ao anos.

Os resultados surpreendem. A grande maioria, ou 89%, das 201 mulheres que responderam à pesquisa disseram estar contentes com o procedimento que permitia maior controle de suas vidas reprodutivas, ainda que nunca viessem a usá-los. No entanto, 49% revelaram algum pesar pela decisão de se submeter ao procedimento. Destas, cerca de dois terços relataram arrependimento leve e o restante relatou arrependimento moderado a grave. A pesquisa infelizmente não esclarece porquê. Mas entre as possibilidades estão a questão do suporte emocional e das expectativas pouco realistas. Por exemplo,  13 das mulheres, com idades entre 34 e 40 anos, estimaram a probabilidade de ter um bebê com seus ovos congelados em  100%,  uma estimativa altamente inflacionada.  O fato é que não há dúvidas sobre a eficácia do congelamento de ovos em mulheres saudáveis. Segundo estudos ela  varia de cerca de 9% a 24%. Mas nem todas mulheres entendem isso ou recebem a informação adequada.  Outros fatores associados ao arrependimento foram o menor número de óvulos criopreservados,  a baixa expectativa de sucesso do procedimento com a obtenção de gravidez futura e a percepção da inadequação de apoio emocional durante o processo de congelamento.

A conclusão da pesquisa é que é preciso melhorar a qualidade das informações e suporte emocional para as mulheres que se submetem ao congelamento de óvulos. Isso ajudaria a minimizar o arrependimento.  Mas convenhamos são recomendações que servem para todas as mulheres e homens que precisam de assistência médica.

(Greenwood et al. To freeze or not to freeze: decision regret and satisfaction following elective oocyte cryopreservation. Fertility and Sterility Vol. 109, No. 6, June 2018)

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Câncer de colo uterino será raridade na Austrália em 20 anos http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/11/08/cancer-de-colo-uterino-sera-raridade-na-australia-em-20-anos/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/11/08/cancer-de-colo-uterino-sera-raridade-na-australia-em-20-anos/#respond Thu, 08 Nov 2018 17:55:41 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=843  

 

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Pense num país na liderança da prevenção do câncer de colo uterino. Se a resposta é a Austrália você acertou. A explicação está numa recente publicação do periódico Lancet, que contou com a participação de pesquisadores de várias universidades locais: Brisbane, Sidney e Melbourne. Antes vale lembrar que a ONU declarou em maio de 2018 que uma ação coordenada globalmente deveria eliminar o câncer do colo do útero. A Austrália deve chegar lá em breve. Em 2007, o país foi um dos primeiros países a introduzir um programa nacional de vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) e, desde então, alcançou uma alta cobertura vacinal em ambos os sexos, superior a 83%. Atualmente, a vacina cobre 9 tipos de vírus, em oposição à vacina anterior que cobria 4 tipos, sendo potencialmente mais efetiva na prevenção do câncer de colo uterino. Em dezembro de 2017, o rastreamento (ou seja, detecção do câncer em mulheres assintomáticas) cervical passou de triagem baseada em citologia (o conhecido teste de Papanicolau), a cada dois anos, para mulheres de 18 a 69 anos, para pesquisa do próprio HPV, a cada cinco anos, para mulheres de 25 a 69 anos.

Os autores do estudo utilizaram estes dados, além dos conhecimentos sobre a história natural da doença (o período provável entre a infecção pelo HPV e o surgimento do câncer) para compor modelo matemático. O objetivo foi identificar em que momento, ou seja, quando, a incidência anual padronizada do câncer do colo do útero na Austrália poderia ser ainda menor que os atuais 7 casos por 100.000 mulheres. Mais especificamente, uma incidência menor do que 6, 4 ou mesmo 1 novo caso por 100.000 mulheres. A pesquisa sugere que isso ocorrerá, respectivamente, até os anos 2022, 2035 e 2077. Por se tratar de um modelo há variações nas estimativas e precondições para o cálculo, tais como manutenção da cobertura vacinal em meninas e meninos.

De modo resumido, pode-se esperar que em 20 anos a Austrália elimine o câncer do colo do útero como problema de saúde pública. As mortes por este tipo de câncer serão coisa do passado. Neste momento, até os exames preventivos poderão se tornar desnecessários. Neste cenário, a preocupação das políticas públicas mudará de foco e recairá sobre as estratégias efetivas de comunicação, com os jovens, para manter altas taxas de cobertura da vacina contra o HPV. Um benefício, que vale destacar, protege até quem não se vacinou já que eliminação do vírus nos vacinados evita sua propagação por meio do ato sexual para os não vacinados. Viva a Austrália.

(Hall et al. The projected timeframe until cervical cancer elimination in Australia: a modelling study. Lancet Public Health 2018)

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Mutilação genital feminina ainda assombra jovens vulneráveis http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/10/26/mutilacao-genital-feminina-ainda-assombra-jovens-vulneraveis/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/10/26/mutilacao-genital-feminina-ainda-assombra-jovens-vulneraveis/#respond Fri, 26 Oct 2018 18:11:01 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=837 Image result for female genital mutilations

Globalmente, três milhões de jovens correm risco de mutilação genital feminina e estima-se que 200 milhões de raparigas e mulheres no mundo tenham sido submetidas a mutilação genital feminina. Nos 28 países da África e do Oriente Médio para os quais existem dados disponíveis,  A prevalência nacional entre mulheres com 15 anos ou mais de idade varia de 0,6% (Uganda, 2006) para 97,9% (Somália, 2006). A prática inclui remoção total ou parcial do clítoris mas pode ser também estreitamento da vagina As consequências variam dos riscos imediatos de infecção, hemorragia, e morte até riscos tardios como, necessidade de cirurgia reparadora, problemas urinários e menstruais, relações sexuais dolorosas e má qualidade de vida sexual.  Também são frequentes a infertilidade, diversos tipos de infecções (por exemplo, abcessos e úlceras genitais, infecções pélvicas crônicas, infecções do trato urinário)  além obviamente das muitas consequências psicológicas, como medo da relação sexual, transtorno de estresse pós-traumático, ansiedade, depressão. O impacto é tamanho que muitas mulheres jamais retomam a vida normalmente. O procedimento é realizado por motivos culturais para atender normas vigentes de comportamento, principalmente no âmbito sexual. No fundo, a prática objetiva controlar e diminuir a mulher na sua relação com o homem e com a própria sociedade. A mutilação genital feminina atinge mais mulheres jovens de 15 a 24, pobres, pouca escolaridade, muçulmanas, casadas e sem acesso à mídia.  A Organização Mundial de Saúde ressalta a importância de trabalhar com as comunidades, não apenas no curto prazo, mas também a longo prazo, realizando  investimentos nos direitos humanos, conforme entendido no contexto local. Só assim eles imaginam ser possível obter mudança coletiva que leve ao fima desta prática tão primitiva e desumana.

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Adolescente aos 25 anos de idade? http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/10/12/adolescente-aos-25-anos-de-idade/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/10/12/adolescente-aos-25-anos-de-idade/#respond Fri, 12 Oct 2018 18:33:47 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=832 Image result for adolescents

 

Você concorda que a adolescência deveria durar até os 25 anos de idade? Clique aqui para votar

Uma proposta recente de pesquisadores americanos e australianos tem tudo para agradar os jovens no mundo inteiro: estender o período da adolescência para até 25 anos. Contestando assim a própria definição de adolescência da Organização Mundial de Saúde que considera esta fase da vida com período de mudanças biopsicosociais que vão dos 10 aos 19 anos de idade. Mas vale lembrar que a definição é de 1965 e de lá para cá as coisas mudaram bastante. Mudaram do ponto de vista biológico já que a puberdade que marca esta transição entre infância e início da adolescência está começando cada vez mais cedo. Nas meninas isso é muito evidente vez que a menarca, ou a primeira menstruação, que ocorria ao redor dos 14/15 anos há 50 anos, hoje acontece por volta dos 11 ou 12 anos na maioria dos países. A nutrição das meninas é uma das explicações para este fenômeno.

Do outro lado deste espectro, o final da adolescência é tipicamente um fato psicosocial, com a entrada do jovem no mercado de trabalho, estabelecimento de relações sociais e amorosas e assunção de diferentes competências. Mas ao contrário de décadas passadas, os jovens estão ficando muitos mais anos na escola, especializando-se e contando para isso com a ajuda dos pais. Em particular com ajuda econômica. Casamento então nem se fale. A idade média das mulheres no primeiro casamento aumentou em dois anos globalmente nas últimas duas décadas. No Brasil, a idade média aumentou em 6 anos, para 27 anos, e em vários países europeus a idade está subindo acima dos 30 anos. O outro fato que ajuda a defender um período tão longo para a adolescência, como jamais visto na história da humanidade, é a melhor compreensão de mudanças anatômicas e funcionais dos cérebros dos jovens: mudanças na forma das sinapses, nos mecanismos de neurotransmissão, crescimento de redes neuronais e aumento da conectividade funcional entre as regiões corticais implicadas no controle cognitivo (pensamento, reflexão, perseverança) e nos gânglios da base (relacionadas mais às regiões afetivas e emoções), o que modifica a forma como o jovem toma uma decisão.

Sabe-se, hoje, que há forte associação entre mudanças estruturais e funcionais no cérebro e comportamentos, tais como aumento da procura de sensações, busca de status e prestígio entre os amigos além dos já conhecidos interesses sexuais e românticos. Para os cientistas trata-se de oportunidade única de realizar um ciclo virtuoso onde a maturação cerebral permite o aprendizado/conhecimento e este por sua vez favorece as mudanças cerebrais. Esta história tem tudo para agradar 1/6 da atual população mundial, os próprios adolescentes. Cabe avaliar o que pensam os educadores e pais desta nova proposta. Lá em casa eu fico imaginando que trocarei 2 adultos que podem pagar as contas por 2 adolescentes que vão continuar recebendo uma mesada.

(Sawye et al.  The age of adolescence. Lancet Child Adolesc Health 2018; Dahl et al. Importance of investing in adolescence from a developmental science perspective. Nature, 554:441-50, 2018)

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10% das brasileiras que usam pílula apresentam uma contraindicação para uso http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/10/05/10-das-brasileiras-que-usam-pilula-apresentam-uma-contraindicacao-para-uso/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/10/05/10-das-brasileiras-que-usam-pilula-apresentam-uma-contraindicacao-para-uso/#respond Fri, 05 Oct 2018 13:28:27 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=825 Resultado de imagem para pilula

Você acha correto o uso de métodos contraceptivos sem prescrição médica? Clique aqui para votar

No Brasil, 70% das mulheres em idade reprodutiva utilizam algum método contraceptivo. Os anticoncepcionais orais (ACO) e a esterilização feminina são os métodos mais comuns. Os ACO, quando utilizados correta e continuamente, são seguros e eficazes. Além disso, eles regularizam o ciclo menstrual e contribuem na prevenção de alguns tipos de câncer. No entanto, o uso dos métodos hormonais é restrito as mulheres sem contraindicações. A lista de contraindicações inclui diabetes mellitus com doença vascular, tabagismo em mulheres com 35 anos ou mais, doenças cardiovasculares, tromboembolismo, enxaqueca com aura, e hipertensão arterial, dentre outros. Usar ACO na presença de hipertensão arterial pode aumentar o risco de acidente vascular encefálico e infarto agudo do miocárdio. Uma forma de adquirir ou iniciar o uso de ACO no Brasil é por meio de consulta com profissional de saúde nos serviços públicos ou privados de saúde. Mas é possível também adquirir o medicamento na farmácia sem a apresentação de prescrição médica.

Quanto ao uso correto, um estudo nacional conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais procurou avaliar a prevalência de contraindicação ao uso de anticoncepcionais orais em mulheres brasileiras. Os autores da publicação usaram dados do Vigitel, pesquisa de base nacional, que entrevistou 54.353 indivíduos em 2008, dos quais 32.918 eram mulheres. As 21.074 com idade reprodutiva (15 a 49 anos) foram incluídas na análise. Os dados mais importantes mostram que na população total, 21,0% das mulheres apresentaram alguma contraindicação ao uso de ACO. Mas apesar disso parte desta mulheres (11.7%) estavam usando ACO. Entre as usuárias de ACO, 10,5% apresentaram uma contraindicação e 1,2% duas condições de contraindicação. As contraindicações mais frequentes foram a HAS (15,1%) e tabagismo em mulheres com idade igual ou maior a 35 anos (2,6%). Outro resultado preocupante é a associação entre menor escolaridade e idade acima de 35 anos com uso contraindicado de ACO. O acesso à informação pode explicar parcialmente estas associações: mulheres mais escolarizadas e no auge da vida reprodutiva podem ter sido melhor orientadas quanto aos diferentes métodos contraceptivos, seus vantagens e riscos.

A pesquisa é útil para o para o planejamento e adequação das políticas públicas, além do direcionamento mais adequado do acesso e da utilização pela população dos métodos contraceptivos. Mas serve de alerta para as mulheres que optam por usar uma pílula quando deveriam usar outro método. Se a gravidez planejada é importante na vida da mulher, mais importante ainda é manutenção da saúde.

(Corrêa DAS, Felisbino-Mendes MS, Mendes MS, Malta DC, Velasquez-Melendez G. Fatores associados ao uso contraindicado de contraceptivos orais no Brasil. Rev Saude Publica. 2017;51:1)

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Atividade física pode reduzir câncer de mama em até 12% http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/09/21/atividade-fisica-pode-reduzir-cancer-de-mama-em-ate-12/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/09/21/atividade-fisica-pode-reduzir-cancer-de-mama-em-ate-12/#respond Fri, 21 Sep 2018 17:51:15 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=821 Resultado de imagem para women's health physical activity

 

Com qual frequência você se exercita ? Clique aqui para votar

Benefícios da atividade física são bem documentados, o que não impede boa parte da população brasileira de continuar sedentária. Principalmente no caso das mulheres. Dados nacionais estimam que entre 51% das mulheres e 43% dos homens não se exercitam. Um estudo publicado no periódico Cancer Epidemiology pode ajudar as pessoas a modificarem seus comportamentos. A pesquisa feita por pesquisadores do Depto de Medicina Preventiva da FMUSP, Harvard, Cambridge e Queensland avaliou o impacto da atividade física sobre o surgimento de diferentes tipos de câncer. Os autores utilizaram dados da prática de atividade física e da incidência de câncer no Brasil e fizeram diferentes estimativas de prevenção de câncer considerando padrões de atividade física. No cenário ideal com atividade física intensa cerca de 12% dos cânceres de mama após a menopausa e 19% dos cânceres de cólon em 2012 poderiam ser potencialmente evitados. Quando a atividade física foi menor como caso da recomendada pela OMS o benefício foi claramente menor. Uma redução de 1,3% dos cânceres de mama e 6% de câncer de cólon teria ocorrido com como 150 min / semana de atividades com intensidade moderada ou 75 min / semana de atividades vigorosas.

Vale lembrar que  o câncer de mama é o mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, respondendo por cerca de 28% dos casos novos a cada ano. Em 2018, há uma estimativa de aproximadamente 60 mil novos casos. Já no câncer colorretal, a estimativa é de 36 mil novos casos. A explicação está no fato de que a atividade física influencia no controle de peso e no nível de gordura, além de atuar diretamente sobre hormônios e marcadores inflamatórios. Um dado interessante é que esta associação entre atividade física e redução da incidência do câncer pode ser também verdadeira para outros 13 tipos de tumores malignos entre eles da bexiga, endometrial, gastro-esofágica,  ovário, próstata entre outros.

O estilo de vida contemporâneo não contribui muito para o exercício e atividade física, já que falta tempo, dificuldade de mobilidade, indisponibilidade de locais públicos entre outros fatores favorecem o sedentarismo. Mas isso não deve justificar a inatividade. Até porque as pessoas podem até ter preguiça de se exercitar, mas querem viver longamente.

(Rezende et al. Preventable fractions of colon and breast cancers by increasing physical activity in Brazil: perspectives from plausible counterfactual scenarios. Cancer Epidemiology 56 (2018) 38–45

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Atividade social é fator de proteção para demência? http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/09/06/atividade-social-e-fator-de-protecao-para-demencia/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/09/06/atividade-social-e-fator-de-protecao-para-demencia/#respond Thu, 06 Sep 2018 17:43:47 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=818  

 

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Você acredita que atividades sociais são benéficas na prevenção da demência ? Clique aqui para votar

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) o número de pessoas com idade superior a 60 anos chegará a 2 bilhões de pessoas até 2050;  isso representará um quinto da população mundial. O Brasil tem agora 208 milhões de habitantes (aumento de 800 mil pessoas em relação a 2017). Nossa população está crescendo menos graças a menor taxa de fecundidade e observamos uma inédita diminuição da relação entre idosos e jovens. Em 2060 (até lá seremos 228 milhões de brasileiros), a porcentagem de idosos irá dobrar atingindo 32% da população, enquanto a porcentagem de jovens até 14 anos cairá dos atuais 21% para 15%. Uma das preocupações acerca deste fenômeno é relacionada ao declínio cognitivo associado ao envelhecimento. A piora cognitiva representa um tremendo fardo para os próprios pacientes, famílias e sociedade. A função cognitiva pode ser influenciada por vários fatores, incluindo idade, gênero, nível educacional e socio-econômico e estado civil.  Encontrar estratégias eficazes para prevenir ou retardar o comprometimento cognitivo é fundamental. Evidências demonstram que a atividade de lazer pode ter um efeito benéfico na preservação da função cognitiva. A atividade social é considerada outra forma de estilo de vida ativo, juntamente com atividades físicas e cognitivas. E diversos estudos mostram que a atividade social é benéfica para vários desfechos de saúde, incluindo estado de saúde física, estado de saúde mental e qualidade de vida. Os indivíduos podem melhorar sua autoestima, competência e obter papéis sociais significativos por meio da participação em atividades sociais .Mais ainda, ao interagir com pares, a pessoa tem ótimo estimulo intelectual, importante protetor da capacidade cognitiva.

Um estudo liderado por pesquisadores do Departamento de Psiquiatria da Guangzhou Medical University procurou explorar a relação entre atividade social e função cognitiva entre idosos chineses residentes em duas grandes cidades do sul da China. No total 557 idosos sem demência com 60 anos ou mais (média de 73 anos) foram recrutados nos centros sociais em Hong Kong e Guangzhou. Um questionário de atividades de lazer foi utilizado para medir a participação da atividade social e a função cognitiva foi examinada usando uma bateria de testes neuropsicológicos. Os resultados mostram que as atividades sociais tiveram relações significativas ainda que modestas  com os escores de alguns testes cognitivos (ex:teste de aprendizagem de lista de palavras). Alguns tipos de atividades sociais se mostraram ainda mais benéficos para a função cognitiva, incluindo assistir a uma aula de interesse, fazer curso, atividade religiosa e canto. No caso da música, é possível que cantar envolva um processo complexo (e positivo) de combinar uma seqüência de palavras e melodias em uma ordem específica. Este tipo de memorização fornece claramente estimulação cognitiva. Quanto as atividades religiosas, elas podem ser úteis para os idosos relaxarem e lidarem com os efeitos da solidão e isolamento que são tão prevalentes nesta fase da vida. O estudo apresenta algumas limitações tais como o desenho transversal e a dificuldade em separar atividade social do estímulo intelectual, importante protetor de declínio cognitivo. Mas reforça alguns achados de estudos prévios que sugerem o benefício das atividades sociais (religiosas, encontros com amigos, ingressos em clubes, encontros com parentes ou colegas de classe, trabalho voluntário e organizações políticas) para evitar a demência.

Futuros estudos devem abordar as diversas dimensões e tipos de atividade social incluindo medidas de quantidade e qualidade. Mas até lá fica a mensagem: vamos entrosando galera.

(Su et al. The relationship of individual social activity and cognitive function of community Chinese elderly: a cross-sectional study.  Neuropsychiatric Disease and Treatment 2018:14 2149–2157)

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Taxa de falha de aplicativo para controle da fertilidade é de 1% http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/08/23/taxa-de-falha-de-aplicativo-para-controle-da-fertilidade-e-de-1/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/08/23/taxa-de-falha-de-aplicativo-para-controle-da-fertilidade-e-de-1/#respond Thu, 23 Aug 2018 18:25:59 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=814 Imagem relacionada

Você confia(ria) num aplicativo para controle dos dias férteis ? Clique aqui para votar

Usar método contraceptivo é fundamental como todas mulheres sabem. Nenhuma delas que aumentar as estatísticas de gestação não planejada que atingem 60% em diversas populações e países do mundo, incluindo o Brasil. Por outro lado, muitas mulheres querem optar por métodos mais naturais, mas lamentam o fato deles não serem eficazes. Assim a opção por abstinência nos dias férteis, a famosa “tabelinha”, fica muito limitada. Mas este cenário tem tudo para mudar já que novas tecnologias estão sendo utilizadas para alegria das mulheres. Principalmente as mulheres conectadas. Um novo aplicativo para controle da fertilidade, denominado Natural Cycles, aprovado pelo FDA, e desenvolvido por empresa Suíça, com sede atual em Estocolmo, é a sensação do momento. O aplicativo cria algoritmo exclusivo que leva em conta a temperatura corporal da mulher, além de outros fatores, como a sobrevivência do esperma, as irregularidades do ciclo menstrual. Ele não só detecta a ovulação e as diferentes fases do seu ciclo, como também calcula previsões precisas para os próximos ciclos.E pelo jeito funciona.

Um estudo patrocinado pela empresa e com participação de pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia e Princeton, nos Estados Unidos avaliou, prospectivamente, mais de 22.785 mulheres e 224.563 ciclos menstruais, no que é considerado o maior estudo prospectivo sobre contracepção natural. As mulheres tinha em média 29 anos de idade. Os resultados mostram que a taxa de eficácia resultante para o uso perfeito é de 99% e para o uso típico é de 93%. A falha no uso perfeito ocorre pela falha do método (permitir relação em dia fértil) ou uso incorreto de outro método (com por exemplo, camisinha) num dia fértil. A falha no uso típico decorre de todas causas possíveis incluindo ter relação num dia permitido. Os resultados são excelentes quando comparados com aqueles obtidos com métodos comprovadamente eficazes, como por exemplo os métodos hormonais tipo pílula, injetável hormonal e anel vaginal. O custo do aplicativo é relativamente baixo: 50 dólares anuais, o que dá direito a um termômetro top de linha.

Antes que as mulheres decidam mudar de método, vale destacar duas advertências dos próprios criadores do aplicativo: os ciclos irregulares e a mensuração correta da temperatura que pode estar alterada diante de estado gripal. Como se vê nem tudo é perfeito, e imagino que poucas mulheres ficarão confortáveis ao explicarem um gestação não planejada como resultado de uma gripe.

(Scherwitzl et al. Perfect-use and typical-use Pearl Index of a contraceptive mobile app. Contraception 96 (2017) 420–425)

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