Blog do Dr. Alexandre Faisal http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam as mulheres e seus parceiros. Fri, 22 Feb 2019 18:21:19 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Resistência à vacinação pode estar no passado http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2019/02/22/resistencia-a-vacinacao-pode-estar-no-passado/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2019/02/22/resistencia-a-vacinacao-pode-estar-no-passado/#respond Fri, 22 Feb 2019 18:21:19 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=912

 

Você se sente influenciado por notícias negativas sobre vacinação ?. Clique aqui para votar

          Vacinação é um dos meios mais eficazes em termos de custo para a prevenção e controle de doenças infecciosas. Muitas vidas foram salvas graças ao advento das vacinas modernas. Como explicar então a resistência de muitas pessoas com a vacinação?. Mesmo quando doenças evitáveis voltam a nos incomodar. A explicação pode estar nos ecos do passado. É isso aí. Aumentar a taxa de vacinação depende não apenas da equação custo-benefício, mas também do passado histórico da vacinação. Esta é a conclusão de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Dartmouth, nos Estados Unidos e publicado no periódico Proceedings, da Royal Society B (de Biological). O artigo usa complexos modelos para mostrar que problemas passados com vacinas podem causar um fenômeno conhecido como histerese. Resumidamente, a percepção negativa associada à vacinação oriunda de fatos passados dificulta a aceitação do público das vacinas atuais. É como se as evidências positivas do benefício e segurança da vacinação não fossem suficientes para limitar temores em geral, infundados ou no mínimo raríssimos. É como se uma força prévia continuasse operando em detrimento da saúde populacional. O perigo não existe ou não está mais lá, mas ele continua ameaçador para as pessoas.

          O tema é atual dado as recentes baixas coberturas vacinais no Brasil. Por exemplo, dados da Pesquisa Nacional de Saúde indicam que todas vacinações para menores de 1 ano ficaram entre 70 e 84%, com a honrosa exceção da BCG que é ofertada na maternidade. Isso significa que até 30% destes bebês estão susceptíveis as doenças infecciosas. O cenário não é muito diferente em certos países europeus e nos Estados Unidos, onde se observa ressurgimento do sarampo e caxumba. Outros exemplos nacionais incluem, felizmente,  em menor proporção a crítica à vacinação de meninas contra o HPV. Para os autores, as eventuais imperfeições da vacinação, que incluem efeitos colaterais e imunidade parcial podem a partir da sua divulgação (muitas vezes inadequada) diminuir a confiança do público na vacina e, assim, corroer a intenção de um indivíduo de vacinar. O que o estudo revela é como as complicações relacionadas à vacina imperfeita mudam a atitude das pessoas sobre a aceitação da vacinação. A conclusão é que a baixa adesão à vacina é um problema de saúde pública que está também relacionado ao comportamento, as vezes, errático e irracional do ser humano. Como se vê, superar traumas do passado não se aplica apenas as consultórios de psicologia, mas também à saúde pública.

(Chen & Feng Fu. Imperfect vaccine and hysteresis. Proc. R. Soc. 286: 20182406. http://dx.doi.org/10.1098/rspb.2018.2406)

]]>
0
Dinheiro não é tão importante para ser feliz ? http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2019/02/03/dinheiro-nao-e-tao-importante-para-ser-feliz/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2019/02/03/dinheiro-nao-e-tao-importante-para-ser-feliz/#respond Sun, 03 Feb 2019 21:06:00 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=904  

Vale a pena medir a felicidade por questões de saúde ?. Clique aqui para votar

O século XXI até o presente momento está cheio de paradoxos: se por um lado estamos vivenciando desenvolvimento econômico sem precedentes e melhorias na longevidade, saúde e alfabetização, por outro lado despertam grandes preocupações as mudanças climáticas, pobreza persistente nos países mais pobres e aumento da desigualdade de renda e da infelicidade em muitos países ricos. Isso mesmo a infelicidade reina em muitos países onde deveria ser uma raridade. Que tal avaliar regularmente o grau de felicidade (ou o infelicidade) por meio de métricas científicas e matemáticas ?. Esta é a ideia de editorial recente do periódico Science. A assunção é de que métricas de bem-estar, derivadas de pesquisas em grande escala e questionários que captam os determinantes econômicos e não econômicos do bem-estar individual podem ser úteis para entender o que está acontecendo com as pessoas. Para citar um exemplo, os Estados Unidos, uma das mais ricas economias do mundo, apresenta queda na expectativa de vida em função de suicídios e mortes por overdose de drogas e álcool. Muitos estudos demonstram que fatores não econômicos,  tais como normas, expectativas e estigma, importam mais para o bem-estar humano do que alguns modelos econômicos podem imaginar. Mais ainda, pesquisas sugerem que níveis mais altos de felicidade e otimismo tendem a levar melhores resultados individuais futuros, incluindo renda, saúde e formação de laços de amizade. Mas o assunto felicidade é complexo já que admite-se interação de determinantes genéticos do bem-estar (como certos aspectos da inteligência e do sistema imunológico) com os ambientais, na determinação dos resultados favoráveis de longo prazo tanto no aspecto econômico como na saúde do indivíduo.

O certo é que a ligação entre bem-estar, produtividade e saúde são fundamentais o futuro sustentável. A recomendação é avaliar 3 três dimensões distintas de bem-estar: hedônico, avaliativa e eudaimônica. As métricas hedônicas capturam os estados afetivos dos indivíduos – como diversão, estresse ou raiva – e o papel que elas desempenham na vida diária. Eles avaliam a qualidade de vida diária, como os efeitos de várias condições de saúde, e avaliam os efeitos do envolvimento em comportamentos como fumar ou se exercitar. As métricas de avaliação, que são as mais comuns, avaliam a satisfação das pessoas com suas vidas ao longo da vida, inclusive se podem escolher o tipo de vida que desejam levar. As métricas eudaimônicas perguntam se os indivíduos têm propósito ou significado em suas vidas. Detalhe: a pobreza é ruim para todas as dimensões do bem-estar, mas após um certo ponto, mais dinheiro não melhorará o humor ou as amizades. Para concluir os autores apresentam uma lista de aspectos relacionados a maior satisfação com a vida, com dados mundiais. São eles, por ordem: renda familiar, sorriu ontem, aprendi algo ontem, não ter problemas de saúde, liberdade para escolher o que você faz com sua vida, crer/trabalhar duro, diploma da faculdade, emprego full time.

Como se vê a satisfação com a própria vida em todo o mundo se correlaciona com renda, saúde, emprego e educação, mas também bem como com humor positivo, liberdade e crenças sobre os benefícios do esforço de trabalho. O Butão fez da Felicidade Nacional Bruta sua estratégia oficial de desenvolvimento em 2008. O Butão tem muito a nos ensinar.

(Carol Graham, Kate Laffan and Sergio Pinto. Well-being in metrics and policy. Science Science 362 (6412), 287-288.. DOI: 10.1126/science.aau5234)

]]>
0
Natal e Ano Novo são períodos de risco para infarto do miocárdio http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2019/01/17/natal-e-ano-novo-sao-periodos-de-risco-para-infarto-do-miocardio/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2019/01/17/natal-e-ano-novo-sao-periodos-de-risco-para-infarto-do-miocardio/#respond Thu, 17 Jan 2019 14:48:17 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=897

Você acha Natal e Ano Novo estressante ?. Clique aqui para votar

Doença isquêmica do coração está diminuindo em países de alta renda,  mas continua sendo a causa mais comum de morbidade e mortalidade em todo o mundo.  O entendimento atual é que a doença é multifatorial com fatores de risco predisponentes  modificáveis e não modificáveis. Estudos também mostraram que fatores externos podem estar envolvidos no desencadeamento do início do enfarte do miocárdio ao provocar a ruptura de placas instáveis.

Fatores externos, como terremotos, furacões e guerras, bem como eventos esportivos e volatilidade do mercado de ações, têm sido repetidamente associados a um maior risco de infarto do miocárdio. Será que no mundo ocidental o dia de Natal e  de Ano Novo aumentam o risco de infarto também?.  Como curiosidade histórica Sir Winston Churchill teve infarto do miocárdio durante a visita a Casa Branca no Natal de 1941. Pois bem, um estudo retrospectivo realizado na Suécia procurou avaliar se feriados nacionais, e grandes eventos esportivos se associavam com o início do infarto  miocárdica. Eles usaram dados de 283 014 casos de infarto do miocárdio relatados para as unidades coronarianas em todo o país no período entre 1998 e 2013. O início dos sintomas foi documentado para todos os casos e foram usadas como datas principais dos eventos as férias de Natal e ano novo, Páscoa e verão, além dos infartos que ocorreram durante uma Copa do mundo da FIFA, Campeonato Europeu de futebol e jogos olímpicos de inverno e de verão. Como critério de comparação foram avaliados os infartos que ocorreram nas duas semanas antes e depois de um feriado (período de controle), e no caso de eventos esportivos, o período de controle foi definido como a mesma data um ano antes e um ano depois do torneio.  Vamos aos resultados: os Feriados de Natal e verão se associaram com um maior risco de infarto do miocárdio (aumento de 15% da incidência). O maior período de risco, com aumento de 37% no risco de enfartar, foi observado na véspera de Natal.  Não houve aumento do risco durante feriado da Páscoa ou eventos esportivos.

Um detalhe importante, os resultados foram mais pronunciados em pacientes com idade acima de 75 e naqueles com diabetes e história prévia de doença arterial coronariana. A explicação é que em pacientes vulneráveis, o Natal e férias de verão aumentam o risco de infarto. Uma hipótese para estes dados é que as atividades e emoções associadas a feriados podem resultar no infarto do miocárdio secundário a isquemia, devido ao aumento da demanda de oxigênio em idosos e pacientes mais doentes. A partir destes resultados pode-se pensar que pessoas mais vulneráveis devam ser aconselhadas sobre este risco associado ao Natal e férias de verão proporcionando assim medidas terapêuticas mais rápidas e efetivas.

Muitos brasileiros podem estar questionando como os suecos não enfartam assistindo jogos de futebol. Outros devem estar comemorando o fim do Natal e Ano Novo

(Mohammad et al. Christmas, national holidays, sport events, and time factors as triggers of acute myocardial infarction: SWEDEHEART observational study 1998-2013. BMJ 2018;363:k4811 http://dx.doi.org/10.1136/bmj.k4811 )

]]>
0
Índice de cesarianas no Brasil vira caso de justiça http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2019/01/07/indice-de-cesarianas-no-brasil-vira-caso-de-justica/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2019/01/07/indice-de-cesarianas-no-brasil-vira-caso-de-justica/#respond Mon, 07 Jan 2019 20:06:27 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=877

Na sua opinião, a justiça deve tentar resolver o alto índice de cesarianas do Brasil? Clique aqui para votar

O alto índice de cesarianas no Brasil se tornou caso de disputa judicial. Uma ação do Ministério Público Federal (MPF) pede a regulamentação dos serviços obstétricos realizados por consultórios médicos e hospitais privados. Para debater os altos índices da cesariana no país foi promovida Audiência Pública no Tribunal Regional Federal da 3ª Região, em 23 de outubro. Mas a história começa bem antes. Em 2010, o MPF pediu a regulamentação dos serviços obstétricos realizados por hospitais privados no país, onde a taxa de cesáreas chega a 90%.

Na ocasião, um juiz federal determinou que a remuneração do parto normal fosse, no mínimo, três vezes superior ao da cesárea. A ideia era aumentar as taxas de partos vaginais na rede privada, por meio de um estímulo econômico. Ainda que julgada procedente, a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) não concordou obviamente. Uma desembargadora federal, relatora do recurso apresentado pela ANS fez então o pedido atual de regulamentação dos serviços obstétricos realizados por consultórios médicos e hospitais privados.

Parece estranho que a justiça tenha que intervir num tema médico. Mas ao mesmo tempo não faz sentido ostentarmos a segunda maior taxa de cesarianas do mundo, ficando atrás apenas da República Dominicana. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), no Brasil, 55% dos partos são cesarianas. Em alguns serviços privados, a taxa supera 90%. E nada indica que este número vá diminuir apesar de esforços recentes do Ministério da Saúde para promover o parto normal e impôr limites para a cesariana. Por trás desta discussão jurídica que procura monetizar o problema, como forma possível de resolvê-lo, há motivos muito mais preocupantes: a mortalidade e morbidade materna associada ao parto cirúrgico.

O índice de morte materna em casos não-complicados é de 20,6 a cada 1000 cesáreas. Por outro lado, ocorrem 1,7 mortes para 1000 nascimentos por meio de parto normal .  Se a legislação brasileira protege o direito da mulher parir do jeito que ela deseja, e muitos estudos indicam que a maioria das mulheres deseja parto normal, é preciso descobrir o que, de fato, está acontecendo no momento em que a mulher dá a luz. Estarão elas mudando de ideia na hora do nascimento ou outros fatores não médicos estão interferindo?. As respostas a estas questões podem evitar que a justiça tenha que resolver também questões obstétricas.   

 

]]>
0
O que é mais importante para ser feliz? http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/12/21/o-que-e-mais-importante-para-ser-feliz/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/12/21/o-que-e-mais-importante-para-ser-feliz/#respond Fri, 21 Dec 2018 17:11:57 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=872

Na sua opinião , o que é mais importante para ser feliz ? Clique aqui para votar

O século XXI até o presente momento está cheio de paradoxos: se por um lado progresso estamos vivenciando desenvolvimento econômico sem precedentes e melhorias na longevidade, saúde e alfabetização, por outro lado despertam grandes preocupações as mudanças climáticas, pobreza persistente nos países mais pobres e aumento da desigualdade de renda e da infelicidade em muitos países ricos. Isso mesmo a infelicidade reina em muitos países onde deveria ser uma raridade. Que tal avaliar regularmente o grau de felicidade (ou o infelicidade) por meio de métricas científicas e matemáticas ?. Esta é a ideia de editorial recente do periódico Science. A assunção é de que métricas de bem-estar, derivadas de pesquisas em grande escala e questionários que captam os determinantes econômicos e não econômicos do bem-estar individual podem ser úteis para entender o que está acontecendo com as pessoas. Para citar um exemplo, os Estados Unidos, uma das mais ricas economias do mundo, apresenta queda na expectativa de vida em função de suicídios e mortes por overdose de drogas e álcool. Muitos estudos demonstram que fatores não econômicos,  tais como normas, expectativas e estigma, importam mais para o bem-estar humano do que alguns modelos econômicos podem imaginar. Mais ainda, pesquisas sugerem que níveis mais altos de felicidade e otimismo tendem a levar melhores resultados individuais futuros, incluindo renda, saúde e formação de laços de amizade. Mas o assunto felicidade é complexo já que admite-se interação de determinantes genéticos do bem-estar (como certos aspectos da inteligência e do sistema imunológico) com os ambientais, na determinação dos resultados favoráveis de longo prazo tanto no aspecto econômico como na saúde do indivíduo. O certo é que a ligação entre bem-estar, produtividade e saúde são fundamentais o futuro sustentável.

A recomendação é avaliar 3 três dimensões distintas de bem-estar: hedônico, avaliativa e eudaimonica. As métricas hedônicas capturam os estados afetivos dos indivíduos – como diversão, estresse ou raiva – e o papel que elas desempenham na vida diária. Eles avaliam a qualidade de vida diária, como os efeitos de várias condições de saúde, e avaliam os efeitos do envolvimento em comportamentos como fumar ou se exercitar. As métricas de avaliação, que são as mais comuns, avaliam a satisfação das pessoas com suas vidas ao longo da vida, inclusive se podem escolher o tipo de vida que desejam levar. As métricas eudaimônicas perguntam se os indivíduos têm propósito ou significado em suas vidas. Detalhe: a pobreza é ruim para todas as dimensões do bem-estar, mas após um certo ponto, mais dinheiro não melhorará o humor ou as amizades. Para concluir os autores apresentam uma lista de aspectos relacionados a maior satisfação com a vida, com dados mundiais. São eles, por ordem: renda familiar, sorriu ontem, aprendi algo ontem, não ter problemas de saúde, liberdade para escolher o que você faz com sua vida, crer/trabalhar duro, diploma da faculdade, emprego full time.

Como se vê a satisfação com a própria vida em todo o mundo se correlaciona com renda, saúde, emprego e educação, mas também bem como com humor positivo, liberdade e crenças sobre os benefícios do esforço de trabalho. O Butão fez da Felicidade Nacional Bruta sua estratégia oficial de desenvolvimento em 2008. O Butão tem muito a nos ensinar.

(Carol Graham, Kate Laffan and Sergio Pinto. Well-being in metrics and policy. Science Science 362 (6412), 287-288.. DOI: 10.1126/science.aau5234)

]]>
0
Um em cada 5 brasileiros sofre com dores na coluna http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/12/13/um-em-cada-5-brasileiros-sofre-com-dores-na-coluna/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/12/13/um-em-cada-5-brasileiros-sofre-com-dores-na-coluna/#respond Thu, 13 Dec 2018 21:52:45 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=857 Você sofre de dor na coluna? Clique aqui para votar

Um dos problemas mais citados por homens e mulheres de todas as classes e até mesmo idade é dor na coluna. A depender do modo como ela é avaliada afeta vida de até 1 em cada 3 ou 4 pessoas no mundo inteiro . O problema crônico de coluna não é via de regra fatal mas acarreta enorme prejuízo na qualidade de vida e custo social e econômico.  Um estudo realizado em 47 em 2010 mostra que o problema crônico de coluna é a principal causa de anos perdidos por incapacidade. Um estudo publicado por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz e Universidade Estadual do Rio de Janeiro objetivaram avaliar a prevalência do problema de coluna e sua  associação com aspectos socioeconômicos, estilo de vida e condições de saúde no Brasil. Eles usaram dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2013.  Além calcularem a presença do problema eles avaliaram a gravidade da limitação imposta pela enfermidade. O resultado mais importante documenta que 18.5% dos nossa população com mais de 18 anos de idade sofre com este tipo de dor, que pode afetar qualquer região da coluna (cervical, torácica, lombar) e que as mulheres sofrem ainda mais que os homens (21%).  Estamos falando de 25 milhões de pessoas.

Pessoas com menor nível educacional, com má autoavaliação da saúde e que sofrem de outras doenças crônicas são particularmente atingidas pelo problema. A má notícia para quem pensa que queixa de coluna é coisa de velho é que a idade média de início do problema crônico de coluna é 35 anos. E, se por uma lado, a ocorrência do problema se estabiliza aos 50 anos,  a gravidade da limitação aumenta com o passar dos anos. E aí sim, os mais velhos sofrem mais.  Principalmente, as mulheres idosas, com mais de 65 anos. É possível que a constituição musculoesquelética e as atividades diárias desempenhadas pelas mulheres contribuem para esta desigualdade de gênero na gravidade do quadro.  Outro aspecto é que a idade média do início do dor crônica de coluna ocorre entre 14 e 16 anos, principalmente nas meninas.

Como consolo, se é que isso serve de consolo, a alta prevalência brasileira é similar a de outros países. Uma meta-analise com  165 estudos de 54 países encontrou prevalência de problema crônico de coluna de 18 a 19%. A mensagem final do artigo é a promoção e prevenção do problema crônico de coluna, especialmente antes dos 50 anos de idade, por meio de medidas específicas e educativas. Como não é possível e nem desejável  deter o envelhecimento populacional dos brasileiros, uma boa alternativa e ajudá-los a viver melhor com suas dores, incluindo as dores de coluna.

(Romero et al. Prevalência, fatores associados e limitações relacionados ao problema crônico de coluna entre adultos e idosos no Brasil. Cad. Saúde Pública 2018; 34(2):e00012817)

]]>
0
Pessoas com deficiência tem pouco acesso aos serviços de reabilitação http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/12/02/pessoas-com-deficiencia-tem-pouco-acesso-aos-servicos-de-reabilitacao/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/12/02/pessoas-com-deficiencia-tem-pouco-acesso-aos-servicos-de-reabilitacao/#respond Sun, 02 Dec 2018 19:43:37 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=853 Imagem relacionada

 

Dia Internacional do Deficiente Físico é celebrado em 3 de dezembro. Instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1992, este dia tem como objetivo a sensibilização da comunidade para os desafios enfrentados por pessoas com deficiência física. Estima-se que mais de um bilhão de pessoas em todo mundo tenha algum tipo de deficiência ou incapacidade, correspondendo a cerca de 15% da população mundial . Ainda segundo a OMS, pelo menos 10% das crianças no mundo nascem ou adquirem algum tipo de deficiência física, mental ou sensorial com repercussão negativa no desenvolvimento. O tema ganha relevância já que o conceito de deficiência vem evoluindo com o passar dos anos. A visão atual privilegia as potencialidades da pessoa e as condições adequadas socioambientais para que a pessoas possa desenvolver suas aptidões. Além disso, espera-se que as pessoas com limitações de qualquer ordem possam receber tratamentos e reabilitação.

Pesquisadores de diferentes universidades brasileiras procuraram estimar a prevalência auto-referida das deficiências intelectual, física, auditiva e visual, levando em conta variáveis sociodemográficas, grau de limitação e frequência de uso de serviço de reabilitação. Eles usaram dados provenientes da Pesquisa Nacional de Saúde, inquérito populacional de 2013. Quanto aos resultados, a prevalência de deficiência auto-referida no país foi de 6,2% o que significa cerca de 12,4 milhões de pessoas. A prevalência de deficiência física foi de 1,3%, maior em homens, em indivíduos com 60 anos ou mais, na região Nordeste. A deficiência visual foi mais prevalente (3,6%) e aumentou com a idade, assim como deficiência auditiva. A má notícia é que o uso de serviços de reabilitação foi pouco frequente, oscilando de 4.8% para visual, 8.4% para auditiva e 30.4% intelectual 30.4%.

A conclusão é que há necessidade de ampliar o acesso às ações de promoção, diagnóstico e tratamento precoce das deficiências. Políticas públicas são fundamentais para corrigir antigas preconceitos e desigualdades no atendimento dos indivíduos que apresentam deficiências

(Malta et al. Prevalência auto-referida de deficiência no Brasil,  segundo a Pesquisa Nacional de Saúde, 2013. Ciência & Saúde Coletiva, 21(10):3253-3264, 2016)

]]>
0
Arrependimento com preservação de óvulos não é incomum http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/11/20/arrependimento-com-preservacao-de-ovulos-nao-e-incomum/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/11/20/arrependimento-com-preservacao-de-ovulos-nao-e-incomum/#respond Tue, 20 Nov 2018 17:35:16 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=848 Resultado de imagem para oocyte preservation

Em 2012, a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva deixou de considerar o congelamento de ovos como um procedimento “experimental” para mulheres inférteis ou mulheres diagnosticadas com câncer. No entanto, ela deixou claro que a comercialização dessa tecnologia com o propósito de adiar a gravidez poderia dar falsas esperanças às mulheres, encorajando-as a adiar a gravidez. O que se observou recentemente foi um aumento do uso da técnica por mulheres sem problemas de infertilidade que buscam a preservação da fertilidade por indicações sociais: falta de parceiro, objetivos acadêmicos ou profissionais, etc. Um interessante estudo realizado na University of California  de São Francisco com 201 mulheres que tiveram seus oócitos removidos cirurgicamente e congelados no período de 2012 até 2016 procurou avaliar se havia algum indício de arrependimento.  Todas participantes haviam sido submetidas ao procedimento porque optaram por atrasar a gravidez e não por infertilidade ou diagnóstico de câncer. O questionário aplicado avaliou também questões como suporte recebido da equipe, percepção do uso do oócitos e perspectivas sobre maternidade. Elas tinham idades entre 27 e 44 anos, sendo 80% graduadas e com salários superiores a US 100 mil dólares ao anos.

Os resultados surpreendem. A grande maioria, ou 89%, das 201 mulheres que responderam à pesquisa disseram estar contentes com o procedimento que permitia maior controle de suas vidas reprodutivas, ainda que nunca viessem a usá-los. No entanto, 49% revelaram algum pesar pela decisão de se submeter ao procedimento. Destas, cerca de dois terços relataram arrependimento leve e o restante relatou arrependimento moderado a grave. A pesquisa infelizmente não esclarece porquê. Mas entre as possibilidades estão a questão do suporte emocional e das expectativas pouco realistas. Por exemplo,  13 das mulheres, com idades entre 34 e 40 anos, estimaram a probabilidade de ter um bebê com seus ovos congelados em  100%,  uma estimativa altamente inflacionada.  O fato é que não há dúvidas sobre a eficácia do congelamento de ovos em mulheres saudáveis. Segundo estudos ela  varia de cerca de 9% a 24%. Mas nem todas mulheres entendem isso ou recebem a informação adequada.  Outros fatores associados ao arrependimento foram o menor número de óvulos criopreservados,  a baixa expectativa de sucesso do procedimento com a obtenção de gravidez futura e a percepção da inadequação de apoio emocional durante o processo de congelamento.

A conclusão da pesquisa é que é preciso melhorar a qualidade das informações e suporte emocional para as mulheres que se submetem ao congelamento de óvulos. Isso ajudaria a minimizar o arrependimento.  Mas convenhamos são recomendações que servem para todas as mulheres e homens que precisam de assistência médica.

(Greenwood et al. To freeze or not to freeze: decision regret and satisfaction following elective oocyte cryopreservation. Fertility and Sterility Vol. 109, No. 6, June 2018)

]]>
0
Câncer de colo uterino será raridade na Austrália em 20 anos http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/11/08/cancer-de-colo-uterino-sera-raridade-na-australia-em-20-anos/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/11/08/cancer-de-colo-uterino-sera-raridade-na-australia-em-20-anos/#respond Thu, 08 Nov 2018 17:55:41 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=843  

 

Resultado de imagem para hPV vaccination

 

Pense num país na liderança da prevenção do câncer de colo uterino. Se a resposta é a Austrália você acertou. A explicação está numa recente publicação do periódico Lancet, que contou com a participação de pesquisadores de várias universidades locais: Brisbane, Sidney e Melbourne. Antes vale lembrar que a ONU declarou em maio de 2018 que uma ação coordenada globalmente deveria eliminar o câncer do colo do útero. A Austrália deve chegar lá em breve. Em 2007, o país foi um dos primeiros países a introduzir um programa nacional de vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) e, desde então, alcançou uma alta cobertura vacinal em ambos os sexos, superior a 83%. Atualmente, a vacina cobre 9 tipos de vírus, em oposição à vacina anterior que cobria 4 tipos, sendo potencialmente mais efetiva na prevenção do câncer de colo uterino. Em dezembro de 2017, o rastreamento (ou seja, detecção do câncer em mulheres assintomáticas) cervical passou de triagem baseada em citologia (o conhecido teste de Papanicolau), a cada dois anos, para mulheres de 18 a 69 anos, para pesquisa do próprio HPV, a cada cinco anos, para mulheres de 25 a 69 anos.

Os autores do estudo utilizaram estes dados, além dos conhecimentos sobre a história natural da doença (o período provável entre a infecção pelo HPV e o surgimento do câncer) para compor modelo matemático. O objetivo foi identificar em que momento, ou seja, quando, a incidência anual padronizada do câncer do colo do útero na Austrália poderia ser ainda menor que os atuais 7 casos por 100.000 mulheres. Mais especificamente, uma incidência menor do que 6, 4 ou mesmo 1 novo caso por 100.000 mulheres. A pesquisa sugere que isso ocorrerá, respectivamente, até os anos 2022, 2035 e 2077. Por se tratar de um modelo há variações nas estimativas e precondições para o cálculo, tais como manutenção da cobertura vacinal em meninas e meninos.

De modo resumido, pode-se esperar que em 20 anos a Austrália elimine o câncer do colo do útero como problema de saúde pública. As mortes por este tipo de câncer serão coisa do passado. Neste momento, até os exames preventivos poderão se tornar desnecessários. Neste cenário, a preocupação das políticas públicas mudará de foco e recairá sobre as estratégias efetivas de comunicação, com os jovens, para manter altas taxas de cobertura da vacina contra o HPV. Um benefício, que vale destacar, protege até quem não se vacinou já que eliminação do vírus nos vacinados evita sua propagação por meio do ato sexual para os não vacinados. Viva a Austrália.

(Hall et al. The projected timeframe until cervical cancer elimination in Australia: a modelling study. Lancet Public Health 2018)

]]>
0
Mutilação genital feminina ainda assombra jovens vulneráveis http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/10/26/mutilacao-genital-feminina-ainda-assombra-jovens-vulneraveis/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/10/26/mutilacao-genital-feminina-ainda-assombra-jovens-vulneraveis/#respond Fri, 26 Oct 2018 18:11:01 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=837 Image result for female genital mutilations

Globalmente, três milhões de jovens correm risco de mutilação genital feminina e estima-se que 200 milhões de raparigas e mulheres no mundo tenham sido submetidas a mutilação genital feminina. Nos 28 países da África e do Oriente Médio para os quais existem dados disponíveis,  A prevalência nacional entre mulheres com 15 anos ou mais de idade varia de 0,6% (Uganda, 2006) para 97,9% (Somália, 2006). A prática inclui remoção total ou parcial do clítoris mas pode ser também estreitamento da vagina As consequências variam dos riscos imediatos de infecção, hemorragia, e morte até riscos tardios como, necessidade de cirurgia reparadora, problemas urinários e menstruais, relações sexuais dolorosas e má qualidade de vida sexual.  Também são frequentes a infertilidade, diversos tipos de infecções (por exemplo, abcessos e úlceras genitais, infecções pélvicas crônicas, infecções do trato urinário)  além obviamente das muitas consequências psicológicas, como medo da relação sexual, transtorno de estresse pós-traumático, ansiedade, depressão. O impacto é tamanho que muitas mulheres jamais retomam a vida normalmente. O procedimento é realizado por motivos culturais para atender normas vigentes de comportamento, principalmente no âmbito sexual. No fundo, a prática objetiva controlar e diminuir a mulher na sua relação com o homem e com a própria sociedade. A mutilação genital feminina atinge mais mulheres jovens de 15 a 24, pobres, pouca escolaridade, muçulmanas, casadas e sem acesso à mídia.  A Organização Mundial de Saúde ressalta a importância de trabalhar com as comunidades, não apenas no curto prazo, mas também a longo prazo, realizando  investimentos nos direitos humanos, conforme entendido no contexto local. Só assim eles imaginam ser possível obter mudança coletiva que leve ao fima desta prática tão primitiva e desumana.

]]>
0