Blog do Dr. Alexandre Faisal http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam as mulheres e seus parceiros. Fri, 17 May 2019 13:48:35 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Apenas uma em cada 4 gestantes consegue parar de fumar na gestação http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2019/05/17/apenas-uma-em-cada-4-gestantes-consegue-parar-de-fumar-na-gestacao/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2019/05/17/apenas-uma-em-cada-4-gestantes-consegue-parar-de-fumar-na-gestacao/#respond Fri, 17 May 2019 13:44:22 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=952

Você é a favor da redução dos impostos sobre o cigarro como forma de diminuir o consumo de cigarro contrabandeado ?. Clique aqui para votar

A retomada da discussão sobre a diminuição da taxação do cigarro comercializado legalmente no país esteve em pauta recentemente. Trata-se ainda de estudos preliminares, mas despertou à atenção da mídia, profissionais de saúde, juristas e do cidadão interessado na pauta. De fato, práticas que podem promover (ou reduzir) o consumo de tabaco mobilizam as pessoas. Felizmente no Brasil o número de fumantes vem caindo ao longo das décadas. Trata-se do resultado de um conjunto de ações incluindo uma forte e persistente campanha na mídia aliada à legislação restritiva ao consumo do tabaco. No entanto, muitas pessoas ainda tem enorme dificuldade em parar de fumar. Dentre elas, gestantes. Mesmo sabendo que o tabagismo é responsável por até 8% dos partos prematuros, 19% dos nascimentos com baixo peso e 7% da síndrome da morte súbita do lactente. Apesar disso, gestantes tem dificuldade em parar. Mas, por outro lado, a gestação é momento oportuno para tentar fazê-lo. Talvez o melhor momento em toda a vida da mulher. A mamãe sabe que reduzir a intensidade de exposição ao fumo traz benefícios para ela e, sobretudo, para seu lindo bebe que está para nascer. Quanto menos ela fumar e quanto mais cedo ela para, melhor para ele.

Estudo internacional indica que cerca de 40% das gestantes fizeram pelo menos uma tentativa de parar de fumar, mas apenas 50% teve sucesso nesta tarefa. E como será isso no Brasil?. Ótima questão que foi respondida por pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas e Federal do RGS que procuraram estabelecer a prevalência e fatores associados à cessação de tabagismo na gravidez. Elas analisaram dados de 598 mulheres que haviam dado à luz num período de até 48 horas, entre 01/01 e 31/12/2013. O resultado mais interessante mostra que não é fácil para de fumar. Mesmo na gravidez. A prevalência de cessação do tabagismo foi de 25%. E olha que é possível que muitas mães tenham sub-relatado o consumo de tabaco já que sabe dos efeitos negativos do tabaco para o bebê e algumas mães podem ter omitido esta informação por vergonha ou culpa. Mães com idade entre 13 e 19 anos, com maior renda familiar, maior escolaridade, maior número de consultas de pré-natal e que não haviam fumado na gestação anterior tiveram mais sucesso na interrupção. Alguns resultados são esperados já que maior nível socioeconômico reflete melhores condições de informação e de conhecimento parar interromper o tabagismo. Do mesmo modo, frequentar o pré-natal é sempre uma chance de se conscientizar dos perigos do consumo de tabaco na gravidez. Mais consultas de pré-natal duplicaram a chance de parar de fumar. O estudo tem ainda um dado muito curioso: ele mostra que 56% das mulheres tentaram parar de fumar e 78% ficaram pelo menos sete dias consecutivos sem fumar entre os seis meses anteriores à gestação e o pós-parto imediato. O que significa que uma parte significativa destas mulheres estava tentando para valer. Mas , na verdade, não conseguiram. A conclusão do estudo é que apesar de a gestação ser um momento propício à interrupção do tabagismo, isso na prática não ocorre. Ou pelo menos não ocorre do jeito que gostaríamos.

A mensagem final é que são necessárias intervenções continuadas priorizando gestantes fumantes, principalmente se elas forem de estratos socioeconômicos mais baixos uma sugestão dos autores da pesquisa é reforçar com a equipe de saúde, sobretudo médicos e enfermeiros, uma ação intensa e repetida na promoção do abandono do tabagismo em todo e qualquer momento em que a gestante estiver no serviço de saúde. E até após o parto, nas consultas de rotina sobre imunização e nas consultas de puericultura. As campanhas de mídia antitabagismo continuam bem vindas. A luta contra o tabaco parece ganha, mas não chegou ao seu final. Portanto a luta continua. Os bebês que estão por vir ao mundo agradecem.

(Dias-Damé et al. Cessação do tabagismo na gestação: estudo de base populacional. Rev Saude Publica. 2019;53:3.)

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Diferença de gênero pode explicar menor salário das médicas brasileiras ? http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2019/05/03/diferenca-de-genero-pode-explicar-menor-salario-das-medicas-brasileiras/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2019/05/03/diferenca-de-genero-pode-explicar-menor-salario-das-medicas-brasileiras/#respond Fri, 03 May 2019 19:01:32 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=945

Você acredita que, no futuro, na comparação com os homens, as mulheres vão ganhar …….?. Clique aqui para votar

O desenvolvimento da mulher na área educacional e profissional é sem precedentes nas últimas décadas. No entanto, as desigualdade de oportunidades e de tratamento entre as mulheres e os homens persistem nos mercados de trabalho globais. Ainda que a disparidade salarial entre homens e mulheres tenha sido reduzida em muitos países, em algumas profissões ela está longe de ser eliminada. A depender da diferença, a desigualdade salarial tem importantes efeitos sobre a saúde e bem estar da pessoa. Estatísticas sugerem que na média a mulher ganha 77% da renda do homem, ou seja, 23% a menos. Essas disparidades são menos proeminente em profissões tradicionais como medicina, engenharia e direito. Mas nem tanto como mostra uma publicação de pesquisadores do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP, no periódico BMJ Open. Os autores objetivaram descrever os fatores associados à diferença salarial entre médicos e médicas no Brasil. O estudo conduzido em 2014 usou dados coletados por telefone de 2400 participantes. Apenas o salário ganho com a profissão médica foi considerado como o desfecho mais importante. Foram analisadas as características sociodemográficas e de trabalho dos profissionais brasileiros. O resultados mais importante mostra que a  probabilidade de homens receberem a maior faixa salarial mensal é maior que a das mulheres. Quase 80% das mulheres estão concentradas nos três categorias salariais mais baixas (≤US$ 3857, US$ 3587-5381 e US$ 5381–7175), enquanto 51% dos homens estão na três categorias mais altas (US$ 7175-8969; US$ 8969–10 762 e ≥US$ 10762). Para dar um exemplo, na categoria de 20 a 40 horas de trabalho por semana, a proporção dos profissionais de saúde que recebem mais de US$ 10.762 por mês é de 2.7% para as mulheres e 13% para os homens.

A explicação para esta disparidade salarial poderia estar em outro local: a carga de trabalho, anos de profissão, fazer ou não plantões, ter consultório, o tipo de especialidade, entre outras. Mas aí entra outro dado interessantíssimo do estudo: após ajuste para diferentes características relacionadas ao trabalho, a diferença salarial persistiu. No modelo final ajustado por todas as variáveis que poderiam confundir a associação entre renda mensal e gênero, a probabilidade de homens receberem o maior nível salarial (≥US$ 10 762) é de 17,1%, enquanto para as mulheres a probabilidade é 4,1%. Tudo isso para mostrar que a desigualdade salarial entre médicos e médicas no Brasil pode ser explicada apenas pela diferença de gênero.  O que é paradoxal, levando em conta a situação atual do país onde é crescente o número de mulheres exercendo a profissão ou nas escolas de medicina. Os homens ainda dominam as especialidades médicas como maior potencial de ganho, tais como a cirurgia geral, cardiologia e ortopedia/traumatologia, enquanto as mulheres estão mais nas áreas, habitualmente, menos remuneradas, tais como clínica geral, pediatria, medicina de família, e ginecologia e obstetrícia. Mas isso pode mudar com o tempo. Em 2014, havia quase 400 mil médicos brasileiros com registro médico ativo no Conselho Nacional de Medicina. Eles e todos os futuros médicos do país tem, além da saúde da população, pelo menos mais um desafio a enfrentar: a desigualdade salarial entre homens e mulheres.

(Cassenote AJF, Guilloux AGA, et alWhat explains wage differences between male and female Brazilian physicians? A cross-sectional nationwide study. BMJ Open 2019;9:e023811. doi:10.1136/ bmjopen-2018-023811)

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Consumo de maconha em jovens aumenta risco de depressão na idade adulta http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2019/04/26/consumo-de-maconha-em-jovens-aumenta-risco-de-depressao-na-idade-adulta/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2019/04/26/consumo-de-maconha-em-jovens-aumenta-risco-de-depressao-na-idade-adulta/#respond Fri, 26 Apr 2019 19:49:00 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=939

Você acha que consumo de maconha na adolescência agrava risco de depressão na idade adulta ?. Clique aqui para votar

O tema é atual e está situado no amplo debate que ocorre no Brasil sobre a legalização das drogas. Ou pelo menos aquelas consideradas leves como a maconha.   A cannabis é a droga mais utilizada pelos adolescentes no mundo inteiro. Dados nacionais indicam que 4% dos nossos adolescentes usaram a droga uma vez na vida, sendo que 3% o fizeram no último ano. Neste caso há empate com o uso entre adultos.  Mais importante que o alto consumo é a constatação de que o uso de maconha por adolescentes aumenta diretamente o risco de desenvolvimento de psicose. No entanto, o impacto negativo da droga sobre o humor e risco de suicídio na idade adulta jovem não havia sido claramente documentado. Pois bem, agora isso é coisa do passado já que uma publicação no JAMA de pesquisadores canadenses e do Reino Unido traz novidades preocupantes.

Os autores do estudo realizaram uma meta-análise com 269 artigos sendo que 11 estudos compreendendo 23317 indivíduos foram usados para a análise quantitativa. Os estudos longitudinais e prospectivos usados na meta-análise, avaliaram o uso da cannabis em adolescentes com menos de 18 anos (pelo menos 1 ponto de avaliação) e o posterior desenvolvimento de depressão na idade adulta jovem (18 a 32 anos). Os resultados mais importantes mostram que a chance do adolescente usuário de maconha desenvolver depressão na idade adulta jovem na comparação com não usuários era 37% maior.  O cenário é ainda pior para penar em se matar, com aumento de 50% no risco e para tentativa de suicídio. Neste caso o risco para 3,5 vezes maior.

A conclusão é que embora o risco em nível individual do uso de maconha entre jovens seja considerado de baixo à moderado, a alta prevalência do consumo neste grupo etário causa preocupação. Já que em alguns casos, a depressão e suicídio podem ser atribuídos ao consumo de maconha e não á outras causas. Trata-se, portanto, de importante problema de saúde pública que deve ser devidamente abordado por políticas públicas de saúde.  E não pela polícia.

(Gobbi et al. Association of Cannabis Use in Adolescence and Risk of Depression, Anxiety, and Suicidality in Young Adulthood: A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Psychiatry.  2019. doi:10.1001/jamapsychiatry.2018.4500; 2019)

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Terapias psicossociais funcionam para os sintomas da tensão pré-menstrual? http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2019/04/17/terapias-psicossociais-funcionam-para-os-sintomas-da-tensao-pre-menstrual/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2019/04/17/terapias-psicossociais-funcionam-para-os-sintomas-da-tensao-pre-menstrual/#respond Wed, 17 Apr 2019 13:07:41 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=933

Você prefere que tipo de tratamento para os sintomas da tensão pré-menstrual ?. Clique aqui para votar

As mulheres conhecem bem o problema: mal estar, inchaço, dor de cabeça, baixo astral e humor que afasta todos em volta. E tudo isso some após as menstruações mas deixando uma preocupação para o próximo final de ciclo. A  síndrome pré-menstrual (SPM) atrapalha a vida de até metade das mulheres. Claro que nem todas com a mesma intensidade. Para muitas os sintomas são leves e contornáveis. Para outras, felizmente, um grupo bem menor, a SPM chega a limitar as atividades diárias da mulher, afetando bastante a qualidade de vida. Segundo o Colégio Americano de Obstetras e ginecologistas, mulheres com sintomas mais brandos devem priorizar os tratamentos não-farmacológicos, tais como apoio psicológico e psicoterapia, enquanto as mulheres com quadros mais graves devem recorrer aos medicamentos. Faz sentido já que não se sabe ao certo a etiologia da SPM, mas  há evidências crescentes de que fatores de risco psicossociais estão associados aos aparecimento dos sintomas. Dentre eles destacam-se o estresse, a compreensão da família e dificuldade de se expressar . Mas será mesmo que as intervenções psicossociais são mesmo efetivas para mulheres com TPM?.

Uma meta-análise recente tem uma ótima notícia para estas mulheres.   Pesquisadores da Yonsei University, em  Seoul,  procuraram avaliar a eficácia da intervenção psicossocial para SPM analisando dados de 11 estudos que juntos totalizaram 324 mulheres. A boa notícia é que o efeito conjunto das intervenções foi significativamente favorável na redução dos sintomas da TPM. Em particular, as intervenções que promoviam melhor enfrentamento da mulher diante do problema foram bem eficazes do que os programas educativos e suporte social. Um aspecto distintivo desta modalidade de intervenção é a participação ativa da mulher, o que por si só já pode ser algo útil  na superação do problema. Terapia cognitiva também foi eficaz

Uma limitação da meta-análise é o agrupamento de modalidade diversas de tratamento psicossocial, sendo que o número e a duração de sessões variaram  enormemente, respectivamente de 1 a 12 sessões e de 10 a 180 minutos. O período de intervenção foi ainda mais variado: de 1 dia a 6 meses.  Trata-se de uma dificuldade comum quando se busca avaliar eficácia de intervenções psicológicas. Neste sentido alguma subjetividade da intervenção e da própria relação paciente e profissional de saúde pode ser difícil de controlar num ensaio clínico. Mas para as mulheres que sofrem de SPM, muitas vezes na companhia de parceiros e familiares, a possibilidade de se tratar sem remédio é uma alternativa no mínimo atraente. E que pelo jeito funciona.

(Jeehee Han, Yerin Cha & Sue Kim (2018): Effect of psychosocial interventions on the severity of premenstrual syndrome: a meta-analysis, Journal of Psychosomatic Obstetrics & Gynecology, DOI: 10.1080/0167482X.2018.1480606)

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Licença maternidade no Brasil duplica período de aleitamento exclusivo http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2019/04/10/licenca-maternidade-no-brasil-duplica-periodo-de-aleitamento-exclusivo/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2019/04/10/licenca-maternidade-no-brasil-duplica-periodo-de-aleitamento-exclusivo/#respond Wed, 10 Apr 2019 13:00:39 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=929

 

Na sua opinião, a licença maternidade deveria ser de quanto tempo ?. Clique aqui para votar

As mulheres sabem que exercer atividade profissional fora do lar e cuidar das ocupações domésticas não é tarefa fácil . Pior ainda se ela tiver dado à luz recentemente e deseja amamentar. Para isso muitas contam com a licença maternidade que é prevista na  legislação brasileira, desde a Constituição de 1988,que a ampliou de 84 para 120 dias. É um avanço mas não contempla os 180 dias preconizados pelo setor saúde e beneficia apenas as mulheres que estão inseridas no mercado de trabalho formal. Outro avanço ocorreu em 2010, quando o Congresso Nacional aprovou o Programa Empresa Cidadã, que prorroga à critério da empresa, a licença-maternidade até os 180 dias. Os papais poderiam tirar 15 dias também. A ideia é ótima mas apenas 10% das empresas aderiram ao programa segundo dados de 2016. E olha que são muitas mulheres trabalhando. Em 2015, 40,4 milhões brasileiras (ou seja 43%) da população brasileira) trabalhavam. Um estudo nacional publicado na Revista de Saúde Pública procurou avaliar a associação entre aleitamento exclusivo (AE) aos 6 meses e licença-maternidade. Vale lembrar que a Organização Mundial da Saúde recomenda fortemente a para a prática do aleitamento materno exclusivo até 6 meses. Aleitamento exclusivo significa apenas a ingestão do leite materno direto da mama ou ordenhado, ou leite humano de outra fonte, sem acréscimo de outros líquidos ou sólidos. Para isso foram analisados dados de 429 mães crianças menores de seis meses, assistidas por unidades básicas de saúde com Posto de Recolhimento de Leite Humano Ordenhado no município do Rio de Janeiro, Brasil, em 2013. Foram coletadas informações sobre características sociodemográficas maternas, domiciliares, da assistência pré-natal, do parto, do estilo de vida materno, da criança, da assistência à saúde e da alimentação infantil.

Quanto aos resultados, dentre as mães entrevistadas, 23,1% estavam em licença-maternidade e 17,2% estavam trabalhando. A prevalência de aleitamento materno exclusivo em menores de seis meses foi de 50,1%. A presença de licença maternidade promoveu um acréscimo de quase 100% no aleitamento exclusivo sugerindo que a licença-maternidade contribui realmente para esta prática. Esta prevalência de aleitamento exclusivo é considerada boa pela OMS, mas sugere também que houve avanço neste aspecto neste município. Em 2006 , a frequência de AE era de 33.3% No geral a notícia é muito boa para as mães que trabalham fora de casa e para os bebês. Para as mães que exercem dupla jornada, trabalho e cuidados da casa, este tipo de suporte do governo e das empresas é fundamental para o sucesso desta dupla função. Cabe destacar que em países onde a licença-maternidade é mais restrita que a nossa, como no caso dos Estados Unidos, as mulheres tem maior chance de não darem o peito e interromperem precocemente o aleitamento. Nos países nórdicos e do leste europeu a situação é oposta. Lá licenças mais longas se associam com maiores períodos de aleitamento. Para os bebês não é preciso nem dizer como a notícia é boa. O aleitamento materno  exclusivo reduz a morbimortalidade materna e infantil, aumenta o quociente de inteligência (QI) e o desempenho escolar infantil. E, claro,  deixa os bebês felizes da vida por estarem pertinho das suas mamães.

(Rimes et al. Licença-maternidade e aleitamento materno exclusivo. Rev Saude Publica. 2019;53

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Espiritualidade se associa com melhores resultados na Fertilização in Vitro http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2019/03/27/espiritualidade-se-associa-com-melhores-resultados-na-fertilizacao-in-vitro/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2019/03/27/espiritualidade-se-associa-com-melhores-resultados-na-fertilizacao-in-vitro/#respond Wed, 27 Mar 2019 13:32:33 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=923

 

Você acredita que ter fé pode ser útil para o sucesso de tratamento de infertilidade ?. Clique aqui para votar

Mais de 80% da população do planeta professa uma religião. Apesar disto a relação entre religião e medicina é bastante controversa. No entanto, muitos estudos em diferentes áreas da medicina sugerem que religião, espiritualidade ou fé contribuem positivamente para desfechos de saúde. Não só isso, religião e espiritualidade são estratégias de enfrentamento que podem ser muito úteis face ao adoecimento. Sem contar os demais estresses da vida. Em tese a religiosidade pode, por meio da redução do estresse psicológico e da busca e obtenção de suporte social,  melhorar a imunidade,  a aderência ao tratamento  e até mesmo a qualidade de vida do doente. A infertilidade é um dos estresses que a vida pode impor para alguns casais. E embora as técnicas e o número de Fertilização in Vitro (FIV) tenham se ampliado no mundo todo, ultrapassando mais de 2 milhões de nascimentos, os resultados dos procedimento nem sempre são satisfatórios. Menos de 50% dos casais consegue realizar o desejo de ter um filho por meio da FIV. Será que o o envolvimento espiritual pode influenciar de maneira positiva aspectos psicológicos e físicos das mulheres submetidas a FIV?. Esta interessante questão foi o tema de pesquisa nacional publicado no Journal Psychosomatic Obstetrics & Gynecology. Eles procuraram avaliar o impacto da fé, religião e espiritualidade sobre os resultados de uma técnica de FIV, a injeção intracitoplasmática de espermatozóides (ou ICSI) analisando dados de 877 pacientes receberam. Os dados obtidos por meio de questionário com informações sobre fé, religiosidade e espiritualidade foram relacionados aos resultados ICSI. A maioria das participantes eram católicas e evangélicas, mas havia pacientes espíritas e mulheres que não se identificaram com nenhuma religião.

O resultados mais curioso foi  o aumento significativo na fertilização, obtenção de embriões de alta qualidade e maior taxa de gravidez entre mulheres espíritas e evangélicas. Pacientes que incluíram o diagnóstico e tratamento da infertilidade nas suas orações apresentaram um aumento da taxa de gravidez. Em contrapartida,  aquelas que relataram que sua fé foi negativamente afetada após o diagnóstico de infertilidade apresentaram diminuição da taxa de embriões de alta qualidade. O cancelamento do ciclo foi negativamente correlacionado com a freqüência das reuniões religiosas, e a freqüência das orações foi positivamente correlacionada com resposta satisfatória à estimulação ovárica. Finalmente, a crença no sucesso do tratamento positivamente influenciou a qualidade do embrião.

O conjunto dos dados favorece a hipótese do melhor enfrentamento associado possivelmente a menor ansiedade e depressão que prejudicam os tratamentos de infertilidade de modo geral. O adequado funcionamento neuro-hormonal explicaria o elo entre mente e corpo, entre espiritualidade e fecundidade. O estudo tem limitações tais como ausência de definição clara do que é fé, número e intensidade das orações e participação de outros fatores não dimensionados. Mas tem o mérito de investigar o que para muitas pessoas é um pouco renegado pela ciência: a fé e espiritualidade. E pelo jeito ambas têm muito a contribuir com nosso conhecimento.

(Braga et al. (2018): Role of religion, spirituality, and faith in assisted reproduction,Journal of Psychosomatic Obstetrics & Gynecology. DOI: 10.1080/0167482X.2018.1470163)

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Satisfação com atendimento ginecológico supera 80% no Brasil http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2019/03/08/satisfacao-com-atendimento-ginecologico-supera-80-no-brasil/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2019/03/08/satisfacao-com-atendimento-ginecologico-supera-80-no-brasil/#respond Fri, 08 Mar 2019 15:01:43 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=917

Você está contente com seu atendimento ginecológico  ?. Clique aqui para votar

No dia Internacional das Mulheres, um levantamento realizado pelo Instituto Datafolha, a pedido da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) traz uma ótima notícia para as mulheres e para seus ginecologistas. A pesquisa releva que 80% das mulheres estão satisfeitas com o atendimento do atual ou último ginecologista. E a diferença entre os serviços públicos e privados não é tão grande. A satisfação entre as pacientes que utilizam atendimento particular ou por planos de saúde é ao redor de 90% enquanto nas usuárias do sistema público é ao redor de 85%.A pesquisa avaliou itens como acolhimento e atenção, realizar exames clínicos, transmitir confiança e fornecer informações de modo claro e claras e adequado. A pesquisa foi realizada no mês de 11/2018, com mais de mil de 16 anos ou mais, pertencentes a todas as classes econômicas, distribuídas em 129 municípios o que a torna, pelo método de amostragem, representativa de grande parcela do universo feminino brasileiro. O acesso ao ginecologista ocorreu principalmente por meio do sistema público (58%). Mas 20% das mulheres usaram planos de saúde e 20% atendimento particular.

A má notícia é que 8% das mulheres entrevistadas (o que representa 6,5 milhões de brasileiras) não costumam ir a ao médico ginecologista e pior ainda, 5%,(cerca de 4 milhões de brasileiras), nunca consultaram este tipo de especialista. E olhe que o ginecologista é um profissional bem conceituado pelas mulheres. Pelo menos no que se refere à sua posição na hierarquia de cuidados da saúde feminina. Cerca de 80% das participantes da pesquisa consideram que a especialidade “Ginecologia e Obstetrícia” é mais importante para a saúde da mulher. Como era de se esperar passar por consulta com este especialista é mais comum entre as moradoras de regiões metropolitanas, da Região Sudeste, e está associada com melhor escolaridade e nível econômico. Por outro lado, nunca ter tido uma consulta ginecológica é mais comum nas mulheres residentes de cidades do interior, mais jovens e pertencentes aos estratos sociais mais baixos. Neste grupo há algum progresso a ser feito pelo sistema público: 4 em cada 10 mulheres consideraram o acesso ao especialista restrito. Os resultados são no geral animadores e confirmam o progresso na saúde do Brasil das últimas décadas. Não significa que tenhamos padrões escandinavos de saúde pública, mas sugerem que caminhamos muito ao longo do tempo. Pelo contrário há muito a ser feito e isso vai depender não apenas do crescimento econômico do país, mas também das políticas públicas de saúde. Todos brasileiros estão na torcida, mas por enquanto é certo dizer que as mulheres estão gratas aos seus ginecologistas. (https://www.febrasgo.org.br) 

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Resistência à vacinação pode estar no passado http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2019/02/22/resistencia-a-vacinacao-pode-estar-no-passado/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2019/02/22/resistencia-a-vacinacao-pode-estar-no-passado/#respond Fri, 22 Feb 2019 18:21:19 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=912

 

Você se sente influenciado por notícias negativas sobre vacinação ?. Clique aqui para votar

          Vacinação é um dos meios mais eficazes em termos de custo para a prevenção e controle de doenças infecciosas. Muitas vidas foram salvas graças ao advento das vacinas modernas. Como explicar então a resistência de muitas pessoas com a vacinação?. Mesmo quando doenças evitáveis voltam a nos incomodar. A explicação pode estar nos ecos do passado. É isso aí. Aumentar a taxa de vacinação depende não apenas da equação custo-benefício, mas também do passado histórico da vacinação. Esta é a conclusão de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Dartmouth, nos Estados Unidos e publicado no periódico Proceedings, da Royal Society B (de Biological). O artigo usa complexos modelos para mostrar que problemas passados com vacinas podem causar um fenômeno conhecido como histerese. Resumidamente, a percepção negativa associada à vacinação oriunda de fatos passados dificulta a aceitação do público das vacinas atuais. É como se as evidências positivas do benefício e segurança da vacinação não fossem suficientes para limitar temores em geral, infundados ou no mínimo raríssimos. É como se uma força prévia continuasse operando em detrimento da saúde populacional. O perigo não existe ou não está mais lá, mas ele continua ameaçador para as pessoas.

          O tema é atual dado as recentes baixas coberturas vacinais no Brasil. Por exemplo, dados da Pesquisa Nacional de Saúde indicam que todas vacinações para menores de 1 ano ficaram entre 70 e 84%, com a honrosa exceção da BCG que é ofertada na maternidade. Isso significa que até 30% destes bebês estão susceptíveis as doenças infecciosas. O cenário não é muito diferente em certos países europeus e nos Estados Unidos, onde se observa ressurgimento do sarampo e caxumba. Outros exemplos nacionais incluem, felizmente,  em menor proporção a crítica à vacinação de meninas contra o HPV. Para os autores, as eventuais imperfeições da vacinação, que incluem efeitos colaterais e imunidade parcial podem a partir da sua divulgação (muitas vezes inadequada) diminuir a confiança do público na vacina e, assim, corroer a intenção de um indivíduo de vacinar. O que o estudo revela é como as complicações relacionadas à vacina imperfeita mudam a atitude das pessoas sobre a aceitação da vacinação. A conclusão é que a baixa adesão à vacina é um problema de saúde pública que está também relacionado ao comportamento, as vezes, errático e irracional do ser humano. Como se vê, superar traumas do passado não se aplica apenas as consultórios de psicologia, mas também à saúde pública.

(Chen & Feng Fu. Imperfect vaccine and hysteresis. Proc. R. Soc. 286: 20182406. http://dx.doi.org/10.1098/rspb.2018.2406)

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Dinheiro não é tão importante para ser feliz ? http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2019/02/03/dinheiro-nao-e-tao-importante-para-ser-feliz/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2019/02/03/dinheiro-nao-e-tao-importante-para-ser-feliz/#respond Sun, 03 Feb 2019 21:06:00 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=904  

Vale a pena medir a felicidade por questões de saúde ?. Clique aqui para votar

O século XXI até o presente momento está cheio de paradoxos: se por um lado estamos vivenciando desenvolvimento econômico sem precedentes e melhorias na longevidade, saúde e alfabetização, por outro lado despertam grandes preocupações as mudanças climáticas, pobreza persistente nos países mais pobres e aumento da desigualdade de renda e da infelicidade em muitos países ricos. Isso mesmo a infelicidade reina em muitos países onde deveria ser uma raridade. Que tal avaliar regularmente o grau de felicidade (ou o infelicidade) por meio de métricas científicas e matemáticas ?. Esta é a ideia de editorial recente do periódico Science. A assunção é de que métricas de bem-estar, derivadas de pesquisas em grande escala e questionários que captam os determinantes econômicos e não econômicos do bem-estar individual podem ser úteis para entender o que está acontecendo com as pessoas. Para citar um exemplo, os Estados Unidos, uma das mais ricas economias do mundo, apresenta queda na expectativa de vida em função de suicídios e mortes por overdose de drogas e álcool. Muitos estudos demonstram que fatores não econômicos,  tais como normas, expectativas e estigma, importam mais para o bem-estar humano do que alguns modelos econômicos podem imaginar. Mais ainda, pesquisas sugerem que níveis mais altos de felicidade e otimismo tendem a levar melhores resultados individuais futuros, incluindo renda, saúde e formação de laços de amizade. Mas o assunto felicidade é complexo já que admite-se interação de determinantes genéticos do bem-estar (como certos aspectos da inteligência e do sistema imunológico) com os ambientais, na determinação dos resultados favoráveis de longo prazo tanto no aspecto econômico como na saúde do indivíduo.

O certo é que a ligação entre bem-estar, produtividade e saúde são fundamentais o futuro sustentável. A recomendação é avaliar 3 três dimensões distintas de bem-estar: hedônico, avaliativa e eudaimônica. As métricas hedônicas capturam os estados afetivos dos indivíduos – como diversão, estresse ou raiva – e o papel que elas desempenham na vida diária. Eles avaliam a qualidade de vida diária, como os efeitos de várias condições de saúde, e avaliam os efeitos do envolvimento em comportamentos como fumar ou se exercitar. As métricas de avaliação, que são as mais comuns, avaliam a satisfação das pessoas com suas vidas ao longo da vida, inclusive se podem escolher o tipo de vida que desejam levar. As métricas eudaimônicas perguntam se os indivíduos têm propósito ou significado em suas vidas. Detalhe: a pobreza é ruim para todas as dimensões do bem-estar, mas após um certo ponto, mais dinheiro não melhorará o humor ou as amizades. Para concluir os autores apresentam uma lista de aspectos relacionados a maior satisfação com a vida, com dados mundiais. São eles, por ordem: renda familiar, sorriu ontem, aprendi algo ontem, não ter problemas de saúde, liberdade para escolher o que você faz com sua vida, crer/trabalhar duro, diploma da faculdade, emprego full time.

Como se vê a satisfação com a própria vida em todo o mundo se correlaciona com renda, saúde, emprego e educação, mas também bem como com humor positivo, liberdade e crenças sobre os benefícios do esforço de trabalho. O Butão fez da Felicidade Nacional Bruta sua estratégia oficial de desenvolvimento em 2008. O Butão tem muito a nos ensinar.

(Carol Graham, Kate Laffan and Sergio Pinto. Well-being in metrics and policy. Science Science 362 (6412), 287-288.. DOI: 10.1126/science.aau5234)

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Natal e Ano Novo são períodos de risco para infarto do miocárdio http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2019/01/17/natal-e-ano-novo-sao-periodos-de-risco-para-infarto-do-miocardio/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2019/01/17/natal-e-ano-novo-sao-periodos-de-risco-para-infarto-do-miocardio/#respond Thu, 17 Jan 2019 14:48:17 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=897

Você acha Natal e Ano Novo estressante ?. Clique aqui para votar

Doença isquêmica do coração está diminuindo em países de alta renda,  mas continua sendo a causa mais comum de morbidade e mortalidade em todo o mundo.  O entendimento atual é que a doença é multifatorial com fatores de risco predisponentes  modificáveis e não modificáveis. Estudos também mostraram que fatores externos podem estar envolvidos no desencadeamento do início do enfarte do miocárdio ao provocar a ruptura de placas instáveis.

Fatores externos, como terremotos, furacões e guerras, bem como eventos esportivos e volatilidade do mercado de ações, têm sido repetidamente associados a um maior risco de infarto do miocárdio. Será que no mundo ocidental o dia de Natal e  de Ano Novo aumentam o risco de infarto também?.  Como curiosidade histórica Sir Winston Churchill teve infarto do miocárdio durante a visita a Casa Branca no Natal de 1941. Pois bem, um estudo retrospectivo realizado na Suécia procurou avaliar se feriados nacionais, e grandes eventos esportivos se associavam com o início do infarto  miocárdica. Eles usaram dados de 283 014 casos de infarto do miocárdio relatados para as unidades coronarianas em todo o país no período entre 1998 e 2013. O início dos sintomas foi documentado para todos os casos e foram usadas como datas principais dos eventos as férias de Natal e ano novo, Páscoa e verão, além dos infartos que ocorreram durante uma Copa do mundo da FIFA, Campeonato Europeu de futebol e jogos olímpicos de inverno e de verão. Como critério de comparação foram avaliados os infartos que ocorreram nas duas semanas antes e depois de um feriado (período de controle), e no caso de eventos esportivos, o período de controle foi definido como a mesma data um ano antes e um ano depois do torneio.  Vamos aos resultados: os Feriados de Natal e verão se associaram com um maior risco de infarto do miocárdio (aumento de 15% da incidência). O maior período de risco, com aumento de 37% no risco de enfartar, foi observado na véspera de Natal.  Não houve aumento do risco durante feriado da Páscoa ou eventos esportivos.

Um detalhe importante, os resultados foram mais pronunciados em pacientes com idade acima de 75 e naqueles com diabetes e história prévia de doença arterial coronariana. A explicação é que em pacientes vulneráveis, o Natal e férias de verão aumentam o risco de infarto. Uma hipótese para estes dados é que as atividades e emoções associadas a feriados podem resultar no infarto do miocárdio secundário a isquemia, devido ao aumento da demanda de oxigênio em idosos e pacientes mais doentes. A partir destes resultados pode-se pensar que pessoas mais vulneráveis devam ser aconselhadas sobre este risco associado ao Natal e férias de verão proporcionando assim medidas terapêuticas mais rápidas e efetivas.

Muitos brasileiros podem estar questionando como os suecos não enfartam assistindo jogos de futebol. Outros devem estar comemorando o fim do Natal e Ano Novo

(Mohammad et al. Christmas, national holidays, sport events, and time factors as triggers of acute myocardial infarction: SWEDEHEART observational study 1998-2013. BMJ 2018;363:k4811 http://dx.doi.org/10.1136/bmj.k4811 )

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