Blog do Dr. Alexandre Faisal http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam as mulheres e seus parceiros. Fri, 18 May 2018 18:37:23 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Para combater doenças crônicas tributar alimentos não saudáveis é solução http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/05/18/para-combater-doencas-cronicas-tributar-alimentos-nao-saudaveis-e-solucao/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/05/18/para-combater-doencas-cronicas-tributar-alimentos-nao-saudaveis-e-solucao/#respond Fri, 18 May 2018 18:37:23 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=766  

 

Você é a favor do aumento de impostos sobre consumo alimentar não saudável? Clique aqui para votar

O periódico Lancet acaba de publicar série de artigos que abordam o interessante tema da relação das políticas fiscais e economia com as DCNT (DCV, diabetes, câncer). As DCNT  são responsáveis por 38 milhões de mortes a cada ano, sendo 16 milhões entre pessoas com menos de 70 anos. Existem esforços globais para se reduzir as mortes por DCNTs em até um terço até 2030.  Mais de 280 estudos de alta qualidade, incluindo dados da Índia, China e Brasil, mostram que a baixa condição socioeconômica está consistentemente associada a taxas mais altas de doenças não transmissíveis em países de baixa e média renda. As DCNT são, portanto, causa e consequência  da pobreza e desigualdade social. Investimentos em prevenção e controle de DNTs oferecem, portanto,  um alto retorno e perspectiva de crescimento econômico para os países de todos os níveis de renda; a longo prazo, a prevenção de DNTs oferece um maior retorno sobre o investimento do que o controle de DNT, embora ambos sejam essenciais. A força-tarefa da Lancet sobre DNTs e economia destaca o papel das políticas fiscais de incentivo das dietas saudáveis e estilos de vida para reduzir o consumo de tabagismo, álcool e alimentos não saudáveis contribuidores da obesidade. Mas avalia também um tema tabu: à tributação do consumo.

Um dos argumentos mais comuns usados para se opor à tributação do tabaco, álcool ou bebidas açucaradas é de que os impostos são regressivos, ou seja, é injusto fazer as pessoas mais pobres pagarem uma parcela maior de suas rendas domésticas (já limitadas) para consumir esses produtos. Isso não seria um problema para as pessoas mais ricas. Embora este argumento possa parecer atraente ele não é verdadeiro.  Do ponto de vista ético, a avaliação do impacto da tributação de produtos nocivos não pode se limitar  a questão da regressividade tributária sozinha, mas deve levar em conta todos os efeitos, incluindo os benefícios de saúde associados e custos de saúde, de curto e, sobretudo, de longo prazo. A análise de dados do impacto da taxação em diferentes países mostra exatamente isso. Vários aspectos reforçam a taxação. Primeiro, na maioria dos países, o impacto negativo das DNTs evitáveis associadas ao tabaco, álcool, e obesidade é em si mesma regressiva. Comparado com famílias mais ricas, pessoas com rendas mais baixas adoecem mais frequentemente e morrer mais cedo em decorrência deste consumo de consumir tabaco.  Por exemplo, um estudo mostrou que, se o imposto do cigarro for aumentado em 50% na Tailândia, a classe socioeconômica mais baixa pagaria apenas 6% de um aumento das receitas fiscais do tabaco, mas se beneficiaria com uma redução de 58% de mortes prematuras. Segundo o custo do tratamento é também regressivo. Um estudo com dados de 66 países e 13 DCNT mostrou que as famílias mais pobres , e não as mais ricas, são as que mais sofrem com os custos catastróficos dos tratamentos. Terceiro, o padrão de consumo após taxação pode variar de acordo com o produto e entre países, mas admite-se que  pessoas pobres irão cortar ou pelo menos reduzir este tipo de consumo em maior quantidade do que pessoas ricas. Finalmente, a receita levantada pelos impostos tem o potencial de beneficiar as famílias mais pobres a depender do modo como ela  será usada na área da saúde. Por exemplo, as Filipinas aumentaram os impostos sobre o tabaco e isso gerou uma receita adicional de US $ 1,5 bilhão entre 2013 e 2015 que foi usada para expandir a cobertura de seguro de saúde entre os pobres. O dinheiro obtido com impostos pode, por exemplo, financiar programas para ajudar as pessoas a pararem de fumar, reduzir o consumo de álcool e consumir dietas mais saudáveis.

Vamos esperar para ver como estas mudanças ocorrerão. Mas a publicação não deixa dúvida sobre a conexão entre o crescimento econômico e o controle das DNTs. E isso é cada vez mais claro à medida que os países avaliam suas necessidades de cuidados de saúde, em geral,  em constante mudança, o envelhecimento das populações e suas metas de desenvolvimento econômico.

(Summers. Taxes for health: evidence clears the air. Lancet. April 4, 2018 http://dx.doi.org/10.1016/ S0140-6736(18)30629-9)

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Em maio, dia mundial de combate ao câncer de ovário http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/05/11/em-maio-dia-mundial-de-combate-ao-cancer-de-ovario/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/05/11/em-maio-dia-mundial-de-combate-ao-cancer-de-ovario/#respond Fri, 11 May 2018 15:42:38 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=750

Você sabe quais são os sintomas do câncer de ovário ? Clique aqui para votar

O tema não ocupa muito o noticiário mas trata-se de um sério problema para a saúde da mulher. Nada melhor do que ter um dia para a conscientização da população. O dia 8 de maio é o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Ovário, que é considerado o tipo mais agressivo dos tumores femininos. Mais de 6 mil casos são estimados para os anos de 2018 e 2019, segundo dados do INCA (Instituto Nacional de Câncer). Dados nacionais estimam um risco de 6 casos novos para cada 100 mil mulheres por ano. As estimativas americanas são ainda piores: 11.4 casos novos por  100 mil mulheres por ano, levando em conta ajuste para a idade. Nos EUA é a quinta causa de morte por câncer em mulheres, mas é a principal causa de morte por câncer ginecológico. Mais de 95% dos casos ocorrem após os 45 anos de idade, e é mais importante na sexta década de vida. Uma das dificuldades no diagnóstico precoce e consequentemente no tratamento/prognóstico é a ausência de sintomas típicos nas fases iniciais. Muitas vezes está assintomática. Apenas nas fases tardias surgem queixas como dor e aumento do volume abdominal, perda de peso, fadiga, mudança no funcionamento do intestino e dor durante a relação sexual. A questão que pode estar passando na cabeça das mulheres é o que fazer parar diagnosticar a doença precocemente, antes do aparecimento dos sintomas. A resposta não é nada animadora.

Uma publicação recente da USTask Force revisou uma recomendação de 2012 na qual contraindicavam o rastreamento, ou seja, o diagnóstico em mulheres assintomáticas. E a conclusão foi a mesma: o rastreamento por meio do uso do ultrassom ou do marcador CA 125, uma proteína, não reduzem a mortalidade associada à doença. Mesmo o exame pélvico, o toque ginecológico, não funciona bem. Pior ainda, há risco de resultados falsos positivos, na casa de 12%, ou seja, o resultado sugere risco da doença quando ela , de fato, não existe. Os procedimentos cirúrgicos decorrentes do resultado falso positivo podem ter grande impacto emocional. A Força Tarefa americana destaca que estas recomendações valem para mulheres de baixo risco, assintomáticas. E não se aplicam a mulheres com história de câncer de mama, história familiar importante de câncer e mutações genéticas nos genes BRCA1 e 2.

Se a recomendação da entidade americana pode soar desapontadora, há luz no fundo do túnel. Há avanços no tratamento quimioterápico, coma maior sobrevida das mulheres diagnosticadas. A ideia é retirar do câncer de ovário o estigma de sentença de morte. Para isso a informação e a conscientização do problema são poderosas ferramentas. No dia 8 de maio e em todos os dias do ano.

(US Preventive Services Task Force, Grossman et al.  Screening for Ovarian Cancer: US Preventive Services Task Force Recommendation Statement. . JAMA. 2018 Feb 13;319(6):588-594. doi: 10.1001/jama.2017.21926.)

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Apenas 2% das mulheres preferem ginecologista do sexo maculino http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/05/04/apenas-2-das-mulheres-preferem-ginecologista-do-sexo-maculino/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/05/04/apenas-2-das-mulheres-preferem-ginecologista-do-sexo-maculino/#respond Fri, 04 May 2018 18:51:50 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=745 Resultado de imagem para doctor

Você prefere um ou uma ginecologista ? Clique aqui para votar

Mulheres se questionam frequentemente sobre suas preferências quanto ao gênero do seu ginecologista, se mulher ou homem. Pode parecer questão banal, mas a resposta tem grande importância para as próprias pacientes que querem ter seu desejo atendido e para os estudantes de medicina que estão pensando em se especializar na área. Um mercado tão hostil ao profissional do sexo masculino poderia desencorajar os estudantes de medicina a prosseguir na busca pela especialidade. Uma revisão sistemática de 23 estudos de diferentes países do mundo mostra que ao escolher um médico obstetra/ginecologista 8,3% das pacientes preferiam um médico do sexo masculino, 50,2% relataram preferência por uma médica, e 41,3% indicaram que não havia nenhum tipo de preferência de gênero.

Será que os resultados são similares no Brasil?. Os dados de estudo com 435 mulheres atendidas em ambulatório de ginecologia de hospital universitário de Brasília mostram cenário um pouco diferente. Apenas 2,1% preferiam um médico enquanto 17,0% preferiam uma médica. Mais de 80% não indicaram preferência de gênero. A situação muda levemente quando se trata de mulheres mais jovens (baixo dos 34 anos) ou mais velhas (acima dos 55 anos): eles preferem mais as médicas ginecologistas. A explicação possível para estas preferências pode estar no preconceito ou estereótipo negativo que muitas mulheres têm dos médicos ginecologistas. Elas podem considerar os médicos como incapazes de entender completamente os problemas femininos. Por sua vez as médicas seriam mais receptivas, simpáticas e solidárias porque compartilham as mesmas condições de saúde.

A hipótese é aceitável, mas, convenhamos, suspeita. Existem diversas maneiras de atuação médica que extrapolam os limites do gênero do profissional. Reclamações mulheres de suas ginecologistas não são incomuns. Neste caso, também não se pode excluir o risco de preconceito das próprias pacientes. O fato é que uma boa relação médico-paciente não é definida ou garantida a priori, mas sim construída com a participação dos envolvidos, médicos (ou médicas) e paciente.

(Wanderley & Sobral. Preferência de gênero de ginecologistas-obstetras entre pacientes de ambulatório de ginecologia e escolha da especialidade por estudantes. Rev Bras Ginecol Obstet 2017;39:645–646.)

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Yoga melhora os sintomas da menopausa? http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/04/20/yoga-melhora-os-sintomas-da-menopausa/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/04/20/yoga-melhora-os-sintomas-da-menopausa/#respond Fri, 20 Apr 2018 19:11:21 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=740 Imagem relacionada

Você usaria Yoga como tratamento para os sintomas da menopausa ? Clique aqui para votar

Até 3 em cada 4 mulheres menopausadas apresentam sintomas que impactam suas vidas negativamente. Entre eles as chamadas ondas de calor ou fogachos, que se caracterizam por súbita sensação de calor e sudorese, mesmo quando se faz frio, além de fadiga, baixa libido, desânimo e até dor. Para lidar com esses sintomas, muitas mulheres na menopausa usam terapias complementares, incluindo o yoga. Na América do Norte e na Europa, o yoga ganha cada vez mais adeptos e inclui práticas de posturas físicas (asana), técnicas de respiração (pranayama) e meditação (dyana). De 2002 a 2012, a prevalência do uso da ioga quase dobrou, tornando-se uma das abordagens terapêuticas complementares mais utilizadas nos Estados Unidos. Estima-se que aproximadamente 21 milhões de americanos (9% da população dos EUA) usaram ioga por razões de saúde em 2012. Mas será que yoga funciona mesmo para sintomas da menopausa?. A resposta é sim.

Pelo menos é isso o que concluíram os pesquisadores de da cidade de Essen na Alemanha e Sidney na Austrália. Eles realizaram um meta-análise com 13 ensaios clínicos randomizados, considerado o padrão ouro para avaliação de terapias de qualquer tipo. No total foram computados dados de 1306 participantes que receberam yoga,  outra modalidade de exercício ou nenhum tratamento. Na comparação entre yoga com nenhum tratamento, a ioga reduziu os sintomas da menopausa total, incluindo sintomas psicológicos, somáticos e urogenitais e as ondas de calor. No geral, yoga se mostrou  tão efetiva quanto outros tipos de exercício. Outro dado interessante é que os autores acreditam que a eficácia da yoga não depende do tipo de prática ou técnica usada. Mais ainda, os efeitos adversos ou colaterais da yoga são raros ou raríssimos.

Muitas praticantes da yoga podem alegar que isso já era esperado, mas o fato é que esta revisão de estudos contradiz publicação anterior de 2012, que não mostrou qualquer benefício para mulheres sintomáticas na menopausa. A diferença pode estar na inclusão de novos e maiores estudos neste período que mudaram a direção da bússola para o outro lado, defendendo a yoga. Algumas mulheres podem dizer que a ciência é tudo de bom Outros dirão “anamasté” .

(Cramer et al. Yoga for menopausal symptoms—A systematic review and meta-analysis. Maturitas 109 (2018) 13–25)

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10 minutos de atividade física intensa reduz risco de morte http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/04/12/10-minutos-de-atividade-fisica-intensa-reduz-risco-de-morte/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/04/12/10-minutos-de-atividade-fisica-intensa-reduz-risco-de-morte/#respond Fri, 13 Apr 2018 01:03:38 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=735 Imagem relacionada

Você prefere 10 minutos de atividade física intensa ou 30 minutos de atividade física leve? Clique aqui para votar

Inúmeros estudos indicam que o sedentarismo está associado à série de riscos graves para a saúde em adultos. O excesso de tempo gasto em atividades sedentárias é fator de risco para mortalidade, diabetes tipo 2, síndrome metabólica, cardiovascular doença (DCV) e câncer. Mas será que dá para estimar qual o benefício de substituir um comportamento sedentário por um comportamento com mais atividade física (AF). A resposta é sim e quem explica é um grupo de pesquisadores do Instituto Karolinska da Suécia e pesquisadores finlandeses. Eles usaram um modelo analítico, chamado isotemporal, para estimar o efeito positivo da substituição do comportamento sedentário por AF, considerando sempre a mesma quantidade de tempo. Os desfechos foram mortalidade por todas as causas, por doença cardiovascular (DCV) ou câncer. Os participantes, 851 mulheres e homens, todos com mais de 50 anos, foram seguidos por 15 anos e tiveram registros da atividade física, se atividade sedentária, leve ou moderada/intensa, por meio de acelerômetro. Os dados de mortalidade foram obtidos de registros governamentais suecos. Vamos aos resultados.

Ao longo do estudo ocorreram 79 mortes (24 mortes por DCV, 27 por câncer e 28 por outras causas). Na média as pessoas passavam 8 horas por dia em atividades sedentárias. No entanto, o dado mais interessante confirma que a substituição de 30 minutos/dia, de sedentarismo por AF de intensidade leve foi associada a redução significativa de 11% no risco de mortalidade por todas as causas, sendo que a redução no caso de DCV foi de 24%. Já a substituição de 10 minutos de tempo sedentário por atividade moderada/intensa reduziu o risco de morte por DCV em 38%. Não foram encontradas reduções estatisticamente significativas para a mortalidade por câncer.

Os resultados desta pesquisa vão na mesma direção de estudos prévios que mostraram que mais do que 7.5 horas por dia de sedentarismo aumenta bastante o risco de morte. E sobram explicações fisiológicas para  fundamentar estes estudos. No caso desta pesquisa sueca, em particular, há um detalhe novo:  é a observação de que 10 minutos de atividade moderada/intensa já é bastante saudável, e pode ser mais adequado para muitas pessoas que hesitam em fazer AF leve por 30 minutos diários. O fato é que não fazer nada ou quase nada impacta negativamente a saúde e isso pode ser revertido com um pouco de movimentação, exercício ou atividades físicas específicas. Para quem está preocupado em viver longamente, vale a sugestão: agite-se.

(Dohrn et al. Clinical Epidemiology 2018:10 179–186. Replacing sedentary time with physical activity: a 15-year follow-up of mortality in a national cohort)

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Em oncologia, tratamentos alternativos aumentam risco de morte http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/03/23/em-oncologia-tratamentos-alternativos-aumentam-risco-de-morte/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/03/23/em-oncologia-tratamentos-alternativos-aumentam-risco-de-morte/#respond Fri, 23 Mar 2018 12:45:31 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=731 Resultado de imagem para alternative medicine

Você confia nas práticas médicas alternativas ? Clique aqui para votar

 

         As chamadas práticas Integrativas e complementares estão no centro de debate que opõe médicos e entidades médicas e os defensores destas modalidades de tratamento. O assunto ficou mais evidente depois do anúncio da inclusão de  10 novas modalidades de práticas complementares na rede básica , o SUS. Médicos e cientistas criticam a escassez de estudos bem fundamentados e de qualidade que justifiquem adoção destas práticas. Um artigo recém-publicado no periódico “Journal National Cancer Institute” vai dar mais razão para as críticas. Pesquisadores de Yale usaram dados de uma base nacional de câncer americana, do período de 2004 a 2013, para comparar a evolução de 281 pacientes com câncer não metastático (mama, próstata, pulmão e coloretal que optaram por serem tratados com medicina alternativa (MA) com a evolução de 560 pacientes com mesmas características clínicas. Dados sociodemográficos foram controlados nas análises. Os resultados são desoladores e desencorajam o não seguimento dos tratamentos tradicionais de oncologia.

         Os autores observaram que os pacientes que recusaram tratamentos convencionais (quimioterapia, radioterapia, cirurgia) para estágios do câncer passíveis de cura apresentaram maior risco de morte do que os pacientes que fizeram uso destes tratamentos clássicos. O risco de morte variou de 2 x para o caso de câncer de pulmão a 5 x no caso de câncer de mama, para pacientes que optaram por MA. Cabe ressaltar que trata-se de um número bem pequeno de pacientes que fazem este tipo de opção. É possível que questões emocionais e espirituais façam parte desta escolha. Mas é  preocupante pensar que desinformação também seja uma causa.  Os autores destacam , no entanto, que MA não é a mesma coisa que práticas complementares, que como atesta o próprio nome, se propõe a complementar o tratamento médico. MA é na verdade uma terapia substitutiva sem qualquer fundamentação científica. E aí está o grande perigo.

         O resultado da pesquisa pode servir como uma alerta a determinados grupos de paciente. E pode também ser fonte de estímulo para que os adeptos das práticas complementares submetam suas convicções ao rigor da pesquisa científica médica.

(Johnson et al. Use of alternative medicine for cancer and its impact on survival. J Nati Cancer Inst 2018 110(1):djx145)

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Antidepressivos são (realmente) eficazes http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/03/16/antidepressivos-sao-realmente-eficazes/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/03/16/antidepressivos-sao-realmente-eficazes/#respond Fri, 16 Mar 2018 16:27:32 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=728 Resultado de imagem para antidepressivo

 

Você usa (ou já usou) um antidepressivo ? Clique aqui para votar

Depressão é um grave problema de saúde pública em todo o mundo. No Brasil estudo indicam que entre 5 e 10% da população apresentam a doença. No mundo mais de 350 milhões. Além do impacto negativo na qualidade de vida, a depressão acarreta grande prejuízo econômico e social, levando em conta os dias perdidos de trabalho, a falta de produtividade e custos diretos e indiretos do tratamento. A cifra pode superar os US 210 bilhões ao ano. Uma das estratégias mais usadas para enfrentar este verdadeiro drama é o uso de antidepressivos. Ainda que presentes no mercado há algumas décadas, eles são cercados de desconfiança. A suspeita é que eles não sejam, de fato, muito superiores ao placebo, um tipo de medicação inerte, sem propriedades farmacológicas. Parte da desconfiança se justifica pela incerteza quanto aos mecanismos de ação do antidepressivo. Provavelmente eles agem em nos neurotransmissores em nível cerebral. A boa notícia é que a suspeita é infundada e a credibilidade desta modalidade de tratamento está garantida.

Pesquisadores de Oxford, Bristol e Stanford publicaram no periódico Lancet os resultados de uma meta-análise, a maior até então, sobre a eficácia dos antidepressivos. No total, foram incluídas 522 pesquisas, publicadas entre 1979 e 2016, perfazendo mais de 116 mil participantes, todos maiores de 18 anos, de ambos os sexos, os quais foram alocados para receber um determinado tipo de antidepressivo (21 tipos avaliados) ou placebo, para tratamento de depressão na sua forma mais grave. A média de idade dos participantes/paciente era de 44 anos, sendo 62% mulheres.  Os resultados são promissores: a melhora clínica da depressão com as drogas foi de 37 a 113% superior na comparação com uso do placebo. O estudo elabora inclusive um ranking das medicações considerando tanto a eficácia quanto a tolerabilidade. Nem sempre as duas coincidem o que implica em tomada de decisões conjunta pelos clínicos e pacientes. Trata-se de um dos melhores e maiores estudos sobre o tema, que reuniu as melhores evidências científicas publicadas até o presente.

Não se discute no artigo mecanismos de ação e ordem de tratamento para casos de depressão, se psicoterapia ou uso de medicamentos. Isso ainda deve ser definido pelo médico com consentimento do paciente. O tratamento da depressão em geral requer seguimento ao longo do tempo e pode vir acompanhado de períodos de recidiva dos sintomas. A manutenção da droga adequada, na dose certa e com mínimos efeitos colaterais é fundamental. A revisão que acaba de sair tem tudo para ser um guia prático para os profissionais, que também sofrem ao cuidar dos seus pacientes

(Cipriani et al. Comparative efficacy and acceptability of 21 antidepressant drugs for the acute treatment of adults with major depressive disorder: a systematic review and network meta-analysis. Lancet 21/02/2018)

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A cada 100 mil nascimentos um é de gêmeos siameses http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/02/27/a-cada-100-mil-nascimento-um-e-de-gemeos-siameses/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/02/27/a-cada-100-mil-nascimento-um-e-de-gemeos-siameses/#respond Tue, 27 Feb 2018 14:01:30 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=722 Resultado de imagem para god Janus

 

A incerteza sobre a origem de uma justaposição tão singular inspirou muitos mitos e lendas ao longo dos séculos. Na mitologia , o Deus Jano,  o  Deus das decisões, do passado e do futuro, da construção dos botes e navios, tinha 2 caras (1 de um velho e outra de um jovem). A primeira documentação científica de gêmeos unidos data de 1100 DC.  O nascimento de gêmeos unidos é um evento raro, com uma ocorrência aproximada de 10-20 por milhão de nascimentos nos EUA. O craniópago é o mais raro dos tipos de gêmeos unidos, com uma taxa de ocorrência geral de apenas 0,6 por milhão de nascimentos. Existem muitas classificações de gêmeos unidos. Uma deles depende da região de adesão mais proeminente que engloba os seguintes orgãos: tórax, abdômen, sacro, pelve, crânio e face. A união pelo tórax e abdômen é uma das mais comuns dentre os gêmeos siameses, com uma taxa de 75% . Os gêmeos siameses são sempre geneticamente idênticos e, portanto, do mesmo sexo (mais freqüentemente feminino na proporção feminina / masculina 4: 1). Não há associação com raça, paridade, idade materna ou hereditariedade.   Do mesmo modo, não são conhecidos os fatores ambientais que levem a esses tipos de anomalias congênitas. Suspeita-se de que a ingestão de ácido fólico possa estar implicada.

Duas teorias foram postuladas para explicar como se formaram gêmeos unidos. A teoria tradicional é a “teoria da separação (fissão)” que sugere que no caso dos gêmeos unidos há um erro na divisão celular após o 12ª dia da concepção, em embriões de gêmeos de um único óvulo e um espermatozóide. A segunda teoria é “teoria da fusão”, que defende que o ovo fertilizado está completamente separado, mas, de alguma forma, as células-tronco de um feto se fundem com as células-tronco do outro feto.  Hoje, a maioria dos casos é  diagnosticada no período pré-natal usando ultra-sonografia. Este procedimento permite o aconselhamento da família sobre as opções, incluindo o término de toda a gravidez ou a continuação da gravidez. A gravidez se associa à alta incidência de complicações, incluindo prematuridade e morte neonatal. Relativamente poucos gêmeos unidos pelo crânio sobrevivem ao período perinatal – aproximadamente 40% dos gêmeos unidos morrem  e 33% mortes adicionais ocorrem no período perinatal imediato, geralmente por anomalias de órgãos congênitos. O sucesso da cirurgia realizada no no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto é um marco na medicina do país.

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Comida ultraprocessada aumenta em 12% risco de câncer mamário http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/02/16/comida-ultra-processada-aumenta-em-12-risco-de-cancer-mamario/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/02/16/comida-ultra-processada-aumenta-em-12-risco-de-cancer-mamario/#respond Fri, 16 Feb 2018 15:23:43 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=715  

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Sua dieta é saudável ? Clique aqui para votar

Morre-se pela boca. O ditado popular acaba de ganhar arcabouço científico. Dos bons. Pesquisadores franceses e de diversos países publicaram os resultados de um grande estudo longitudinal que procurou avaliar a relação entre consumo de alimentos ultraprocessados e risco de câncer. Mais de 104 mil participantes com idade mínima de 18 anos ( idade média foi de 42 anos) foram seguidos na coorte francesa NutriNet-Santé no período de 2009 a 2017. Informações sobre dietas foram coletadas por meio da web usando registros dietéticos das últimas 24 horas, em vários momentos, projetados para registrar o consumo usual dos participantes em 3300 itens alimentares diferentes. Estes ingredientes foram então categorizados de acordo com seu grau de processamento pela classificação intitulada NOVA. Esta classificação criada por pesquisadores brasileiros ganha, cada dia, mais adeptos no mundo inteiro. Basicamente ela divide os alimentos em 4 grandes grupos sendo que o último grupo é constituído de alimentos muito processados e incluem substâncias que não fazem naturalmente parte da dieta.  Quanto maior o grau maior o processamento e mais longe ficamos do alimento mais natural e, em tese, mais saudável. Ao longo do tempo foram coletados com os participantes e por meio de registros médicos o aparecimento de câncer em geral, incluindo mama, próstata e colorretal.

Os resultados inéditos mostram que a ingestão de alimentos ultraprocessados se associou com maior risco global de câncer, com aumento de 12% no risco para câncer de mama. Estes resultados não se modificaram após controle por outras variáveis tais como uso de álcool, tabagismo, atividade física e uso de reposição hormonal/pílulas contraceptivas. As explicações são ainda possibilidades, mas incluem o alto teor glicêmico que contribui para a epidemia de obesidade que é por sua vez fator de risco vários tipos de câncer no homem e na mulher (mama pós-menopausa, estômago, fígado, colorretal , câncer de estômago, pâncreas, rim, vesícula, endométrio, ovário, fígado e câncer de próstata (avançado) e malignidades hematológicas). Uma segunda hipótese diz respeito à ampla gama de aditivos contidos em alimentos ultraprocessados. Embora os níveis máximos autorizados normalmente protejam os consumidores contra os efeitos adversos de cada substância individual em um determinado produto alimentar, o efeito sobre a saúde da ingestão cumulativa de todos os alimentos ingeridos e potenciais efeitos de coquetel / interação permanece em grande parte desconhecido. Estudos experimentais em modelos animais mostraram que alguns aditivos/conservantes autorizados tem propriedades cancerígenas que merecem maior investigação em seres humanos (por exemplo, o dióxido de titânio, aspartame). Em terceiro lugar, a embalagem e o processamento de alimentos e particularmente os tratamentos térmicos produzem novos contaminantes (por exemplo, acrilamida) em produtos ultraprocessados, como batatas fritas, biscoitos, pão ou café. Eventualmente o perigo pode estar justamente aí. Enfim se alguns estudos já sugeriram que a associação entre alimentos ultraprocessados e obesidade, hipertensão, e dislipidemia, esta nova publicação mostra também um risco aumentado de câncer.

Como se vê, o ditado tinha razão.

(Fiolet et al. Consumption of ultra-processed foods and cancer risk: results from NutriNet-Santé prospective cohort. BMJ 2018;360:k322)

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Preferência por cesariana está associada ao medo da dor no parto http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/02/02/preferencia-por-cesariana-esta-associada-ao-medo-da-dor-no-parto/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/02/02/preferencia-por-cesariana-esta-associada-ao-medo-da-dor-no-parto/#respond Fri, 02 Feb 2018 10:29:08 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=711 Imagem relacionada

 

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Globalmente, cerca de 6,2 milhões de cesáreas desnecessárias são realizadas anualmente, com um custo aproximado de 2,3 bilhões de dólares. Os dados de 194 países indicam que uma taxa de cesarianas superior a 19% está associada a maior mortalidade materna e neonatal. No entanto, o número de cesariana desnecessárias com suas implicações vem aumentando em diversos países de renda média e média-alta. Incluindo o Brasil. Tentativas de reduzir as taxas de cesariana se concentram na mudança de culturas e políticas hospitalares, atitudes e comportamentos dos prestadores de cuidados e ao aumento do conhecimento das mulheres sobre os benefícios do parto vaginal. Infelizmente, essas estratégias têm sido ineficazes. Uma ideia então seria identificar as preferências relativas ao tipo de parto em jovens que vislumbram a maternidade apenas no futuro. Foi este um dos objetivos de estudo que contou com dados de 8 países que tem acordo de cooperação e desenvolvimento econômico.  Além de identificar a porcentagem de  mulheres que preferem a cesárea diante de hipotética gravidez saudável, os pesquisadores procuraram conhecer os motivos alegados para optar por uma cesariana e não um parto normal.

Os dados foram coletados por meio de uma pesquisa on-line, em colégios e universidades, dos seguintes países Austrália, Canadá, Chile, Inglaterra, Alemanha, Islândia, Nova Zelândia, Estados Unidos, no período de 2014 a 2015. Os alunos foram perguntados se eles prefeririam um parto vaginal ou cesárea, assumindo que a gravidez era de baixo risco e eles poderiam escolher o tipo de parto. Depois deles marcaram sua preferência por cesárea ou parto vaginal, eles respondiam o motivo da escolha usando  uma lista de razões pré-definida. Uma delas, o medo do parto, era avaliada separadamente por meio de uma escala amplamente utilizada neste tipo de pesquisa.  A publicação analisou as respostas de mais de 3600 mulheres, sem filhos, com idades entre 18 e 40 anos de idade e que planejavam ter pelo menos uma criança no futuro. Os resultados mostram que uma em dez mulheres jovens preferia a cesariana, variando de 7,6% na Islândia a 18,4% na Austrália. As razões mais frequentes para tal escolha foram o medo da dor incontrolável e o medo do dano físico. Tanto o medo do parto quanto as preferências por CS diminuíram se o nível conhecimento das mulheres sobre a gravidez e o nascimento era maior.

Com base nisso eles sugerem estratégias inovadoras que precisam ainda ser testadas:  sessões de educação por meio da internet e das mídias sociais, e a dramatização de histórias contadas por colegas (jovens que tiveram bebês) ou até mesmo celebridades. Com isso poderia ocorrer aumento da capacidade das jovens mulheres para entender a fisiologia do trabalho de parto e parto, a variedade de métodos disponíveis para ajudá-los a lidar com a dor neste momento. reduzindo assim o medo de dor, danos corporais e perda de controle. E uma ideia ainda mais interessante é que esta educação deva ocorrer precocemente. Talvez mesmo antes dos 10 anos de idade, na escola primária ou secundária.  Ao educar as mulheres jovens sobre o parto seria importante enfatizar o baixo risco geral de complicações graves aliada a alta probabilidade de ter uma gravidez saudável e parto normal.

Um detalhe final, os homens não ficarão de fora destas inovações. Como estudo prévio realizado na Suécia confirma que as atitudes dos homens, especificamente sobre o medo do parto, estavam fortemente ligadas às decisões da mulher sobre o tipo de parto, os autores afirmam que é importante incluir homens em futuros estudos. A ideia é boa mas vamos ver o que eles pensam .

(Stoll et al. Preference for cesarean section in young nulligravid women in eight OECD countries and implications for reproductive health education. Stoll et al. Reproductive Health (2017) 14:116

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