Blog do Dr. Alexandre Faisal http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam as mulheres e seus parceiros. Wed, 11 Jan 2017 13:54:45 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=4.2.5 Quem tem melhores resultados: médica ou médicos? http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/01/11/quem-tem-melhores-resultados-medica-ou-medicos/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2017/01/11/quem-tem-melhores-resultados-medica-ou-medicos/#comments Wed, 11 Jan 2017 13:54:45 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=526 Resultado de imagem para medicina

Médicas e médicos apresentam diferentes características no atendimento aos pacientes. Um estudo americano avalia, ineditamente, quem obteve melhores resultados com pacientes idosos internados

Você prefere ser atendido por médica ou médico? Clique aqui para votar

         Imaginemos que você adoeceu ou que sua saúde inspira cuidados. Nesta hora você escolhe uma médica ou um médico para se tratar?. Antes que você responda, saiba que existem evidências científicas que homens e mulheres praticam a medicina de diferentes maneiras, sendo que as médicas aderem mais as diretrizes clínicas de tratamento, oferecem mais cuidados preventivos, tem melhor comunicação, dão mais aconselhamento psicológico para seus pacientes e tem desempenho semelhante (ou até melhor) em testes, na comparação com os médicos. Mas será que elas tem melhores resultados nos tratamento efetivamente executados?.. Muitos podem alegar que médicas têm que cuidar de filhos e, às vezes, dos maridos (alguns médicos também), o que poderia afetar seu desempenho profissional. Para esclarecer esta questão, pesquisadores de Harvard e Cambridge, nos Estados Unidos, compararam a mortalidade, em 30 dias, de pessoas com mais de 65 anos Idade média de 80 anos), internadas no período de 1º de janeiro de 2011 a 31 de dezembro de 2014, segundo o sexo do profissional de saúde: se médico ou médica. Para esta análise foram levadas em conta, variáveis como gravidade da doença, idade do paciente e local da internação. Foram utilizados dados de mais de 1 milhão e 500 mil internações. Resultado mais importante, os pacientes tratados por médicas apresentaram menor mortalidade em 30 dias. No geral, uma pequena diferença de 0.42% (11,07% vs 11,49%). O que significa que a cada 233 pacientes internados tratados por uma mulher (e não um por um homem) uma morte é evitada. A mesma tendência foi observada em termos de taxas de readmissão hospitalar, uma situação também muito relevante, na qual o paciente após ter tido alta e obrigado a ser reinternado. Neste caso, a cada 182 pacientes tratados, exclusivamente, por uma médica, uma reinternação seria evitada.

         Estas diferenças em favor das médicas persistiram em 8 tipos de intercorrências clínicas e independentemente da gravidade dos casos. Muitos (e aqui seguramente estarão os médicos) podem alegar que há diferença foi pequena e se trata apenas de idosos hospitalizados tratados por internistas, o que impede generalizações. Mas vale lembrar que nas últimas décadas com todos os avanços na medicina a margem para resultados positivos em termos de mortalidade é cada vez menor. Resultados como os do estudo aplicados em grandes populações , no entanto, fazem muita diferença. Quanto ao tipo de paciente, o contra-argumento é: “por que elas deixariam de ser melhores em outras situações clínicas?”. O fato é que esta publicação reforça estudos prévios que sugerem que médicas vão muito bem no exercício da profissão, possivelmente, um pouco melhor do que médicos.

         Uma explicação adicional para este melhor desempenho pode estar na capacidade de tomar decisões em casos mais complexos. Médicas representam 1/3 dos profissionais de medicina em exercício nos Estados Unidos. Hoje em São Paulo se formam mais médicas do que médicos. Muitos devem estar pensando: ainda bem.

(Tsugawa et al. Comparison of Hospital Mortality and Readmission Rates for Medicare Patients Treated by Male vs Female Physicians. JAMA Intern Med. doi:10.1001/jamainternmed.2016.7875)

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60% das pessoas no mundo gastam mais de 3 horas sentadas diariamente http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2016/12/28/60-das-pessoas-no-mundo-gastam-mais-de-3-horas-sentadas-diariamente/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2016/12/28/60-das-pessoas-no-mundo-gastam-mais-de-3-horas-sentadas-diariamente/#comments Wed, 28 Dec 2016 13:24:44 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=520 Resultado de imagem para sitting

 

O número de horas que as pessoas permanecem sentadas é altíssimo. Uma meta-análise nacional  avalia o impacto negativo de “ficar sentado(a)” sobre a mortalidade 

Você permanece sentado(a) quantas horas por dia ? Clique aqui para votar

 

       Você que passa horas e horas no escritório, sentada, em geral, na frente de um computador e se esqueça de dar uma “levantandinha” vai se assustar. E talvez mudar de hábito. Jovens pesquisadores brasileiros fizeram uma interessante análise do impacto da prática de ficar sentada sobre todas as causas de mortalidade. A conclusão do estudo mostra que permanecer sentado muito tempo pode aumentar o risco de morrer prematuramente, enquanto a substituição do tempo sentado pela posição de pé ou pela atividade física moderada pode neutralizar este efeito. Parta chegar a estas afirmações os pesquisadores usaram dados de pesquisas de 54 países, analisando tempo gasto sentado por mais de três horas por dia, juntamente com dados sobre o tamanho da população, tabelas atuariais e mortes globais. O estudo foi publicado no “American Journal of Preventive Medicine”.

         Os resultados mais expressivos mostram que mais de 60 por cento das pessoas, em todo o mundo, gastam mais de três horas por dia, sentadas. Segundo os autores o tempo sentado contribuiu para 433.000 mortes entre 2002 e 2011. Um dado foi a estimativa do tempo médio que as pessoas passam sentadas entre os países: 4,7 horas por dia. A redução deste tempo a metade iria resultar numa queda de 2.3% em todas as causas de mortalidade. A associação entre o tempo gasto sentado e mortalidade já foi encontrada em outros estudos, sendo que a relação persiste mesmo após a contabilização de outro exercício físico. Embora seja difícil estabelecer relação de causalidade entre ficar sentado e morte por qualquer causa, a associação é evidente.

       Antes que os cientistas descubram fica uma sugestão para homens e mulheres que passam uma eternidade sobre cadeiras: levantem-se, nem que seja de vez em quando. Em vez de manter a garrafa de água na sua mesa, jogue-a fora e vá tomar água em outro local.

(Rezende et al. All-Cause Mortality Attributable to Sitting Time Analysis of 54 Countries Worldwide. Am J Prev Med 2016)

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Experiências negativas no Facebook se associam com maior risco de depressão http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2016/12/16/experiencias-negativas-no-facebook-se-associam-com-maior-risco-de-depressao/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2016/12/16/experiencias-negativas-no-facebook-se-associam-com-maior-risco-de-depressao/#comments Fri, 16 Dec 2016 17:20:36 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=513 Resultado de imagem para icone facebook

 

Muitas pessoas vivem conectadas pode meio do Facebook.  Um estudo americano avalia o impacto negativo de experiências negativas com FB em adultos jovens

Você acha que experiências negativas com Facebook podem causar depressão ? Clique aqui para votar

          O Facebook (FB) é acessado por um bilhão de usuários de todo o mundo todos os dias. O uso de celulares contribui para este aumento. No Brasil 45% da população usa o FB. Estudos americanos afirmam que 95% dos adultos com idades entre 18 e 33 anos usam a mídia social. Admite-se que estar conectado pode acarretar uma série de benefícios psicológicos, incluindo suporte social e aprovação dos pares. Mas e se a conexão na rede, aquela que não depende do provedor, não for assim tão boa. Estudos indicam que ameaças e outros tipos de incidente ocorrem com até 33% dos usuários das mídias sociais. Será que neste caso, experiências negativas se associam com algum dano psicológico, como, por exemplo, depressão?.  Esta interessante questão foi avaliada por um estudo americano com 264 adultos jovens, com idades entre 21 e 30 anos, que responderam questionários sobre experiências negativas (EN) no FB e depressão. Experiências negativas incluíram bullying, contatos não desejados e desencontros, tais como ser mal entendido ou mal interpretado. Depressão foi avaliada por meio de escala psiquiátrica.

         No total, 82% dos participantes relatam pelo menos uma experiência negativa na vida com FB, sendo que 55% aconteceram no ano anterior à pesquisa. Contatos não desejados e confusões foram os eventos mais comuns. Neste grupo de jovens adultos 24% apresentavam sinais de depressão. Mas o dado mais curioso foi a associação entre EN e depressão: qualquer tipo de EN na vida ou no ano anterior aumentava o risco de depressão em cerca de 2.5 a 3 vezes. E se as EN eram mais freqüentes e intensas pior. A explicação pode estar no estresse gerado pelas frustrações. A pessoa vai ao FB esperando aprovação e apoio e encontra o oposto de quem não gostaria sequer de encontrar. Tanto faz se é ameaça, gozação ou, simplesmente, um “barraco qualquer”.  O estresse gerado por esta situação tem potencial para causar dano psicológico. Alguns podem alegar que eventualmente a pessoa já é meio deprimida ou lida mal com eventos adversos. Isso é possível, mas mesmo uma pessoa saudável pode se tornar deprimida se submetida a estresse crônico.

         De fato, o próprio uso do FB, como meio de ostentação do dos bens e conquistas, pode causar em outras pessoas, jovens ou não, um sentimento de menos valia e inferioridade. Os autores concluem o artigo sugerindo novos estudos com inclusão apenas de pessoas não deprimidas no início da pesquisa. Se neste caso as EN do FB resultarem em maior risco de depressão ai sim devemos nos preocupar. Mas mesmo se isso acontecer eu duvido que alguém vá se offline e longe FB.

(Rosenthal et al. Negative Experiences on Facebook and Depressive Symptoms Among Young Adults. Journal of Adolescent Health (2016))

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Ter propósito na vida reduz risco de morte e doença cardiovascular em 17% http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2016/12/02/ter-proposito-na-vida-reduz-risco-de-morte-e-doenca-cardiovascular-em-17/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2016/12/02/ter-proposito-na-vida-reduz-risco-de-morte-e-doenca-cardiovascular-em-17/#comments Fri, 02 Dec 2016 13:52:13 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=508 Resultado de imagem para goal in life

 

Ter objetivo maior na vida faz parte do nosso bem estar psicológico e contribui para comportamentos saudáveis. Uma meta-análise avalia se ter propósito na vida reduz a mortalidade 

Você acha que ter um propósito maior na vida faz bem à sua saúde ? Clique aqui para votar

         Ter um objetivo de vida é considerado componente essencial do bem estar psicológico. Objetivo de vida não só organiza a vida da pessoa, como também a estimula na adoção de certos comportamentos e, mais ainda, proporciona um sentido ou significado para a existência. Uma vez conquistado, o indivíduo sente-se realizado e potente. No caso de falha, predomina a tensão e sensação de fracasso. Mas será que atingir metas na vida se associa com melhor estado de saúde?. Ou, mais especificamente, com menor taxa de mortalidade?. Uma meta-análise tentou responder esta questão, agrupando dados de 10 estudos observacionais prospectivos que investigaram a relação entre ter propósito maior na vida e mortalidade e presença de doença cardio-vascular. No total foram analisados dados de mais de 136 mil participantes. Os resultados não deixam dúvida: vale a pena ter uma vida digna de ser vivida, Isso é vale a pena ter um objetivo maior nesta nossa breve existência, já que isso reduziu significativamente a mortalidade por todas as causas, em 17%. A mesma redução, 17% foi observada para doenças cardio-vasculares, ao se comparar pessoas com e sem objetivo de vida.

          Estes resultados foram similares mesmo se levando em conta o país de origem estudo, os questionários utilizados para medir propósito na vida, a idade das pessoas, e se os participantes apresentavam ou não doença cardiovascular previamente. Como explicar o que parece óbvio e intuitivo?. Uma hipótese é que o propósito na vida pode ter efeito amenizador no impacto negativo de eventos estressores do cotidiano. Por exemplo, aceita-se que ele melhore a resposta imunológica. De fato, todos nós sabemos, que as respostas do indivíduo frente às situações traumáticas de vida, quer elas estimulem ou não reações biológicas, são importantes para a manutenção da saúde física e mental. Em segundo lugar, ter propósito na vida também pode exercer efeitos clínicos positivos em função da adoção de comportamentos saudáveis, tais como dieta saudável, atividade física e prevenção do abuso de substâncias, como álcool ou drogas. Estudos que abordaram o otimismo e o suporte social mostraram as mesmas associações.

          O resumo da história é que dar um sentido maior e mais digno na vida, almejando a realização de um objetivo resulta num benefício extra para a pessoa: menor chance de apresentar doença cardio-vascular ou mesmo de vir a morrer. Assim quem tem um propósito na vida está bem na fita (e na vida). Quem não tem deve ser encorajado a adotar um. Quem sabe por meio de terapia, meditação ou outro meio qualquer. Os mecanismos deste feliz associação entre objetivo de vida e saúde não estão completamente elucidados e estarão a espera de futuras pesquisas. Mas, muitos podem concordar que isso, de fato, pode ficar para depois.

(Cohen et al. Purpose in Life and Its Relationship to All-Cause Mortality and Cardiovascular Events: A Meta-Analysis. Psychosomatic Medicine, V 78 • 122-133, 2016)

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Será que a crise econômica afeta a saúde da população? http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2016/11/12/sera-que-a-crise-economica-afeta-a-saude-da-populacao/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2016/11/12/sera-que-a-crise-economica-afeta-a-saude-da-populacao/#comments Sat, 12 Nov 2016 18:26:57 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=500  

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A crise econômica Européia iniciada em 2008 se estendeu por alguns anos e afetou várias famílias. Uma revisão sistemática avaliou o real impacto desta crise sobre a saúde da população  

Você acha que uma crise econômica como a que estamos vivendo pode afetar a saúde da população ? Clique aqui para votar

 

         Em 2008, a Europa entrou numa crise financeira sem precedentes na história após uma recessão econômica global. Vários países da União Europeia enfrentaram um declínio Produto interno bruto (PIB), aumentando o endividamento, enquanto as famílias experimentaram insegurança financeira, perda de emprego, salários reduzidos. A situação agravou-se no início de 2010 e atingiu principalmente países como a Grécia, Irlanda, Portugal e Chipre.  Será que isso teve impacto na saúde das pessoas?. Uma recente publicação do British Medical Journal (BMJ) o tema. Os pesquisadores da Escola de Ciências Sociais de Londres e da Universidade de Stanford, Califórnia fizeram uma revisão sistemática de estudos afins que trataram da relação entre crise econômica no período de 2008 a 2015 e desfechos/complicações de saúde, tais como suicídio, saúde mental auto-avaliada e até mortalidade. Foram incluídos 41 estudos que deveriam obrigatoriamente avaliar o dado de saúde considerando o período entre 3 e 10 anos a partir da crise econômica.

         Vejamos os principais resultados. Embora houvesse diferenças entre países e grupos, observou-se que os suicídios aumentaram e a saúde mental se deteriorou durante a crise. Muitos destes estudos foram realizados na Espanha e Grécia, países muito afetados economicamente. Por outro lado, a crise não parece ter invertido a tendência de diminuição da mortalidade geral, que vem ocorrendo na Europa há anos. Quanto à associação entre crise e percepção da saúde, se boa ou ruim, os resultados foram contraditórios: alguns estudos sugeriam piora, enquanto outros não mostraram qualquer associação. Como curiosidade, um estudo na Islândia chegou a demonstrar aumento temporário de hipertensão em grávidas. Os autores destacam que a maioria dos estudos publicados sobre o impacto da crise econômica sobre a saúde, na Europa, apresenta limitações metodológicas e, portanto, os resultados precisam ser cautelosamente interpretados. Mas afirmam que, globalmente, a crise financeira na Europa teve efeitos heterogêneos sobre a saúde. Em particular, os homens em idade produtiva parecem ser mais gravemente afetados, considerando o aumento do suicídio e a auto-avaliação da saúde. Em termos de saúde mental, no entanto, as mulheres apresentaram resultados piores do que os homens. Um grupo particularmente atingido pela crise é o dos imigrantes ilegais, em geral desempregados e sem a proteção social do estado.

         Um das implicações da publicação é a adoção de políticas públicas de saúde que possam ser empregadas antecipadamente as crises econômicas. Ainda que os países adotem diferentes estratégias, nem sempre unânimes, para enfrentar crises, tais como corte de gastos e austeridade fiscal, o impacto negativo sobre saúde populacional deve ser mitigado.  O artigo é sobre crise Europeia, mas tem muito a ver com a realidade nacional. Como todos sabemos e lamentamos, o  Brasil está vivendo uma grave crise econômica, com milhões de pessoas desempregadas e muita insegurança quanto à retomada do crescimento. Que tal aproveitarmos as sugestões e lições de quem já passou pelo pior, mas continua brigando para sair da crise?.

(Divya Parmar,  Charitini Stavropoulou, John P A Ioannidis. Health outcomes during the 2008 financial crisis in Europe: systematic literature review. BMJ 2016;354:i4588)

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Mamografia aos 50 anos será bem aceita pelas mulheres? http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2016/10/21/mamografia-aos-50-anos-sera-bem-aceita-pelas-mulheres/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2016/10/21/mamografia-aos-50-anos-sera-bem-aceita-pelas-mulheres/#comments Fri, 21 Oct 2016 15:15:15 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=491 Resultado de imagem para mammography

 

O Instituto Nacional do Câncer (INCA) divulgou recomendação para rastreamento do câncer de mama. A realização de mamografia a cada 2 anos entre 50 e 69 anos já era defendida por entidades internacionais. Aproveitando o Outubro Rosa, saiba um pouco sobre câncer de mama e sua (polêmica) prevenção 

Você concorda(ria) em realizar a primeira mamografia para prevenção do câncer mamário aos 50 anos ? Clique aqui para votar

         A campanha outubro rosa para prevenção e conscientização do câncer de mama já começou com o apoio do Ministério da Saúde e do Inca (Instituto Nacional do Câncer) que publicou dados recentes sobre os mais diversos tipos de câncer no Brasil, incluindo o câncer de mama. O mote da campanha é “Câncer de mama: vamos falar sobre isso?”. Segundo o INCA, em 2016 o Brasil deve ter quase 58 mil casos novos, com risco estimado de 26 casos para cada 100 mil mulheres. Ao lado do câncer de colo uterino é o câncer mais freqüente e que mais mata no país. O câncer de mama é considerado uma doença heterogênea com relação à clínica e à morfologia, onde se reconhece mais de 20 subtipos diferentes da doença.  É um tipo de câncer considerado multifatorial, envolvendo fatores biológico-endócrinos, vida reprodutiva, comportamento e estilo de vida. Dentre os fatores associados temos principalmente a idade: as taxas de incidência aumentam rapidamente até os 50 anos. Após essa idade, o aumento ocorre de forma mais lenta. Câncer de mama observado em mulheres jovens apresenta características clínicas e epidemiológicas diversas, sendo em geral são mais agressivos. A história familiar de câncer de mama também é importante, sendo que alterações em genes, como os da família BRCA, aumentam o risco da doença. Mas vale lembrar que nove em cada dez casos de câncer de mama ocorrem em mulheres sem história familiar.
         Em relação à vida reprodutiva, nuliparidade (não ter filhos) e ter primeiro filhos após 30 anos aumentam o risco, enquanto aleitamento diminui. Além desses, consumo de álcool, excesso de peso, em particular após menopausa, sedentarismo e exposição à radiação ionizante também são considerados implicados no surgimento da doença. Admite-se que é possível evitar até 30% dos casos com alimentação saudável, prática de atividade física regular e manutenção do peso ideal. O diagnóstico precoce é fundamental para melhor sobrevida em 5 anos que passa dos 85% se o tumor for diagnosticado na fase inicial.
         A campanha destaca a importância do auto-exame das mamas como forma de conhecer o corpo identificando precocemente qualquer nódulo ou alteração. Mas o rastreamento baseia-se, de fato, na mamografia. A recomendação é de mamografia bienal para mulheres entre 50 a 69 anos. Para as mulheres consideradas de alto risco para câncer de mama (história familiar de câncer de mama na mãe e irmãs), recomenda-se o acompanhamento clínico individualizado. Uma recomendação que se baseia nos dados de muitas pesquisas, mas vai causar polêmica, antes, durante e depois do outubro rosa.
(www.inca.gov.br/bvscontrolecancer/publicacoes/edicao/Estimativa_2016.pdf)

 

 

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Droga para aumentar libido feminina é questionada http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2016/10/14/droga-para-aumentar-libido-feminina-e-questionada/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2016/10/14/droga-para-aumentar-libido-feminina-e-questionada/#comments Fri, 14 Oct 2016 15:43:14 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=489 Resultado de imagem para drug for female arousal

 

A aprovação da Flibanserina, droga para aumentar a libido feminina, no ano passado, recebeu grande atenção da mídia e das mulheres. Pesquisadores holandeses publicam uma revisão sistemática que questiona o benefício da medicação

Você acha que é possível melhorar a libido feminina por meio de medicação ? Clique aqui para votar

         O lançamento e aprovação de algumas medicações para determinados problemas ou doenças causam grande expectativa nas pessoas que sofrem destas afecções. Um exemplo recente foi o lançamento, em agosto de 2015, da droga Flibanserina para o tratamento do desejo sexual hipoativo nas mulheres. Cercada de debates e cobertura da mídia, a droga tinha tudo para ser um “must” no tratamento da falta de libido feminino. Mas parece que não é exatamente isso que está ocorrendo. Uma revisão sistemática de estudos sobre a eficácia da droga for recentemente publicada e os resultados questionam os benefícios do tratamento. Liderada por pesquisadores holandeses a publicação agrupa dados de cinco estudos já publicados e 3 estudos não publicados, num total de 5914 mulheres e procura avaliar o número de eventos sexuais satisfatórios com e sem uso da Flibanserina, além dos eventuais efeitos adversos, tais como tonturas, sonolência, náuseas e fadiga. E aí começam as más notícias.

         A droga não se associou com melhora significativa na esfera da sexualidade e para complicar ela aumentou o risco dos diferentes efeitos colaterais. A presença de efeitos colaterais duplicou a chance da mulher para de usar a medicação. A impressão global de melhora do desejo sexual, segundo a avaliação das usuárias, variou de mínima a nula. O resultado é tão decepcionante que os autores do artigo recomendam novos estudos com inclusão de diferentes grupos populacionais, e, particularmente, a inclusão de mulheres com comorbidades, uso de medicamentos, e menopausa cirúrgica, antes da droga vir a ser recomendada rotineiramente. Pelo jeito, no caso da Flibanserina a excitação se transformou em frustração.

(Jasper et al. Efficacy and Safety of Flibanserin for the Treatment of Hypoactive Sexual Desire Disorder in Women: A Systematic Review and Meta-Analysis. JAMA Intern Med. doi: 10.1001/jamainternmed.2015.8565. February 29, 2016)

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Legislação permite mistura de sêmen de casal homossexual para reprodução http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2016/09/30/legislacao-permite-mistura-de-semen-de-casal-homossexual-para-reproducao/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2016/09/30/legislacao-permite-mistura-de-semen-de-casal-homossexual-para-reproducao/#comments Fri, 30 Sep 2016 19:21:57 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=481 Resultado de imagem para gay icon

 

Casais homossexuais masculinos que desejam filhos podem, agora, optar por misturar o sêmen para promover o anonimato da paternidade biológica da criança. Conheça os prós e contras de tal medida

Você é a favor de casais homossexuais masculinos terem filhos por meio de reprodução assistida ? Clique aqui para votar

 

         As técnicas de reprodução assistida (RA) experimentaram enorme progresso nas últimas décadas, tornando se mais efetivas e seguras. No entanto, as mudanças de padrões de comportamento da sociedade contemporânea continuam desafiando os limites éticos destas técnicas. Uma situação recente envolve a questão da mistura de espermatozóides de parceiros homossexuais que planejam ter filhos. Este sêmen com material genético dos 2 pais seria, posteriormente, usado para fertilizar óvulos doados e gerar embriões a serem implantados em úteros de substituição. Neste caso a mistura do sêmen garantiria simbolicamente a paternidade afetiva de ambos os envolvidos. A dupla paternidade se torna, então e apenas, possível pelo sigilo da paternidade biológica.

         O procedimento que já existe e, portanto, está regulamentado em outros países, pode agora ocorrer no Brasil. É isso mesmo: parecer de número 26126/14 afirma que a paternidade afetiva deve prevalecer à biológica, o que de fato acompanha a tendência jurídica do país. Ou seja, importa mais a questão afetiva e relacional do que os determinantes genéticos. Até ai parece muito bom, mas como qualquer situação nova surgem questões que precisam ser melhor esclarecidas. De fato, isso se aplica a vários aspectos da RA que ainda estão tramitando no Congresso Nacional. Mas conhecendo nosso Legislativo, em época de crise e mesmo fora dela, imagina-se que isso pode demorar. Uma solução é adotar práticas médicas já respaldadas na lei. E uma delas reconhece o direito de casais homo-afetivos de irem família. Mas e o direito da criança de saber que me seu pai biológico?. Não saber quem é o pai pode causar danos psicológicos à criança ou adulto que tem autonomia para decidir se mantém o sigilo ou não. Aqui se avizinha um claro conflito entre o desejo paterno e eventual desejo da prole. Muitos podem questionar se realmente há sigilo da paternidade já que com o nascimento da criança determinadas características físicas (e quem sabe psíquicas) podem revelar a identidade do pai genético. Como se vê é um tema atual e polêmico.

          Mas como curiosidade vale lembrar que Elton John,  o famoso cantor pop optou pela técnica de compartilhamento de sêmen com seu parceiro para ter seu herdeiro. Perguntado sobre quem era o pai biológico, ele respondeu que “não sabia, que eram os dois”. Pelo jeito, se nós tivermos interesse na resposta, só nos resta esperar esta criança começar a compor música.

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Doença de Alzheimer afeta mais mulheres do que homens http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2016/09/21/doenca-de-alzheimer-afeta-mais-mulheres-do-que-homens/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2016/09/21/doenca-de-alzheimer-afeta-mais-mulheres-do-que-homens/#comments Wed, 21 Sep 2016 12:59:09 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=477  

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A Doença de Alzheimer mobiliza esforços de gestores e pesquisadores de países europeus.  Uma publicação do Lancet traz um panorama atual da doença que afeta mais mulheres que homens 

Você é capaz de reconhecer os sintomas iniciais da doença de Alzheimer ? Clique aqui para votar

 

        Dia 21 de setembro é o dia mundial da conscientização da doença de Alzheimer. Uma campanha de entidade científica nacional alerta para a importância da data (e da doença) usando como mote a frase: “Alzheimer: quanto antes souber, mais tempo você terá para lembrar”. Estima-se que existam no mundo cerca de 35,6 milhões de pessoas com a Doença de Alzheimer. No Brasil, há cerca de 1,2 milhão de casos, a maior parte deles ainda sem diagnóstico. Uma publicação do Lancet Neurology aborda aspectos epidemiológicos e clínicos da doença. A doença se apresenta como demência, ou perda de funções cognitivas (memória, orientação, atenção e linguagem), causada pela morte de células cerebrais. Muitas doenças podem causar um quadro de demência (como por exemplo a demência da doença de Parkinson). Entre as várias causas conhecidas de demência, a Doença de Alzheimer é a mais freqüente.

         Os sintomas mais comuns incluem perda de memória recente, esquecimento de eventos, datas, nomes e de lugares, dificuldade para perceber uma situação de risco, para tomar decisões e para planejar atividades mais complexas. Mudanças no comportamento e na personalidade podem ocorrer. A doença é caracterizada pela piora progressiva dos sintomas, ainda que pacientes apresentem períodos de maior estabilidade. A etiologia é incerta, mas existem fatores associados: é mais comum após 65 anos, mais freqüente em mulheres (talvez pelo fato delas viveram mais que os homens) e segundo muitos estudos está relacionada ao estilo de vida. O fato é que a atividade intelectual e maior escolaridade são fatores de proteção contra o surgimento e evolução da doença. Estímulos cognitivos ao lado de sociais e físicos são opções não medicamentosas de tratamento.

         Apesar da inexistência de cura, medicamentos (anticolinérgicos) melhoram a qualidade de vida e sobrevida da doença. Os futuros avanços na compreensão das causas do Alzheimer serão fundamentais para o tratamento. Até lá os estudos indicam que o diagnóstico precoce da doença assim que surgem os sintomas iniciais, que não devem ser confundidos com sinais do envelhecimento normal, é a melhor maneira de ajudar estes pacientes. A frase “Alzheimer: quanto antes souber, mais tempo você terá para lembrar” faz todo o sentido.

(Winblad et al. Defeating Alzheimer’s disease and other dementias: a priority for European science and society; Lancet Neurol 2016; 15: 455–532)

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Uso de óvulo de doadora não diminui riscos de gestante após 45 anos http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2016/09/09/uso-de-ovulo-de-doadora-nao-diminui-riscos-de-gestante-apos-45-anos/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2016/09/09/uso-de-ovulo-de-doadora-nao-diminui-riscos-de-gestante-apos-45-anos/#comments Fri, 09 Sep 2016 15:44:37 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=472 Resultado de imagem para pregnant women

 

Gestação após os 45 anos é cada vez mais comum em países desenvolvidos. Um estudo israelense avalia os riscos da gestação tardia 

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           Antes uma situação inimaginável ou fortuita, a gestação após os 45 anos transforma-se, pouco a pouco, em realidade. Muitas mulheres adiam até o limite final das suas vidas reprodutivas a decisão de ter o primeiro filho. Nos EUA, no período de 1970 a 2006, a proporção de nascimento do primeiro filho entre mulheres com idade igual ou acima de 35 anos aumentou quase oito vezes. Avaliar os resultados obstétricos associados à primeira gestação após 45 anos foi o tema de publicação recente. Os pesquisadores israelenses realizaram estudo de coorte retrospectivo comparando 222 primíparas idosas, ou seja, mulheres que vão parir pela primeira vez com mais de 45 anos, com um grupo de referência de 222 primíparas, com idades entre 30 e 35 anos.

         Os resultados confirmam dados já conhecidos da literatura e não são nada animadoras para as mulheres que deixaram a gestação para mais tarde, ou melhor, para bem mais tarde. Inicialmente, as mulheres deste grupo tendiam a ter mais problemas crônicos de saúde, a apresentarem diabetes e hipertensão na gestação, a serem solteiras, e de terem engravidado por meio de doação de óvulos. Quanto às complicações na gravidez, elas foram mais sujeitas à hospitalização, a ter bebê prematuro, com baixo peso ao nascer e com maior risco de a admissão à UTI neonatal. Como exemplo, o risco de pré-eclâmpsia, uma grave complicação obstétrica, foi 2.5 vezes mais freqüente nas gestantes mais velhas. Mas o estudo mostra algumas surpresas: não houve diferenças nos resultados entre primíparas acima dos 45 anos em relação ao histórico de doenças crônicas pré-existentes e nem na comparação com gestantes acima de 50 anos. Outros estudos asseguravam melhor prognóstico para mulher mais velha, com boa condição de saúde, que deixava a gravidez para o final da vida reprodutiva. Muitas vezes contando com o óvulo de doadora. E quanto a isso outro resultado da pesquisa também é desfavorável. O uso de óvulo de outra mulher não significou menos risco para estas mulheres.

         Com resultados tão adversos, não restou aos autores outra opção a não ser alertar contra os perigos da gestação em idosas e recomendar a gestação em idades mais precoces. Só resta agora convencer algumas mulheres que querem muito ser mães, mas só depois de terminarem uma lista infindável de tarefas

(Ben-David  et al. Pregnancy and Birth Outcomes Among Primiparae at Very Advanced Maternal Age: At What Price? Matern Child Health J (2016) 20:833–842)

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