Blog do Dr. Alexandre Faisal http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam as mulheres e seus parceiros. Wed, 11 Jul 2018 14:55:32 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Resultados positivos (e negativos) da gravidez após cirurgia bariátrica http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/07/11/resultados-positivos-e-negativos-da-gravidez-apos-cirurgia-bariatrica/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/07/11/resultados-positivos-e-negativos-da-gravidez-apos-cirurgia-bariatrica/#respond Wed, 11 Jul 2018 14:55:32 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=793 Imagem relacionada

 

Você faria uma cirurgia bariátrica, no caso de obesidade mórbida, pensando numa futura gravidez? Clique aqui para votar

A obesidade é considerada atualmente, a doença que mais cresce em todo o mundo. Segundo projeção da OMS (Organização Mundial da Saúde) em 2025 seremos 2,3 bilhões de pessoas com excesso de peso, sendo que cerca de 700 milhões serão portadores de obesidade mórbida, a forma mais grave da doença. A mesma OMS estima que 2.8 milhões de pessoas morram todo ano no mundo por doenças relacionadas à obesidade. No Brasil, o Ministério da Saúde estima que 53,9% dos brasileiros apresentam sobrepeso e obesidade (há 10 anos a taxa era de 43,3%). Uma parcela da população afetada por esta epidemia é a de gestantes. Neste caso o impacto negativo da obesidade se estende aos resultados obstétricos e perinatais. Desde 1991 reconhece-se a efetividade da cirurgia bariátrica para tratamento da obesidade mórbida. Inclusive para mulheres que planejam engravidar. Pois bem um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Toronto no Canadá realizaram uma metanálise para  avaliar os benefícios e riscos da cirurgia bariátrica considerando diversos resultados obstétricos e neonatais. Foram incluídos 20 estudos de coorte que contabilizaram aproximadamente 2,8 milhões de pessoas das quais 8.364 haviam sido submetida à cirurgia bariátrica.

Vamos aos resultados. As mulheres submetidas à cirurgia bariátrica apresentaram menores taxas de diabetes mellitus gestacional, bebês grandes para a idade gestacional, hipertensão gestacional, de todos os tipos de distúrbios hipertensivos, hemorragia pós-parto e taxas de parto por cesariana. Nestes casos o número de mulheres que teriam que ser submetidas à cirurgia para ter um destes benefícios variou de 5 a 21, o que é muito bom. No revela o estudo algumas surpresas. Os resultados negativos incluíram aumento em crianças pequenas para a idade gestacional, restrição de crescimento intra-uterino, e partos pré-termo. Neste caso para cada 35 mulheres submetidas á bariátrica uma teria parto prematuro. A explicação para crianças com menor peso e crescimento intra-uterino pode estar nos déficits de micronutrientes, uma complicação frequente da cirurgia.  As deficiências nutricionais comuns após a cirurgia bariátrica incluem proteínas, vitaminas do complexo B, vitaminas lipossolúveis, ácidos graxos essenciais e minerais (zinco e cobre), que podem persistir durante toda a gravidez. Vale destacar que as mulheres operadas foram comparadas com mulheres do grupo controle (ou seja, as não operadas) que apresentavam índice de massa corporal pré-operatório similar. A ideia neste pareamento foi avaliar o impacto positivo ou negativo da cirurgia bariátrica e não apenas da perda de peso subsequente.

No geral, a proposta dos autores é informar as futuras mamães que planejam ser operadas sobre as vantagens e desvantagens da cirurgia bariátrica. Novos estudos podem revelar novas verdades, mas o diálogo franco médico-paciente é eterno.

(Kwong et al. Maternal and neonatal outcomes after bariatric surgery; a systematic review and meta-analysis: do the benefits outweigh the risks?. American Journal of Obstetrics & Gynecology June 2018)

 

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81% das jovens em São Paulo usam algum método contraceptivo http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/06/14/81-das-jovens-em-sao-paulo-usam-algum-metodo-contraceptivo/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/06/14/81-das-jovens-em-sao-paulo-usam-algum-metodo-contraceptivo/#respond Fri, 15 Jun 2018 00:49:11 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=789 Resultado de imagem para teens

 

Qual é a principal causa para o uso da “pílula do dia seguinte” entre jovens? Clique aqui para votar

Nas últimas décadas houve grande avanço no acesso aos contraceptivos. Diferentes campanhas e políticas públicas nacionais procurar incrementar a conscientização da importância e uso dos métodos. Será que isso resultou, de fato, numa mudança dos padrões de uso de contraceptivos entre as jovens adolescentes?. Dados de um inquérito domiciliar em mulheres com 15 a 19 anos, residentes no Município de São Paulo, em 2015, nos ajudam a compreender esta eventual mudança. Foram entrevistadas 633 jovens, das quais, 310 (48,5%) haviam iniciado atividade sexual. Os autores objetivaram identificar a prevalência da anticoncepção, os contraceptivos adotados, suas fontes de obtenção e os diferenciais no uso da contracepção. Vamos aos resultados.

A primeira e boá notícia é que a 81% das participantes usavam algum tipo de contracepção sendo que camisinha masculina e a pílula (28,2% e 23%, respectivamente) foram os métodos mais usados.  A chance de estar usando contraceptivo foi maior entre as que realizaram consulta ginecológica no último ano e foi inversamente proporcional ao número de parceiros na vida. Isso mesmo: quanto menos parceiros a jovem teve ao longo da vida mais freqüente foi o uso de contracepção. Menos de 3% das jovens não praticaram algum tipo de anticoncepção por não ter obtido um método, sugerindo que o “não uso” não se limita a dificuldades de acesso, mas, eventualmente, a fatores culturais e comportamentais.

Outro dado impactante. Dentre as jovens com vida sexual, 60% relataram uso de contracepção de emergência pelo menos uma vez na vida. Esse uso foi diretamente proporcional à idade da jovem e ao número de parceiros na vida. Sugerindo que com o passar dos anos, a situação de coito desprotegido e com maior risco de gestação não foi episódio isolado, mas sim se repetiu algumas vezes. Os principais motivos para o uso desse tipo de contraceptivo foram: estar sem camisinha no momento da relação (30,4%), não confiar na contracepção em uso (16,6%), ter tido relação sem estar esperando ou preparada (16,3%), a camisinha ter estourado, furado ou ficado retida (16%) e ter usado a anticoncepção de rotina de maneira inadequada (9%). Vale lembrar que a introdução da “pílula do dia seguinte” no sistema público brasileiro é relativamente recente e sofreu resistência de instituições religiosas e de grupos políticos conservadores. A aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária em 1999 foi marco decisivo, mas apenas após 2004 a distribuição foi ampliada para a rede pública dos municípios. Isso, no entanto, não afasta os problemas de acesso a este tipo de método, que deve ser usado obrigatoriamente nos primeiros 3 a 5 dias após a relação sexual desprotegida. Quanto mais atrasado for seu uso menor sua eficácia. Como se vê, quanto ao uso de contracepção pelas jovens brasileiras as notícias são boas, mas podem melhorar principalmente se nosso sistema público de saúde permitir.

(Olsen et al. Práticas contraceptivas de mulheres jovens: inquérito domiciliar no Município de São Paulo, Brasil. Cad. Saúde Pública 2018; 34(2))

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Exercício e perda de peso protegem a mulher da incontinência urinária http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/06/06/exercicio-e-perda-de-peso-protegem-a-mulher-da-incontinencia-urinaria/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/06/06/exercicio-e-perda-de-peso-protegem-a-mulher-da-incontinencia-urinaria/#respond Wed, 06 Jun 2018 13:34:31 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=786 Resultado de imagem para female urinary incontinence

Na sua opinião, qual é o fator de risco mais importante para a Incontinência Urinária ? Clique aqui para votar

A incontinência urinária (IU), a perda involuntária de urina ao esforço, é um problema de saúde comum entre as mulheres que interfere com a qualidade de vida e leva a mulher ao isolamento social. Estudos indicam que até 40% das mulheres apresentam algum grau de IU. Mas a evolução da doença ao longo dos anos é incerta, já que mulheres relatam tanto piora quanto melhora desta inconveniente condição. Este incerteza sobre a história natural da doença e até sobre seus fatores de pesquisa motivou pesquisadores dos Estados Unidos a investigarem a questão. Eles publicaram, no “American Journal of Obstetrics and Gynecology”  um estudo com dados de duas coortes americanas, Nurses Health Study 1 e 2, com grande número de participantes. Foram seguidas 9376 mulheres do Nurses Health Study 1, com idades entre 56 a 81 anos, e 7491 mulheres do Nurses’ Health Study II, com idades entre 39 a  56 anos, ambas no início do estudo. A definição da IU foi feita por meio de questionário levando em conta a frequência e gravidade da queixa. As mulheres de meia-idade e idosas tiveram seus dados pessoais coletados e responderam às avaliações periódicas sobre a persistência, progressão, remissão ou  melhora dos sintomas urinários ao longo de 10 anos.

Quanto aos resultados, houve pequena diferença entre o grupo de mulheres mais jovens e mais velhas quanto à gravidade da IU: ao redor de 37% forma classificadas como quadro leve e cerca de 19% apresentavam incontinência urinária grave logo no início do seguimento. A má notícia é que a maioria das mulheres relatou persistência ou progressão dos sintomas durante o acompanhamento. Uma fração menor, entre 3 e 11% relatou remissão da perda urinária. E isso foi mais comum entre as mulheres mais jovens e mulheres com incontinência urinária menos grave no início do estudo. Por outro lado, o envelhecimento dobrava o risco de IU. Muitas pessoas podem alegar que contra o envelhecimento não há remédio, mas o estudo traz dados novos e interessantes.  Entre todas as mulheres participantes, o índice de massa corporal mais alto se associou fortemente com a progressão da doença. Para dar um exemplo, o risco de sofrer com perdas urinárias da mulher com sobrepeso era de 2 a quase 3 vezes maior, na comparação com mulher na faixa ideal de peso. Além disso, a realização de atividade física também se associou com melhor evolução do problema. Fazer atividades físicas reduzia o risco de IU, em 32%, nas mulheres mais velhas e mostrou tendência de benefício nas mais jovens. Vale destacar que o maior número de partos e o tabagismo também se associaram negativamente com a queixa urinária. Um dos grandes méritos da publicação é o longo tempo de seguimento. Isso sem contar suas implicações para os cuidados de saúde da mulher na meia idade ou idosa.

A mensagem final é que se para alguns fatores não há solução, como é o caso do envelhecimento, para outros, é o contrário. Há boas recomendações. Parar de fumar, perder peso e se exercitar podem, de fato, ajudar a mulher a ficar livre da incômoda situação que é a perda involuntária de urina. É o tipo da orientação multiuso já que serve para a perda urinária, mas serve também para muitas outras formas de prevenção de doenças.

(Hagan et al. A prospective study of the natural history of urinary incontinence in women. Am J Obstet Gynecol. 2018 May;218(5):502.e1-502.e8. doi: 10.1016/j.ajog.2018.01.045)

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66% das mulheres com endometriose profunda apresentam queixas sexuais http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/05/26/66-das-mulheres-com-endometriose-profunda-apresentam-queixas-sexuais/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/05/26/66-das-mulheres-com-endometriose-profunda-apresentam-queixas-sexuais/#respond Sat, 26 May 2018 03:00:10 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=781 Resultado de imagem para endometriosis women

 

Você sabe o que é endometriose profunda ? Clique aqui para votar

         A endometriose é caracterizada pela presença de endométrio localizado fora da cavidade uterina, mais freqüentemente no peritônio pélvico  e nos ovários, mas também na bexiga e intestino. Em alguns casos de endometriose, a infiltração do tecido acometido, como por exemplo, no intestino, é profunda, contribuindo para  o pior prognóstico. Admite-se que a causa da doença seja uma combinação de fluxo menstrual retrógrado com fatores genéticos, hormonais e imunológicos. Cerca de 10 a 20% das mulheres em idade reprodutiva sofrem com o problema. Nos casos de infertilidade e dor pélvica a estimativa para a prevalência é de 50%.  A qualidade de vida das pacientes com endometriose, sendo que dos na relação é comum. Não raros as mulheres perdem o prazer e reduzem a atividade sexual por conta da dor.

         Um estudo brasileiro procurou avaliar a relação entre gravidade da endometriose e qualidade da vida sexual e dor, em  67 pacientes com endometriose profunda presuntiva ou diagnosticada, atendidas em hospital público de São Paulo, antes do início do tratamento. Um questionário validado no Brasil avaliou diferentes dimensões da função sexual. A idade média das mulheres era 39 anos, sendo que 94% delas dor durante as menstruações e 71% referiam dor durante a relação sexual. O resultado mais importante mostra associação entre disfunção sexual e endometriose profunda. Duas em cada três mulheres com a forma mais grave de endometriose apresentavam também disfunção sexual. Em particular as mulheres com endometriose de reto e sigmoide tinham mais queixas sexuais. Os resultados não surpreendem já que a associação entre endometriose e dor durante sexual e disfunção sexual já é bem estabelecida.  

         De fato, a vivência de dor durante a prática sexual tem impacto muito negativo sobre a própria percepção da mulher, que antecipa frustração, falta de prazer  e mais dor nas futuras relações. Este ciclo vicioso não só afeta a vida sexual da mulher, mas também causa sofrimento, angústia e dificuldades interpessoais. Muitas relações podem não durar num cenário tão adverso.

(Lima et al. Função sexual feminina em mulheres com suspeita de endometriose infiltrativa profunda. Rev Bras Ginecol Obstet 2018;40:115–120)

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Para combater doenças crônicas tributar alimentos não saudáveis é solução http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/05/18/para-combater-doencas-cronicas-tributar-alimentos-nao-saudaveis-e-solucao/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/05/18/para-combater-doencas-cronicas-tributar-alimentos-nao-saudaveis-e-solucao/#respond Fri, 18 May 2018 18:37:23 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=766  

 

Você é a favor do aumento de impostos sobre consumo alimentar não saudável? Clique aqui para votar

O periódico Lancet acaba de publicar série de artigos que abordam o interessante tema da relação das políticas fiscais e economia com as DCNT (DCV, diabetes, câncer). As DCNT  são responsáveis por 38 milhões de mortes a cada ano, sendo 16 milhões entre pessoas com menos de 70 anos. Existem esforços globais para se reduzir as mortes por DCNTs em até um terço até 2030.  Mais de 280 estudos de alta qualidade, incluindo dados da Índia, China e Brasil, mostram que a baixa condição socioeconômica está consistentemente associada a taxas mais altas de doenças não transmissíveis em países de baixa e média renda. As DCNT são, portanto, causa e consequência  da pobreza e desigualdade social. Investimentos em prevenção e controle de DNTs oferecem, portanto,  um alto retorno e perspectiva de crescimento econômico para os países de todos os níveis de renda; a longo prazo, a prevenção de DNTs oferece um maior retorno sobre o investimento do que o controle de DNT, embora ambos sejam essenciais. A força-tarefa da Lancet sobre DNTs e economia destaca o papel das políticas fiscais de incentivo das dietas saudáveis e estilos de vida para reduzir o consumo de tabagismo, álcool e alimentos não saudáveis contribuidores da obesidade. Mas avalia também um tema tabu: à tributação do consumo.

Um dos argumentos mais comuns usados para se opor à tributação do tabaco, álcool ou bebidas açucaradas é de que os impostos são regressivos, ou seja, é injusto fazer as pessoas mais pobres pagarem uma parcela maior de suas rendas domésticas (já limitadas) para consumir esses produtos. Isso não seria um problema para as pessoas mais ricas. Embora este argumento possa parecer atraente ele não é verdadeiro.  Do ponto de vista ético, a avaliação do impacto da tributação de produtos nocivos não pode se limitar  a questão da regressividade tributária sozinha, mas deve levar em conta todos os efeitos, incluindo os benefícios de saúde associados e custos de saúde, de curto e, sobretudo, de longo prazo. A análise de dados do impacto da taxação em diferentes países mostra exatamente isso. Vários aspectos reforçam a taxação. Primeiro, na maioria dos países, o impacto negativo das DNTs evitáveis associadas ao tabaco, álcool, e obesidade é em si mesma regressiva. Comparado com famílias mais ricas, pessoas com rendas mais baixas adoecem mais frequentemente e morrer mais cedo em decorrência deste consumo de consumir tabaco.  Por exemplo, um estudo mostrou que, se o imposto do cigarro for aumentado em 50% na Tailândia, a classe socioeconômica mais baixa pagaria apenas 6% de um aumento das receitas fiscais do tabaco, mas se beneficiaria com uma redução de 58% de mortes prematuras. Segundo o custo do tratamento é também regressivo. Um estudo com dados de 66 países e 13 DCNT mostrou que as famílias mais pobres , e não as mais ricas, são as que mais sofrem com os custos catastróficos dos tratamentos. Terceiro, o padrão de consumo após taxação pode variar de acordo com o produto e entre países, mas admite-se que  pessoas pobres irão cortar ou pelo menos reduzir este tipo de consumo em maior quantidade do que pessoas ricas. Finalmente, a receita levantada pelos impostos tem o potencial de beneficiar as famílias mais pobres a depender do modo como ela  será usada na área da saúde. Por exemplo, as Filipinas aumentaram os impostos sobre o tabaco e isso gerou uma receita adicional de US $ 1,5 bilhão entre 2013 e 2015 que foi usada para expandir a cobertura de seguro de saúde entre os pobres. O dinheiro obtido com impostos pode, por exemplo, financiar programas para ajudar as pessoas a pararem de fumar, reduzir o consumo de álcool e consumir dietas mais saudáveis.

Vamos esperar para ver como estas mudanças ocorrerão. Mas a publicação não deixa dúvida sobre a conexão entre o crescimento econômico e o controle das DNTs. E isso é cada vez mais claro à medida que os países avaliam suas necessidades de cuidados de saúde, em geral,  em constante mudança, o envelhecimento das populações e suas metas de desenvolvimento econômico.

(Summers. Taxes for health: evidence clears the air. Lancet. April 4, 2018 http://dx.doi.org/10.1016/ S0140-6736(18)30629-9)

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Em maio, dia mundial de combate ao câncer de ovário http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/05/11/em-maio-dia-mundial-de-combate-ao-cancer-de-ovario/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/05/11/em-maio-dia-mundial-de-combate-ao-cancer-de-ovario/#respond Fri, 11 May 2018 15:42:38 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=750

Você sabe quais são os sintomas do câncer de ovário ? Clique aqui para votar

O tema não ocupa muito o noticiário mas trata-se de um sério problema para a saúde da mulher. Nada melhor do que ter um dia para a conscientização da população. O dia 8 de maio é o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Ovário, que é considerado o tipo mais agressivo dos tumores femininos. Mais de 6 mil casos são estimados para os anos de 2018 e 2019, segundo dados do INCA (Instituto Nacional de Câncer). Dados nacionais estimam um risco de 6 casos novos para cada 100 mil mulheres por ano. As estimativas americanas são ainda piores: 11.4 casos novos por  100 mil mulheres por ano, levando em conta ajuste para a idade. Nos EUA é a quinta causa de morte por câncer em mulheres, mas é a principal causa de morte por câncer ginecológico. Mais de 95% dos casos ocorrem após os 45 anos de idade, e é mais importante na sexta década de vida. Uma das dificuldades no diagnóstico precoce e consequentemente no tratamento/prognóstico é a ausência de sintomas típicos nas fases iniciais. Muitas vezes está assintomática. Apenas nas fases tardias surgem queixas como dor e aumento do volume abdominal, perda de peso, fadiga, mudança no funcionamento do intestino e dor durante a relação sexual. A questão que pode estar passando na cabeça das mulheres é o que fazer parar diagnosticar a doença precocemente, antes do aparecimento dos sintomas. A resposta não é nada animadora.

Uma publicação recente da USTask Force revisou uma recomendação de 2012 na qual contraindicavam o rastreamento, ou seja, o diagnóstico em mulheres assintomáticas. E a conclusão foi a mesma: o rastreamento por meio do uso do ultrassom ou do marcador CA 125, uma proteína, não reduzem a mortalidade associada à doença. Mesmo o exame pélvico, o toque ginecológico, não funciona bem. Pior ainda, há risco de resultados falsos positivos, na casa de 12%, ou seja, o resultado sugere risco da doença quando ela , de fato, não existe. Os procedimentos cirúrgicos decorrentes do resultado falso positivo podem ter grande impacto emocional. A Força Tarefa americana destaca que estas recomendações valem para mulheres de baixo risco, assintomáticas. E não se aplicam a mulheres com história de câncer de mama, história familiar importante de câncer e mutações genéticas nos genes BRCA1 e 2.

Se a recomendação da entidade americana pode soar desapontadora, há luz no fundo do túnel. Há avanços no tratamento quimioterápico, coma maior sobrevida das mulheres diagnosticadas. A ideia é retirar do câncer de ovário o estigma de sentença de morte. Para isso a informação e a conscientização do problema são poderosas ferramentas. No dia 8 de maio e em todos os dias do ano.

(US Preventive Services Task Force, Grossman et al.  Screening for Ovarian Cancer: US Preventive Services Task Force Recommendation Statement. . JAMA. 2018 Feb 13;319(6):588-594. doi: 10.1001/jama.2017.21926.)

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Apenas 2% das mulheres preferem ginecologista do sexo maculino http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/05/04/apenas-2-das-mulheres-preferem-ginecologista-do-sexo-maculino/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/05/04/apenas-2-das-mulheres-preferem-ginecologista-do-sexo-maculino/#respond Fri, 04 May 2018 18:51:50 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=745 Resultado de imagem para doctor

Você prefere um ou uma ginecologista ? Clique aqui para votar

Mulheres se questionam frequentemente sobre suas preferências quanto ao gênero do seu ginecologista, se mulher ou homem. Pode parecer questão banal, mas a resposta tem grande importância para as próprias pacientes que querem ter seu desejo atendido e para os estudantes de medicina que estão pensando em se especializar na área. Um mercado tão hostil ao profissional do sexo masculino poderia desencorajar os estudantes de medicina a prosseguir na busca pela especialidade. Uma revisão sistemática de 23 estudos de diferentes países do mundo mostra que ao escolher um médico obstetra/ginecologista 8,3% das pacientes preferiam um médico do sexo masculino, 50,2% relataram preferência por uma médica, e 41,3% indicaram que não havia nenhum tipo de preferência de gênero.

Será que os resultados são similares no Brasil?. Os dados de estudo com 435 mulheres atendidas em ambulatório de ginecologia de hospital universitário de Brasília mostram cenário um pouco diferente. Apenas 2,1% preferiam um médico enquanto 17,0% preferiam uma médica. Mais de 80% não indicaram preferência de gênero. A situação muda levemente quando se trata de mulheres mais jovens (baixo dos 34 anos) ou mais velhas (acima dos 55 anos): eles preferem mais as médicas ginecologistas. A explicação possível para estas preferências pode estar no preconceito ou estereótipo negativo que muitas mulheres têm dos médicos ginecologistas. Elas podem considerar os médicos como incapazes de entender completamente os problemas femininos. Por sua vez as médicas seriam mais receptivas, simpáticas e solidárias porque compartilham as mesmas condições de saúde.

A hipótese é aceitável, mas, convenhamos, suspeita. Existem diversas maneiras de atuação médica que extrapolam os limites do gênero do profissional. Reclamações mulheres de suas ginecologistas não são incomuns. Neste caso, também não se pode excluir o risco de preconceito das próprias pacientes. O fato é que uma boa relação médico-paciente não é definida ou garantida a priori, mas sim construída com a participação dos envolvidos, médicos (ou médicas) e paciente.

(Wanderley & Sobral. Preferência de gênero de ginecologistas-obstetras entre pacientes de ambulatório de ginecologia e escolha da especialidade por estudantes. Rev Bras Ginecol Obstet 2017;39:645–646.)

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Yoga melhora os sintomas da menopausa? http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/04/20/yoga-melhora-os-sintomas-da-menopausa/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/04/20/yoga-melhora-os-sintomas-da-menopausa/#respond Fri, 20 Apr 2018 19:11:21 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=740 Imagem relacionada

Você usaria Yoga como tratamento para os sintomas da menopausa ? Clique aqui para votar

Até 3 em cada 4 mulheres menopausadas apresentam sintomas que impactam suas vidas negativamente. Entre eles as chamadas ondas de calor ou fogachos, que se caracterizam por súbita sensação de calor e sudorese, mesmo quando se faz frio, além de fadiga, baixa libido, desânimo e até dor. Para lidar com esses sintomas, muitas mulheres na menopausa usam terapias complementares, incluindo o yoga. Na América do Norte e na Europa, o yoga ganha cada vez mais adeptos e inclui práticas de posturas físicas (asana), técnicas de respiração (pranayama) e meditação (dyana). De 2002 a 2012, a prevalência do uso da ioga quase dobrou, tornando-se uma das abordagens terapêuticas complementares mais utilizadas nos Estados Unidos. Estima-se que aproximadamente 21 milhões de americanos (9% da população dos EUA) usaram ioga por razões de saúde em 2012. Mas será que yoga funciona mesmo para sintomas da menopausa?. A resposta é sim.

Pelo menos é isso o que concluíram os pesquisadores de da cidade de Essen na Alemanha e Sidney na Austrália. Eles realizaram um meta-análise com 13 ensaios clínicos randomizados, considerado o padrão ouro para avaliação de terapias de qualquer tipo. No total foram computados dados de 1306 participantes que receberam yoga,  outra modalidade de exercício ou nenhum tratamento. Na comparação entre yoga com nenhum tratamento, a ioga reduziu os sintomas da menopausa total, incluindo sintomas psicológicos, somáticos e urogenitais e as ondas de calor. No geral, yoga se mostrou  tão efetiva quanto outros tipos de exercício. Outro dado interessante é que os autores acreditam que a eficácia da yoga não depende do tipo de prática ou técnica usada. Mais ainda, os efeitos adversos ou colaterais da yoga são raros ou raríssimos.

Muitas praticantes da yoga podem alegar que isso já era esperado, mas o fato é que esta revisão de estudos contradiz publicação anterior de 2012, que não mostrou qualquer benefício para mulheres sintomáticas na menopausa. A diferença pode estar na inclusão de novos e maiores estudos neste período que mudaram a direção da bússola para o outro lado, defendendo a yoga. Algumas mulheres podem dizer que a ciência é tudo de bom Outros dirão “anamasté” .

(Cramer et al. Yoga for menopausal symptoms—A systematic review and meta-analysis. Maturitas 109 (2018) 13–25)

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10 minutos de atividade física intensa reduz risco de morte http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/04/12/10-minutos-de-atividade-fisica-intensa-reduz-risco-de-morte/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/04/12/10-minutos-de-atividade-fisica-intensa-reduz-risco-de-morte/#respond Fri, 13 Apr 2018 01:03:38 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=735 Imagem relacionada

Você prefere 10 minutos de atividade física intensa ou 30 minutos de atividade física leve? Clique aqui para votar

Inúmeros estudos indicam que o sedentarismo está associado à série de riscos graves para a saúde em adultos. O excesso de tempo gasto em atividades sedentárias é fator de risco para mortalidade, diabetes tipo 2, síndrome metabólica, cardiovascular doença (DCV) e câncer. Mas será que dá para estimar qual o benefício de substituir um comportamento sedentário por um comportamento com mais atividade física (AF). A resposta é sim e quem explica é um grupo de pesquisadores do Instituto Karolinska da Suécia e pesquisadores finlandeses. Eles usaram um modelo analítico, chamado isotemporal, para estimar o efeito positivo da substituição do comportamento sedentário por AF, considerando sempre a mesma quantidade de tempo. Os desfechos foram mortalidade por todas as causas, por doença cardiovascular (DCV) ou câncer. Os participantes, 851 mulheres e homens, todos com mais de 50 anos, foram seguidos por 15 anos e tiveram registros da atividade física, se atividade sedentária, leve ou moderada/intensa, por meio de acelerômetro. Os dados de mortalidade foram obtidos de registros governamentais suecos. Vamos aos resultados.

Ao longo do estudo ocorreram 79 mortes (24 mortes por DCV, 27 por câncer e 28 por outras causas). Na média as pessoas passavam 8 horas por dia em atividades sedentárias. No entanto, o dado mais interessante confirma que a substituição de 30 minutos/dia, de sedentarismo por AF de intensidade leve foi associada a redução significativa de 11% no risco de mortalidade por todas as causas, sendo que a redução no caso de DCV foi de 24%. Já a substituição de 10 minutos de tempo sedentário por atividade moderada/intensa reduziu o risco de morte por DCV em 38%. Não foram encontradas reduções estatisticamente significativas para a mortalidade por câncer.

Os resultados desta pesquisa vão na mesma direção de estudos prévios que mostraram que mais do que 7.5 horas por dia de sedentarismo aumenta bastante o risco de morte. E sobram explicações fisiológicas para  fundamentar estes estudos. No caso desta pesquisa sueca, em particular, há um detalhe novo:  é a observação de que 10 minutos de atividade moderada/intensa já é bastante saudável, e pode ser mais adequado para muitas pessoas que hesitam em fazer AF leve por 30 minutos diários. O fato é que não fazer nada ou quase nada impacta negativamente a saúde e isso pode ser revertido com um pouco de movimentação, exercício ou atividades físicas específicas. Para quem está preocupado em viver longamente, vale a sugestão: agite-se.

(Dohrn et al. Clinical Epidemiology 2018:10 179–186. Replacing sedentary time with physical activity: a 15-year follow-up of mortality in a national cohort)

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Em oncologia, tratamentos alternativos aumentam risco de morte http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/03/23/em-oncologia-tratamentos-alternativos-aumentam-risco-de-morte/ http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/2018/03/23/em-oncologia-tratamentos-alternativos-aumentam-risco-de-morte/#respond Fri, 23 Mar 2018 12:45:31 +0000 http://dralexandrefaisal.blogosfera.uol.com.br/?p=731 Resultado de imagem para alternative medicine

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         As chamadas práticas Integrativas e complementares estão no centro de debate que opõe médicos e entidades médicas e os defensores destas modalidades de tratamento. O assunto ficou mais evidente depois do anúncio da inclusão de  10 novas modalidades de práticas complementares na rede básica , o SUS. Médicos e cientistas criticam a escassez de estudos bem fundamentados e de qualidade que justifiquem adoção destas práticas. Um artigo recém-publicado no periódico “Journal National Cancer Institute” vai dar mais razão para as críticas. Pesquisadores de Yale usaram dados de uma base nacional de câncer americana, do período de 2004 a 2013, para comparar a evolução de 281 pacientes com câncer não metastático (mama, próstata, pulmão e coloretal que optaram por serem tratados com medicina alternativa (MA) com a evolução de 560 pacientes com mesmas características clínicas. Dados sociodemográficos foram controlados nas análises. Os resultados são desoladores e desencorajam o não seguimento dos tratamentos tradicionais de oncologia.

         Os autores observaram que os pacientes que recusaram tratamentos convencionais (quimioterapia, radioterapia, cirurgia) para estágios do câncer passíveis de cura apresentaram maior risco de morte do que os pacientes que fizeram uso destes tratamentos clássicos. O risco de morte variou de 2 x para o caso de câncer de pulmão a 5 x no caso de câncer de mama, para pacientes que optaram por MA. Cabe ressaltar que trata-se de um número bem pequeno de pacientes que fazem este tipo de opção. É possível que questões emocionais e espirituais façam parte desta escolha. Mas é  preocupante pensar que desinformação também seja uma causa.  Os autores destacam , no entanto, que MA não é a mesma coisa que práticas complementares, que como atesta o próprio nome, se propõe a complementar o tratamento médico. MA é na verdade uma terapia substitutiva sem qualquer fundamentação científica. E aí está o grande perigo.

         O resultado da pesquisa pode servir como uma alerta a determinados grupos de paciente. E pode também ser fonte de estímulo para que os adeptos das práticas complementares submetam suas convicções ao rigor da pesquisa científica médica.

(Johnson et al. Use of alternative medicine for cancer and its impact on survival. J Nati Cancer Inst 2018 110(1):djx145)

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