Blog do Dr. Alexandre Faisal

Força da musculatura pélvica feminina se associa com prazer sexual

Alexandre Faisal

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A força da musculatura pélvica na mulher é importante para prevenção de queixas urinárias. Um estudo nacional avalia se isso também se aplica ao prazer sexual 

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Na pós-menopausa, a prevalência de disfunção sexual é bastante alta, variando de 30 a 80%, dependendo da queixa sexual e da população avaliada. O envelhecimento claramente contribui para este tipo de problema, originado ou agravando queixas como secura vaginal e dor na relação. Outro aspecto é que alguns autores sugerem diferentes mecanismos pelos quais a força da musculatura pélvica (FMP) pode alterar o desempenho sexual. Entre eles, o aumento na força do músculo ligado ao corpo cavernoso do clitóris poderia levar a aumento da excitação e orgasmo. Será então que há uma relação entre a piora da sexualidade e a força da musculatura pélvica da mulher menopausada. Pois bem pesquisadores da FMUSP de Ribeirão Preto realizaram estudo transversal para investigar esta associação, bem como a relação entre incontinência urinária relatada (IU) e disfunção sexual. Foram incluídas 113 pacientes na menopausa. A FMP foi avaliada utilizando a técnica de manometria, por meio de um aparelho introduzido na vagina, com supervisão de fisioterapeuta. A função sexual foi avaliada utilizando o instrumento denominado Índice de Função Sexual Feminina . Escores mais altos indicavam presença de disfunção sexual. IU foi avaliado por meio de questionário validado. A idade das mulheres variou de 42 a 65 anos.

O dado mais importante do estudo mostra que mulheres sem disfunção sexual apresentaram força significativamente maior da musculatura pélvica na comparação com as mulheres que sofriam algum tipo de disfunção sexual. Uma fraca correlação também foi observada entre a pontuação mais alta na escala de disfunção sexual e gravidade da IU. A piora sexual associada ao enfraquecimento da musculatura pélvica tem respaldo na literatura. Aceita-se que a força da musculatura pélvica pode desempenhar um papel na função sexual. Os músculos pubo-coccígeos e ileo-coccígeos são responsáveis por contrações involuntárias. Outros autores postulam que aumentar a força do assoalho pélvico pode melhorar a excitação e resposta orgásmica. Mas nem tudo são flores. Estudos que avaliaram o impacto do treinamento da musculatura pélvica não mostraram resultados significativos sobre a função sexual.

Mais estudos na área são necessários, mas parece claro que eles terão que contornar um problema muito sério: a complexidade da sexualidade feminina. Aspectos psicológicos, sociais e da relação com o par amoroso estão sempre muito envolvidos nas queixas sexuais. E tanto na vida com na pesquisa científica, separar os aspectos psico-sociais e de relacionamento das questões biológicas não é nada fácil.

(De Menezes Franco et al. Relationship between pelvic floor muscle strength and sexual dysfunction in postmenopausal women: a cross-sectional study. Int Urogynecol J. 2016 )