Blog do Dr. Alexandre Faisal

Qual é a redução do peso com derivados das anfetaminas?

Alexandre Faisal

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A lei aprovada esta semana pelo congresso que libera determinados anorexígenos (remédios para inibir o apetite) coloca em cheque a determinação da ANVISA (agência nacional de vigilância sanitária). Medicamentos femproporex, anfepramona e mazindol que estavam proibidos desde 2011 são agora liberados para uso no controle da obesidade. A questão é complexa já que por um lado é crescente o número de obesos no mundo e no Brasil, muitos dos quais tem co-morbidades (a presença de outras doenças) e muitas dificuldades em perder peso com tratamentos habituais que incluem dieta e exercícios. O outro lado da história é que se questiona a segurança e eficácia destes derivados das anfetaminas, que agem em áreas cerebrais que controlam a sensação de fome e saciedade. Críticos das drogas afirmam que elas resultam em perdas modestas e pouco sustentáveis da perda de peso e implicam em riscos cardio-vasculares e psiquiátricos.

Pois bem, uma meta-análise com 25 estudos publicada na revista brasileira Clinics objetivou avaliar a eficácia e segurança da anfepramona, femproporex e mazindol como monoterapia (apenas uma droga) para o tratamento de pacientes obesos ou com excesso de peso.  Os resultados não são animadores. Os autores questionam os eventuais efeitos benéficos da anfepramona e do mazindol que mostraram algum benefício na perda de peso de curto ou longo prazo. Por exemplo, no caso da anfrepramona uma perda média de 1.2 quilos em até 180 dias de uso. No entanto, a publicação critica a extensão dos benefícios e a qualidade dos estudos analisados. A agência Food  and Drug Administration (FDA) americana determina, por exemplo, que para um dos critério para o registro de uma medicação anti-obesidade é que ela resulte perda de peso estatisticamente significativa em relação ao placebo em 45% dos indivíduos dentro de um ano de tratamento. Muitos dos artigos incluídos não confirmaram este resultado. Quanto aos efeitos adversos, mais questionamentos: eles nem sempre foram adequadamente avaliados.

Resumo da história, neste jogo de muitos interesses, a meta-analise brasileira é gol contra a liberação das anfetaminas para tratamento da obesidade. E olhe que durante muitos anos, o Brasil foi mencionado como um dos maiores consumidores de supressores de apetite no mundo, com evidência de uso irracional dessa classe de drogas. Mas vale destacar que o uso legal destes medicamentos varia entre os países. A anfepramona é comercializada no México, no Chile, outros países da América Latina e USA, mas é proibida na Europa. Já o femproporex nunca foi aprovado nos Estados Unidos, foi proibido na Europa, em 199, chegando a ser conhecido como “Brazilian diet pill”. Convenhamos que isso não chega a ser um reconhecimento do qual devamos nos gabar. Principalmente quando é o Congresso Nacional que determina que tipo de Brazilian diet pill que pode ou não ser comercializado

(Lucchetta RC, Riveros BS, Pontarolo R, Radominski RB, Otuki MF, Fernandez-Llimos F, et al. Systematic review and meta-analysis of the efficacy and safety of amfepramone and mazindol as a monotherapy for the treatment of obese or overweight patients. Clinics. 2017;72(5):317-324)