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Blog do Dr. Alexandre Faisal

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Exame ginecológico de rotina é desnecessário ?

Alexandre Faisal

2015-12-20T17:18:39

15/12/2017 18h39

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Muitas condições que podem afetar a saúde das mulheres são muitas vezes avaliadas por meio do exame pélvico. Estas condições incluem gama de patologias que vão do dos diferentes tipos de câncer as infecções genitais, endometriose, entre outras. O exame pélvico que inclui o chamado toque vaginal é uma parte comum do exame físico ginecológico. Estima-se que 44,2 milhões de exames pélvicos foram realizados nos Estados Unidos em 2012. Mas será que é mesmo útil para rastreamento de doenças em mulheres assintomáticas contribuindo para a redução da morbidade e a mortalidade. Esta intrigante questão foi o tema de uma publicação da Força Tarefa Americana no periódico JAMA. E as conclusões têm tudo para agradar grande número de mulheres que não gostam muito de exame ginecológico. Isso mesmo, a publicação afirma que não existem evidências suficientes para recomendar o exame ginecológico como parte da rotina de rastreamento de problemas ginecológicos para mulheres com mais de 18 anos, assintomáticas, não gestantes, que não apresentem risco aumentado para a doença em questão.

A conclusão baseia-se no levantamento da literatura sobre os benefícios do rastreamento (a detecção precoce) da doença e dos eventuais danos ou riscos do procedimento. Quanto aos benefícios do rastreamento faltam estudos confirmando que o exame se associe com a redução da mortalidade, morbidade e qualidade de vida. Do outro lado, questionam-se a taxa as taxas de falso positivo (afirmar que a mulher sofre de algo que ela, de fato, não tem) e falso-negativo (deixá-la tranqüila quando, de fato, ela deveria ser alertada para  o início do tratamento). Isso sem falar na ansiedade gerada pelo exame. Claro que o exame pode ser útil no diagnóstico de determinadas condições tais como os corrimentos vaginais. Nestes casos a possibilidade do exame detectar o problema é muito maior que no caso de um câncer genital, por si só muito raro.  A publicação questiona também a necessidade do exame ginecológico de rastreamento anual e não a cada 3 ou 5 anos.

A conclusão é que novos estudos são fundamentais para definir os limites e eficácia do exame ginecológico e que a decisão de fazer ou não o exame deve ser discutida com a paciente. Mas até lá é preciso convencer os médicos. Publicações prévias sugerem que quase 80% dos profissionais pesquisados (incluindo obstetras / ginecologistas, familiares ou médicos de clínica geral e internistas) acreditam que o exame pélvico é útil para identificar câncer ginecológico em mulheres assintomáticas. Eles realizam o procedimento com regularidade nas suas consultas. Muitas mulheres vão torcer pela confirmação destes resultados.

(Bibbins-Domingo. Screening for gynecologic conditions with pelvic examination. US Preventive Services Task Force Recommendation Statement. JAMA 2017, 317(9) :947-953)

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP e pesquisador científico do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP. Formado em Psicossomática, pelo Instituto Sedes Sapientiae, publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" e é co-autor do livro "Segredos de Mulher: diálogos entre um ginecologista e um psicanalista”. Atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais e sobre saúde em empresas e eventos.

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam as mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e descontraída das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.