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Blog do Dr. Alexandre Faisal

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81% das jovens em São Paulo usam algum método contraceptivo

Alexandre Faisal

14/06/2018 21h49

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Qual é a principal causa para o uso da "pílula do dia seguinte" entre jovens? Clique aqui para votar

Nas últimas décadas houve grande avanço no acesso aos contraceptivos. Diferentes campanhas e políticas públicas nacionais procurar incrementar a conscientização da importância e uso dos métodos. Será que isso resultou, de fato, numa mudança dos padrões de uso de contraceptivos entre as jovens adolescentes?. Dados de um inquérito domiciliar em mulheres com 15 a 19 anos, residentes no Município de São Paulo, em 2015, nos ajudam a compreender esta eventual mudança. Foram entrevistadas 633 jovens, das quais, 310 (48,5%) haviam iniciado atividade sexual. Os autores objetivaram identificar a prevalência da anticoncepção, os contraceptivos adotados, suas fontes de obtenção e os diferenciais no uso da contracepção. Vamos aos resultados.

A primeira e boá notícia é que a 81% das participantes usavam algum tipo de contracepção sendo que camisinha masculina e a pílula (28,2% e 23%, respectivamente) foram os métodos mais usados.  A chance de estar usando contraceptivo foi maior entre as que realizaram consulta ginecológica no último ano e foi inversamente proporcional ao número de parceiros na vida. Isso mesmo: quanto menos parceiros a jovem teve ao longo da vida mais freqüente foi o uso de contracepção. Menos de 3% das jovens não praticaram algum tipo de anticoncepção por não ter obtido um método, sugerindo que o "não uso" não se limita a dificuldades de acesso, mas, eventualmente, a fatores culturais e comportamentais.

Outro dado impactante. Dentre as jovens com vida sexual, 60% relataram uso de contracepção de emergência pelo menos uma vez na vida. Esse uso foi diretamente proporcional à idade da jovem e ao número de parceiros na vida. Sugerindo que com o passar dos anos, a situação de coito desprotegido e com maior risco de gestação não foi episódio isolado, mas sim se repetiu algumas vezes. Os principais motivos para o uso desse tipo de contraceptivo foram: estar sem camisinha no momento da relação (30,4%), não confiar na contracepção em uso (16,6%), ter tido relação sem estar esperando ou preparada (16,3%), a camisinha ter estourado, furado ou ficado retida (16%) e ter usado a anticoncepção de rotina de maneira inadequada (9%). Vale lembrar que a introdução da "pílula do dia seguinte" no sistema público brasileiro é relativamente recente e sofreu resistência de instituições religiosas e de grupos políticos conservadores. A aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária em 1999 foi marco decisivo, mas apenas após 2004 a distribuição foi ampliada para a rede pública dos municípios. Isso, no entanto, não afasta os problemas de acesso a este tipo de método, que deve ser usado obrigatoriamente nos primeiros 3 a 5 dias após a relação sexual desprotegida. Quanto mais atrasado for seu uso menor sua eficácia. Como se vê, quanto ao uso de contracepção pelas jovens brasileiras as notícias são boas, mas podem melhorar principalmente se nosso sistema público de saúde permitir.

(Olsen et al. Práticas contraceptivas de mulheres jovens: inquérito domiciliar no Município de São Paulo, Brasil. Cad. Saúde Pública 2018; 34(2))

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP e pesquisador científico do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP. Formado em Psicossomática, pelo Instituto Sedes Sapientiae, publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" e é co-autor do livro "Segredos de Mulher: diálogos entre um ginecologista e um psicanalista”. Atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais e sobre saúde em empresas e eventos.

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam as mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e descontraída das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.