Blog do Dr. Alexandre Faisal

Resultados positivos (e negativos) da gravidez após cirurgia bariátrica

Alexandre Faisal

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Você faria uma cirurgia bariátrica, no caso de obesidade mórbida, pensando numa futura gravidez? Clique aqui para votar

A obesidade é considerada atualmente, a doença que mais cresce em todo o mundo. Segundo projeção da OMS (Organização Mundial da Saúde) em 2025 seremos 2,3 bilhões de pessoas com excesso de peso, sendo que cerca de 700 milhões serão portadores de obesidade mórbida, a forma mais grave da doença. A mesma OMS estima que 2.8 milhões de pessoas morram todo ano no mundo por doenças relacionadas à obesidade. No Brasil, o Ministério da Saúde estima que 53,9% dos brasileiros apresentam sobrepeso e obesidade (há 10 anos a taxa era de 43,3%). Uma parcela da população afetada por esta epidemia é a de gestantes. Neste caso o impacto negativo da obesidade se estende aos resultados obstétricos e perinatais. Desde 1991 reconhece-se a efetividade da cirurgia bariátrica para tratamento da obesidade mórbida. Inclusive para mulheres que planejam engravidar. Pois bem um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Toronto no Canadá realizaram uma metanálise para  avaliar os benefícios e riscos da cirurgia bariátrica considerando diversos resultados obstétricos e neonatais. Foram incluídos 20 estudos de coorte que contabilizaram aproximadamente 2,8 milhões de pessoas das quais 8.364 haviam sido submetida à cirurgia bariátrica.

Vamos aos resultados. As mulheres submetidas à cirurgia bariátrica apresentaram menores taxas de diabetes mellitus gestacional, bebês grandes para a idade gestacional, hipertensão gestacional, de todos os tipos de distúrbios hipertensivos, hemorragia pós-parto e taxas de parto por cesariana. Nestes casos o número de mulheres que teriam que ser submetidas à cirurgia para ter um destes benefícios variou de 5 a 21, o que é muito bom. No revela o estudo algumas surpresas. Os resultados negativos incluíram aumento em crianças pequenas para a idade gestacional, restrição de crescimento intra-uterino, e partos pré-termo. Neste caso para cada 35 mulheres submetidas á bariátrica uma teria parto prematuro. A explicação para crianças com menor peso e crescimento intra-uterino pode estar nos déficits de micronutrientes, uma complicação frequente da cirurgia.  As deficiências nutricionais comuns após a cirurgia bariátrica incluem proteínas, vitaminas do complexo B, vitaminas lipossolúveis, ácidos graxos essenciais e minerais (zinco e cobre), que podem persistir durante toda a gravidez. Vale destacar que as mulheres operadas foram comparadas com mulheres do grupo controle (ou seja, as não operadas) que apresentavam índice de massa corporal pré-operatório similar. A ideia neste pareamento foi avaliar o impacto positivo ou negativo da cirurgia bariátrica e não apenas da perda de peso subsequente.

No geral, a proposta dos autores é informar as futuras mamães que planejam ser operadas sobre as vantagens e desvantagens da cirurgia bariátrica. Novos estudos podem revelar novas verdades, mas o diálogo franco médico-paciente é eterno.

(Kwong et al. Maternal and neonatal outcomes after bariatric surgery; a systematic review and meta-analysis: do the benefits outweigh the risks?. American Journal of Obstetrics & Gynecology June 2018)