Blog do Dr. Alexandre Faisal

Maior consumo de carne processada aumenta risco de diabetes em 17%
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Alexandre Faisal

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Sua dieta inclui porções diárias de frutas, verduras e legumes? Clique aqui para votar

O Diabetes Mellitus tipo 2 é também chamado de diabetes não insulinodependente ou diabetes do adulto e corresponde a 90% dos casos de diabetes.  Ocorre geralmente em pessoas acima do peso, com mais de 40 anos de idade, embora na atualidade seja cada vez mais comum em jovens, com maus hábitos alimentares e sedentários.  No mundo todo, o incremento do DM tipo  2 ocorre em paralelo ao aumento da obesidade, sedentarismo e dietas pouco saudáveis. Se em 2015 existiam 415 milhões de diabéticos tipo 2,  em 2040 este número pode chegar a 642 milhões. Pois bem uma meta-análise com 88 estudos realizada por pesquisadores da Alemanha e Áustria procurou avaliar quais grupos alimentares tem maior evidência científica de proteção ou prejuízo em relação a risco de desenvolvimento de DM2.  Os estudos incluídos classificaram a dieta em 12 grupos: cereais integrais, cereais refinados, vegetais, frutas, oleaginosas (castanhas, nozes), legumes, ovos, laticínios, peixe, carne vermelha, carne processada (embutidos), bebidas adoçadas com açúcar.

O surgimento de DM segundo os diferentes consumos destes grupos alimentares foi calculado. As conclusões não chegam a ser novidade, mas elas elucidam o tamanho do risco de uma dieta inadequada. Entre os grupos alimentares investigados. No caso da carne processada, a comparação de grupos com alto e baixo consumo mostrou aumento de 17 % no risco de DM. Já para consumo excessivo de bebidas adoçadas o risco de DM era ainda maior: 30%. Do outro lado da balança ficaram os alimentos protetores para a ocorrência de DM: os cereais integrais e as frutas e vegetais. De modo geral, as fibras melhoram a sensibilidade e a secreção de insulina, além de contribuírem para manutenção do peso. Estudos sobre o impacto da alimentação sobre desfechos de saúde são, em geral, bastante complexos.

Devem levar em conta a heterogeneidade dos padrões de dieta em cada população e a influência de outros fatores de risco igualmente importantes. Mas ainda assim, as implicações desta meta-análise sobre a prevenção do DM é clara: as pessoas devem priorizar a ingestão de grãos integrais, legumes, frutas e laticínios, e reduzir o consumo de carnes vermelhas e processadas, além das bebidas adocicadas. Muitos podem torcer o bico para estas restrições. Mas vale ressaltar que são estes mesmo que podem vir a reclamar de diabetes.

(Schwingshackl L et al., Food groups and risk of type 2 diabetes mellitus: a systematic review and meta-analysis of prospective studies. Eur J. Epidemiol, Abril 2017)


Vale a pena repôr testosterona para queda de libido no climatério?
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Você acha que reposição de testosterona melhora a baixa libido no climatério ? Clique aqui para votar

Especialistas da ''International Society for Study of Women's Sexual Health'' publicaram um artigo de revisão sobre a epidemiologia, fisiologia, patogênese, diagnóstico e tratamento do transtorno de desejo sexual hipoativo (TDSH), disfunção sexual que afeta aproximadamente 10% das mulheres adultas. Os fatores etiológicos incluem condições ou drogas que diminuem os níveis de dopamina, oxitocina e norepinefrina no cérebro e aumentam os níveis de serotonina cerebral, endocanabinoide, prolactina e opióide. Os sintomas incluem falta ou perda de motivação para participar da atividade sexual devido à diminuição ou ausência de desejo espontâneo, do desejo sexual em resposta ao estímulo erótico, ou da capacidade de manter desejo ou interesse por meio da atividade sexual por pelo menos 6 meses. Tudo isso é claro resulta em grande nível de estresse.

O tratamento segue um modelo biopsicossocial e é orientado pela história e avaliação dos sintomas. A terapia sexual por meio de terapias mente-corpo, terapias cognitivas ou outras formas de terapias psicológicas, tem sido o tratamento padrão, embora haja uma escassez de estudos que avaliem a eficácia de tratamentos medicamentosos. Alguns antidepressivos tem sido usado sem indicação formal, mas há dúvidas quanto à segurança e eficácia. A mesma consideração se aplica ao uso da testosterona, sendo que admite-se que mulheres na menopausa com TDSH  são candidatas ao tratamento, já que apresentam declínio dos níveis sanguíneos circulantes de testosterona. Ensaios clínicos confirmam que mulheres menopausadas que usaram adesivos com testosterona apresentaram melhores índices de eventos sexuais e satisfação sexual na comparação com mulheres que receberam placebo. Vale lembrar que mesmo no curto prazo acne, hirsutismo (aumento de pelos) podem ocorrer em até 8% das usuárias. E no uso de longo prazo existem preocupações com a saúde cardiovascular e câncer de mama.

Para complicar admite-se que os benefícios podem não ser imediatos, demorando até algumas semanas. No entanto, na ausência de resultados positivos após 6 meses, recomenda-se interromper a medicação. Aceita-se também que as diferentes modalidades de terapia, psicológica ou medicamentosa, alteram as vias de inibição e excitação em determinadas áreas cerebrais. O artigo enfatiza a necessidade de investigar o problema e oferecer tratamentos individualizados para as mulheres. Como se vê não há solução fácil para um problema tão delicado

(Goldstein et al. Hypoactive Sexual Desire Disorder: International Society for the Study of Women’s Sexual Health (ISSWSH) Expert Consensus Panel Review. Mayo Clin Proc. 2017;92(1):114-128)


Veja as novas recomendações americanas sobre terapia de reposição hormonal
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Alexandre Faisal

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Você indicaria para você ou familiares terapia de reposição hormonal ou tratamentos naturais para os sintomas do climatério ? Clique aqui para votar

Os sintomas vasomotores moderados a graves (SVM) afetam alta porcentagem de mulheres peri e pós-menopáusicas. O SVM pode persistir por muitos anos, afetando negativamente a qualidade de vida. A síndrome genito-urinária da menopausa (SGU) também é altamente prevalente e pode tornar-se mais incômoda à medida que as mulheres envelhecem. Usando abordagem baseada em evidências, um painel consultivo de mais de 20 especialistas atualizou as diretrizes de terapia hormonal (TH) da Sociedade Norte Americana de Menopausa. Vamos às principais conclusões e recomendações. Quanto aos sintomas vasomotores reconhece-se que a TH sistêmica é o tratamento mais eficaz para o SVM. E que a relação benefício-risco mais favorável é observada para mulheres com idade inferior a 60 anos ou dentro de 10 anos do início da menopausa. Se estas mulheres não têm mais o útero, melhor ainda. E neste caso elas são elegíveis para monoterapia com estrogênio. Já para as mulheres com 60 anos ou mais ou mais de 10 anos desde o início da menopausa, a relação benefício-risco da TH é menos favorável devido ao maior risco absoluto de doença cardíaca coronária, acidente vascular cerebral, tromboembolismo venoso e demência.

As diretrizes sugerem a discussão com cada mulher do tipo, dose e duração da reposição hormonal. Uma particularidade, no caso das mulheres com menopausa precoce (em geral abaixo dos 40 anos), recomenda-se repor os hormônios até os 52 anos de idade, que é a idade média para a ocorrência da menopausa. Se a queixa for apenas de sintomas urogenitais, ressecamento e dor no ato sexual, a prescrição é por reposição hormonal por via vaginal e não por via sistêmica. Isso ainda se lubrificantes ou hidratantes não derem conta do recado. Finalmente, uma orientação adicional para mulheres com osteoporose com menos de 60 anos de idade e/ou menopausa recente: terapia de reposição hormonal deve ser encarada como prioridade, sem obviamente desconsiderar outras opções de tratamento.

Ficou fácil não é?. Ainda bem já que em meio ao turbilhão de mudanças físicas e psicológicas do climatério e menopausa, a mulher tem ainda que lidar, muitas vezes, com a desinformação na hora de escolher seu tratamento. Agora, pelo menos, mulheres menopausadas não precisam mais esquentar a cabeça com isso.

(The 2017 hormone therapy position statement of The North American Menopause Society. Menopause 24(7):728-7, 2017)


Exercícios de alta intensidade na menopausa são benéficos ?
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Alexandre Faisal

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Você considera benéfico a realização de exercícios de alta intensidade na menopausa ? Clique aqui para votar

          A expectativa das mulheres vem progressivamente aumentando ao longo dos anos. Ótima notícia para mulheres, o que não significa que isso não tenha um grande impacto no sistema de saúde. Estudos mostram que 80% das mulheres com mais de 70 anos tem pelo menos 2 doenças. 27% dentre elas tem 5 ou mais. Diminuir este custo é objetivo de várias políticas públicas de saúde. E para isso é preciso encontrar estratégias eficazes para prevenir as doenças e que sejam iniciadas precocemente na vida. Será que os exercícios se encaixam nesta recomendação?. Pois bem, este foi o objetivo de estudo alemão que procurou avaliar o efeito de longo prazo do exercício sobre diferentes parâmetros de saúde.  Elas foram seguidas por um período de 16 anos.

          Vamos aos detalhes da pesquisa. Em 1998, 137 mulheres pós-menopáusicas, (média de idade 55 anos) que apresentavam declínio da massa óssea sem osteoporose foram incluídas no estudo e sorteadas para dois grupos: grupo de exercícios (GE) ou grupo de atividades habituais (GC). Neste grupo a mulher era apenas acompanhada na sua rotina diária de atividade física. No primeiro grupo, os exercícios de alta intensidade eram feitos em grupo, por 60 minutos e, individualmente, em casa, por 20 a 25 minutos, ambos 2 vezes por semana, 49 a 50 semanas por ano. Ao longo dos anos foram registradas as fraturas, o risco de doença coronariana/ infarto do miocárdio e dor lombar.  Em 2014, 59 mulheres do GE e 46 mulheres do GC foram incluídas na análise de seguimento de 16 anos. O risco de doença cardiovascular com base no escore de Framingham, instrumento amplamente utilizado neste tipo de pesquisa, aumentou significativamente em ambos os grupos. Isso era de se esperar em função do envelhecimento das mulheres. No entanto, as alterações foram menos evidentes GE. A lombalgia piorou no grupo controle, enquanto no GE observou-se redução de 53% nas incidências de fraturas clínicas.

         A novidade da pesquisa é o uso de exercício de alta intensidade, quando já se conhece a eficácia dos exercícios moderados. Mas independente deste aspecto, o resumo da história é que os programas de exercícios demonstraram efeitos benéficos sobre vários fatores de risco e doenças da menopausa/envelhecimento. Por isso que devem ser considerados como estratégias de prevenção primária (para quem não tem doenças) ou secundária (para quem já apresenta algum problema de saúde), em mulheres pós-menopáusicas. A mensagem para você mulher que não curte ficar tomando remédios é exercite-se. Vai dar um certo trabalho e cansaço, mas é um ótimo jeito de economizar seu dinheiro e ao mesmo tempo manter sua saúde. 

(Kemmler et al  Long-term effects of exercise in postmenopausal women: 16-year results of the Erlangen Fitness and Osteoporosis Prevention Study (EFOPS). Menopause. 2017;24(1):45-51).


Qual é a redução do peso com derivados das anfetaminas?
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Alexandre Faisal

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Você  é favor da liberação dos derivados da anfetamina para tratamento da obesidade? Clique aqui para votar

A lei aprovada esta semana pelo congresso que libera determinados anorexígenos (remédios para inibir o apetite) coloca em cheque a determinação da ANVISA (agência nacional de vigilância sanitária). Medicamentos femproporex, anfepramona e mazindol que estavam proibidos desde 2011 são agora liberados para uso no controle da obesidade. A questão é complexa já que por um lado é crescente o número de obesos no mundo e no Brasil, muitos dos quais tem co-morbidades (a presença de outras doenças) e muitas dificuldades em perder peso com tratamentos habituais que incluem dieta e exercícios. O outro lado da história é que se questiona a segurança e eficácia destes derivados das anfetaminas, que agem em áreas cerebrais que controlam a sensação de fome e saciedade. Críticos das drogas afirmam que elas resultam em perdas modestas e pouco sustentáveis da perda de peso e implicam em riscos cardio-vasculares e psiquiátricos.

Pois bem, uma meta-análise com 25 estudos publicada na revista brasileira Clinics objetivou avaliar a eficácia e segurança da anfepramona, femproporex e mazindol como monoterapia (apenas uma droga) para o tratamento de pacientes obesos ou com excesso de peso.  Os resultados não são animadores. Os autores questionam os eventuais efeitos benéficos da anfepramona e do mazindol que mostraram algum benefício na perda de peso de curto ou longo prazo. Por exemplo, no caso da anfrepramona uma perda média de 1.2 quilos em até 180 dias de uso. No entanto, a publicação critica a extensão dos benefícios e a qualidade dos estudos analisados. A agência Food  and Drug Administration (FDA) americana determina, por exemplo, que para um dos critério para o registro de uma medicação anti-obesidade é que ela resulte perda de peso estatisticamente significativa em relação ao placebo em 45% dos indivíduos dentro de um ano de tratamento. Muitos dos artigos incluídos não confirmaram este resultado. Quanto aos efeitos adversos, mais questionamentos: eles nem sempre foram adequadamente avaliados.

Resumo da história, neste jogo de muitos interesses, a meta-analise brasileira é gol contra a liberação das anfetaminas para tratamento da obesidade. E olhe que durante muitos anos, o Brasil foi mencionado como um dos maiores consumidores de supressores de apetite no mundo, com evidência de uso irracional dessa classe de drogas. Mas vale destacar que o uso legal destes medicamentos varia entre os países. A anfepramona é comercializada no México, no Chile, outros países da América Latina e USA, mas é proibida na Europa. Já o femproporex nunca foi aprovado nos Estados Unidos, foi proibido na Europa, em 199, chegando a ser conhecido como “Brazilian diet pill”. Convenhamos que isso não chega a ser um reconhecimento do qual devamos nos gabar. Principalmente quando é o Congresso Nacional que determina que tipo de Brazilian diet pill que pode ou não ser comercializado

(Lucchetta RC, Riveros BS, Pontarolo R, Radominski RB, Otuki MF, Fernandez-Llimos F, et al. Systematic review and meta-analysis of the efficacy and safety of amfepramone and mazindol as a monotherapy for the treatment of obese or overweight patients. Clinics. 2017;72(5):317-324)


Atividade física reduz risco de parto prematuro em 13%
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Alexandre Faisal

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Você considera que as mulheres sedentárias podem começar a malhar quando engravidam ? Clique aqui para votar

Muitas gestantes, preocupadas com o bebê, temem iniciar ou manter atividades físicas durante a gravidez. Uma preocupação, em particular, é o parto prematuro. E elas têm motivos já que estudos divergem sobre o tema, sendo que alguns mostram aumento do risco de prematuridade, principalmente associado às atividades extenuantes. Pois bem, vem aí uma boa notícia para estas futuras mamães. Pesquisadores de Londres e da Noruega realizaram uma meta-análise, com 43 estudos de vários países, sobre o impacto dos vários tipos de atividade física na gravidez.

Vamos aos resultados. A atividade física se mostrou protetora do parto prematuro em mulheres que exercitavam antes ou durante a gestação. A redução do risco do bebê nascer antes da hora foi de 13% para as mulheres, ou gestantes no início da gravidez, que se exercitavam mais, na comparação com aquelas mulheres que se exercitavam menos. No caso das chamadas atividades de lazer o mesmo benefício. Por exemplo, um acréscimo de 3 horas por semana nestas atividades incorria em decréscimo de 10% dos partos prematuros. De fato, 2 a 4 horas de atividades como caminhada ou jardinagem tinham impacto bastante positivo para a duração da gestação E no geral, fazer um pouco de atividade se mostrou melhor do que não fazer nada. A explicação pode residir da diminuição da pré-eclâmpsia ou do diabetes na gravidez. Outra hipótese provável é que ela é importante auxiliar no controle de peso, na diminuição da obesidade e do ganho excessivo de peso gestacional que são fatores de risco bem estabelecidos para prematuridade. Finalmente, a atividade física melhora a sensibilidade à insulina e pode diminuir a resposta inflamatória, sugerida caminho fisiopatológico para a prematuridade.

Novos estudos poderão ser úteis para definir quando e quanto de exercício e atividade é preciso para obter o melhor benefício para formas mais ou menos extremas de prematuridade, um problema que atinge 10% dos partos e é ainda causa relevante de morte neonatal. Pelo jeito os bebês podem continuar tranquilinhos no ventre materno, mesmo quando suas mamães estão malhando.

(Aune et al. Physical activity and the risk of preterm birth: a systematic review and meta-analysis of epidemiological studies. BJOG. 2017 Apr 4. doi: 10.1111/1471-0528.14672)


Força da musculatura pélvica feminina se associa com prazer sexual
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Alexandre Faisal

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A força da musculatura pélvica na mulher é importante para prevenção de queixas urinárias. Um estudo nacional avalia se isso também se aplica ao prazer sexual 

Na sua opinião, você acha que exercício para a musculatura pélvica pode ajudar na obtenção de prazer sexual ? Clique aqui para votar

Na pós-menopausa, a prevalência de disfunção sexual é bastante alta, variando de 30 a 80%, dependendo da queixa sexual e da população avaliada. O envelhecimento claramente contribui para este tipo de problema, originado ou agravando queixas como secura vaginal e dor na relação. Outro aspecto é que alguns autores sugerem diferentes mecanismos pelos quais a força da musculatura pélvica (FMP) pode alterar o desempenho sexual. Entre eles, o aumento na força do músculo ligado ao corpo cavernoso do clitóris poderia levar a aumento da excitação e orgasmo. Será então que há uma relação entre a piora da sexualidade e a força da musculatura pélvica da mulher menopausada. Pois bem pesquisadores da FMUSP de Ribeirão Preto realizaram estudo transversal para investigar esta associação, bem como a relação entre incontinência urinária relatada (IU) e disfunção sexual. Foram incluídas 113 pacientes na menopausa. A FMP foi avaliada utilizando a técnica de manometria, por meio de um aparelho introduzido na vagina, com supervisão de fisioterapeuta. A função sexual foi avaliada utilizando o instrumento denominado Índice de Função Sexual Feminina . Escores mais altos indicavam presença de disfunção sexual. IU foi avaliado por meio de questionário validado. A idade das mulheres variou de 42 a 65 anos.

O dado mais importante do estudo mostra que mulheres sem disfunção sexual apresentaram força significativamente maior da musculatura pélvica na comparação com as mulheres que sofriam algum tipo de disfunção sexual. Uma fraca correlação também foi observada entre a pontuação mais alta na escala de disfunção sexual e gravidade da IU. A piora sexual associada ao enfraquecimento da musculatura pélvica tem respaldo na literatura. Aceita-se que a força da musculatura pélvica pode desempenhar um papel na função sexual. Os músculos pubo-coccígeos e ileo-coccígeos são responsáveis por contrações involuntárias. Outros autores postulam que aumentar a força do assoalho pélvico pode melhorar a excitação e resposta orgásmica. Mas nem tudo são flores. Estudos que avaliaram o impacto do treinamento da musculatura pélvica não mostraram resultados significativos sobre a função sexual.

Mais estudos na área são necessários, mas parece claro que eles terão que contornar um problema muito sério: a complexidade da sexualidade feminina. Aspectos psicológicos, sociais e da relação com o par amoroso estão sempre muito envolvidos nas queixas sexuais. E tanto na vida com na pesquisa científica, separar os aspectos psico-sociais e de relacionamento das questões biológicas não é nada fácil.

(De Menezes Franco et al. Relationship between pelvic floor muscle strength and sexual dysfunction in postmenopausal women: a cross-sectional study. Int Urogynecol J. 2016 )


Jovens que assistem muita televisão apresentam redução da massa óssea
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Alexandre Faisal

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Assistir muitas horas de televisão não é recomendável para a saúde cardiovascular. Um estudo australiano avalia se este comportamento em crianças e adolescentes também tem impacto negativo sobre a formação óssea. 

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Assistir TV é um excelente marcador de atividade sedentária. Diversos estudos já mostraram o impacto negativo das muitas horas sentadas na frente de uma televisão para diversos problemas metabólicos e cardiovasculares. Mas será que excesso de TV, na infância e adolescência, também pode ser prejudicial para a constituição da massa óssea. Vale lembrar que o pico da massa óssea obtido no início da vida é importante preditor do risco de osteoporose na velhice. Se há menos osso formado quando somos jovens, maior será nosso risco de osteoporose e fraturas após os 60 anos. A resposta desde já é sim.

Um estudo realizado por pesquisadores australianos avaliou longitudinalmente a relação entre o tipo de comportamento na frente de uma televisão, durante a infância e adolescência e pico de massa óssea na idade de 20 anos. As horas assistindo televisão por semana foram registradas pelos pais ou auto-relatadas por crianças de 5, 8, 10, e adolescentes de 14, 17 e 20 anos de idade, num total de 1.181 participantes. A massa óssea foi mensurada por densitometria óssea aos 20 anos de idade. As análises levaram em conta outros fatores importantes, tais como altura, massa corporal, nível de atividade física, uso de álcool e cigarro, e ingestão de cálcio. Considerando um tempo de 14 horas por semana, os pesquisadores classificaram os jovens como usuários infrequentes de TV (20%) ou usuários frequentes (44.4%). Os resultados mostram que tanto para as meninas quanto para os meninos houve redução da massa óssea entre os jovens que passavam mais tempo assistindo TV.

As explicações podem estar nos comportamentos pouco saudáveis que acompanham uma longa jornada assistindo TV, ou seja, o consumo de alimentos inadequados, como gorduras e refrigerantes que por si só prejudicam a formação dos ossos. Claro que estando na frente da TV a criança ou o adolescente não está fazendo atividades físicas que promovem o desenvolvimento da massa óssea. Finalmente, ficar na frente da TV se assemelha um pouco com permanecer no leito acamado: favorece a reabsorção óssea. Um dado, no entanto, chama a atenção. A atividade física não parece amenizar os efeitos negativos das muitas horas de TV sobre a massa óssea. Pelo jeito os jovens vão reclamar que está cada vez mais difícil ficar morgando na frente da TV.

(McVeigh et al. Longitudinal Trajectories of Television Watching Across Childhood and Adolescence Predict Bone Mass at Age 20 Years in the Raine Study. Journal of Bone and Mineral Research, 31 (11):2032-40, 2016)


Os riscos do uso excessivo de serviços médicos
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Alexandre Faisal

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O excesso de uso dos serviços médicos é um fato em muitos países, incluindo o Brasil. O periódico Lancet faz um panorama nada animador do problema e aponta os riscos deste fenômeno recente 

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O tema é atualíssimo. Em diversos países, tanto de alta quanto média-baixa renda, o fenômeno está cada vez mais freqüente: o excesso de uso de serviços médicos, que engloba também o excesso de diagnósticos e testes laboratoriais e a hipermedicalização. O periódico Lancet abordou o tema recentemente procurando definir melhor os conceitos, as prevalências de cada prática e o local onde elas acontecem. A tarefa não é fácil já que já o próprio conceito de uso excessivo é complexo, e, portanto, difícil de ser mensurado. Uma prática médica excessiva ficaria no meio do caminho entre uma intervenção cientificamente comprovada, com mais benefícios do que danos e outra não efetiva, com mais danos que benefícios. No entanto, até os próprios pacientes podem expressar sentimentos e preferências quanto a estas diferentes práticas, o que levaria, a depender do caso, a aumento ou diminuição do uso excessivo de atos médicos. E para complicar médicos tem dificuldade em entender os valores e preferências dos seus pacientes, no que concerne aos riscos de fazer (ou não) certos exames e procedimentos médicos.

As estatísticas disponíveis em 5 revisões sistemáticas mostram que nos Estados Unidos até 8% dos cuidados de saúde são excessivos. Mas para alguns países, a prevalência chega a 90%. O Brasil (ao lado da Austrália, Israel, Irã e Espanha) está entre os países que mais abusa de práticas médicas desnecessárias. Para fins de exemplo, realizar exames preventivos para câncer de colo uterino em mulheres sem útero ou idosas e dosagem de PSA em intervalos menores que 12 meses estão entre os mais comuns. Ressonância magnética rotineira para lombalgia também. Mas a lista é bem longa. Isso sem contar o uso indiscriminado de antibióticos para infecções do trato respiratório superior, muitas vezes de etiologia viral e, até mesmo, o uso de medicações contra tumores malignos avançados, de prognóstico limitado.

O fato é que o uso inadequado das diversas práticas médicas pode resultar danos físicos, psicológicos e até econômicos para os pacientes. E para piorar todas as especialidades médicas, e praticamente todos os países enfrentam o aumento do fenômeno. Ou melhor, precisam enfrentar.

(Brownlee et al. Evidence for overuse of medical services around the world. Lancet, 2017)


Qualidade da interação pai-bebê influencia desenvolvimento do criança ?
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Alexandre Faisal

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A participação da mãe no primeiro ano de vida é fundamental para o desenvolvimento da criança. Um estudo inglês avalia se a interação do pai com o filho também é.  

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No Brasil as mulheres que deram a luz podem contar com um período de licença maternidade que varia de 120 dias (na maioria dos casos) até 180 dias (na empresas cidadãs). Isso coloca o Brasil na companhia de mais 50 países que respeitam as recomendações da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que propõe além de 14 semanas de afastamento, o pagamento de pelo menos 2/3 do salário da mulher. Mas nós brasileiros ficamos longe de países como Croácia, Reino Unido e Noruega que oferecem à mamãe, 13, 12 e 11 meses, respectivamente, de afastamento do trabalho. Mas e o papai como fica nesta história ?. A mesma OIT não preconiza nenhum padrão para licença-paternidade e, de fato, a grande maioria dos países não oferece nenhum tipo de benefício ao papai. Existem exceções como a Noruega (sempre ela) que possibilita 112 dias e os Estados Unidos com 84 dias de licença-paternidade. Na América Latina, as licenças são de 2 dias na Argentina e 4, no Peru. No Brasil 5.

A questão, no entanto, é se a presença dos pais pode ter alguma influência no desenvolvimento da criança. Pois bem, um estudo realizado em Londres avaliou o impacto do tipo e qualidade da interação pai-bebê, aos 3 e 24 meses, sobre o desenvolvimento cognitivo da criança, mensurado pela conhecida escala Bayles. 192 duplas de pais-bebês participaram da pesquisa. Aos 3 meses, os pais erma convidados a falar e brincar com o filho, sem o auxílio de brinquedos. Esta interação era gravada e analisada. As análises controlaram a idade paterna e da criança, nível educacional, depressão e até a interação mãe-bebê. Um dos resultados mais interessantes mostra que, aos 3 meses, crianças cujos pais apresentaram comportamentos mais retraídos e depressivos nas interações com seus bebês meses apresentaram menor pontuação na escala de desenvolvimento cognitivo. Aos 24 meses, o mesmo efeito, quanto pior a interação pior a pontuação das crianças.

Os autores destacam a importância potencial das intervenções para promover a participação dos pais no início da vida das crianças e as políticas que incentivam os pais a passar mais tempo com seus filhos quando eles ainda são bem pequenos. Aposto que os futuros papais vão mostrar esta pesquisa para seus patrões quando chegar a hora do bebê nascer.

(Sethna et al. Father-Child Interactions At 3 Months And 24 Months: Contributions To Children's Cognitive Development At 24 Months. Infant Ment Health J. 2017)