Blog do Dr. Alexandre Faisal

Dá para confiar nas camisinhas disponíveis no Rio de Janeiro ?
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Alexandre Faisal

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Camisinhas são disponibilizadas em unidades de saúde e ganham destaque da mídia no Carnaval. Um estudo brasileiro avalia a qualidade do preservativo masculino 

Você ou seu parceiro se preocupam com qualidade da camisinha que vocês usam ? Clique aqui para votar

        A qualidade dos preservativos disponíveis no Brasil tem sido debatida desde 1987, quando os preservativos foram incluídos na categoria de produtos farmacêuticos. Os preservativos permanecem Jurisdição da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) sob tutela do Ministério da Saúde. Preservativos masculinos têm função dupla, protegendo contra a gravidez e doenças sexualmente transmissíveis (DST). A incidência de DST tem aumentado no Brasil graças ao baixo nível socioeconômico, condições culturais precárias e falta de educação sexual adequada, particularmente entre os jovens. A qualidade dos preservativos de látex pode variar de acordo com o lote,  diferenças na tecnologia de fabricação e lote de fabricação, resultando em variação de qualidade considerável. Do ponto de vista da contracepção, o preservativo falharia na ordem de 15 gravidezes em 100 mulheres que usam cada ano.

          Um estudo liderado por pesquisadores da FIOCRUZ procurou avaliar a qualidade dos preservativos masculinos no Rio De Janeiro. De 2009 a 2011, foram avaliadas 20 marcas de preservativos masculinos por lote de 8 manufaturas – tanto domésticas quanto importadas – comercializadas no Rio de Janeiro. Os preservativos foram avaliados quanto ao comprimento, largura, espessura, furos, integridade da embalagem primária, volume de ruptura, pressão de ruptura, etiquetagem e embalagem. A ausência de furos é considerada o teste mais importante foi realizada por meio de método elétrico e  visual. As 4000 unidades avaliadas eram marcas nacionais (13) e estrangeiras (7).  Os resultados são impressionantes e preocupantes: das 20 marcas avaliadas, 17 foram consideradas não-conformes, em pelo menos uma das análises realizadas. Em 3 das marcas havia número excessivo de furos. Em 13 a capacidade volumétrica e pressão de ruptura eram inadequadas, o que poderia resultar em ruptura ou escape do condom.

          As implicações do estudo são evidentes: os controles de qualidade devem ser ainda maiores sobre os fabricantes de camisinha. Com estes resultados muitos podem se sentir inseguros ao fazerem sexo seguro.

(Duarte et al. Quality evaluation of commercially available male condom in Rio de Janeiro, Brazil, 2009–2011. Reproductive Health(2016) 13:145)

 


Jovens americanos são menos ativos sexualmente
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Nunca se falou tanto de sexo como atualmente. Mas será que os jovens são , de fato, ligados em sexo?. Um estudo americano compara a atividade sexual em diferentes gerações e apresenta resultados surprendentes

Na comparação com os jovens de gerações passadas, qual é o nível de interesse por sexo dos jovens de hoje? Clique aqui para votar

Será que os jovens de hoje, tão plugados e conectados por meio de diversas mídias, são, de fato, ligados em sexo?. Esta interessante questão foi avaliada numa publicação do periódico ''Archives of Sexual Beahvior''  e traz novidades até certo ponto surpreendentes. Pesquisadores americanos procuraram examinar as tendências de inatividade sexual durante a vida adulta, comparando jovens nascidos entre 1980-1994  (a geração chamada Milenial), jovens nascidos entre 1995-2012 (a chamada geração IGen) com adultos da década de 1960 e 1970, a geração X. Eles usaram dados da ''General Social Survey'', que usa amostra populacional com mais de 26 mil adultos americanos e que incluía questões sobre atividade e parceiros sexuais, desde os 18 anos de idade. Os questionários eram feitos anualmente ou a cada 2 anos no período de 1989 a 2014. Variáveis como raça, religião, educação e região foram levadas em contas nos modelos de análise.

Os resultados mostram que na faixa etária de 20 a 24 anos, havia 15% de jovens sexualmente inativos desde os 18 anos de idade, entre os Millenniais, aqueles nascidos na década de 1990 (15%) e apenas 6% para os da geração X, nascidos na década de 60. Esta tendência se manteve para adultos de outras faixas etárias da mesma geração. No geral, as taxas mais elevadas de inatividade sexual foram observadas entre as mulheres,  passando de 5% para 16% entre as duas gerações. Por outro lado, menores taxas de inatividade sexual ocorreram em pessoas da raça negra e com educação universitária. Como explicar este “distanciamento do sexo” numa geração tão conectada, que usa e abusa de Tinder, Whatsapp e Facebook?. Os autores têm algumas explicações. Em primeiro lugar, os jovens atuais vivem com seus pais por mais tempo, se casam mais tarde, e as duas coisa podem atrasar a atividade sexual. Em segundo lugar, a cultura do ficar (em inglês hook-up culture) pode, paradoxalmente, ajudar a explicar o aumento da inatividade sexual. Ficar envolve uma grande variedade de comportamentos sexuais, e é possível que o coito vaginal cede lugar as outras práticas. Outro fato é possível também que a epidemia da AIDS, com as muitas advertências dos familiares, médicos e da mídia tenha contribuído para atrasar o início da vida sexual ou pelo menos reduzir o número de parceiros, ambos como estratégia de segurança.

Futuros estudos deverão avaliar o que é considerado sexo parar os jovens de hoje para avançar nesta área de pesquisa. Até lá fica a impressão de que o mundo está mudando e que para os jovens de hoje, conexão não significa necessariamente ação, pelo menos no campo sexual.

(Twenge et al. Sexual Inactivity During Young Adulthood Is More CommonAmong U.S. Millennials and iGen: Age, Period, and Cohort Effects on Having No Sexual Partners After Age 18. Arch Sex Behav 2016)


Sintomas pré-menstruais podem decorrer de processo inflamatório
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Alexandre Faisal

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Existem algumas hipóteses para explicar os sintomas pré-menstruais que interferem com a qualidade de vida de muitas mulheres. Um estudo americano investiga se a inflamação é uma delas

 

          Sintomas pré-menstruais afetam a vida de muitas mulheres. Admite-se que até 90% sofram com pelo menos 1 sintoma físico ou emocional antes das regras e que até 15% tenham sintomas tão intensos que as incapacitem para as atividades diárias. Apesar das teorias biológicas, muito relacionadas às flutuações hormonais e dos neurotransmissores e das teorias comportamentais e psicológicas, que implicam o estresse emocional, existem dúvidas sobre a origem do problema.

          Um estudo recente com quase 3 mil mulheres, com média de idade de 46 anos, revela novas explicações para esta síndrome: o destaque recai sobre o processo inflamatório. No início do estudo as mulheres foram classificadas quanto à presença ou não dos diferentes tipos de sintomas, que posteriormente foram classificados em 5 grupos: mudança de humor; dor abdominal/muscular; aumento do apetite/ganho de peso; dor mamária e cefaléia. Nesta ocasião, foram mensurados os níveis de proteína C reativa, um marcador da inflamação. Resultado, exceto para a cefaléia, todos os demais grupos de sintomas se associaram com maiores níveis de proteína C reativa, um importante marcador do processo inflamatório.

          A hipótese é que a inflamação precede o surgimento de sintomas pré-menstruais. Se isso for verdade, a Síndrome pré-menstrual está na companhia de outras doenças crônicas, tais como hipertensão arterial, diabetes e doença coronariana. Já se sabe, por exemplo, que mulheres com a Síndrome tem , de fato, maior risco de desenvolver hipertensão, na comparação com mulheres sem os sintomas. Assim se as futuras pesquisas confirmarem esta hipótese, novos tratamento visando a redução do processo inflamatório teriam o potencial de também prevenirem as outras doenças crônicas, que habitualmente surgem mais tarde na vida das mulheres. Se isso acontecer dá para imaginar que as mulheres que sofrem com queixas pré-menstruais vão ter pelo menos mais um bom motivo para se tratarem. Será um caso típico de fazer um tratamento e prevenir duas ou mais doenças.

(Bertone-Johnson E. Chronic inflammation and premenstrual syndrome: a missing link found?. J Womens Health 2016)


Produto promete revolucionar a contracepção masculina definitiva
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Alexandre Faisal

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A contracepção masculina é opção pouco usada pelos casais por diferentes motivos. Um novo produto que está para ser disponibilizado pode mudar este panorama 

Você acha que os homens aceitam bem a vasectomia como método contraceptivo? Clique aqui para votar

         Em breve, os homens poderão escolher um método contraceptivo para eles, e não para suas parceiras, namoradas e esposas. Pelo menos é isso que a a Fundação americana Parsemus, entidade sem fins lucrativos voltada para produção de medicamentos de baixo custo, pretende disponibilizar, já em 2017: um método contraceptivo para ser utilizado por homens. O produto está em fase de testes e baseia-se na aplicação de um gel nos dutos deferentes, por onde passam os espermatozóides produzidos nos testículos no processo de ejaculação. O gel ocupa todo o canal impedindo a passagem dos espermatozóides, de modo semelhante ao que ocorreria numa vasectomia. No entanto, aqui o processo é reversível, bastando para isso a aplicação de uma injeção de bicarbonato de sódio no local. Os espermatozóides barrados pelo gel são absorvidos pelo organismo ou na eventualidade de conseguirem ultrapassá-lo tem suas membranas rompida.

         Na Índia, o produto vem sendo usado há mais de 15 anos e estudos de fase 1 e 2 mostrou que é seguro e eficaz. Em estudos clínicos, o método provocou alguns efeitos colaterais temporários tais como o inchamento do escroto em cerca de um terço dos participantes. Ensaios clínicos, o padrão ouro para avaliar eficácia e riscos dependem de estudos sobre toxicidade, que estão em desenvolvimento. Um dado reassegurador: segundo os cientistas, o remédio não tem contraindicações, não modifica a produção de hormônios masculinos, e pode funcionar por até por dez anos. Para completar, a expectativa é que o produto seja comercializado por menos de US$ 400.

         Mais do que uma opção contraceptiva, desta vez para os homens, o produto (Vasalgel) tem o potencial de revolucionar os costumes sociais e sexuais. Se há mais de 100 anos homens só podem optar por camisinha e vasectomia, em breve eles poderão optar por um método de longa duração reversível. E falando em centena de anos, a responsabilização total e exclusiva da mulher pela gestação pode estar com os dias contados.  (https://www.parsemusfoundation.org)


Nos Estados Unidos 6% das mulheres sofrem com endometriose
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Endometriose afeta a vida de muitas mulheres. Um estudo americano estima a real prevalência do problema 

Você sabe o que é endometriose ? Clique aqui para votar

 

          Endometriose é sério problema que afeta a vida de muitas mulheres, em período reprodutivo. A doença caracterizada pela presença do endométrio – tecido que reveste o interior do útero – fora da cavidade uterina, ou seja, em outros órgãos da pelve: trompas, ovários, intestinos e bexiga. Isso causa dor ao menstruar, nas relações sexuais, sangramento menstrual intenso ou irregular e infertilidade. A real dimensão da freqüência do problema é controversa: estudos apontam que entre 2 e 40% possam apresentar o problema. Um estudo americano procurou estimar a prevalência de endometriose diagnosticada (ED), bem como avaliar os sintomas associados à doença. Foram entrevistadas por meio da internet mulheres com idades entre 18 e 49 anos, no período de agosto a novembro de 2012. Foram colhidas informações sobre sintomas e dados demográficos (idade, raça, escolaridade, renda, região).

        O impacto negativo dos sintomas foi comparado em mulheres com e sem endometriose diagnosticada. O resultado mais importante mostra que a prevalência de ED foi estimada em 6,1% (2.922 de 48.020 mulheres pesquisadas). Mais da metade das mulheres tinham entre 18 e 29 anos de idade, quando foram receberam o diagnóstico, sendo que a grande maioria (86,2%) delas apresentava sintomas antes do diagnóstico. Como era de se esperar todos os sintomas forma mais comuns nas mulheres com endometriose: dor pélvica ou cólica menstrual (52,7 vs. 45,2%), dor pélvica não menstrual (36,7 vs. 14,3%) e infertilidade (11,6 vs. 3,4%). Dor na relação sexual era quase 3 vezes mais comum nos casos de endometriose. Para complicar os sintomas eram, no geral, mais graves, nestas mulheres.

         Como se vê, trata-se de problema comum com grande impacto na vida da mulher americana e também, na mulher brasileira. Estudos nacionais estimam que 10% das brasileiras apresentem o problema e que até 30% delas tenham comprometimento da fertilidade.

(Fuldeore & Soliman, Prevalence and Symptomatic Burden of Diagnosed Endometriosis in the United States: National Estimates from a Cross-Sectional Survey of 59,411 Women. Gynecol Obstet Invest. 2016)


Acupuntura é efetiva na prevenção da enxaqueca
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Enxaqueca é três vezes mais frequente em mulheres. Uma meta-análise avalia se a acupuntura funciona para prevenir as crises. 

Você prefere prevenir crises de enxaqueca com acupuntura ou medicamentos ? Clique aqui para votar

         Enxaqueca, um transtorno neurológico crônico, resultante de desequilíbrio neuro-químico cerebral, afeta a vida de muita gente. O desequilíbrio decorre de uma mistura de hábitos e estilo de vida com predisposição genética. 15% da população apresentará um episódio de enxaqueca ao longo da vida que não resume a dor de cabeça, moderada a intensa, com duração de 4 horas a 3 dias. Náuseas, vômitos, aversão à claridade, hipersensibilidade ao barulho, aos cheiros, hipersensibilidade do couro cabeludo, visão embaçada, irritabilidade, tontura, ansiedade e depressão podem estar presentes.

         Para as pessoas que usam e, às vezes, abusam das medicações, existe grande expectativa com métodos alternativos de prevenção das crises. Será a acupuntura uma opção?. Para responder esta pergunta a fundação Cochrane atualizou uma meta-análise conduzida em 2009, incluindo 22 novos estudos, que somados incluíram 4985 participantes.  Os resultados principais foram a freqüência de crises e a redução de pelo menos 50% no número de crises após tratamento. Vamos aos resultados: na comparação com o tratamento profilático com medicamentos a acupuntura foi mais efetiva na redução das crises, num primeiro momento. Com o passar do tempo, no entanto, esta superioridade tendia a diminuir. Após três meses, a frequência de cefaléia foi reduzida pela metade em 57% dos participantes que receberam acupuntura e em 46% nos que receberam medicação profilática. Após seis meses, o benefício da acupuntura era apenas ligeiramente superior (59% versus 54%).

         A boa notícia é que os efeitos adversos foram sempre menores no grupo da acupuntura. Tudo somado pode-se afirmar que acupuntura é tão eficaz quanto as drogas profiláticas, tornando-se assim uma opção de tratamento preventivo para os pacientes enxaquesos que estão dispostos a se submeterem a este tratamento. Se você sofre de enxaqueca e tinha dúvida sobre usar ou não acupuntura, pode ficar tranqüilo. Esta decisão não vai de causar nenhuma dor de cabeça e talvez até te ajude a ficar livre dela.

(Linde K, Allais G, Brinkhaus B, et al. Acupuncture for the prevention of episodic migraineCochrane Database Syst Rev. 2016 Jun 28;(6):CD001218. doi: 10.1002/14651858.CD001218.pub3).  


Quem tem melhores resultados: médica ou médicos?
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Alexandre Faisal

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Médicas e médicos apresentam diferentes características no atendimento aos pacientes. Um estudo americano avalia, ineditamente, quem obteve melhores resultados com pacientes idosos internados

Você prefere ser atendido por médica ou médico? Clique aqui para votar

         Imaginemos que você adoeceu ou que sua saúde inspira cuidados. Nesta hora você escolhe uma médica ou um médico para se tratar?. Antes que você responda, saiba que existem evidências científicas que homens e mulheres praticam a medicina de diferentes maneiras, sendo que as médicas aderem mais as diretrizes clínicas de tratamento, oferecem mais cuidados preventivos, tem melhor comunicação, dão mais aconselhamento psicológico para seus pacientes e tem desempenho semelhante (ou até melhor) em testes, na comparação com os médicos. Mas será que elas tem melhores resultados nos tratamento efetivamente executados?.. Muitos podem alegar que médicas têm que cuidar de filhos e, às vezes, dos maridos (alguns médicos também), o que poderia afetar seu desempenho profissional. Para esclarecer esta questão, pesquisadores de Harvard e Cambridge, nos Estados Unidos, compararam a mortalidade, em 30 dias, de pessoas com mais de 65 anos Idade média de 80 anos), internadas no período de 1º de janeiro de 2011 a 31 de dezembro de 2014, segundo o sexo do profissional de saúde: se médico ou médica. Para esta análise foram levadas em conta, variáveis como gravidade da doença, idade do paciente e local da internação. Foram utilizados dados de mais de 1 milhão e 500 mil internações. Resultado mais importante, os pacientes tratados por médicas apresentaram menor mortalidade em 30 dias. No geral, uma pequena diferença de 0.42% (11,07% vs 11,49%). O que significa que a cada 233 pacientes internados tratados por uma mulher (e não um por um homem) uma morte é evitada. A mesma tendência foi observada em termos de taxas de readmissão hospitalar, uma situação também muito relevante, na qual o paciente após ter tido alta e obrigado a ser reinternado. Neste caso, a cada 182 pacientes tratados, exclusivamente, por uma médica, uma reinternação seria evitada.

         Estas diferenças em favor das médicas persistiram em 8 tipos de intercorrências clínicas e independentemente da gravidade dos casos. Muitos (e aqui seguramente estarão os médicos) podem alegar que há diferença foi pequena e se trata apenas de idosos hospitalizados tratados por internistas, o que impede generalizações. Mas vale lembrar que nas últimas décadas com todos os avanços na medicina a margem para resultados positivos em termos de mortalidade é cada vez menor. Resultados como os do estudo aplicados em grandes populações , no entanto, fazem muita diferença. Quanto ao tipo de paciente, o contra-argumento é: “por que elas deixariam de ser melhores em outras situações clínicas?”. O fato é que esta publicação reforça estudos prévios que sugerem que médicas vão muito bem no exercício da profissão, possivelmente, um pouco melhor do que médicos.

         Uma explicação adicional para este melhor desempenho pode estar na capacidade de tomar decisões em casos mais complexos. Médicas representam 1/3 dos profissionais de medicina em exercício nos Estados Unidos. Hoje em São Paulo se formam mais médicas do que médicos. Muitos devem estar pensando: ainda bem.

(Tsugawa et al. Comparison of Hospital Mortality and Readmission Rates for Medicare Patients Treated by Male vs Female Physicians. JAMA Intern Med. doi:10.1001/jamainternmed.2016.7875)


60% das pessoas no mundo gastam mais de 3 horas sentadas diariamente
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Alexandre Faisal

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O número de horas que as pessoas permanecem sentadas é altíssimo. Uma meta-análise nacional  avalia o impacto negativo de ''ficar sentado(a)'' sobre a mortalidade 

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       Você que passa horas e horas no escritório, sentada, em geral, na frente de um computador e se esqueça de dar uma “levantandinha” vai se assustar. E talvez mudar de hábito. Jovens pesquisadores brasileiros fizeram uma interessante análise do impacto da prática de ficar sentada sobre todas as causas de mortalidade. A conclusão do estudo mostra que permanecer sentado muito tempo pode aumentar o risco de morrer prematuramente, enquanto a substituição do tempo sentado pela posição de pé ou pela atividade física moderada pode neutralizar este efeito. Parta chegar a estas afirmações os pesquisadores usaram dados de pesquisas de 54 países, analisando tempo gasto sentado por mais de três horas por dia, juntamente com dados sobre o tamanho da população, tabelas atuariais e mortes globais. O estudo foi publicado no “American Journal of Preventive Medicine”.

         Os resultados mais expressivos mostram que mais de 60 por cento das pessoas, em todo o mundo, gastam mais de três horas por dia, sentadas. Segundo os autores o tempo sentado contribuiu para 433.000 mortes entre 2002 e 2011. Um dado foi a estimativa do tempo médio que as pessoas passam sentadas entre os países: 4,7 horas por dia. A redução deste tempo a metade iria resultar numa queda de 2.3% em todas as causas de mortalidade. A associação entre o tempo gasto sentado e mortalidade já foi encontrada em outros estudos, sendo que a relação persiste mesmo após a contabilização de outro exercício físico. Embora seja difícil estabelecer relação de causalidade entre ficar sentado e morte por qualquer causa, a associação é evidente.

       Antes que os cientistas descubram fica uma sugestão para homens e mulheres que passam uma eternidade sobre cadeiras: levantem-se, nem que seja de vez em quando. Em vez de manter a garrafa de água na sua mesa, jogue-a fora e vá tomar água em outro local.

(Rezende et al. All-Cause Mortality Attributable to Sitting Time Analysis of 54 Countries Worldwide. Am J Prev Med 2016)


Experiências negativas no Facebook se associam com maior risco de depressão
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Alexandre Faisal

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Muitas pessoas vivem conectadas pode meio do Facebook.  Um estudo americano avalia o impacto negativo de experiências negativas com FB em adultos jovens

Você acha que experiências negativas com Facebook podem causar depressão ? Clique aqui para votar

          O Facebook (FB) é acessado por um bilhão de usuários de todo o mundo todos os dias. O uso de celulares contribui para este aumento. No Brasil 45% da população usa o FB. Estudos americanos afirmam que 95% dos adultos com idades entre 18 e 33 anos usam a mídia social. Admite-se que estar conectado pode acarretar uma série de benefícios psicológicos, incluindo suporte social e aprovação dos pares. Mas e se a conexão na rede, aquela que não depende do provedor, não for assim tão boa. Estudos indicam que ameaças e outros tipos de incidente ocorrem com até 33% dos usuários das mídias sociais. Será que neste caso, experiências negativas se associam com algum dano psicológico, como, por exemplo, depressão?.  Esta interessante questão foi avaliada por um estudo americano com 264 adultos jovens, com idades entre 21 e 30 anos, que responderam questionários sobre experiências negativas (EN) no FB e depressão. Experiências negativas incluíram bullying, contatos não desejados e desencontros, tais como ser mal entendido ou mal interpretado. Depressão foi avaliada por meio de escala psiquiátrica.

         No total, 82% dos participantes relatam pelo menos uma experiência negativa na vida com FB, sendo que 55% aconteceram no ano anterior à pesquisa. Contatos não desejados e confusões foram os eventos mais comuns. Neste grupo de jovens adultos 24% apresentavam sinais de depressão. Mas o dado mais curioso foi a associação entre EN e depressão: qualquer tipo de EN na vida ou no ano anterior aumentava o risco de depressão em cerca de 2.5 a 3 vezes. E se as EN eram mais freqüentes e intensas pior. A explicação pode estar no estresse gerado pelas frustrações. A pessoa vai ao FB esperando aprovação e apoio e encontra o oposto de quem não gostaria sequer de encontrar. Tanto faz se é ameaça, gozação ou, simplesmente, um “barraco qualquer”.  O estresse gerado por esta situação tem potencial para causar dano psicológico. Alguns podem alegar que eventualmente a pessoa já é meio deprimida ou lida mal com eventos adversos. Isso é possível, mas mesmo uma pessoa saudável pode se tornar deprimida se submetida a estresse crônico.

         De fato, o próprio uso do FB, como meio de ostentação do dos bens e conquistas, pode causar em outras pessoas, jovens ou não, um sentimento de menos valia e inferioridade. Os autores concluem o artigo sugerindo novos estudos com inclusão apenas de pessoas não deprimidas no início da pesquisa. Se neste caso as EN do FB resultarem em maior risco de depressão ai sim devemos nos preocupar. Mas mesmo se isso acontecer eu duvido que alguém vá se offline e longe FB.

(Rosenthal et al. Negative Experiences on Facebook and Depressive Symptoms Among Young Adults. Journal of Adolescent Health (2016))


Ter propósito na vida reduz risco de morte e doença cardiovascular em 17%
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Alexandre Faisal

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Ter objetivo maior na vida faz parte do nosso bem estar psicológico e contribui para comportamentos saudáveis. Uma meta-análise avalia se ter propósito na vida reduz a mortalidade 

Você acha que ter um propósito maior na vida faz bem à sua saúde ? Clique aqui para votar

         Ter um objetivo de vida é considerado componente essencial do bem estar psicológico. Objetivo de vida não só organiza a vida da pessoa, como também a estimula na adoção de certos comportamentos e, mais ainda, proporciona um sentido ou significado para a existência. Uma vez conquistado, o indivíduo sente-se realizado e potente. No caso de falha, predomina a tensão e sensação de fracasso. Mas será que atingir metas na vida se associa com melhor estado de saúde?. Ou, mais especificamente, com menor taxa de mortalidade?. Uma meta-análise tentou responder esta questão, agrupando dados de 10 estudos observacionais prospectivos que investigaram a relação entre ter propósito maior na vida e mortalidade e presença de doença cardio-vascular. No total foram analisados dados de mais de 136 mil participantes. Os resultados não deixam dúvida: vale a pena ter uma vida digna de ser vivida, Isso é vale a pena ter um objetivo maior nesta nossa breve existência, já que isso reduziu significativamente a mortalidade por todas as causas, em 17%. A mesma redução, 17% foi observada para doenças cardio-vasculares, ao se comparar pessoas com e sem objetivo de vida.

          Estes resultados foram similares mesmo se levando em conta o país de origem estudo, os questionários utilizados para medir propósito na vida, a idade das pessoas, e se os participantes apresentavam ou não doença cardiovascular previamente. Como explicar o que parece óbvio e intuitivo?. Uma hipótese é que o propósito na vida pode ter efeito amenizador no impacto negativo de eventos estressores do cotidiano. Por exemplo, aceita-se que ele melhore a resposta imunológica. De fato, todos nós sabemos, que as respostas do indivíduo frente às situações traumáticas de vida, quer elas estimulem ou não reações biológicas, são importantes para a manutenção da saúde física e mental. Em segundo lugar, ter propósito na vida também pode exercer efeitos clínicos positivos em função da adoção de comportamentos saudáveis, tais como dieta saudável, atividade física e prevenção do abuso de substâncias, como álcool ou drogas. Estudos que abordaram o otimismo e o suporte social mostraram as mesmas associações.

          O resumo da história é que dar um sentido maior e mais digno na vida, almejando a realização de um objetivo resulta num benefício extra para a pessoa: menor chance de apresentar doença cardio-vascular ou mesmo de vir a morrer. Assim quem tem um propósito na vida está bem na fita (e na vida). Quem não tem deve ser encorajado a adotar um. Quem sabe por meio de terapia, meditação ou outro meio qualquer. Os mecanismos deste feliz associação entre objetivo de vida e saúde não estão completamente elucidados e estarão a espera de futuras pesquisas. Mas, muitos podem concordar que isso, de fato, pode ficar para depois.

(Cohen et al. Purpose in Life and Its Relationship to All-Cause Mortality and Cardiovascular Events: A Meta-Analysis. Psychosomatic Medicine, V 78 • 122-133, 2016)