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Conheça as estimativas para diferentes tipos de câncer no Brasil em 2020

Alexandre Faisal

14/02/2020 11h11

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         Expectativas de vida acima dos 80 anos já são uma realidade em alguns países desenvolvidos. O Brasil também trilha um caminho promissor na saúde atestado por diferentes dados de saúde das últimas décadas. No entanto, este crescimento vem acompanhado do aumento do número de casos de câncer. O câncer já está entre as quatro principais causas de morte antes dos 70 anos de idade na maioria dos países, perdendo ainda para doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral e doenças pulmonares obstrutivas.  O aumento da incidência e da mortalidade por câncer decorrem em parte do envelhecimento populacional, mas, também, pela mudança na prevalência dos fatores de risco de câncer. Estamos falando de fatores muito associados ao desenvolvimento socioeconômico tais como sedentarismo, obesidade, dieta inadequada, além de tabagismo. Por outro lado, os tumores malignos associados as infecções vem diminuindo em muitos países. Antecipar as estimativas de incidência dos diferentes tipos de câncer é importante para profissionais de saúde, gestores e, claro, para as pessoas que fazem ou não parte do grupo de risco. Pois bem, o Ministério da saúde acaba de publicar dados do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) sobre as perspectivas para 2020. Trata-se panorama muito interessante do que está por vir, considerando as regiões geográficas brasileiras.

         Para calcular a incidência de câncer para as 26 Unidades da Federação do Brasil, suas capitais e o Distrito Federal os autores usaram uma metodologia similar à de publicações e centros internacionais especializados em câncer como, por exemplo, a Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (International Agency for Research on Cancer). Um dos modelos de cálculo usou as informações de incidência dos últimos 6 a 15 anos de informação de cada unidade federativa. Vamos as principais estimativas. Para o Brasil, a estimativa para cada ano do triênio 2020-2022 aponta que ocorrerão 625 mil casos novos de câncer (450 mil, excluindo os casos de câncer de pele não melanoma). O câncer de pele não melanoma será o mais incidente (177 mil), seguido pelos cânceres de mama e próstata (66 mil cada), cólon e reto (41 mil), pulmão (30 mil) e estômago (21 mil). Sem considerar o câncer de pele não melanoma, os tipos de câncer mais frequentes em homens e mulheres serão, respectivamente, próstata (29,2%), cólon e reto (9,1%), pulmão (7,9%), estômago (5,9%) e cavidade oral (5,0%).

        Nas mulheres, os cânceres de mama (29,7%), cólon e reto (9,2%), colo do útero (7,4%), pulmão (5,6%) e tireoide (5,4%). As taxas de incidência ajustadas por idade tanto em homens (215,86/100 mil) quanto para mulheres (145,00/100 mil) são consideradas intermediárias e compatíveis com aquelas observadas nos países em desenvolvimento.  Quanto às regiões geográficas, a Região Sudeste concentra mais de 60% da incidência, seguida pelas Regiões Nordeste (27,8%) e Sul (23,4%). Como era de se esperar, há grande variação na incidência dos tipos de câncer entre as diferentes Regiões do Brasil. Nas regiões mais desenvolvidas (Sul e Sudeste), predominam os cânceres de próstata e mama feminina, além do câncer de pulmão e de intestino. Nas regiões menos desenvolvidas (Norte e Nordeste), a incidência do câncer do colo do útero e de estômago é mais evidente ainda os cânceres de próstata e mama feminina sejam os mais comuns. No entanto, na região Norte as taxas de câncer de mama e colo do útero se equivalem entre as mulheres. Um dado a lamentar considerando a existência das estratégias preventivas eficazes para rastreamento e tratamento do câncer do colo uterino. Numa comparação rápida com estimativas mundiais de câncer feminino observa-se que as taxas de câncer de mama predominam independentemente do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O câncer de cólon e reto apresenta as maiores taxas nos países com alto IDH. Nos países com baixo e médio IDH, o segundo câncer mais incidente é o câncer do colo do útero.  (INCA 2020)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP e pesquisador científico do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP. Formado em Psicossomática, pelo Instituto Sedes Sapientiae, publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" e é co-autor do livro "Segredos de Mulher: diálogos entre um ginecologista e um psicanalista”. Atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais e sobre saúde em empresas e eventos.

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam as mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e descontraída das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.