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Blog do Dr. Alexandre Faisal

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12% dos canadenses consideram uma "open relationship" como relação ideal

Alexandre Faisal

22/08/2019 16h36

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Relacionamentos abertos são aqueles em que os indivíduos concordam em participar de interações sexuais e/ou emocionais e românticas com mais de um parceiro. O conceito abrange formas diferentes de relação que não se restringem ao par amoroso, mas podem incluir  três, quatro ou mais situações de parceria sexual.  Mas relacionamento aberto é com certeza diferente de traição na relação monogâmica. No caso da traição há dor e muita turbulência.  No caso do relacionamento aberto é  tudo transparente e consensual. Estimar quantas pessoas se engajam neste tipo de relacionamento não é fácil, principalmente pelo processo de amostragem. Por exemplo, amostras não representativas da população distorcem as estimativas de relacionamento aberto. Um estudo canadense realizado pelas Universidades British Columbia e Ryerson em 2017 avaliou uma amostra nacionalmente representativa de 2.003 adultos canadenses, todos com mais de 18 anos. Pouco mais de 50% eram  mulheres e estavam casados ou em união consensual. Um questionário online foi usado para avaliar diversas questões relativas ao tipo de relacionamento amoroso/sexual.  No geral, 2,4% de todos os participantes e 4,0% dos que estão atualmente em um relacionamento firme, relataram também estar em um relacionamento aberto. Parece pouco, mas outro dado chama atenção: 20% dos participantes relataram  envolvimento anterior com relacionamento aberto. E mais curioso ainda:  12% relataram que "an open relationship"  seria a tipo ideal de relacionamento. Isso era mais evidente para os homens na comparação com as mulheres. E também os mais jovens eram mais propensos a se envolver e preferir relacionamentos abertos.

Uma surpresa entre os dados: o grau de  satisfação com a presente relação não diferiu significativamente entre os relacionamentos monogâmicos e aqueles definidos como abertos. Mas a maior chance da pessoa estar feliz com a relação que tinha foi observada quando havia correspondência entre o tipo de relacionamento real, o que de fato ele vivia, e o tipo de relacionamento preferido.  Alguém pode afirmar "elementar meu caro Watson".

Resumo da história: uma pequena parcela da população, em geral mais jovens,  está envolvida neste tipo menos usual de relacionamento que precisa ser melhor estudado. Aparentemente, não há evidência s  de que indivíduos em relações abertas sejam menos saudáveis emocionalmente ou se sintam menos seguros na comparação com indivíduos monogâmicos, mas novos estudos, quantitativos e qualitativos, podem mudar esta história e deixar o cenário muito mais turbulento.

(Nichole Fairbrother, Trevor A. Hart & Malcolm Fairbrother (2019): Open Relationship Prevalence, Characteristics, and Correlates in a Nationally Representative Sample of Canadian Adults, The Journal of Sex Research, DOI: 10.1080/00224499.2019.1580667

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP e pesquisador científico do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP. Formado em Psicossomática, pelo Instituto Sedes Sapientiae, publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" e é co-autor do livro "Segredos de Mulher: diálogos entre um ginecologista e um psicanalista”. Atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais e sobre saúde em empresas e eventos.

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam as mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e descontraída das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.