Blog do Dr. Alexandre Faisal

Comida ultraprocessada aumenta em 12% risco de câncer mamário
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Alexandre Faisal

 

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Sua dieta é saudável ? Clique aqui para votar

Morre-se pela boca. O ditado popular acaba de ganhar arcabouço científico. Dos bons. Pesquisadores franceses e de diversos países publicaram os resultados de um grande estudo longitudinal que procurou avaliar a relação entre consumo de alimentos ultraprocessados e risco de câncer. Mais de 104 mil participantes com idade mínima de 18 anos ( idade média foi de 42 anos) foram seguidos na coorte francesa NutriNet-Santé no período de 2009 a 2017. Informações sobre dietas foram coletadas por meio da web usando registros dietéticos das últimas 24 horas, em vários momentos, projetados para registrar o consumo usual dos participantes em 3300 itens alimentares diferentes. Estes ingredientes foram então categorizados de acordo com seu grau de processamento pela classificação intitulada NOVA. Esta classificação criada por pesquisadores brasileiros ganha, cada dia, mais adeptos no mundo inteiro. Basicamente ela divide os alimentos em 4 grandes grupos sendo que o último grupo é constituído de alimentos muito processados e incluem substâncias que não fazem naturalmente parte da dieta.  Quanto maior o grau maior o processamento e mais longe ficamos do alimento mais natural e, em tese, mais saudável. Ao longo do tempo foram coletados com os participantes e por meio de registros médicos o aparecimento de câncer em geral, incluindo mama, próstata e colorretal.

Os resultados inéditos mostram que a ingestão de alimentos ultraprocessados se associou com maior risco global de câncer, com aumento de 12% no risco para câncer de mama. Estes resultados não se modificaram após controle por outras variáveis tais como uso de álcool, tabagismo, atividade física e uso de reposição hormonal/pílulas contraceptivas. As explicações são ainda possibilidades, mas incluem o alto teor glicêmico que contribui para a epidemia de obesidade que é por sua vez fator de risco vários tipos de câncer no homem e na mulher (mama pós-menopausa, estômago, fígado, colorretal , câncer de estômago, pâncreas, rim, vesícula, endométrio, ovário, fígado e câncer de próstata (avançado) e malignidades hematológicas). Uma segunda hipótese diz respeito à ampla gama de aditivos contidos em alimentos ultraprocessados. Embora os níveis máximos autorizados normalmente protejam os consumidores contra os efeitos adversos de cada substância individual em um determinado produto alimentar, o efeito sobre a saúde da ingestão cumulativa de todos os alimentos ingeridos e potenciais efeitos de coquetel / interação permanece em grande parte desconhecido. Estudos experimentais em modelos animais mostraram que alguns aditivos/conservantes autorizados tem propriedades cancerígenas que merecem maior investigação em seres humanos (por exemplo, o dióxido de titânio, aspartame). Em terceiro lugar, a embalagem e o processamento de alimentos e particularmente os tratamentos térmicos produzem novos contaminantes (por exemplo, acrilamida) em produtos ultraprocessados, como batatas fritas, biscoitos, pão ou café. Eventualmente o perigo pode estar justamente aí. Enfim se alguns estudos já sugeriram que a associação entre alimentos ultraprocessados e obesidade, hipertensão, e dislipidemia, esta nova publicação mostra também um risco aumentado de câncer.

Como se vê, o ditado tinha razão.

(Fiolet et al. Consumption of ultra-processed foods and cancer risk: results from NutriNet-Santé prospective cohort. BMJ 2018;360:k322)


Preferência por cesariana está associada ao medo da dor no parto
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Qual tipo de parto você prefere ? Clique aqui para votar

Globalmente, cerca de 6,2 milhões de cesáreas desnecessárias são realizadas anualmente, com um custo aproximado de 2,3 bilhões de dólares. Os dados de 194 países indicam que uma taxa de cesarianas superior a 19% está associada a maior mortalidade materna e neonatal. No entanto, o número de cesariana desnecessárias com suas implicações vem aumentando em diversos países de renda média e média-alta. Incluindo o Brasil. Tentativas de reduzir as taxas de cesariana se concentram na mudança de culturas e políticas hospitalares, atitudes e comportamentos dos prestadores de cuidados e ao aumento do conhecimento das mulheres sobre os benefícios do parto vaginal. Infelizmente, essas estratégias têm sido ineficazes. Uma ideia então seria identificar as preferências relativas ao tipo de parto em jovens que vislumbram a maternidade apenas no futuro. Foi este um dos objetivos de estudo que contou com dados de 8 países que tem acordo de cooperação e desenvolvimento econômico.  Além de identificar a porcentagem de  mulheres que preferem a cesárea diante de hipotética gravidez saudável, os pesquisadores procuraram conhecer os motivos alegados para optar por uma cesariana e não um parto normal.

Os dados foram coletados por meio de uma pesquisa on-line, em colégios e universidades, dos seguintes países Austrália, Canadá, Chile, Inglaterra, Alemanha, Islândia, Nova Zelândia, Estados Unidos, no período de 2014 a 2015. Os alunos foram perguntados se eles prefeririam um parto vaginal ou cesárea, assumindo que a gravidez era de baixo risco e eles poderiam escolher o tipo de parto. Depois deles marcaram sua preferência por cesárea ou parto vaginal, eles respondiam o motivo da escolha usando  uma lista de razões pré-definida. Uma delas, o medo do parto, era avaliada separadamente por meio de uma escala amplamente utilizada neste tipo de pesquisa.  A publicação analisou as respostas de mais de 3600 mulheres, sem filhos, com idades entre 18 e 40 anos de idade e que planejavam ter pelo menos uma criança no futuro. Os resultados mostram que uma em dez mulheres jovens preferia a cesariana, variando de 7,6% na Islândia a 18,4% na Austrália. As razões mais frequentes para tal escolha foram o medo da dor incontrolável e o medo do dano físico. Tanto o medo do parto quanto as preferências por CS diminuíram se o nível conhecimento das mulheres sobre a gravidez e o nascimento era maior.

Com base nisso eles sugerem estratégias inovadoras que precisam ainda ser testadas:  sessões de educação por meio da internet e das mídias sociais, e a dramatização de histórias contadas por colegas (jovens que tiveram bebês) ou até mesmo celebridades. Com isso poderia ocorrer aumento da capacidade das jovens mulheres para entender a fisiologia do trabalho de parto e parto, a variedade de métodos disponíveis para ajudá-los a lidar com a dor neste momento. reduzindo assim o medo de dor, danos corporais e perda de controle. E uma ideia ainda mais interessante é que esta educação deva ocorrer precocemente. Talvez mesmo antes dos 10 anos de idade, na escola primária ou secundária.  Ao educar as mulheres jovens sobre o parto seria importante enfatizar o baixo risco geral de complicações graves aliada a alta probabilidade de ter uma gravidez saudável e parto normal.

Um detalhe final, os homens não ficarão de fora destas inovações. Como estudo prévio realizado na Suécia confirma que as atitudes dos homens, especificamente sobre o medo do parto, estavam fortemente ligadas às decisões da mulher sobre o tipo de parto, os autores afirmam que é importante incluir homens em futuros estudos. A ideia é boa mas vamos ver o que eles pensam .

(Stoll et al. Preference for cesarean section in young nulligravid women in eight OECD countries and implications for reproductive health education. Stoll et al. Reproductive Health (2017) 14:116


Assédio no trabalho dobra risco de depressão
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Alexandre Faisal

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Você já se sentiu assediada no trabalho ? Clique aqui para votar

O tema é atualíssimo. Assédio sexual é definido como qualquer forma de conduta verbal, não verbal ou física não desejada de natureza sexual que ocorre com o propósito de violar a dignidade de uma pessoa, em particular, criando ambiente intimidante, hostil, degradante, humilhante ou ofensivo.  Trata-se de fenômeno de gênero, pois as mulheres são mais propensas a serem expostas em comparação com os homens. Pesquisa dinamarquesa mostra que 5,1% das mulheres com idade entre 18 e 64 anos foram expostas ao assédio sexual em comparação com 1,2% dos homens. O assédio sexual no local de trabalho tem conseqüências negativas, tais como diminuição da satisfação e perdas de dias de trabalho e problemas de saúde mental.

Um estudo transversal realizado em Kopenhagem avaliou a associação transversal entre depressão e assédio sexual perpetrado por 2 grupos de pessoas: clientes/usuários e colegas de trabalho (supervisor ou subordinado). Eles usaram um banco de dados sobre condições de saúde e de trabalho, com amostra aleatória de indivíduos empregados de 18 a 64 anos. Os dados são coletados periodicamente entre os anos de 2012 a 2020. Nesta análise participaram  7603 pessoas funcionários de 1041 empresas.  5.2% das mulheres e 1.2% dos homens relataram assédio. Comparado aos funcionário sem exposição, ter sofrido assédio sexual por parte de clientes ou usuários, no local de trabalho dobrou o risco de sintomas depressivos. Mas ela isso era ainda mais evidente e preocupante no caso de assédio por colegas, supervisores ou subordinados. O impacto neste caso era pior emocionalmente. A explicação pode estar no fato de que até certo ponto se admite, em dados ambientes de trabalho, o assédio ''faz parte'' e ''é inevitável''. Outras explicações incluem o fato de que os efeitos do assédio sexual sejam mais graves no contexto de desequilíbrio de poder. O assédio sexual pelos supervisores também pode refletir a coerção sexual, onde o supervisor oferece bônus, aumentos salariais e promoção em troca da atenção sexual. O clima precário organizacional que tolera assédio é citado também. A má notícia da publicação é que os autores estudaram eventuais benefícios de intervenções preventivas ou restritivas do assédio na ocorrência do problema e não encontraram resultados favoráveis na avaliação do estado mental das pessoas. Talvez porque as pessoas responsáveis pelas empresas respondam falsamente com intuito de proteger o estabelecimento. Talvez porque o tema é relativamente novo e a efetividade das intervenções ainda precisa ser melhor definida.

Apesar destes resultado negativo, os autores defendem guidelines de comportamento, educação e até suporte social no caso de evitar ou contornar o estrago causado pelo assédio sexual. As mulheres e alguns homens agradecem.

(Friborg et al. Workplace sexual harassment and depressive symptoms: a cross-sectional multilevel analysis comparing harassment from clients or customers to harassment from other employees amongst 7603 Danish employees from 1041 organizations.  BMC Public Health (2017) 17:675)

 


Reposição hormonal transdérmica beneficia sexualidade da menopausada
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Alexandre Faisal

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Você usaria reposição hormonal para tratar queixa sexual na menopausa ? Clique aqui para votar

A disfunção sexual, importante fator determinante da saúde e qualidade de vida das mulheres, é comumente associada à diminuição dos níveis de estrogênio na transição para a menopausa. O principal hormônio estrogênico, o estradiol é também um modulador da função serotonérgica, afetando as regiões do cérebro que regulam o humor e o desejo sexual. Pelo menos, 23% das mulheres naturalmente menopáusicas se angustiam face ao à diminuição ou baixo desejo sexual. Uma opção de tratamento, nesta fase da vida é a terapia de reposição hormonal. Um ensaio clínico americano procurou avaliar os efeitos da terapia de estrogênio oral ou transdérmica versus placebo na função sexual de mulheres pós-menopáusicas. O estudo KEEPS seguiu prospectivamente, mulheres saudáveis, recentemente menopausadas que foram randomizadas para receber um tipo de reposição hormonal, o estrógeno conjugado por via oral, o estradiol transdérmico ou placebo. Os participantes também receberam 200 mg de progesterona micronizada oral (se randomizados para reposição hormonal).  As mulheres tinham média de 53 anos (variando 42 a 58 anos).  A função sexual foi avaliada por meio de um instrumento validado (FSFI), levando também em conta os domínios da sexualidade (desejo, excitação, lubrificação, orgasmo, satisfação e dor)

Quanto aos resultados, o tratamento transdérmico se associou com uma melhora significativa ainda que moderada no escore geral do FSFI em todos os momentos de avaliação, aso 18, 36 e 48 meses, quando comparado com o placebo.Já com o tratamento por via oral, não houve diferença significativa no escore geral da FSFI na comparação com o placebo. Alguns resultados podem ser comemorados ou não. Por exemplo, não houve diferença na pontuação geral da escala, entre os grupos de reposição hormonal, na avaliação com 4 anos. Já nos domínios específicos da função sexual, o tratamento transdérmico mostrou aumento significativo da lubrificação e diminuição da dor na comparação com o placebo. No geral,  a proporção de mulheres com baixo desejo sexual foi significativamente menor apenas após o tratamento com reposição transdérmica versus placebo (67% vs 76%).

A conclusão é que a via transdérmica melhorou modestamente a função sexual em mulheres pós-menopáusicas. Uma parte do benefício sobre a sexualidade da reposição hormonal pode ser explicada pela ação local, no tecido reprodutivo, do estrógeno quer por via oral ou por via transdérmica. Mas para os domínios mais subjetivos da sexualidade, tais como desejo, excitação, orgasmo, e a satisfação sexual, a ausência de tratamento implica na manutenção da piora sexual. Neste caso, a via transdérmica parece ter algum benefício, pelo menos aos 18 meses de tratamento, que  não é explicado apenas pela melhora fisiológica, mas eventualmente por uma melhora psicológica. Uma última observação, no estudo as ondas de calor não afetaram significativamente as alterações na pontuação do instrumento, nos 2 grupos, sugerindo que o tratamento destes sintomas não contribui significativamente para as melhorias observadas na função sexual. Uma novidade, que veio apenas para confirmar que não é fácil entender a sexualidade humana. Feminina e masculina, diga-se de passagem.

(Taylor et al.  Effects of Oral vs Transdermal Estrogen Therapy on Sexual Function in Early Postmenopause Ancillary Study of the Kronos Early Estrogen Prevention Study (KEEPS)JAMA Intern Med. 2017. doi:10.1001/jamainternmed.2017.3877)


Três medidas para prevenção de doença cardio-vascular nas mulheres
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Alexandre Faisal

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Você segue quantas das recomendações para prevenção de doença cardio-vascular abaixo ? Clique aqui para votar

Estima-se que 44 milhões de mulheres nos Estados Unidos vivem com ou estão em risco de desenvolver doença cardíaca. A morte por doença cardiovascular (DCV) continua a ser a principal causa de mortalidade nas mulheres. A consciência da DCV nas mulheres aumentou de 24%, em 1997, para 56%, em 2012, devido à atenção da mídia, apoio governamental, educação e organizações focadas na saúde da mulher ou da população em geral. Embora a consciência tenha melhorado, a DCV continua a representar uma séria ameaça à saúde das mulheres devido, em parte, a alta prevalência dos fatores de risco tradicionais, incluindo obesidade (159,2 milhões de americanos, 49% mulheres), hiperlipidemia (LDL-colesterol ‡ 130 mg / dL, 73,5 milhões de americanos, 53% mulheres) e diabetes mellitus (21,1 milhões de americanos, 50% mulheres). Os avanços na ciência na última década incluem um maior reconhecimento de fatores de risco não-tradicionais para DCV, incluindo distúrbios auto-imunes, apneia obstrutiva do sono e lesão miocárdica induzida por radiação. As condições associadas à gravidez, como diabetes gestacional, hipertensão, pré-eclâmpsia e eclâmpsia, também são reconhecidas como fatores de risco adicionais para o desenvolvimento da DCV.

Um artigo recente publicado no Journal of Women's Health procurou sintetizar as principais evidências para a prevenção das complicações cardiovasculares em mulheres livres da doença.  Dentre elas estão: 1) evitar o tabagismo, exercer  atividade aeróbia, comer alimentos saudáveis (com predomínio de dieta com frutas, vegetais, grãos integrais, fibras e peixe), controle da pressão arterial com meta de manter a PA <120/80 e manutenção de perfil lipídico adequado (ou seja colesterol total dentro dos limites, com níveis de LDL mais baixos; 2) Não fazer uso de vitaminas antioxidantes e de terapia de reposição hormonal com intuito específico de prevenir DCV; 3) Não fazer uso de aspirina para prevenção primária de infarto do miocárdio (ou acidente vascular cerebral) em mulheres saudáveis idade <65. Para estes dois últimos itens, relacionados às vitaminas, reposição hormonal e uso de aspirina em mulheres saudáveis e jovens há evidências de que além de não fazer bem, estas práticas podem mesmo fazer mal à saúde das mulheres. É possível que algumas destas recomendações sejam contestadas por outros autores, mas tudo indica que até aqui estas ainda são as melhores práticas médicas e de saúde para as mulheres. Americanas e brasileiras.

(Raeisi-Giglou et al. Advances in Cardiovascular Health in Women over the Past Decade: Guideline Recommendations for Practice. Journal of Women's Health  2017)


Exame ginecológico de rotina é desnecessário ?
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Alexandre Faisal

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Você acha o exame ginecológico desagradável ? Clique aqui para votar

Muitas condições que podem afetar a saúde das mulheres são muitas vezes avaliadas por meio do exame pélvico. Estas condições incluem gama de patologias que vão do dos diferentes tipos de câncer as infecções genitais, endometriose, entre outras. O exame pélvico que inclui o chamado toque vaginal é uma parte comum do exame físico ginecológico. Estima-se que 44,2 milhões de exames pélvicos foram realizados nos Estados Unidos em 2012. Mas será que é mesmo útil para rastreamento de doenças em mulheres assintomáticas contribuindo para a redução da morbidade e a mortalidade. Esta intrigante questão foi o tema de uma publicação da Força Tarefa Americana no periódico JAMA. E as conclusões têm tudo para agradar grande número de mulheres que não gostam muito de exame ginecológico. Isso mesmo, a publicação afirma que não existem evidências suficientes para recomendar o exame ginecológico como parte da rotina de rastreamento de problemas ginecológicos para mulheres com mais de 18 anos, assintomáticas, não gestantes, que não apresentem risco aumentado para a doença em questão.

A conclusão baseia-se no levantamento da literatura sobre os benefícios do rastreamento (a detecção precoce) da doença e dos eventuais danos ou riscos do procedimento. Quanto aos benefícios do rastreamento faltam estudos confirmando que o exame se associe com a redução da mortalidade, morbidade e qualidade de vida. Do outro lado, questionam-se a taxa as taxas de falso positivo (afirmar que a mulher sofre de algo que ela, de fato, não tem) e falso-negativo (deixá-la tranqüila quando, de fato, ela deveria ser alertada para  o início do tratamento). Isso sem falar na ansiedade gerada pelo exame. Claro que o exame pode ser útil no diagnóstico de determinadas condições tais como os corrimentos vaginais. Nestes casos a possibilidade do exame detectar o problema é muito maior que no caso de um câncer genital, por si só muito raro.  A publicação questiona também a necessidade do exame ginecológico de rastreamento anual e não a cada 3 ou 5 anos.

A conclusão é que novos estudos são fundamentais para definir os limites e eficácia do exame ginecológico e que a decisão de fazer ou não o exame deve ser discutida com a paciente. Mas até lá é preciso convencer os médicos. Publicações prévias sugerem que quase 80% dos profissionais pesquisados (incluindo obstetras / ginecologistas, familiares ou médicos de clínica geral e internistas) acreditam que o exame pélvico é útil para identificar câncer ginecológico em mulheres assintomáticas. Eles realizam o procedimento com regularidade nas suas consultas. Muitas mulheres vão torcer pela confirmação destes resultados.

(Bibbins-Domingo. Screening for gynecologic conditions with pelvic examination. US Preventive Services Task Force Recommendation Statement. JAMA 2017, 317(9) :947-953)


Além da saúde, vacinação também tem impacto positivo na economia
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Alexandre Faisal

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A vacinação é uma das intervenções mais eficazes em termos de custo na saúde pública. No entanto, a introdução e o uso continuado de qualquer novo tipo de vacina devem ser definidos gestores  e políticas de saúde que avaliem além do seus impactos positivos  para a saúde , o potencial  de benefício econômico. Um estudo conduzido por pesquisados de diversos países e liderado pela Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, procurou estimar o impacto econômico que poderá ser alcançado com as campanhas de vacinação contra 10 doenças infecciosas, realizadas  entre 2001 e 2020, em 73 países de baixa e média renda. Na lista de países estão muitos países africanos, asiáticos e até sul-americanos. Gana, Congo, Ucrânia,  Índia e Bolívia estão na lista. O Brasil, infelizmente, não foi incluído. Estas campanhas receberam o suporte de 2 fundações internacionais a GAVI, na Suíça e a americana Fundação Bill Gates.

Os autores da publicação utilizaram modelos de impacto na saúde para estimar o impacto econômico das  vacinas contra Haemophilus influenzae, hepatite B, HPV, encefalite (japonesa), sarampo, Neisseria meningitidis, rotavírus, rubéola, Streptococcus pneumoniae e febre amarela. Na comparação com ausência de vacinação, os custos foram calculados, em dólares, considerando diversos parâmetros tais como tratamento evitado, custos de transporte, perdas de produtividade dos cuidadores e perdas de produtividade por incapacidade e morte. Foram usados métodos específicos para estimar o valor mais amplo, econômico e social, de uma vida mais longa e com bom estado de saúde decorrente da imunização.  Quanto aos resultados, admite-se que  nos 73 países, a vacinação, entre 2001 e 2020, evitará mais de 20 milhões de mortes e economizará US$ 350 bilhões.  As mortes e incapacidades evitadas  pela administração das vacinas, durante as duas décadas, resultarão em ganhos estimados de produtividade ao longo da vida de US$ 330 bilhões e US$ 9 bilhões, respectivamente.  Prevê-se também uma economia de cerca de US$ 5 bilhões relacionadas aos custos de tratamento. Mas o dado mais significativo é o impacto global, econômico e social, associado à qualidade de uma vida mais longa e saudável:  a estimativa é de US$ 820 bilhões.

A conclusão do estudo é que, em  alguns dos países mais pobres do mundo,  a imunização por meio das vacinas,  ultrapassa os limites do campo da saúde, ao evitar custos e aumentar a produtividade econômica. E por razões óbvias estas campanhas são ainda mais relevantes quando realizadas na infância ou adolescência, já que vacinas aplicadas tardiamente visando a diminuição da incidência de doenças crônicas em adultos tem menor potencial de benefício econômico. este tipo de resultado, que aborda e até extrapola a dimensão econômica, nos permite dizer que vacinação é um ótima aplicação.

(Ozawa et al. Estimated economic impact of vaccinations in 73 low- and middleincome countries, 2001–2020 Bull World Health Organ 2017;95:629–638 | doi: http://dx.doi.org/10.2471/BLT.16.178475)


Disfunção sexual ao longo da vida afeta até 2/3 das brasileiras
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Alexandre Faisal

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Na sua opinião, a perda do desejo da mulher decorre de…. Clique aqui para votar

A disfunção sexual feminina (FSD) é uma desordem ginecológica descrita como alteração em pelo menos um dos domínios principais da função sexual , incluindo excitação e orgasmo. O impacto negativo sobre o casal e sobre a qualidade de vida da mulher é enorme.  Em geral resulta de somatória de eventos fisiológicos, emocionais ou interpessoais. Causas de FSD de ordem anatômica/biológica incluem a mutilação genital, endometriose, câncer ginecológico, incontinência urinária, alterações endócrinas e doenças degenerativas e vasculares. Dentre as causas psicológicas sobressaem a depressão e uso de drogas psicoativas. Como se trata de problema frequente, demanda o reconhecimento e ação de profissionais de saúde por meio de tratamentos médicos e psicológicos. Saber qual a magnitude do problema no Brasil foi o tem de uma revisão sistemática conduzida por pesquisadores da Universidade Estadual de Santa Catarina. Trata-se do primeiro estudo deste tipo no país, usando apenas publicações nacionais.

A  pesquisa encontrou 113 artigos sobre o tema, dos quais 20 foram usados para estimar a prevalência das disfunções sexuais femininas. Questionários validados avaliaram os diferentes problemas sexuais. Vamos aos principais resultados: a disfunção sexual feminina variou de 13,3% a 79,3% nesta população: sendo que problemas de baixa libido ocorreu entre 11% a 75%, problemas de excitação entre  8% a 68%, lubrificação de 29,0% para 41%, e orgasmo de 18% a55%, e satisfação de 3,3% para 42%; Dispareunia foi bastante comum também  (1,2% a  56%). De imediato chama atenção  a divergências entre os estudos, atribuída aos métodos de avaliação e as diferenças entre as populações avaliadas. De qualquer modo, o que se observa é alta prevalência de disfunção sexual feminina no Brasil, ocorrendo em 2/3 das mulheres brasileiras. Outra associação merece um comentário. Ser casado não implica apresentar distúrbios da função sexual. Estudos prévios já sugeriam que queixas sexuais são mais frequentes em divorciadas (87%) do que nas casadas (62%) e até solteiras (66%). Em geral, a presença de um parceiro influencia positivamente a função sexual das mulheres e as mulheres que consideram seu relacionamento amoroso excelente apresentam melhores escores do que aquelas que consideram a relação marital satisfatória.Como se sabe, para as mulheres conta mais a qualidade dos relacionamentos e sentimentos para com seus parceiros do que a freqüência da atividade sexual.

Finalmente para quem se surpreendeu com estes números vale lembrar que estudos em outros países, tais como U.K., Finlândia, Austrália e Irã mostram também alta prevalência de disfunção sexual feminina. E no topo da lista de reclamações está o  desejo sexual hipoativo. Não chega a ser um consolo, mas é algo que pode ficar esquecido. Não por acaso o artigo sugere a adoção de políticas nacionais de saúde em relação à função sexual. Políticas que promovam a conscientização, prevenção, diagnóstico precoce e tratamento dessas condições. As mulheres agradecem.

(Wolpe et al. Prevalence of female sexual dysfunction in Brazil: A systematic review. European Journal of Obstetrics & Gynecology and Reproductive Biology 211 (2017) 26–32)


Dia mundial do diabetes: 7% das brasileiras sofrem com a doença
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Alexandre Faisal

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Você sabe quais são do sintomas do diabetes ?  Clique aqui para votar

O diabetes é uma doença crônica metabólica caracterizada pelo aumento da glicose no sangue. O distúrbio acontece porque o pâncreas não é capaz de produzir a insulina em quantidade suficiente para suprir as necessidades do organismo. A insulina promove a redução da glicemia ao permitir que o açúcar que está presente no sangue possa penetrar as células, para ser utilizado como fonte de energia. Se não tratado, o diabetes sobre causar insuficiência renal, amputação de membros, cegueira, doenças cardiovasculares, como AVC (derrame), e infarto. Quando se investiga a importância do DM como carga de doença, ou seja, o impacto da mortalidade e dos problemas de saúde que afetam a qualidade de vida de seus portadores, por meio do Disability Adjusted Life of Years (DALY), observa-se que, em 1999, o DM apresentava taxa de 12 por mil habitantes, ocupando a oitava posição, sendo superado pelo grupo das doenças infecciosas e parasitárias, neuropsiquiátricas, cardiovasculares, respiratórias crônicas, do aparelho digestivo, neoplasias malignas e doenças musculoesqueléticas. Uma epidemia de diabetes mellitus (DM) está em curso.

Atualmente, estima-se que a população mundial com diabetes seja da ordem de 387 milhões e que alcance 471 milhões em 2035. Cerca de 80% desses indivíduos vivem em países em desenvolvimento. O número de diabéticos está aumentando em virtude do crescimento e do envelhecimento populacional, da maior urbanização, da progressiva prevalência de obesidade e sedentarismo, bem como da maior sobrevida de pacientes com DM. A Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com o IBGE, mostra que o diabetes atinge 9 milhões de brasileiros  (6,2% da população adulta). As mulheres (7%) apresentaram maior proporção da doença do que os homens (5,4%). A doença é mais comum em pessoas mais velhas: 0,6% entre 18 a 29 anos; 19,9% entre 65 e 74 anos. No Brasil, um estudo realizado na comunidade nipo-brasileira mostrou aumento vertiginoso na prevalência de DM, cuja taxa passou de 18,3%, em 1993, para 34,9%, em 2000, o que comprova o impacto de alterações no estilo de vida, em particular do padrão alimentar, interagindo com provável suscetibilidade genética. Diabetes é doença cercada de crenças. Entre elas a de que “comer doce é causa de diabetes” (embora diabéticos tem que moderar consumo), “é fácil perceber a doença” (nem sempre há sinais claros como muita sede, fome, muita micção), “só gordo tem DM” (Diabetes 2 é mais comum em obesos mas existem magros diabéticos).

A boa notícia é que há evidências de que alterações no estilo de vida, com ênfase na alimentação e na redução da atividade física, associam-se a acentuado incremento na prevalência de DM2. Os programas de prevenção primária do DM2 baseiam-se em intervenções na dieta e na prática de atividades físicas, visando combater o excesso de peso em indivíduos com maior risco de desenvolver diabetes, particularmente nos com tolerância à glicose diminuída. Um estudo finlandês (Finnish Diabetes Prevention Study) mostrou que mudanças de estilo de vida, em 7 anos, diminuíram a incidência de DM em 43%. Os resultados do Diabetes Prevention Program (DPP) mostraram redução de 34% em 10 anos de acompanhamento na incidência de casos de DM mediante o estímulo a uma dieta saudável e à prática de atividades físicas. Outras medidas importantes na prevenção secundária (ou seja para quem já sofre de DM) são o tratamento da hipertensão arterial e dislipidemia, reduzindo os de complicações, a prevenção e o cuidados das úlceras nos pés e o rastreamento para diagnóstico e tratamento precoce da retinopatia.


Periodontite se associa com 14% de aumento no risco de câncer feminino
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Alexandre Faisal

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Você acha o cuidado com a saúde bucal tão importante quanto os demais cuidados de saúde?  Clique aqui para votar

Cuidados com a cavidade bucal e dentes são pouco freqüentes na população, até por razões culturais que não identificam a higiene oral como uma prática tão importante de saúde como medir a pressão,  controlar a glicemia ou fazer exame de prevenção de câncer. Mas isso não é bem assim. E, pior ainda, a doença periodontal pode estar associada ao maior risco de câncer em mulheres mais velhas. Esta é a conclusão de um grande estudo americano (WHI) que avaliou prospectivamente mais de 65 mil mulheres, com idades entre 54 e 86 anos. No início da pesquisa elas forneceram informação sobre doenças periodontais no período de 1999 e 2003, por meio de pergunta direta. Posteriormente foram avaliadas por até 15 anos para a verificação da ocorrência de diferentes tipos de câncer. Foram avaliadas outras variáveis que poderiam confundir uma eventual associação entre periodontite e câncer, tais como idade, etnia, consumo de álcool e principalmente tabagismo.

O resultado mais impressionante confirma que  história de doença periodontal  se associou com aumento de 14% no risco total de câncer. E que estes resultados foram semelhantes quando as análises foram limitadas as mulheres que nunca haviam fumado na vida. A associação foi observada para vários tipos de câncer: mama, pulmão, esôfago, vesícula biliar e melanoma, sendo que a magnitude do efeito variou conforme a localização do tumor. Os mecanismos por meio dos quais a doença periodontal promove câncer não é bem definido e precisa ainda ser determinado. Uma teoria  plausível admite que patógenos orais, certas bactérias, por exemplo, podem-se  deslocar para outros locais do organismo por meio da saliva no intestino, aspiração na placa dental ou liberação na circulação a partir dos tecidos periodontais doentes. A identificação destes agentes em locais distante da boca já foi documentada. Falta ainda esclarecer o mecanismo da carcinogênese.

As implicações do estudo são evidentes. O tratamento da doença periodontal passa a ser também importante como forma de reduzir o risco destes tipos de câncer feminino. Principalmente se consideramos que problemas de saúde bucal, incluindo gengiva e dentes é mais freqüente com o aumento da idade e envelhecimento e que a maioria dos cânceres tende a ter um longo período de latência. Mas antes que os homens acreditem que este assunto é coisa de mulher, vale destacar que  um outro estudo com mais de 48 mil  profissionais de saúde masculinos dos EUA relatou um aumento de 14% do risco total de câncer, entre os homens com história de doença periodontal auto-relatada, na comparação com os que aqueles sem não possuem essa história. Como se observa, os homens também não vão escapar deste cuidados orais.

(Nwizu et al.Periodontal Disease and Incident Cancer Risk among Postmenopausal Women: Results from the Women's Health Initiative Observational Cohort. Cancer Epidemiol Biomarkers Prev; 26(8); 1255–65,2017)