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História familiar muda a época do rastreamento do câncer de mama

Alexandre Faisal

05/12/2019 12h04

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         O câncer de mama é uma das principais causas de morbimortalidade em mulheres em todo o mundo: representando um quarto de todos os novos casos de câncer e 15% das mortes por câncer em mulheres. O histórico familiar é um fator de risco não modificável para a doença, sendo que o risco de câncer de mama associado à história familiar varia com a idade do indivíduo, natureza e número de parentes afetados e até a idade em que o familiar recebeu o diagnóstico. Mesmo parentes de segundo grau com câncer de mama são tidos como fatores de risco. As mulheres sabem que o rastreamento ou triagem por meio da mamografia pode salvar vidas. Estima que um programa de triagem pode diminuir a mortalidade por câncer de mama em até 20%. A mamografia de triagem ou rastreamento permite a detecção de tumores numa fase inicial, quando há mais opções de tratamento viável e eficaz. Por outro lado, e as mulheres estão mais conscientes deste aspecto, a triagem está associada com riscos substanciais, como sobrediagnóstico, resultados falso-positivos, danos físicos e psicológicos, particularmente quando um grande número de mulheres com baixo risco é frequentemente rastreada. As melhores evidências recomendam rastreamento a cada 2 anos após 50 anos. Mas é comum o rastreamento após 40 anos em diversos serviços.

          Um estudo interessantíssimo realizado por pesquisadores da Division of Preventive Oncology, em Heidelberg, Alemanha procurou responder a seguinte questão: Com que idade as mulheres com famílias diferentes histórias de câncer de mama começam a triagem?. Para isso eles usaram registro de dados nacionais de câncer da Suécia. Todas as mulheres nascidas a partir de 1932 e com pelo menos 1 parente de primeiro grau conhecidos (PPG) (N = 5 099 172) forma incluídas. Foram usados dados sobre câncer do período de 1º de janeiro de 1958, até 31 de dezembro de 2015, foram coletadas. O desfecho principal foi o diagnóstico de câncer de mama e idade nas quais as mulheres com diferentes constelações de história da família atingiram o nível de risco em que a triagem mamária é geralmente recomendada. O cálculo do risco para desenvolvimento de câncer de mama em 10 anos foi estimado por fórmula que incluiu dados sobre número de casos novos e idades das mulheres na época do diagnóstico. As duas exposições principais foram história familiar de câncer de mama em parentes de primeiro (PPG) e de segundo grau (PSG). Das 5.099.172 mulheres incluídas no estudo, 118 953 (2,3%) receberam diagnóstico de câncer de mama primário invasivo. Um total de 102.751 mulheres (86,4%; idade média 55,9 anos) não apresentavam histórico familiar de câncer de mama em PPG e PSG no momento do diagnóstico.

          O resultado mais interessante mostra que a idade inicial de rastreamento do câncer de mama adaptada ao risco variou conforme o número de PPG e PSG com diagnóstico de câncer de mama e com a idade do diagnóstico dos PPG. Por exemplo, mulheres com múltiplos PPG afetados, e com uma parente afetada antes dos 50 anos de idade, o risco de referência que justificasse a triagem ocorria aos 27 anos. Quando a parente mais nova recebeu um diagnóstico após os 50 anos, no entanto, esse nível de risco foi atingido aos 36 anos. Mais um exemplo, para mulheres com 1 PPG que recebeu o diagnóstico antes dos 40 anos de idade, o risco que justifica a realização da triagem foi observado aos 34 anos, ou seja, 11 anos antes que o risco na população geral. O novo estudo tem tudo para contribuir com a dúvida que habita a cabeça das mulheres (e dos seus médicos também) com história familiar de câncer de mama.

(Mukama et al. Risk-Adapted Starting Age of Screening for Relatives of Patients With Breast Cancer. JAMA Oncol. doi:10.1001/jamaoncol.2019.3876)

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP e pesquisador científico do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP. Formado em Psicossomática, pelo Instituto Sedes Sapientiae, publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" e é co-autor do livro "Segredos de Mulher: diálogos entre um ginecologista e um psicanalista”. Atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais e sobre saúde em empresas e eventos.

Sobre o Blog

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