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Blog do Dr. Alexandre Faisal

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Em jovens, "vício na internet" se associa com sofrimento psíquico

Alexandre Faisal

19/09/2019 14h42

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Todos nós concordamos: ficou difícil viver ser a internet. Ela se tornou um componente indispensável da nossa vida contemporânea, no trabalho, estudos, lazer e interação social.  Mas para algumas pessoas, a situação é bem diferente, e a internet é um vício: os ingleses chamam de "Internet Addiction" (IA). A pessoa passa horas por dia acessando a rede e apresenta queixas clínicas importantes: modificação do humor, intolerância, retraimento social e conflitos psicológicos. Os sintomas são recorrentes e a pessoa pode ter prejuízos no ambiente social, familiar e de trabalho. Muitos dos fatores relacionados à gravidade da IA ainda são desconhecidos. Um estudo realizado no Japão, por pesquisadores do Departamento de Neuropsiquiatria da Keio University School of Medicine, procurou examinar a prevalência e fatores associados à gravidade da IA, em mais de 3200 estudantes japoneses, do primário à universidade. Os pesquisadores usaram diversos questionários e instrumentos, sendo que um deles avaliou a IA. Neste instrumento, o número de horas na Internet era item importante para o diagnóstico. O sofrimento psíquico também foi mensurado.

Os resultados mostram que a gravidade da IA ​​se associou com uso de serviços de mensagem, SMS, jogos, uso da Internet nas férias, menor tempo de sono e menor idade no primeiro contato com internet. E claro IA se associou com sofrimento psíquico. Em contrapartida,  o uso da Internet para fins educacionais foi fator de proteção. A explicação pode estar na busca irreal e inatingível por reconhecimento e afeto na rede, quando de fato, as relações sociais, reais e não virtuais, são malsucedidas.  Por outro lado, estudos neuropsicológicos e de neuroimagem sugerem que a IA está ligada a alterações funcionais em áreas do cérebro, como o córtex pré-frontal. Esta área cerebral está relacionada a determinados comportamentos que podem ou não ser de risco, incluindo, por exemplo, o modo como a pessoa enfrenta os problemas. Futuras pesquisas sobre IA deverão se ocupar deste e de outros aspectos. E que seja rápido já que entre os mais afetados pelo excesso de conexão são as crianças e adolescentes.

(ElSalhy  et al. Relationships between Internet addiction and clinicodemographic and behavioral factors. Neuropsychiatric Disease and Treatment 2019:15 739–752).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP e pesquisador científico do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP. Formado em Psicossomática, pelo Instituto Sedes Sapientiae, publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" e é co-autor do livro "Segredos de Mulher: diálogos entre um ginecologista e um psicanalista”. Atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais e sobre saúde em empresas e eventos.

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam as mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e descontraída das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.