Blog do Dr. Alexandre Faisal

Os riscos do uso excessivo de serviços médicos
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Alexandre Faisal

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O excesso de uso dos serviços médicos é um fato em muitos países, incluindo o Brasil. O periódico Lancet faz um panorama nada animador do problema e aponta os riscos deste fenômeno recente 

Você acha que há, no Brasil, uso excessivo de serviços médicos ? Clique aqui para votar

O tema é atualíssimo. Em diversos países, tanto de alta quanto média-baixa renda, o fenômeno está cada vez mais freqüente: o excesso de uso de serviços médicos, que engloba também o excesso de diagnósticos e testes laboratoriais e a hipermedicalização. O periódico Lancet abordou o tema recentemente procurando definir melhor os conceitos, as prevalências de cada prática e o local onde elas acontecem. A tarefa não é fácil já que já o próprio conceito de uso excessivo é complexo, e, portanto, difícil de ser mensurado. Uma prática médica excessiva ficaria no meio do caminho entre uma intervenção cientificamente comprovada, com mais benefícios do que danos e outra não efetiva, com mais danos que benefícios. No entanto, até os próprios pacientes podem expressar sentimentos e preferências quanto a estas diferentes práticas, o que levaria, a depender do caso, a aumento ou diminuição do uso excessivo de atos médicos. E para complicar médicos tem dificuldade em entender os valores e preferências dos seus pacientes, no que concerne aos riscos de fazer (ou não) certos exames e procedimentos médicos.

As estatísticas disponíveis em 5 revisões sistemáticas mostram que nos Estados Unidos até 8% dos cuidados de saúde são excessivos. Mas para alguns países, a prevalência chega a 90%. O Brasil (ao lado da Austrália, Israel, Irã e Espanha) está entre os países que mais abusa de práticas médicas desnecessárias. Para fins de exemplo, realizar exames preventivos para câncer de colo uterino em mulheres sem útero ou idosas e dosagem de PSA em intervalos menores que 12 meses estão entre os mais comuns. Ressonância magnética rotineira para lombalgia também. Mas a lista é bem longa. Isso sem contar o uso indiscriminado de antibióticos para infecções do trato respiratório superior, muitas vezes de etiologia viral e, até mesmo, o uso de medicações contra tumores malignos avançados, de prognóstico limitado.

O fato é que o uso inadequado das diversas práticas médicas pode resultar danos físicos, psicológicos e até econômicos para os pacientes. E para piorar todas as especialidades médicas, e praticamente todos os países enfrentam o aumento do fenômeno. Ou melhor, precisam enfrentar.

(Brownlee et al. Evidence for overuse of medical services around the world. Lancet, 2017)


Qualidade da interação pai-bebê influencia desenvolvimento do criança ?
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A participação da mãe no primeiro ano de vida é fundamental para o desenvolvimento da criança. Um estudo inglês avalia se a interação do pai com o filho também é.  

Você acha que a participação do pai tem algum efeito no desenvolvimento do bebê  ? Clique aqui para votar

 

No Brasil as mulheres que deram a luz podem contar com um período de licença maternidade que varia de 120 dias (na maioria dos casos) até 180 dias (na empresas cidadãs). Isso coloca o Brasil na companhia de mais 50 países que respeitam as recomendações da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que propõe além de 14 semanas de afastamento, o pagamento de pelo menos 2/3 do salário da mulher. Mas nós brasileiros ficamos longe de países como Croácia, Reino Unido e Noruega que oferecem à mamãe, 13, 12 e 11 meses, respectivamente, de afastamento do trabalho. Mas e o papai como fica nesta história ?. A mesma OIT não preconiza nenhum padrão para licença-paternidade e, de fato, a grande maioria dos países não oferece nenhum tipo de benefício ao papai. Existem exceções como a Noruega (sempre ela) que possibilita 112 dias e os Estados Unidos com 84 dias de licença-paternidade. Na América Latina, as licenças são de 2 dias na Argentina e 4, no Peru. No Brasil 5.

A questão, no entanto, é se a presença dos pais pode ter alguma influência no desenvolvimento da criança. Pois bem, um estudo realizado em Londres avaliou o impacto do tipo e qualidade da interação pai-bebê, aos 3 e 24 meses, sobre o desenvolvimento cognitivo da criança, mensurado pela conhecida escala Bayles. 192 duplas de pais-bebês participaram da pesquisa. Aos 3 meses, os pais erma convidados a falar e brincar com o filho, sem o auxílio de brinquedos. Esta interação era gravada e analisada. As análises controlaram a idade paterna e da criança, nível educacional, depressão e até a interação mãe-bebê. Um dos resultados mais interessantes mostra que, aos 3 meses, crianças cujos pais apresentaram comportamentos mais retraídos e depressivos nas interações com seus bebês meses apresentaram menor pontuação na escala de desenvolvimento cognitivo. Aos 24 meses, o mesmo efeito, quanto pior a interação pior a pontuação das crianças.

Os autores destacam a importância potencial das intervenções para promover a participação dos pais no início da vida das crianças e as políticas que incentivam os pais a passar mais tempo com seus filhos quando eles ainda são bem pequenos. Aposto que os futuros papais vão mostrar esta pesquisa para seus patrões quando chegar a hora do bebê nascer.

(Sethna et al. Father-Child Interactions At 3 Months And 24 Months: Contributions To Children's Cognitive Development At 24 Months. Infant Ment Health J. 2017)


Vasectomia não aumenta risco de câncer de próstata
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A vasectomia é método de contracepção muito efetivo ainda que muitos homens temam seus efeitos negativos. Um estudo canadense avalia a relação entre vasectomia e câncer de próstata 

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No mundo, 33 milhões de mulheres contam com a vasectomia dos seus parceiros como método contraceptivo. O método é importantíssimo em alguns locais e países em desenvolvimento, onde as opções são mais limitadas. No entanto, além de questões relacionadas à sexualidade, existe grande preocupação dos homens quanto ao risco de câncer de próstata após a realização da vasectomia. No passado pesquisas sugeriam que isso era possível. Bem vem aí uma ótima notícia para homens que fizeram ou pensar fazer este procedimento. Um grande estudo de base populacional em Ontário, Canadá mostrou que este risco não existe. Os pesquisadores da Universidade de Toronto compararam dados de 320 mil homens com idades entre 20 e 65 anos que foram submetidos à vasectomia no período de 1994 a 2012 com número igual de homens, com características semelhantes, sem vasectomia. Os participantes foram seguidos por 10 anos na média e o aparecimento de câncer de próstata foi avaliado por meio dos registros de um grande banco de dados de câncer de Ontário.

No estudo foram observados 3462 casos novos de câncer de próstata. A boa notícia é que o surgimento de novos casos deste tipo de câncer foi semelhante nos 2 grupos: vasectomizados ou não. Também não foram encontradas diferenças quanto à gravidade da doença, o chamado estadiamento, e à mortalidade associada ao câncer de próstata. O resultado da pesquisa tranquiliza os profissionais de saúde, homens e suas parceiras quanto à segurança da vasectomia, um método que é mais simples, mais barato e comenos complicações do que o seu similar feminino: a laqueadura ou ligadura tubária.

Para de dar um exemplo, a mortalidade associada à a laqueadura das trompas é cerca de 12 vezes mais freqüente na comparação com a vasectomia. Se parte da resistência a este tipo de método contraceptivo decorria das dúvidas quanto à segurança, o estudo canadense, o maior dentre as pesquisas afins, até o presente momento, tem tudo para reverter esta situação. E tranquilizar e encorajar maridos que são, também, bons companheiros. Mas, convenhamos, reverter não é exatamente uma boa palavra para quem está criando coragem para fazer uma vasectomia.

(Nayan et al. Vasectomy and risk of prostate cancer: population based matched cohort study. BMJ 2016;355:i5546)


Tempo de vida reprodutiva da mulher se associa com sobrevida até 90 anos
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Alexandre Faisal

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Chegar aos 90 anos de idade está se tornando cada vez mais comum entre as mulheres. Um estudo americano avalia a relação entre o tempo de vida reprodutiva e longevidade até 90 anos.

Na sua opinião, qual fator é mais importante para viver até 90 anos ? Clique aqui para votar

 

O número de mulheres com 90 anos ou mais nos Estados Unidos aumentou incrivelmente ao longo das últimas décadas. Estima-se que existam 1,3 milhões de mulheres nesta faixa etária, mas este número deverá quadruplicar até 2050. Apesar deste aumento, uma vida assim tão longa é raro. Um aspecto curioso é que não se conhecem claramente os fatores biológicos relacionados a esta excepcional longevidade em mulheres. Pois bem, um estudo americano liderado por pesquisadores da Universidade da Califórnia de San Diego usaram dados de uma grande investigação populacional, o “Women’s Health Initiative”, para investigar a associação entre fatores reprodutivos e sobrevida até os 90 anos de idade. Foram incluídas mulheres menopausadas recrutadas para o estudo no período de 1993 a 1998 e que fizeram a última avaliação de resultados, 08/2014. No total participaram 16.251 mulheres que haviam nascido até a data de 08/1924 e para as quais foi possível avaliar a sobrevida até 90 anos. Foram então comparados dois grupos de mulheres: aquelas com 90 anos ou mais e as que morreram antes dos 90 anos. Dados reprodutivos tais anos de vida reprodutiva, idade da primeira menstruação (menarca) e da menopausa (natural ou cirúrgica) foram analisados em relação à longevidade. Estilo de vida, fatores sociodemográficos, obesidade, uso de anticoncepcionais e reposição hormonal foram levados em conta. As participantes tinham em média 74,7 anos de idade no início do estudo. Dentre as participantes (16.251), 55% (8.892) sobreviveram até a idade de 90 anos.

Vamos aos resultados mais interessantes: As mulheres que menstruaram mais tarde apresentaram mais chance de viver até 90 anos. Em relação à menopausa, aquelas que menstruaram, naturalmente ou após retirada do útero, entre 50 e 55 anos, tinham maior sobrevida quando comparadas as mulheres que entraram na menopausa antes dos 40 anos. Finalmente, ao comparar os anos de vida reprodutiva, ou seja, intervalo entre menarca e menopausa, também se associou a maior sobrevida. A probabilidade de viver até 90 anos foi 13% maior em mulheres com mais de 40 anos de vida reprodutiva na comparação com menos de 33 anos de idade reprodutiva.

Como explicar tudo isso?. Bem, os pesquisadores têm algumas hipóteses, sendo que uma delas é que exposição prolongada ao hormônio ovariano endógeno pode ser cardioprotetora. A outra é que no estudo observou-se que as mulheres com idade mais avançada na menarca tinham menor probabilidade de ter história de doença cardiovascular e aquelas com idade mais avançada na menopausa tinham maior probabilidade de estar em excelente estado de saúde no início do estudo. Uma possibilidade é que os eventos reprodutivos, tais como menarca, menopausa e gravidez, sejam simplesmente indicadores do melhor estado de saúde. E isso também seria influenciado por fatores genéticos. O mais provável é que um conjunto comum de fatores genéticos explique a associação entre esses aspectos reprodutivos femininos e a longevidade. Novas pesquisas devem desvendar estas intrigantes relações. O certo é que com a expectativa de vida das mulheres (e dos homens) aumentando a cada ano é bem legal entender o segredo de viver tanto tempo.

(Shadyab, et al. Ages at menarche and menopause and reproductive lifespan as predictors of exceptional longevity in women: the Women’s Health Initiative. Menopause, 24, 2017)


Acaso (ou má-sorte) responde por 66% das mutações associadas ao câncer
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Alexandre Faisal

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Os fatores hereditários e ambientais estão no centro de muitas pesquisas em oncologia. Uma publicação na Science afirma que o impacto destes fatores é muito menor do que o esperado. Na sua opinião, qual fator é mais importante para o surgimento do câncer ? Clique aqui para votar

 

Uma publicação recente no periódico Science causou furor no meio acadêmico e deveria, se confirmadas as hipóteses dos autores, deixar todos nós, mortais, preocupados também. Os autores do artigo, renomados pesquisadores da área da genética molecular, investigaram a relação entre o número de divisões celulares de células troncos de certos tecidos ao longo da vida e as taxas de incidência de 17 tipos de câncer em 69 países. O modelo estatístico usado mostrou que havia forte correlação entre a incidência dos diversos tipos de tumores e o número estimado de divisões de células- tronco. Os resultados vão na mesma direção de publicação de 2015, na mesma Science, com dados de 31 tipos de câncer nos Estados Unidos. Na ocasião, após forte reação do meio acadêmico, os autores usaram um exemplo mais didático para explicar os resultados da pesquisa. Para eles, o número vida de divisões de células-tronco em um determinado tipo de tecido particular é análogo ao número de milhas percorridas em uma viagem de carro: quanto mais longa a viagem, maior a probabilidade do motorista sofrer um acidente fatal.

A ideia é que cada divisão de células-tronco representa um bilhete na loteria do câncer. Embora o número de mutações necessárias para o surgimento do câncer possa diferir entre tecidos, os tecidos com mais divisões celulares tendem a apresentar maiores taxas de câncer. Com base neste raciocínio, apenas um terço da variação no risco de câncer entre os tecidos é atribuível a fatores ambientais ou predisposições herdadas. A maioria, ou os demais 2/3 são devidos a ''má sorte''. Ou seja, falhas no processo de divisão celular (e/ou reparação do erro na divisão celular) que independem de fator genético ou ambiental. A implicação imediata de tal hipótese é que se dois terços dos tumores malignos surgem por acaso em decorrência de mutações somáticas acumuladas, não adianta muito investir recursos e esforços em prevenção, mas sim na busca de suas origens.

O impacto da publicação gerou críticas de outros pesquisadores que reconhecem a importância de fatores ambientais, de estilo de vida e genéticos na etiologia do câncer. E não acham que é apenas questão do acaso que aqui se traduz mais adequadamente por má-sorte. De fato, tabagismo, alcoolismo, infecções virais e algumas predisposições genético-familiares estão claramente associadas com certos tipos de câncer, em muitos estudos epidemiológicos. E nestes estudos os participantes com maior exposição aos diferentes fatores de risco eram justamente aqueles com maiores incidência de câncer. E não simplesmente os mais azarados. Até que surjam novos estudos continua de pé a recomendação: cuide-se que vale a pena. E não confie apenas na sua sorte

(Tomasetti et al., Stem cell divisions, somatic mutations, cancer etiology, and cancer prevention Science 355, 1330–1334 (2017);  Tomasetti & Vogelstein. Cancer etiology. Variation in cancer risk among tissues can be explained by the number of stem cell divisions. Science. 2015;347(6217):78–81)


Mãe que aleita reduz em 30% o risco de Síndrome Metabólica
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Alexandre Faisal

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Diversos benefícios do aleitamento materno são conhecidos. Um estudo coreano avalia se maior tempo de aleitamento reduz risco de doenças metabólicas da mãe. 

Na sua opinião, quanto tempo a mãe deve aleitar o bebê? Clique aqui para votar

A síndrome metabólica (SM) é caracterizada pela presença de diferentes fatores de risco para doença cardiovascular, incluindo obesidade abdominal, hipertensão, resistência à insulina, glicemia de jejum, diminuição do colesterol de alta densidade (HDL-C) e triglicerídeos elevados. A prevalência da SM entre os adultos americanos é de 31%,em homens, e, 27%, em mulheres. E isso é fonte de grande preocupação já que a SM se associa doenças cardiovasculares, cerebrovasculares, renais, diabetes tipo 2 e aumento da mortalidade por todas as causas. Será que o aleitamento é uma fator de proteção para o surgimento da SM ou de alguns dos seus componentes?. Um estudo realizado por pesquisadores de Seul, Coréia procuraram estimar a relação entre da duração da amamentação com a SM (e seus componentes), em mulheres com idades entre 19 a 50 anos. Foram analisados dados de 4724 participantes de inquérito nacional sobre Saúde e Nutrição.

Os pesquisadores usaram questionário para avaliar diversas questões de saúde, comportamentais e sócio-demográficas, enquanto medidas antropométricas e exames laboratoriais foram colhidos no domicílio da participante. As mulheres foram divididas em quatro grupos de acordo com a duração da amamentação, auto-referida: < 6, 6-11, 12-23, ou > 24 meses. Os resultados mais importantes mostram  as mulheres que amamentaram por 12 a 23 meses apresentaram redução de 27% no risco de SM na comparação com mulheres que amamentaram menos de 6 meses. O resultado foi igualmente promissor no caso de aleitamento superior a 24 meses: uma redução de 30% na SM, além de benefícios para glicemia e nível dos triglicérides. De fato, em todos os cenários, o aleitamento superior a 6 meses, mesmo para aquelas mulheres que conseguiram no máximo 1 ano de aleitamento foi sempre benéfico para a saúde da mulher. A explicação para esta feliz associação entre maior tempo de aleitamento e risco metabólico não é totalmente clara. As hipóteses incluem o próprio comportamento saudável da mulher e padrão de funcionamento hormonal. Neste caso, por exemplo, imagina-se que as mulheres que aleitam mais tempo apresentem tenham menor ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, que está implicado nos níveis de cortisol e da glicemia.

Independentemente do mecanismo, a implicação mais imediata do estudo é que amamentar faz bem. E nós não estamos falando mais do bebê, algo veiculado em todas as revistas femininas, programas de televisão e guias das maternidades. E que todo mundo incluindo as mães já sabe. Aqui nós estamos falando do benefício para a saúde futura das mamães. É mais um bom motivo para as mulheres amamentarem.

(Choi et al. Association Between Duration of Breast Feeding and Metabolic Syndrome: The Korean National Health and Nutrition Examination Surveys. Journal Women’s Health 2017)


Dá para confiar nas camisinhas disponíveis no Rio de Janeiro ?
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Alexandre Faisal

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Camisinhas são disponibilizadas em unidades de saúde e ganham destaque da mídia no Carnaval. Um estudo brasileiro avalia a qualidade do preservativo masculino 

Você ou seu parceiro se preocupam com qualidade da camisinha que vocês usam ? Clique aqui para votar

        A qualidade dos preservativos disponíveis no Brasil tem sido debatida desde 1987, quando os preservativos foram incluídos na categoria de produtos farmacêuticos. Os preservativos permanecem Jurisdição da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) sob tutela do Ministério da Saúde. Preservativos masculinos têm função dupla, protegendo contra a gravidez e doenças sexualmente transmissíveis (DST). A incidência de DST tem aumentado no Brasil graças ao baixo nível socioeconômico, condições culturais precárias e falta de educação sexual adequada, particularmente entre os jovens. A qualidade dos preservativos de látex pode variar de acordo com o lote,  diferenças na tecnologia de fabricação e lote de fabricação, resultando em variação de qualidade considerável. Do ponto de vista da contracepção, o preservativo falharia na ordem de 15 gravidezes em 100 mulheres que usam cada ano.

          Um estudo liderado por pesquisadores da FIOCRUZ procurou avaliar a qualidade dos preservativos masculinos no Rio De Janeiro. De 2009 a 2011, foram avaliadas 20 marcas de preservativos masculinos por lote de 8 manufaturas – tanto domésticas quanto importadas – comercializadas no Rio de Janeiro. Os preservativos foram avaliados quanto ao comprimento, largura, espessura, furos, integridade da embalagem primária, volume de ruptura, pressão de ruptura, etiquetagem e embalagem. A ausência de furos é considerada o teste mais importante foi realizada por meio de método elétrico e  visual. As 4000 unidades avaliadas eram marcas nacionais (13) e estrangeiras (7).  Os resultados são impressionantes e preocupantes: das 20 marcas avaliadas, 17 foram consideradas não-conformes, em pelo menos uma das análises realizadas. Em 3 das marcas havia número excessivo de furos. Em 13 a capacidade volumétrica e pressão de ruptura eram inadequadas, o que poderia resultar em ruptura ou escape do condom.

          As implicações do estudo são evidentes: os controles de qualidade devem ser ainda maiores sobre os fabricantes de camisinha. Com estes resultados muitos podem se sentir inseguros ao fazerem sexo seguro.

(Duarte et al. Quality evaluation of commercially available male condom in Rio de Janeiro, Brazil, 2009–2011. Reproductive Health(2016) 13:145)

 


Jovens americanos são menos ativos sexualmente
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Alexandre Faisal

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Nunca se falou tanto de sexo como atualmente. Mas será que os jovens são , de fato, ligados em sexo?. Um estudo americano compara a atividade sexual em diferentes gerações e apresenta resultados surprendentes

Na comparação com os jovens de gerações passadas, qual é o nível de interesse por sexo dos jovens de hoje? Clique aqui para votar

Será que os jovens de hoje, tão plugados e conectados por meio de diversas mídias, são, de fato, ligados em sexo?. Esta interessante questão foi avaliada numa publicação do periódico ''Archives of Sexual Beahvior''  e traz novidades até certo ponto surpreendentes. Pesquisadores americanos procuraram examinar as tendências de inatividade sexual durante a vida adulta, comparando jovens nascidos entre 1980-1994  (a geração chamada Milenial), jovens nascidos entre 1995-2012 (a chamada geração IGen) com adultos da década de 1960 e 1970, a geração X. Eles usaram dados da ''General Social Survey'', que usa amostra populacional com mais de 26 mil adultos americanos e que incluía questões sobre atividade e parceiros sexuais, desde os 18 anos de idade. Os questionários eram feitos anualmente ou a cada 2 anos no período de 1989 a 2014. Variáveis como raça, religião, educação e região foram levadas em contas nos modelos de análise.

Os resultados mostram que na faixa etária de 20 a 24 anos, havia 15% de jovens sexualmente inativos desde os 18 anos de idade, entre os Millenniais, aqueles nascidos na década de 1990 (15%) e apenas 6% para os da geração X, nascidos na década de 60. Esta tendência se manteve para adultos de outras faixas etárias da mesma geração. No geral, as taxas mais elevadas de inatividade sexual foram observadas entre as mulheres,  passando de 5% para 16% entre as duas gerações. Por outro lado, menores taxas de inatividade sexual ocorreram em pessoas da raça negra e com educação universitária. Como explicar este “distanciamento do sexo” numa geração tão conectada, que usa e abusa de Tinder, Whatsapp e Facebook?. Os autores têm algumas explicações. Em primeiro lugar, os jovens atuais vivem com seus pais por mais tempo, se casam mais tarde, e as duas coisa podem atrasar a atividade sexual. Em segundo lugar, a cultura do ficar (em inglês hook-up culture) pode, paradoxalmente, ajudar a explicar o aumento da inatividade sexual. Ficar envolve uma grande variedade de comportamentos sexuais, e é possível que o coito vaginal cede lugar as outras práticas. Outro fato é possível também que a epidemia da AIDS, com as muitas advertências dos familiares, médicos e da mídia tenha contribuído para atrasar o início da vida sexual ou pelo menos reduzir o número de parceiros, ambos como estratégia de segurança.

Futuros estudos deverão avaliar o que é considerado sexo parar os jovens de hoje para avançar nesta área de pesquisa. Até lá fica a impressão de que o mundo está mudando e que para os jovens de hoje, conexão não significa necessariamente ação, pelo menos no campo sexual.

(Twenge et al. Sexual Inactivity During Young Adulthood Is More CommonAmong U.S. Millennials and iGen: Age, Period, and Cohort Effects on Having No Sexual Partners After Age 18. Arch Sex Behav 2016)


Sintomas pré-menstruais podem decorrer de processo inflamatório
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Alexandre Faisal

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Existem algumas hipóteses para explicar os sintomas pré-menstruais que interferem com a qualidade de vida de muitas mulheres. Um estudo americano investiga se a inflamação é uma delas

 

          Sintomas pré-menstruais afetam a vida de muitas mulheres. Admite-se que até 90% sofram com pelo menos 1 sintoma físico ou emocional antes das regras e que até 15% tenham sintomas tão intensos que as incapacitem para as atividades diárias. Apesar das teorias biológicas, muito relacionadas às flutuações hormonais e dos neurotransmissores e das teorias comportamentais e psicológicas, que implicam o estresse emocional, existem dúvidas sobre a origem do problema.

          Um estudo recente com quase 3 mil mulheres, com média de idade de 46 anos, revela novas explicações para esta síndrome: o destaque recai sobre o processo inflamatório. No início do estudo as mulheres foram classificadas quanto à presença ou não dos diferentes tipos de sintomas, que posteriormente foram classificados em 5 grupos: mudança de humor; dor abdominal/muscular; aumento do apetite/ganho de peso; dor mamária e cefaléia. Nesta ocasião, foram mensurados os níveis de proteína C reativa, um marcador da inflamação. Resultado, exceto para a cefaléia, todos os demais grupos de sintomas se associaram com maiores níveis de proteína C reativa, um importante marcador do processo inflamatório.

          A hipótese é que a inflamação precede o surgimento de sintomas pré-menstruais. Se isso for verdade, a Síndrome pré-menstrual está na companhia de outras doenças crônicas, tais como hipertensão arterial, diabetes e doença coronariana. Já se sabe, por exemplo, que mulheres com a Síndrome tem , de fato, maior risco de desenvolver hipertensão, na comparação com mulheres sem os sintomas. Assim se as futuras pesquisas confirmarem esta hipótese, novos tratamento visando a redução do processo inflamatório teriam o potencial de também prevenirem as outras doenças crônicas, que habitualmente surgem mais tarde na vida das mulheres. Se isso acontecer dá para imaginar que as mulheres que sofrem com queixas pré-menstruais vão ter pelo menos mais um bom motivo para se tratarem. Será um caso típico de fazer um tratamento e prevenir duas ou mais doenças.

(Bertone-Johnson E. Chronic inflammation and premenstrual syndrome: a missing link found?. J Womens Health 2016)


Produto promete revolucionar a contracepção masculina definitiva
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Alexandre Faisal

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A contracepção masculina é opção pouco usada pelos casais por diferentes motivos. Um novo produto que está para ser disponibilizado pode mudar este panorama 

Você acha que os homens aceitam bem a vasectomia como método contraceptivo? Clique aqui para votar

         Em breve, os homens poderão escolher um método contraceptivo para eles, e não para suas parceiras, namoradas e esposas. Pelo menos é isso que a a Fundação americana Parsemus, entidade sem fins lucrativos voltada para produção de medicamentos de baixo custo, pretende disponibilizar, já em 2017: um método contraceptivo para ser utilizado por homens. O produto está em fase de testes e baseia-se na aplicação de um gel nos dutos deferentes, por onde passam os espermatozóides produzidos nos testículos no processo de ejaculação. O gel ocupa todo o canal impedindo a passagem dos espermatozóides, de modo semelhante ao que ocorreria numa vasectomia. No entanto, aqui o processo é reversível, bastando para isso a aplicação de uma injeção de bicarbonato de sódio no local. Os espermatozóides barrados pelo gel são absorvidos pelo organismo ou na eventualidade de conseguirem ultrapassá-lo tem suas membranas rompida.

         Na Índia, o produto vem sendo usado há mais de 15 anos e estudos de fase 1 e 2 mostrou que é seguro e eficaz. Em estudos clínicos, o método provocou alguns efeitos colaterais temporários tais como o inchamento do escroto em cerca de um terço dos participantes. Ensaios clínicos, o padrão ouro para avaliar eficácia e riscos dependem de estudos sobre toxicidade, que estão em desenvolvimento. Um dado reassegurador: segundo os cientistas, o remédio não tem contraindicações, não modifica a produção de hormônios masculinos, e pode funcionar por até por dez anos. Para completar, a expectativa é que o produto seja comercializado por menos de US$ 400.

         Mais do que uma opção contraceptiva, desta vez para os homens, o produto (Vasalgel) tem o potencial de revolucionar os costumes sociais e sexuais. Se há mais de 100 anos homens só podem optar por camisinha e vasectomia, em breve eles poderão optar por um método de longa duração reversível. E falando em centena de anos, a responsabilização total e exclusiva da mulher pela gestação pode estar com os dias contados.  (https://www.parsemusfoundation.org)