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Laqueadura tubária não se associa com menopausa precoce

Alexandre Faisal

18/10/2019 15h26

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A esterilização cirúrgica feminina, popularmente conhecida como laqueadura ou ligadura tubária (LT), ainda é o método mais comum de contracepção para mulheres nos Estados Unidos. Dados indicam que mais 700.000 procedimentos oclusivos das trompas são realizados anualmente. Aqui o método contraceptivo também é comum ainda que desperte dúvidas nas mulheres sobre seus impactos de longo prazo. Dúvidas pouco fundamentadas já que é um procedimento eficaz e seguro. Estudos indicam inclusive um menor risco de câncer de ovário em mulheres laqueadas. Mas será que a LT aumenta o risco da menopausa precoce?. A possível explicação para esta associação estaria do dano vascular na região de trompa/ovário causado pela cirurgia. Este dano poderia levar à fluxo inadequado de sangue interferindo com a reserva ovariana e consequentemente menopausa precoce. E isso não é nada bom já que a antecipação da menopausa se associa com complicações do tipo osteoporose, declínio cognitivo e doença cardiovascular.

Pesquisadores americanos da Clinica Mayo, em Minnesota, realizaram um estudo transversal, publicado no prestigioso periódico Obstetrics & Gynecology, objetivando determinar o efeito da laqueadura na idade da menopausa natural. Eles usaram dados de diferentes populações seguidas por períodos diversos: 555 mulheres na coorte 1, 1.816 mulheres na coorte 2 e 1.534 mulheres na coorte 3. O percentual de laqueadura nos 3 grupos foi de 25,5%. Mais importante, não houve diferença significativa na idade na menopausa natural em mulheres que foram submetidos a LT (em média 50 anos) na comparação com aquelas que não fizeram  este tipo de opção contraceptiva. Do mesmo modo, a técnica empregada para fazer a LT também não teve efeito sobre a idade na menopausa. O resultado confirma estudos prévios que não mostraram mudanças significativas não padrões de produção hormonal ovariana e cerebral antes e após 60 meses da LT. Boa notícia para quem optou pensa optar por este método. Mas que não deve servir com estímulo ou valorização da LT. No Brasil, a cirurgia está regulamentada pela Lei 9.263 (Lei Sobre Planejamento Familiar), de 1996 (art. 226 da Constituição Federal). Em 1996, 40% das brasileiras fizeram a cirurgia, mas felizmente isso vem caindo ao longo dos anos. O procedimento é cirúrgico e como tal tem riscos (pequenos) implícitos. Isso sem contar a questão do arrependimento que não é tão rara quanto se pensa. Principalmente quando a LT é realizada em mulheres ainda muito jovens. Neste caso em particular a recomendação é de muita cautela.

A conclusão da pesquisa reforça um aspecto positivo da LT que deve fazer parte da lista de opções contraceptivas da mulher. Mas vale lembrar um aspecto bom não significa tudo de bom.

(Ainsworth et al. Tubal Ligation and Age at Natural Menopause. Obstet Gynecol 2019;133:1247–54)

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP e pesquisador científico do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP. Formado em Psicossomática, pelo Instituto Sedes Sapientiae, publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" e é co-autor do livro "Segredos de Mulher: diálogos entre um ginecologista e um psicanalista”. Atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais e sobre saúde em empresas e eventos.

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam as mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e descontraída das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.