Blog do Dr. Alexandre Faisal

Quem tem melhores resultados: médica ou médicos?

Alexandre Faisal

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Médicas e médicos apresentam diferentes características no atendimento aos pacientes. Um estudo americano avalia, ineditamente, quem obteve melhores resultados com pacientes idosos internados

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         Imaginemos que você adoeceu ou que sua saúde inspira cuidados. Nesta hora você escolhe uma médica ou um médico para se tratar?. Antes que você responda, saiba que existem evidências científicas que homens e mulheres praticam a medicina de diferentes maneiras, sendo que as médicas aderem mais as diretrizes clínicas de tratamento, oferecem mais cuidados preventivos, tem melhor comunicação, dão mais aconselhamento psicológico para seus pacientes e tem desempenho semelhante (ou até melhor) em testes, na comparação com os médicos. Mas será que elas tem melhores resultados nos tratamento efetivamente executados?.. Muitos podem alegar que médicas têm que cuidar de filhos e, às vezes, dos maridos (alguns médicos também), o que poderia afetar seu desempenho profissional. Para esclarecer esta questão, pesquisadores de Harvard e Cambridge, nos Estados Unidos, compararam a mortalidade, em 30 dias, de pessoas com mais de 65 anos Idade média de 80 anos), internadas no período de 1º de janeiro de 2011 a 31 de dezembro de 2014, segundo o sexo do profissional de saúde: se médico ou médica. Para esta análise foram levadas em conta, variáveis como gravidade da doença, idade do paciente e local da internação. Foram utilizados dados de mais de 1 milhão e 500 mil internações. Resultado mais importante, os pacientes tratados por médicas apresentaram menor mortalidade em 30 dias. No geral, uma pequena diferença de 0.42% (11,07% vs 11,49%). O que significa que a cada 233 pacientes internados tratados por uma mulher (e não um por um homem) uma morte é evitada. A mesma tendência foi observada em termos de taxas de readmissão hospitalar, uma situação também muito relevante, na qual o paciente após ter tido alta e obrigado a ser reinternado. Neste caso, a cada 182 pacientes tratados, exclusivamente, por uma médica, uma reinternação seria evitada.

         Estas diferenças em favor das médicas persistiram em 8 tipos de intercorrências clínicas e independentemente da gravidade dos casos. Muitos (e aqui seguramente estarão os médicos) podem alegar que há diferença foi pequena e se trata apenas de idosos hospitalizados tratados por internistas, o que impede generalizações. Mas vale lembrar que nas últimas décadas com todos os avanços na medicina a margem para resultados positivos em termos de mortalidade é cada vez menor. Resultados como os do estudo aplicados em grandes populações , no entanto, fazem muita diferença. Quanto ao tipo de paciente, o contra-argumento é: “por que elas deixariam de ser melhores em outras situações clínicas?”. O fato é que esta publicação reforça estudos prévios que sugerem que médicas vão muito bem no exercício da profissão, possivelmente, um pouco melhor do que médicos.

         Uma explicação adicional para este melhor desempenho pode estar na capacidade de tomar decisões em casos mais complexos. Médicas representam 1/3 dos profissionais de medicina em exercício nos Estados Unidos. Hoje em São Paulo se formam mais médicas do que médicos. Muitos devem estar pensando: ainda bem.

(Tsugawa et al. Comparison of Hospital Mortality and Readmission Rates for Medicare Patients Treated by Male vs Female Physicians. JAMA Intern Med. doi:10.1001/jamainternmed.2016.7875)