Blog do Dr. Alexandre Faisal

Tempo de vida reprodutiva da mulher se associa com sobrevida até 90 anos

Alexandre Faisal

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Chegar aos 90 anos de idade está se tornando cada vez mais comum entre as mulheres. Um estudo americano avalia a relação entre o tempo de vida reprodutiva e longevidade até 90 anos.

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O número de mulheres com 90 anos ou mais nos Estados Unidos aumentou incrivelmente ao longo das últimas décadas. Estima-se que existam 1,3 milhões de mulheres nesta faixa etária, mas este número deverá quadruplicar até 2050. Apesar deste aumento, uma vida assim tão longa é raro. Um aspecto curioso é que não se conhecem claramente os fatores biológicos relacionados a esta excepcional longevidade em mulheres. Pois bem, um estudo americano liderado por pesquisadores da Universidade da Califórnia de San Diego usaram dados de uma grande investigação populacional, o “Women’s Health Initiative”, para investigar a associação entre fatores reprodutivos e sobrevida até os 90 anos de idade. Foram incluídas mulheres menopausadas recrutadas para o estudo no período de 1993 a 1998 e que fizeram a última avaliação de resultados, 08/2014. No total participaram 16.251 mulheres que haviam nascido até a data de 08/1924 e para as quais foi possível avaliar a sobrevida até 90 anos. Foram então comparados dois grupos de mulheres: aquelas com 90 anos ou mais e as que morreram antes dos 90 anos. Dados reprodutivos tais anos de vida reprodutiva, idade da primeira menstruação (menarca) e da menopausa (natural ou cirúrgica) foram analisados em relação à longevidade. Estilo de vida, fatores sociodemográficos, obesidade, uso de anticoncepcionais e reposição hormonal foram levados em conta. As participantes tinham em média 74,7 anos de idade no início do estudo. Dentre as participantes (16.251), 55% (8.892) sobreviveram até a idade de 90 anos.

Vamos aos resultados mais interessantes: As mulheres que menstruaram mais tarde apresentaram mais chance de viver até 90 anos. Em relação à menopausa, aquelas que menstruaram, naturalmente ou após retirada do útero, entre 50 e 55 anos, tinham maior sobrevida quando comparadas as mulheres que entraram na menopausa antes dos 40 anos. Finalmente, ao comparar os anos de vida reprodutiva, ou seja, intervalo entre menarca e menopausa, também se associou a maior sobrevida. A probabilidade de viver até 90 anos foi 13% maior em mulheres com mais de 40 anos de vida reprodutiva na comparação com menos de 33 anos de idade reprodutiva.

Como explicar tudo isso?. Bem, os pesquisadores têm algumas hipóteses, sendo que uma delas é que exposição prolongada ao hormônio ovariano endógeno pode ser cardioprotetora. A outra é que no estudo observou-se que as mulheres com idade mais avançada na menarca tinham menor probabilidade de ter história de doença cardiovascular e aquelas com idade mais avançada na menopausa tinham maior probabilidade de estar em excelente estado de saúde no início do estudo. Uma possibilidade é que os eventos reprodutivos, tais como menarca, menopausa e gravidez, sejam simplesmente indicadores do melhor estado de saúde. E isso também seria influenciado por fatores genéticos. O mais provável é que um conjunto comum de fatores genéticos explique a associação entre esses aspectos reprodutivos femininos e a longevidade. Novas pesquisas devem desvendar estas intrigantes relações. O certo é que com a expectativa de vida das mulheres (e dos homens) aumentando a cada ano é bem legal entender o segredo de viver tanto tempo.

(Shadyab, et al. Ages at menarche and menopause and reproductive lifespan as predictors of exceptional longevity in women: the Women’s Health Initiative. Menopause, 24, 2017)