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Blog do Dr. Alexandre Faisal

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Assédio no trabalho dobra risco de depressão

Alexandre Faisal

2018-01-20T18:13:35

18/01/2018 13h35

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O tema é atualíssimo. Assédio sexual é definido como qualquer forma de conduta verbal, não verbal ou física não desejada de natureza sexual que ocorre com o propósito de violar a dignidade de uma pessoa, em particular, criando ambiente intimidante, hostil, degradante, humilhante ou ofensivo.  Trata-se de fenômeno de gênero, pois as mulheres são mais propensas a serem expostas em comparação com os homens. Pesquisa dinamarquesa mostra que 5,1% das mulheres com idade entre 18 e 64 anos foram expostas ao assédio sexual em comparação com 1,2% dos homens. O assédio sexual no local de trabalho tem conseqüências negativas, tais como diminuição da satisfação e perdas de dias de trabalho e problemas de saúde mental.

Um estudo transversal realizado em Kopenhagem avaliou a associação transversal entre depressão e assédio sexual perpetrado por 2 grupos de pessoas: clientes/usuários e colegas de trabalho (supervisor ou subordinado). Eles usaram um banco de dados sobre condições de saúde e de trabalho, com amostra aleatória de indivíduos empregados de 18 a 64 anos. Os dados são coletados periodicamente entre os anos de 2012 a 2020. Nesta análise participaram  7603 pessoas funcionários de 1041 empresas.  5.2% das mulheres e 1.2% dos homens relataram assédio. Comparado aos funcionário sem exposição, ter sofrido assédio sexual por parte de clientes ou usuários, no local de trabalho dobrou o risco de sintomas depressivos. Mas ela isso era ainda mais evidente e preocupante no caso de assédio por colegas, supervisores ou subordinados. O impacto neste caso era pior emocionalmente. A explicação pode estar no fato de que até certo ponto se admite, em dados ambientes de trabalho, o assédio "faz parte" e "é inevitável". Outras explicações incluem o fato de que os efeitos do assédio sexual sejam mais graves no contexto de desequilíbrio de poder. O assédio sexual pelos supervisores também pode refletir a coerção sexual, onde o supervisor oferece bônus, aumentos salariais e promoção em troca da atenção sexual. O clima precário organizacional que tolera assédio é citado também. A má notícia da publicação é que os autores estudaram eventuais benefícios de intervenções preventivas ou restritivas do assédio na ocorrência do problema e não encontraram resultados favoráveis na avaliação do estado mental das pessoas. Talvez porque as pessoas responsáveis pelas empresas respondam falsamente com intuito de proteger o estabelecimento. Talvez porque o tema é relativamente novo e a efetividade das intervenções ainda precisa ser melhor definida.

Apesar destes resultado negativo, os autores defendem guidelines de comportamento, educação e até suporte social no caso de evitar ou contornar o estrago causado pelo assédio sexual. As mulheres e alguns homens agradecem.

(Friborg et al. Workplace sexual harassment and depressive symptoms: a cross-sectional multilevel analysis comparing harassment from clients or customers to harassment from other employees amongst 7603 Danish employees from 1041 organizations.  BMC Public Health (2017) 17:675)

 

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP e pesquisador científico do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP. Formado em Psicossomática, pelo Instituto Sedes Sapientiae, publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" e é co-autor do livro "Segredos de Mulher: diálogos entre um ginecologista e um psicanalista”. Atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais e sobre saúde em empresas e eventos.

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam as mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e descontraída das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.