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Blog do Dr. Alexandre Faisal

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A cada 100 mil nascimentos um é de gêmeos siameses

Alexandre Faisal

27/02/2018 11h01

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A incerteza sobre a origem de uma justaposição tão singular inspirou muitos mitos e lendas ao longo dos séculos. Na mitologia , o Deus Jano,  o  Deus das decisões, do passado e do futuro, da construção dos botes e navios, tinha 2 caras (1 de um velho e outra de um jovem). A primeira documentação científica de gêmeos unidos data de 1100 DC.  O nascimento de gêmeos unidos é um evento raro, com uma ocorrência aproximada de 10-20 por milhão de nascimentos nos EUA. O craniópago é o mais raro dos tipos de gêmeos unidos, com uma taxa de ocorrência geral de apenas 0,6 por milhão de nascimentos. Existem muitas classificações de gêmeos unidos. Uma deles depende da região de adesão mais proeminente que engloba os seguintes orgãos: tórax, abdômen, sacro, pelve, crânio e face. A união pelo tórax e abdômen é uma das mais comuns dentre os gêmeos siameses, com uma taxa de 75% . Os gêmeos siameses são sempre geneticamente idênticos e, portanto, do mesmo sexo (mais freqüentemente feminino na proporção feminina / masculina 4: 1). Não há associação com raça, paridade, idade materna ou hereditariedade.   Do mesmo modo, não são conhecidos os fatores ambientais que levem a esses tipos de anomalias congênitas. Suspeita-se de que a ingestão de ácido fólico possa estar implicada.

Duas teorias foram postuladas para explicar como se formaram gêmeos unidos. A teoria tradicional é a "teoria da separação (fissão)" que sugere que no caso dos gêmeos unidos há um erro na divisão celular após o 12ª dia da concepção, em embriões de gêmeos de um único óvulo e um espermatozóide. A segunda teoria é "teoria da fusão", que defende que o ovo fertilizado está completamente separado, mas, de alguma forma, as células-tronco de um feto se fundem com as células-tronco do outro feto.  Hoje, a maioria dos casos é  diagnosticada no período pré-natal usando ultra-sonografia. Este procedimento permite o aconselhamento da família sobre as opções, incluindo o término de toda a gravidez ou a continuação da gravidez. A gravidez se associa à alta incidência de complicações, incluindo prematuridade e morte neonatal. Relativamente poucos gêmeos unidos pelo crânio sobrevivem ao período perinatal – aproximadamente 40% dos gêmeos unidos morrem  e 33% mortes adicionais ocorrem no período perinatal imediato, geralmente por anomalias de órgãos congênitos. O sucesso da cirurgia realizada no no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto é um marco na medicina do país.

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP e pesquisador científico do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP. Formado em Psicossomática, pelo Instituto Sedes Sapientiae, publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" e é co-autor do livro "Segredos de Mulher: diálogos entre um ginecologista e um psicanalista”. Atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais e sobre saúde em empresas e eventos.

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam as mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e descontraída das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.