Blog do Dr. Alexandre Faisal

Exercício e perda de peso protegem a mulher da incontinência urinária

Alexandre Faisal

Resultado de imagem para female urinary incontinence

Na sua opinião, qual é o fator de risco mais importante para a Incontinência Urinária ? Clique aqui para votar

A incontinência urinária (IU), a perda involuntária de urina ao esforço, é um problema de saúde comum entre as mulheres que interfere com a qualidade de vida e leva a mulher ao isolamento social. Estudos indicam que até 40% das mulheres apresentam algum grau de IU. Mas a evolução da doença ao longo dos anos é incerta, já que mulheres relatam tanto piora quanto melhora desta inconveniente condição. Este incerteza sobre a história natural da doença e até sobre seus fatores de pesquisa motivou pesquisadores dos Estados Unidos a investigarem a questão. Eles publicaram, no ''American Journal of Obstetrics and Gynecology''  um estudo com dados de duas coortes americanas, Nurses Health Study 1 e 2, com grande número de participantes. Foram seguidas 9376 mulheres do Nurses Health Study 1, com idades entre 56 a 81 anos, e 7491 mulheres do Nurses' Health Study II, com idades entre 39 a  56 anos, ambas no início do estudo. A definição da IU foi feita por meio de questionário levando em conta a frequência e gravidade da queixa. As mulheres de meia-idade e idosas tiveram seus dados pessoais coletados e responderam às avaliações periódicas sobre a persistência, progressão, remissão ou  melhora dos sintomas urinários ao longo de 10 anos.

Quanto aos resultados, houve pequena diferença entre o grupo de mulheres mais jovens e mais velhas quanto à gravidade da IU: ao redor de 37% forma classificadas como quadro leve e cerca de 19% apresentavam incontinência urinária grave logo no início do seguimento. A má notícia é que a maioria das mulheres relatou persistência ou progressão dos sintomas durante o acompanhamento. Uma fração menor, entre 3 e 11% relatou remissão da perda urinária. E isso foi mais comum entre as mulheres mais jovens e mulheres com incontinência urinária menos grave no início do estudo. Por outro lado, o envelhecimento dobrava o risco de IU. Muitas pessoas podem alegar que contra o envelhecimento não há remédio, mas o estudo traz dados novos e interessantes.  Entre todas as mulheres participantes, o índice de massa corporal mais alto se associou fortemente com a progressão da doença. Para dar um exemplo, o risco de sofrer com perdas urinárias da mulher com sobrepeso era de 2 a quase 3 vezes maior, na comparação com mulher na faixa ideal de peso. Além disso, a realização de atividade física também se associou com melhor evolução do problema. Fazer atividades físicas reduzia o risco de IU, em 32%, nas mulheres mais velhas e mostrou tendência de benefício nas mais jovens. Vale destacar que o maior número de partos e o tabagismo também se associaram negativamente com a queixa urinária. Um dos grandes méritos da publicação é o longo tempo de seguimento. Isso sem contar suas implicações para os cuidados de saúde da mulher na meia idade ou idosa.

A mensagem final é que se para alguns fatores não há solução, como é o caso do envelhecimento, para outros, é o contrário. Há boas recomendações. Parar de fumar, perder peso e se exercitar podem, de fato, ajudar a mulher a ficar livre da incômoda situação que é a perda involuntária de urina. É o tipo da orientação multiuso já que serve para a perda urinária, mas serve também para muitas outras formas de prevenção de doenças.

(Hagan et al. A prospective study of the natural history of urinary incontinence in women. Am J Obstet Gynecol. 2018 May;218(5):502.e1-502.e8. doi: 10.1016/j.ajog.2018.01.045)