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Blog do Dr. Alexandre Faisal

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Reposição hormonal oral aumenta risco de tromboembolismo em até 190%

Alexandre Faisal

27/07/2018 15h33

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A terapia hormonal (TH) é o tratamento mais eficaz para aliviar sintomas climatéricos, que afetam até 75% das mulheres na menopausa. No entanto, os resultados de um grande estudo publicado em 2002,  o Women's Health Initiative (WHI), levantaram preocupações sobre o risco de doença cardiovascular e tromboembolismo venoso (TEV) nas mulheres que usavam uma combinação de hormônios estrógeno e progesterona. Desde então estudos diversos tem apresentado dados conflitantes quanto ao risco de diferentes formulações de reposição hormonal.  No geral há indicações de que a via transdérmica é mais segura do que a via oral. Pois bem, a dúvida está um pouco mais distante já que pesquisadores brasileiros do  Hospital de Clínicas de Porto Alegre realizaram meta-análise com 22 estudos afins. A publicação teve como objetivo investigar o risco de eventos tromboembólicos em mulheres, na pós-menopausa, usando estrogênio não oral em comparação com mulheres que usam estrogênio oral, bem como com mulheres que receberam placebo ou não eram usuários de terapia hormonal. Adicionalmente eles avaliaram o impacto trombótico do uso do estrogênio, isolado ou associado à progesterona. Importante, mulheres que já haviam tido um episódio de tromboembolismo prévio ao tratamento hormonal foram excluídas.

O resultado mais importantes mostra que houve aumento do risco de TEV apenas nas usuárias de TH oral, independentemente do estrogênio ter ser administrado na forma isolada ou associado com a progesterona. O aumento do risco variou entre 47 e 190%. A boa notícia é que a reposição hormonal não se associou com a via transdérmica. Ou seja, mulheres que usaram TH transdérmica apresentaram risco similar de eventos de TEV em comparação a não usuárias de TH.   O impacto negativo da TH oral pode estar relacionado ao aumento dos níveis de triglicérides, diminuição do tamanho das partículas de lipoproteínas de baixa densidade, a produção de alguns fatores de coagulação e proteína C-reativa. Os autores destacam algumas limitações da publicação incluindo a falta de controle de fatores de risco para TEV tais como tabagismo, a idade e obesidade, nos poucos estudos incluídos.

Assim eles recomendam prudência com os resultados que tem óbvias implicações para a prática clínica. Cabe também mencionar que TEV ocorre em cerca de  1 pessoa a cada 1000 indivíduos na população geral e não é assim um evento tão comum. Mas claro que riscos adicionais decorrentes do uso de reposição hormonal precisam ser elucidados. As mulheres sintomáticas menopausadas vivem com frequência este dilema entre repôr ou não hormônios, que no fundo é um delicado equilíbrio entre riscos e benefícios. Muitas consideram que, mais do que usar hormônios, viver é também perigoso.

(Rovinski et al. Risk of venous thromboembolism events in postmenopausal women using oral versus non-oral hormone therapy: A systematic review and meta-analysis. Thrombosis Research 168 (2018) 83–95)

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP e pesquisador científico do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP. Formado em Psicossomática, pelo Instituto Sedes Sapientiae, publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" e é co-autor do livro "Segredos de Mulher: diálogos entre um ginecologista e um psicanalista”. Atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais e sobre saúde em empresas e eventos.

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam as mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e descontraída das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.